Alianças de Sangue e Ferro
24 O Prenúncio da Tempestade Política
O retorno ao castelo foi marcado por um silêncio confortável entre Alice e Lucas, um reflexo da noite de trégua na cabana. No entanto, ao cruzarem os portões, a presença de uma carruagem com o brasão de Marcone e Sofie indicava que a bolha de paz estava prestes a estourar.
Após se livrarem das roupas sujas de lama e se aquecerem em banhos individuais, o casal encontrou seus visitantes no salão principal. O clima, que deveria ser de celebração pelo reencontro, estava denso. Marcone mantinha uma expressão sombria, e Sofie, geralmente tão vibrante, tinha as mãos inquietas sobre o colo.
— Bebam — disse Marcone, servindo quatro taças de um vinho encorpado. — Vocês vão precisar.
Alice e Lucas trocaram um olhar rápido. O príncipe sentou-se ao lado da esposa, mantendo uma proximidade que não passou despercebida por Sofie.
— O que aconteceu? — perguntou Lucas, direto. — Meus pais enviaram vocês como mensageiros de mais alguma exigência?
Sofie suspirou, inclinando-se para frente. Sua voz era um sussurro carregado de urgência.
— Não fomos enviados. Viemos por conta própria porque o que ouvimos nos corredores de Versalhes é... monstruoso, mesmo para os padrões de Katherine e Ricardo. Eu estava nos jardins internos quando os ouvi conversando com o Arcebispo de Paris.
Ela fez uma pausa, olhando nos olhos de Alice com uma empatia profunda.
— O Conselho está impaciente. O Arcebispo convenceu seus pais de que, se não houver um sinal de gravidez nos próximos meses, a união será considerada "infrutífera perante Deus". Mas eles não pretendem apenas anular o casamento.
Alice sentiu o sangue fugir do rosto. Lucas apertou o cabo da taça de vinho até os nós dos dedos ficarem brancos.
— O plano — continuou Sofie — é que Lucas receba uma permissão especial de Roma. Alice, você seria mantida como uma "segunda esposa" ou consorte simbólica, mas perderia seus direitos reais e o leito do herdeiro. Lucas seria obrigado a desposar outra. Uma francesa de sangue nobre, já escolhida a dedo por Roma e aprovada pela sua mãe.
Um silêncio ensurdecedor caiu sobre o salão. A proposta era uma humilhação pública para Alice e para a coroa inglesa, transformando a princesa de uma aliança estratégica em uma prisioneira de luxo, enquanto outra assumiria seu lugar no trono e no coração do reino.
— Uma francesa? — Lucas soltou uma risada amarga, mas seus olhos queimavam de fúria. — Eles acham que podem simplesmente me oferecer outra mulher como se estivessem trocando um cavalo cansado por um novo?
— Eles acreditam que você aceitaria pela "glória da linhagem" — disse Marcone, sério. — E acreditam que Alice, isolada e sem um herdeiro, não teria poder para protestar.
Alice levantou-se bruscamente, caminhando até a janela que dava para o vale. A liberdade que sentira na cabana agora parecia uma ilusão cruel. Ela virou-se para Lucas, o fogo Tudor brilhando novamente em seu olhar, mas desta vez misturado com um medo real de ser descartada.
— Então é isso — disse ela, a voz vibrando. — Eles querem me substituir porque eu não sou "produtiva" o suficiente.
Lucas levantou-se e atravessou o salão até ela. Na frente de Marcone e Sofie, ele segurou os ombros de Alice com firmeza, ignorando qualquer protocolo.
— Ninguém vai substituir você, Alice. Nem Roma, nem minha mãe, nem nenhuma nobre francesa. Eles queriam nos usar como peças, mas esqueceram que peças não têm vontade própria. Nós temos.
Marcone observou a cena e limpou a garganta.
— Se vocês pretendem lutar contra isso, precisam agir rápido. Katherine não faz planos para o futuro; ela os executa enquanto o inimigo ainda está dormindo.
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