Alguém Como Você
32 Capítulo XXXII - Pai e Filha
Notas iniciais
Alguém Como Você
Por Myuky e ReH-San
Capítulo XXXII – Pai e Filha
– Otou-san?! – chamou – Chegamos!! – avisou enquanto entrava no belo apartamento duplex, em um dos edifícios no centro de Konoha.
– Yo filho como foi a viagem? – indagou o homem sentado em uma poltrona fitando a TV.
– Foi ótima! – respondeu animado – Acredita que ganhei uma avó? – tirou os olhos do aparelho de televisão voltando-se para o mais novo.
– É, ele ganhou uma avó e eu perdi a minha... – lamentou fazendo o homem rir.
– Otou-san, não se importa de ter trazido a Ten-chan, não é?
– Ora garoto é lógico que não, onde já se viu isso Neji?! – o repreendeu – Tudo bem Tenten? – indagou gentilmente.
– Hai – disse sorrindo.
– Ten, agora posso ligar o celular?
– Vai, liga de uma vez – respondeu, finalmente cedendo ao pedido insistente.
– Perdi alguma coisa? – indagou o Hyuuga mais velho, sem entender o que acontecia.
– Eu e a Tenten fizemos uma acordo, sem telefone até o fim da viagem – explicou.
– Hum... Sábia decisão – comentou.
– Yuichi que cheiro é esse? – inquiriu ao sentir o aroma que invadia o ambiente.
– Otou-san o que andou aprontando?
– Que tal ir até lá descobrir? – não precisou dar uma resposta, Neji saiu da sala arrastando Tenten junto.
Yuichi assistia a cena, balançando levemente a cabeça, dizendo a si mesmo que o filho ainda parecia uma criança, afinal essa é a visão dos pais. Parou ao fitar a bolsa entre aberta de Tenten que ela deixara em cima do sofá, estreitou os olhos para ver claramente as letras do que aparentava ser uma revista, levantou-se indo até sofá.
– TENTEN... IMPORTA-SE SE EU DER UMA OLHADA NESSA REVISTA? – esperou a resposta que veio alguns segundos depois, um sonoro “não”. Com o consenso retirou a revista da bolsa e pode ver a capa.
O 7º Desfile Beneficente da Griffe Hina’s
Na capa a foto de Harumi, pôs as pontas dos dedos sobre a imagem, deu um leve suspiro. Correu os olhos sobre o papel e embaixo letras menores “Yuuhi Kurenai, Hyuuga Hinata e Yamanaka Ino – O trio de estilistas que garantiu o sucesso do desfile”. Do lado direito outra informação “Hyuuga Harumi e Hyuuga Hinata – Tal mãe, tal filha”. Franziu o cenho sem entender, observou o número da página e seguiu até lá.
Tal mãe, tal filha
Hyuuga Hinata foi apresentada oficialmente como filha da estilista Hyuuga Harumi, que morreu em quatro de janeiro, devido ao estágio avançado do câncer leucêmico que enfrentava a cerca de dois anos. Hinata tem 18 anos, nasceu em Suna em dezembro de 1994, a Hyuuga não quis entrar em detalhes sobre o tempo que passou separada de sua mãe.
Hinata mudou-se para Konoha no início desse ano, desde então frequenta a universidade onde estuda Moda. Apesar dos problemas que enfrentou anteriormente a jovem mostrou no 7º Desfile Beneficente feito em homenagem a sua mãe, a mesma dedicação, força de vontade e amor pelo ofício. Seus modelos únicos e belos foram elogiados pelos críticos mais ranzinzas. Mas, não é para menos ela é considerada a cópia fiel da mãe.
Ainda em entrevista, Hinata afirmou não conhecer o pai, mas demonstrou grande interesse para encontra-lo, ao que se sabe ele foi membro das forças armadas... Uma pontada, a revista deslizou de suas mãos batendo com um baque surdo no chão. Tentou chamar alguém, mas nada saía de sua boca, em uma tentativa vã quis colocar-se de pé, no entanto caiu levando consigo uma xícara de vidro que estilhaçou no chão. Com as mãos sobre o peito, seus olhos passaram a fechar, ouvindo seu nome ser chamado ao longe.
