A depressão nunca avisa quando vem, nem quando se instala. As vezes você nem percebe que ela está lá até que a danada comece a acabar com a sua vida.

Seus dias não são mais felizes e seus banhos se tornaram mais compridos, mas é só uma fase certo, que vai passar? Seus sorrisos já não têm tanta força e seus olhares demonstram nítida melancolia quando você se olha no espelho, mas todo mundo tem dias ruins, né?

Você perde a vontade de fazer coisas que antes adorava, sua alegria escapa por entre os dedos e quando você não afasta as pessoas por medo, elas se afastam por conta própria. Afinal, que droga, você já não é mais o mesmo.

Mas é só uma fase, certo?

Até que não é mais só uma fase, não, e seu corpo não tem mais vontade alguma de levantar da cama em dia nenhum. Você tem coisas a fazer; trabalho, escola, família. Nenhuma dessas coisas importa mais, ou melhor: importam, porém você não tem a força necessária para levantar da cama, quem dirá fazer qualquer outra coisa.

Mas você não está deprimido, não, isso é bobagem. Você até sorri de vez em quando, veja só! Exceto que seu sorriso não tem mais vida e sua vida não tem mais controle.

Você anda, as vezes come, você toma banho e faz o que tem que fazer, mas tudo custa tanto esforço. E você está cansado, tão tão cansado. Você só quer deitar e dormir, deixar a dor ir embora. Deslizar na inconsciência e não voltar jamais.

Então os pensamentos proibidos e tão mal falados começam a aparecer, e se isso antes era coisa que te deixava horrorizado, agora é coisa que você considera seriamente. Suicídio. Morte.

Você quer morrer.

Exceto que não, não é isso. Você só preferia não ter nascido. Você quer que a dor vá embora e ela não vai, e então essa se torna a única opção. Você faria de tudo para parar a dor. Tudo.

As vezes, antes de chegar ao suicídio, você se machuca. Porque dói, dói tanto, você não aguenta mais, e encontra na mutilação de seu próprio corpo aqueles minutos, segundos de alívio que você tanto deseja que possam durar para sempre. Mas eles não duram.

Então você faz de novo e de novo e de novo, até que isso se torna a sua droga e você não consegue parar. A dor tem que ir embora! Você não aguenta mais.

Alguns de nós, os sortudos, conseguem ajuda. Alguns de nós se recuperam e param de se sentir como nadas, flutuando nesse infinito desesperançoso que é estar preso em seu próprio corpo e mente. Alguns de nós podem sorrir sem aquele peso novamente, mesmo que lembrem pra sempre como é se sentir assim.

Outros de nós não são tão sortudos. Esses outros não conseguiram ajuda ou não tentaram se ajudar, ou tentaram e não conseguiram. Outros de nós cansaram de lutar; a dor é grande demais e nunca nunca vai embora, os ombros pesam e os pés se recusam a andar. Os olhos querem se fechar, mas ao mesmo tempo não querem porque sabem o que encontrarão na escuridão.

A solução brilha nessa escuridão. Você não quer morrer, mas a dor tem que parar. Você não aguenta mais, e você se convence: essa é a única solução.

A dor tem que parar, mas as pessoas não entendem; te dizem que é tudo bobagem ou que logo vai passar, e basta sorrir! É, claro, porque tudo na vida é tão fácil assim. E quando você se vai eles se culpam, choram e dizem que poderiam ter feito mais. De que adianta?

Você se foi e não vai voltar.

Mas e a dor, ela parou?

Notas finais
Repare nas pessoas a sua volta ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!