Alianças de Sangue e Ferro

27 O Crepúsculo da Espera e a Promessa do Coração



​Os nove meses haviam transformado Versalhes. O que antes era um palácio de intrigas gélidas, agora parecia orbitar em torno do ventre de Alice, que carregava o futuro de duas nações com uma dignidade que silenciava qualquer crítico. Alice estava radiante, embora o cansaço do final da gestação pesasse em seus passos.

​Naquela noite, o calor do verão francês era denso. Lucas, que se tornara a sombra constante de Alice, preparou pessoalmente o banho da esposa. Ele dispensou as criadas, querendo que aquele momento de vulnerabilidade e paz pertencesse apenas aos dois.

​A banheira de mármore estava cheia de água morna, perfumada com pétalas de rosa e óleos calmantes. Com uma delicadeza que faria qualquer um duvidar de seu passado rebelde, Lucas ajudou Alice a entrar na água. Ele se sentou em um banco baixo atrás dela, pegando uma esponja de seda para banhar seus ombros e o arco generoso de seu ventre.

​— Você está tão silencioso hoje — sussurrou Alice, fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás, sentindo o toque firme e cuidadoso das mãos dele.

​Lucas parou o movimento por um instante. Ele observou o reflexo da luz das velas na água e a forma como Alice parecia uma deusa esculpida em luz e sombra. O medo, um sentimento que ele raramente admitia, apertava seu peito com mais força do que qualquer batalha que já enfrentara.

​— Estou pensando no quanto o mundo mudou em nove meses — começou ele, a voz baixa e rouca. — E no quanto eu mudei.

​Ele deixou a esponja de lado e envolveu Alice por trás, descansando o queixo em seu ombro e espalmando as mãos suavemente sobre o ventre dela, sentindo os movimentos vigorosos do bebê.

​— Alice... eu passei anos sendo um homem que não se importava com o amanhã. Eu achava que o amor era uma fraqueza que meus pais usavam para manipular as pessoas. Mas então você chegou. Com seu orgulho inglês, sua língua afiada e esse fogo que eu não consegui apagar.

​Ele virou o rosto dela levemente para que pudesse olhar em seus olhos. A vulnerabilidade em seu olhar era absoluta.

​— Eu amo você. Não como um príncipe ama uma rainha de contrato, mas como um homem que encontrou sua alma na mulher que ele deveria odiar. E agora, vendo você assim... prestes a trazer nossa vida ao mundo... eu sinto um medo que me paralisa.

​— Medo de quê, Lucas? — ela perguntou, levando a mão ao rosto dele.

​— De perder você — confessou ele, a voz falhando por um segundo. — O parto é uma batalha que eu não posso lutar por você. Eu daria cada gota do meu sangue, cada título e cada palácio para garantir que você saia dessa ilesa. Se algo acontecer com você, Alice, não haverá herdeiro ou coroa que consiga preencher o vazio. Você é o meu reino agora.

​Alice sentiu as lágrimas aquecerem seus olhos. Ela se virou na água o quanto o ventre permitia e selou os lábios dele com um beijo doce e profundo, um beijo que carregava toda a jornada de ódio, amizade e paixão que os trouxera até ali.

​— Eu não vou a lugar nenhum, meu Leão — sussurrou ela contra os lábios dele. — Nós sobrevivemos a Versalhes, a Katherine e a Ricardo. Sobreviveremos a isso também. Eu prometo.

​Naquela noite, enquanto o vento soprava suave pelas janelas abertas, o casal adormeceu abraçado, ciente de que o sol do dia seguinte poderia trazer o choro da nova vida e o início de uma era que eles construíram com a própria vontade.