FLASHBACK OFF#
– Dr. Sato comparecer à UTI, Dr. Sato comparecer à UTI – a voz no autofalante chamava insistentemente, enquanto isso a morena caminhava a passos largos até a recepção.
– Oyasumi! Como posso ajudar?
– Oyasumi! – cumprimentou – Gostaria de saber em qual andar Hyuuga Yuichi está?!
– Um momento, por favor. – Pediu a atendente – Hyuuga-san está no 4º andar quarto 337.
– Arigatou! – agradeceu se distanciando seguindo até o elevador, observou o visor e o mesmo estava descendo, balançava a perna nervosamente e apertava a cada segundo a alça da bolsa, fazendo os nós de seus dedos ficarem brancos. O elevador chegou, entrou encostando-se a parede metálica, suspirou pesadamente e fitou seu reflexo no espelho ao fundo, fez uma careta enquanto jogava a franja por completo para frente cobrindo um pouco os olhos. Nesse breve momento distraiu-se com sua imagem, de onde saíra tantas lágrimas? Ela não entendia. O elevador parou 4º andar, saiu deparando-se com outra recepção, mas não parou. Seguiu as placas de identificação “337” repetiu para si mesma enquanto caminhava.
– 335 — falou ao passar por uma das portas. De súbito parou, ouviu uma voz familiar, seu coração acelerou e sem pensar duas vezes entrou no quarto pelo qual acabava de passar, encostando a porta em seguida. Pela fresta ficou a observar.
– Realmente não quer que eu vá com você?
– Não Ten, só pegarei algumas coisas e volto para cá, amanhã você tem prova é melhor descansar, eu te ligo...
– Consegui falar com a Tsunade-sama, ela vem vê-lo amanhã.
– Acha mesmo necessário Itachi? O médico disse que está tudo bem.
– Sim Neji, pelo menos para termos certeza.
As vozes foram sumindo devido ao distanciamento do grupo. Saiu de fininho do quarto vazio fitando o corredor, eles já tinham sumido, Hinata amaldiçoou-se por ter se escondido, não fazia sentido, Neji mais do que nunca precisava de todo o apoio, mas por medo preferiu se esconder. Suspirou, já estava feito, falaria com ele quando voltasse. Continuou a caminhar “336... 337” – dizia mentalmente. Parou hesitante em frente porta, com as mãos trêmulas tocou a maçaneta, respirou fundo e abriu a porta.
...
Os dedos se mexeram, sentiu o corpo todo doer, parecia que havia corrido uma maratona e todos os músculos estavam nesse momento doloridos. Abriu os olhos rapidamente, mas rápido demais, não aguentou e voltou a fechá-los, ouviu um bipe e novamente com cuidado abriu os olhos. Não reconhecia o lugar, com certeza não era sua casa, o bipe lhe chamou atenção, voltou-se para o lado esquerdo deparando-se com vários aparelhos cheios de fios, seguiu os fios com os olhos percebendo que todos levavam a ele, estava em um hospital, constatou. Franziu o cenho tentando lembrar o que fazia ali, percebeu uma movimentação ao seu lado, virou deparando-se com um par de enormes olhos perolados.
– Hi... Hi... Hinata... – falou com certa dificuldade. A morena que passara cerca de vinte minutos parada apenas o observando com uma dor angustiante no peito, sorriu.
– Eu... Eu vou chamar um médico – avisou saindo do quarto. Yuichi a fitou sem entender e subitamente sua mente foi arrematada em um flash.
– Hinata... – repetiu o nome da morena com um sorriso nos lábios.
...
A Hyuuga andava de um lado para outro do lado de fora, quanto tempo fazia que o médico entrara? 20...? 30...? Não sabia, apenas sentia que se demorasse mais entraria no quarto com ou sem permissão. A porta abriu, respirando aliviada.
