Alianças de Sangue e Ferro

12 O Banquete do Retorno e o Jogo de Sedução



​A noite em Versalhes não era apenas uma celebração; era uma exibição de poder. O Grande Salão estava iluminado por milhares de velas, refletidas nos espelhos que cobriam as paredes, criando a ilusão de um reino infinito de ouro e cristal. No centro de tudo, a mesa de banquete exibia as iguarias mais raras da França, mas os olhos da corte estavam voltados para o par central: Lucas e Alice.

​Lucas estava decidido a recuperar o terreno perdido no porto. Ele vestia uma casaca de seda preta com bordados em fio de prata que realçavam sua nova estatura e o vigor de seus ombros. Ele agia com a confiança de quem dominava cada centímetro daquele palácio.

​Ao longo do jantar, Lucas usou todo o seu repertório de "Príncipe de Copas". Ele gesticulava com elegância, contava histórias sobre suas vitórias em torneios e viagens diplomáticas, sempre garantindo que sua voz, agora mais profunda e aveludada, alcançasse os ouvidos de Alice. Ele a servia pessoalmente, inclinando-se de forma que ela pudesse sentir o rastro de seu perfume caro.

​— Ouvi dizer que em Londres o vinho é tão cinzento quanto o céu — comentou Lucas, servindo uma taça de um tinto raro para ela. — Experimente este, Alice. Foi colhido nas encostas do sul. É intenso, complexo e... indomável. Lembra-me alguém que conheci há três anos.

​Alice aceitou a taça, levando-a aos lábios com uma calma que irritava Lucas. Ela o observava como um estrategista observa um soldado previsível.

​— É um bom vinho, Lucas — respondeu ela, após um gole lento. — Mas a intensidade sem equilíbrio é apenas... barulho. E quanto à sua fama de libertino, as notícias atravessam o canal mais rápido do que você imagina. Parece que você gastou seus últimos anos tentando impressionar mulheres que se contentam com muito pouco.

​Lucas sorriu, não o sorriso cínico de antes, mas um mais desafiador.

— Talvez eu estivesse apenas praticando para o prêmio principal.

​— Se eu sou o prêmio, você está usando as ferramentas erradas — rebateu Alice, voltando-se para o prato. — Flores e palavras bonitas funcionam para as cortesãs de Paris, não para uma Tudor que aprendeu a ler intenções por trás de sorrisos ensaiados.

​Incapaz de aceitar a indiferença dela, Lucas mudou de tática. Ele chamou os músicos e pediu uma melodia lenta e sedutora, uma peça que exigia proximidade extrema entre os dançarinos. Ele se levantou e estendeu a mão para ela, em frente a toda a corte.

​— Uma dança, Alice? Ou a Inglaterra também te fez esquecer como se move com graça?

​Alice aceitou o desafio. No centro do salão, sob o olhar atento de Ricardo e Katherine, Lucas a puxou para perto. Mais perto do que a etiqueta permitia. Sua mão pousou firme na cintura dela, e ele sentiu, pela primeira vez, a firmeza dos músculos de Alice sob a seda do vestido. Ela não era frágil.

​— Você mudou — ele sussurrou perto do ouvido dela, enquanto deslizavam. — O cheiro de sabão de castela e chuva foi substituído por algo... perigoso.

​— É o cheiro de quem não tem medo de você, Lucas — ela respondeu, os olhos fixos nos dele. — Você tentou me impressionar a noite toda com sua riqueza e seu charme. Mas o que eu vejo é um homem que se esconde atrás de títulos porque tem medo de que, sem eles, não seja ninguém.

​Lucas parou por um segundo, o impacto das palavras dela atingindo-o mais do que qualquer insulto físico. Ele a apertou um pouco mais contra si, o olhar queimando.

​— Você acha que me conhece? — a voz dele era um rosnado baixo. — Você não viu nada do que eu me tornei, Alice. E eu juro, antes do casamento, eu vou fazer você implorar para que essa dança nunca termine.

​Alice sorriu, um sorriso de vitória fria.

— Você continua tentando ganhar a guerra com palavras, príncipe. Mas eu ganho as minhas com ações. Tente me impressionar sendo um homem, não um pavão. Talvez assim eu sinta algo além de tédio.

​A música parou. Alice fez uma reverência perfeita, soltou-se dos braços dele e caminhou em direção a Sofie, deixando Lucas parado no centro do salão, ofegante e possesso. Ele nunca desejou e odiou alguém com tanta intensidade ao mesmo tempo.

​No estrado, Katherine sussurrou para Ricardo:

— O fogo dela ainda queima, mas o dele agora é um incêndio. Se eles não se matarem antes do altar, teremos o reino mais poderoso da história.