Alguns detalhes
2 Quaisquer características 2
— Farta, farta, estou farta — suspira fadigamente.
Aimee não aguenta mais essa situação, se vê trancada no quarto, em um final de semana ensolarado, não consegue aceitar estar ali, enquanto outras pessoas menos merecedoras estejam aproveitando o dia com alguém que esteja completamente interessado, ou até um quê a mais: apaixonado.
Com esses pensamentos não consegue se dedicar aos seus projetos.
— Por que sou uma procrastinadora de merda? Argh. Não aguento mais isso, não aguento. — começa a andar em zigue zague em seu quarto.
Não suporta o barulho em sua casa, não consegue nem se dedicar aos seus hobbies como: leitura, escrita, e desenho. Ou fazer suas obrigações: lição do curso de inglês, ou estudar para o concurso. Aimee está tentando muito conseguir uma fonte de renda melhor, até se inscreveu num concurso como auxiliar de secretária em uma escola, mesmo odiando alunos, mesmo sendo terrivelmente ruim com números, objetivo em primeiro lugar. Às vezes é ruim até lendo, mesmo se dedicando bastante a leitura. Tudo a irrita, vive sob pressão, mesmo sua família debochar de sua situação, não se importa, na maior parte do tempo.
Depois de um final de semana " lindo", como ela diz, tem que acordar cedo, e se pôr a caminho do trabalho, tem algumas parças por lá. Elas são muito legais, as fazem rir, alegram seu dia, mas sente que está disperdiçando seu tempo ali.
— Como alguém pode crescer em uma empresa de telemarketing? E nem registram como atendente de telemarketing, tem que registrar como agente de atendimento para não precisar pagar a mais, por causa do acréscimo aprovado pelo Alckmin, para pagar menos. Arrgh! — fica cabisbaixa.
Em um dia, decide chegar mais tarde ao serviço para comparecer a entrevista de recepcionista bilíngue no aeroporto de Congonhas, porém não passa, a desculpa que deram foi que eles encontraram alguém melhor para o cargo, e caso eles precisem, tem a possibilidade de contactarem-na.
Continua seguindo a mesma rotina, nada de novo: acorda cedo, trabalho, chega em casa exausta, capota de sono, após assistir a novela, e aos finais de semana, vai a biblioteca (sábado) terminar as lições, vai ao curso, ri demais com seu novo professor extrangeiro, não dos Estados Unidos, ele é de Portugal, vai entender aquela escola... mas ele é muito melhor do que todos os professores que ela tivera ali (ele se chama Thomas). Volta para casa feliz, mas a felicidade acaba quando cruza aquela porta; assiste TV; dorme; domingo ruim, péssimo, pior impossível, e novamente segunda-feira.
Passa-se 2 meses, e consegue uma entrevista como cuidadora, mesmo não tendo experiência cuidando de crianças — só cuidou de seus primos — , consegue um emprego em um orfanato por indicação do programa que se inscreveu para poder deixar o país e ser babá, uma agência de au pairs. Eles não pagam melhor do que o antigo emprego, porém já é um ambiente melhor, e assim consegue a experiência necessária (200 horas) cuidando de crianças. Aimee sente que as coisas vão mudar mais ainda, e assim a tornar uma pessoa mais feliz, só depende dela.
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