– Dr. Yakushi! – falou ao ver o médico.
– Yo, Hinata-san certo?
– Hai... – respondeu – Como ele está?
– Não se preocupe, seu pai vai ficar bem. Mas, precisa fazer acompanhamento médico, já o encaminhei para meu colega, ele tomará partido da situação. Agora acho que é uma boa ideia que entre, ele quer vê-la. Se precisar pode me chamar. – avisou, Hinata sorriu pelo alívio da notícia. Dirigiu-se até a porta, mais uma vez o coração acelerado. “Coragem Hinata”, a voz soou em sua mente em forma de encorajamento, e então abriu a porta.
Yuichi estava sentado na cama encarando a morena. Hinata parada na soleira não sabia o que dizer, muito menos agir, nunca fora uma boa atriz, mas naquele momento deveria ser racional. Decidida não diria nada agora, apenas quanto ele realmente estivesse melhor.
– Yuichi-dono, o médico me disse que você está bem e o Neji foi em casa, logo estará voltando – explicou da melhor maneira que podia, enquanto se aproximava de uma cadeira posta estrategicamente próxima à cama.
– Claro... E você ficou para me fazer companhia, certo? – perguntou sem saber como agir, será que ela já sabia? Ou fora mero acaso?
– Hai... – respondeu sorrindo, ficaram a se observar curiosamente em silêncio, em outra situação estariam conversando, mas agora não sabiam o que fazer, a não ser se encararem. Alguns minutos em extremo silêncio se passaram, até o Hyuuga decidir cortar aquela situação.
– Não... –hesitou – Não sabia que era dona de uma Griffe – comentou como se aquilo não fosse nada.
– Err... – respirou fundo – Eu... Sou sócia – explicou monotonamente.
– Ah, sócia! – repetiu as palavras proferidas pela garota praguejando por dentro por não ter outra coisa a dizer. Hinata passou a fitar as mãos e bater nervosamente os dedos indicadores, fazendo-o sorrir, agora descobrira como seguir aquela conversa e tentar saber até onde ela sabia sobre o passado. – Soube que promoveram um desfile e que foi um sucesso... – ela pousou as mãos nos joelhos.
– Si... Sim, foi... Nos... Nos esforçamos muito! – “Não é hora para gaguejar Hinata!”. – Mas se não fosse a Kure-san talvez nada saísse como deveria.
– Verdade, Kurenai sempre salvando as pessoas... – Hinata o olhou surpresa, ela realmente havia ouvido aquilo? Yuichi ao ver a expressão da menina entendeu perfeitamente que ela não esperava ouvir aquelas palavras.
– Sa... Sabe quem é a Kurenai? – indagou mesmo sabendo a resposta, mas fora a única coisa que sua mente confusa conseguiu bolar.
– Sim, eu sei – respondeu – Soube que o evento foi feito em homenagem a sua mãe... – Hinata queria falar algo, mas não saía nada de sua boca – Você se parece com ela, sabia que não foram seus olhos que me chamaram atenção naquele dia? – a morena piscou – Os olhos cabelos, os traços, tudo em você me lembrava dela, até quando esbarrou em mim a diferença foi que não caiu, pois ela... – ele riu ao lembrar – Ela tropeçou e foi assim que a conheci... – uma lágrima rolou na face de Hinata – Anjos não deveriam chorar filha... – sem pensar duas vezes levantou-se da cadeira o abraçando, enquanto lágrimas rolavam livremente em seu rosto, ele sabia, disso ela tinha certeza.
– Co... Como você descobriu? – disse com dificuldade se afastando.
– A revista querida. – passou a mão sobre a face da jovem limpando suas lágrimas.
– Mas... Mas... Não dizia muita coisa – comentou confusa.
– Não era preciso... Confesso que levei um grande susto.
– Foi por isso que... E-eu não me perdoaria se você... – não conseguiu falar, voltando a chorar.
– Shhhiii!!! – a abraçou — Não precisa chorar, eu estou bem – falou tentando acalmá-la – Eu estou bem... – repetiu.
Após alguns minutos Hinata estava mais calma e recomposta, apesar disso ainda havia perguntas nas entrelinhas para serem respondidas.
– Sabia que ela tinha um diário? – indagou.
– Não, mas lembro dela usar esse mesmo anel! – Hinata fitou a mão.
– Foi assim que descobri sobre você, na verdade só soube que era você por causa do Neji, ela, ela o adorava.
– Neji? – perguntou confuso. Hinata meneou a cabeça em afirmativo, pensando se deveria ou não fazer a pergunta que não queria calar desde o momento em que lera o diário.
– Por... Por que se apresentou como Hizashi? – inquiriu com voz trêmula.
– Ah... É isso – falou como se lembrasse de algo – Hizashi é o meu segundo nome, na verdade fora o nome do pai, eu sempre tive orgulho de ser chamado assim, por isso me apresentava como tal, mas depois que a guerra terminou e voltei para casa minha mãe faleceu, então decidi que eu seria apenas Hyuuga Yuichi.
– Mas, Hizashi é um nome bonito!
– Arigatou... – agradeceu. Com o pensamento longe franziu o cenho sério.
– Aconteceu alguma coisa? – indagou estranhando sua expressão.
– Não... Hinata na revista, falou que você só veio para cá esse ano e não vivia com sua mãe... O que aconteceu? – a morena sentiu um nó na garganta, gostaria que ele não perguntasse sobre aquilo, mas seria inevitável.
– É uma história longa...
– Não ligo, eu quero saber! – ao ouvir isso tomou folego e relatou os acontecimentos.
Minutos depois...
– AQUELE DESGRAÇADO! – gritou a plenos pulmões.
– Droga! Não devia ter falado, não pode ficar exaltado, por favor, se calma – pediu.
– Ele não tinha direito de fazer isso – sibilou de punhos cerrados.
– Eu sei... – comentou – Mas, não podíamos fazer nada eu era apenas uma criança...
– Por isso mesmo Hinata, ele não tinha direito. Espero nunca ter de encontra-lo, se não eu...
– Você não vai fazer nada! – disse firmemente — Não quero te perder agora que te encontrei! – ao ouvir essas palavras sua mão relaxou.
– Você não vai me perder, não agora! – beijou as mãos da morena que sorria.
– Ela te amou muito sabia? E ainda te amava quando... – não conseguiu terminar frase.
– Sim, eu sempre soube e agora me sinto um idiota por não ter se quer procurado por ela. Só tive notícias dela quando morreu, foi então que seu nome apareceu em todos os jornais do mundo, tentei vir o mais rápido possível para Konoha, mas quando cheguei o funeral já havia acontecido.
– E eu só cheguei duas semanas depois – suspirou pesarosa.
– Duas semanas depois? – indagou.
– Hai! – assentiu.
– Eu estava indo embora de Konoha, na manhã que viajei passei de novo no túmulo e deixei flores...
– Orquídeas roxas? – indagou arqueando a sobrancelha.
– Isso, eram as favoritas dela!
– Eu... Eu vi essas flores, na verdade elas estão sempre lá – observou.
– Contratei um serviço de entrega, o mesmo que fiz para minha primeira esposa e para os meus pais, então toda semana eles depositam flores.
– Floricultura Yamanaka!
– Exato!
– A Ino me falou, mas nunca me passou pela mente em procurar algo lá – comentou pensativa – Se não for algo muito pessoal... – pausou, ele a fitou ternamente encorajando-a a falar – Amou minha mãe? – indagou, um sorriso apareceu nos lábios do homem.
– Ela foi um anjo Hinata, que me salvou quando mais precisei. Fazia três meses que minha esposa havia morrido eu não estava feliz, apenas fingia que sim, afinal precisava cuidar do Neji... Mas então ela apareceu como um anjo e preencheu minha vida de uma forma que nunca imaginei, me cativou com os gestos mais simples, tornando-se especial para mim. E por mais que Harumi pensasse que não, eu realmente a amei.
A morena ao ouvir aquelas palavras sorria imensamente feliz, agora mais que nunca sabia que apesar de tudo sua mãe teve alguém que se importava com ela e amou como merecia.
...
Caminhava depressa pelos corredores carregando uma mochila, quanto a tempo havia saído? Não fazia ideia, apenas que precisava voltar o mais rápido possível, afinal não queria tê-lo deixado sozinho. Franziu o cenho ao se aproximar da porta e vê-la aberta, pelo que se lembrava seu pai estava inconsciente, a não ser que algo tivesse acontecido, fez menção de continuar, mas uma voz familiar o parou. Era seu otou-san que falava algo, ele estava acordado? E com quem conversava? Foi o que se perguntou. Quando ia realmente entrar no quarto a conversa pareceu mais clara, um nome fora pronunciado, onde ele havia escutado mesmo? Tinha sido mais cedo, que história era essa? Ele a “amou”? Nada estava fazendo sentido, mas aquelas últimas palavras tinham sido cruciais para tirar suas próprias conclusões, voltou de onde estava, sem ao menos olhar para trás.
...
– Neji! – falou subitamente, vendo um vulto passar rápido pela persiana.
– Onde? – indagou olhando para o lado.
– Ele estava ali, mas não sei onde foi! – respondeu.
– Eu tentarei encontra-lo – avisou saindo.
Andou o mais rápido que podia e conseguiu alcança-lo antes de chegar perto do elevador.
– Neji! – o chamou, vendo-o para no mesmo instante.
– Hina... O que faz aqui? – perguntou incrédulo.
– Recebi sua mensagem – falou.
– Faz muito tempo que chegou?
– Hai... Onde vai? Seu pai quer vê-lo!
– Acho que não, ele estava com alguém lá...
– Eu sei – disse o interrompendo – Quem estava lá era eu! – falou séria. Neji arqueou uma sobrancelha.
– Mas, do que falavam? – indagou confuso.
– De muitas coisas... Mas, por que não entrou?
– Não sei, ele falou que amava uma tal de Harumi... Sabe Hina eu nunca o vi com ninguém e sempre achei que ele amasse minha mãe!
– E quem disse que ele não amou Neji? Perguntou a ele? Ao menos deu essa chance e o deixou explicar quem era Harumi? Vai embora assim? Por meias palavras ditas?
– Aonde quer chegar com isso? – perguntou sério tentando entender o que ela falava.
– Oras, quero que volte comigo... – respondeu – Nós três precisamos conversar... – explicou – Por favor... – sorriu estendendo-lhe a mão.
– Você tem certeza? – indagou hesitante.
– Hai nii-san! – falou docemente. Neji assentiu e deixou-se ser guiado novamente ao quarto.
...
– Eu e a Hina somos irmãos! – comentou incrédulo – E nunca soube otou-san?
– Não... Até hoje! – respondeu – Acho que sou um homem abençoado, amei duas mulheres lindas e ganhei dois grandes presentes, não preciso pedir mais nada, não é mesmo? – falou totalmente emocionado.
– Não, não precisa – Hinata disse o abraçando juntamente com Neji, pela primeira vez depois de tudo, ela chorava alegre e sentia-se parte de uma família.
– Com licença, eu sinto muito interromper – disse enquanto eles se afastavam, Hinata limpava as lágrimas com a mão e Neji tentava disfarçar – Já está tarde, e o Hyuuga-san precisa descansar – informou a enfermeira.
– Claro! – respondeu Hinata – Volto amanhã cedo – avisou, dando um beijo em seu pai – Você vem Neji? – indagou, enquanto pegava a bolsa.
– Bom... Eu vou passar a noite aqui – sorriu amarelo.
– Isso não é justo – comentou fazendo uma careta. – Eu fico também!
– Desculpe, mas infelizmente apenas um pode ficar – explicou a enfermeira.
– Sério? – inquiriu desanimada.
– Hai... – confirmou, a morena cruzou os braços.
– Eu fico hoje e amanhã você fica que tal? – indagou Neji.
– Tá, pode ser – respondeu – Eu venho amanhã – repetiu – Oyasumi... Otou-san – falou sorrindo, surpreendendo o Hyuuga mais velho.
– Oyasumi, querida! – despediu-se e Hinata saiu do quarto, pegando celular para enviar uma mensagem.
Yo Ino! Sei que é tarde, gomen!
Passei o dia resolvendo algumas coisas fora da cidade,
voltei apenas agora. Amanhã não vou para faculdade
pegarei as anotações depois! Beijos
HINATA
Kure-san... Desculpa incomodar, mas não
posso deixar isso para depois.
Podemos nos ver amanhã, por volta das 9h00, no café Akimichi?
Acredito que vai gostar do que tenho para dizer.
HINATA
– Hina! – ouviu seu nome ser chamado, virou se se deparando com Neji.
– O que foi? – indagou preocupada.
– Nada, só vou te acompanhar até o carro, o otou-san insistiu – respondeu – Será que um dia me acostumo com isso?
– Não sei – falou rindo.
– Hina, além disso, queria saber... – hesitou um instante – O que houve com você?
– Como assim? – ela evitou o olhar fitando o painel do elevador que em seu ponto de vista demorava a chegar.
– Quando cheguei hoje, eu tinha algumas ligações da Ino, Sasuke, Itachi e até mesmo do Kiba. Sem falar que a Tenten também, mas não tive tempo de perguntar nada quando cheguei aqui e só consegui mandar aquela mensagem...
– N-n-não aconteceu nada! – tentou dizer, aquilo era a última coisa em que queria pensar principalmente depois de finalmente ter ficado feliz.
– Hinata! Olha pra mim – pediu com a voz firme, apesar do receio o olhou – Agora me diga que não aconteceu nada... – ela não conseguiu apenas o abraçou chorando.
Quando ela se acalmou sentaram-se em uma das cadeiras na recepção. Hinata contou tudo o que acontecera naquelas últimas horas.
– Não quero vê-lo, nunca mais... – sussurrou tentando conter o choro.
– Não se preocupe com ele, talvez não sobreviva – a Hyuuga o fitou incrédula.
– Por favor, não faça nada! – pediu.
– Mas, você disse que...
– Eu sei, eu sei, mas... Eu realmente gosto dele – falou com a voz embargada.
– É estranho... – comentou monotonamente.
– Não, não é... Você ama a Tenten não é? É a mesma coisa – respondeu fazendo-o rir.
– Eu não estou falando disso – olhou para ele interrogativamente – O que quero dizer, é que Itachi nunca me pareceu o tipo de pessoa que faria algo assim, sem falar que ele não gostava dela e parecia tão chateado quando o vi.
– Ele estava chateado? – falou alto sem pensar.
– Hai...
– Mas, isso não vem ao caso! – disse afastando seus pensamentos – Se ele realmente não gostasse, eu não teria os visto juntos! – rebateu séria.
– Tudo bem, senhorita teimosa! E já que não quer que eu dê um fim nele o que faço quando vê-lo?
– Eu... Eu não sei nii-san.
– Já sei! – disse rapidamente – Vou dizer para ele sumir da sua vida o que acha? – Hinata riu.
– Acha que ele vai ouvir? – Neji deu de ombros e fitou o relógio.
– Está muito tarde, é melhor você ir! – falou preocupado.
– Tem razão, oyasumi! – disse levantando-se.
– Ei, vou descer com você esqueceu? – lembrou-se a seguindo para perto do elevador.
– Acho que você deveria voltar para o quarto, já pensou que estamos aqui há muito tempo? Mando-te uma mensagem quando chegar. Até depois nii-san – o abraçou e se afastou entrando no elevador.
– Então estarei esperando – avisou – Oyasumi, onee-chan! – despediu-se acenando enquanto a porta fechava. Hinata ficou a sorrir com aquelas palavras.
Fale com o autor