Alguns Desabafos Da Minha Pessoa
5 It's you, It's all for you, everything I do
Imagine um pequeno ser sentado no canto de uma sala muito, muito, muito grande. Infinitamente grande, com quilometros e quilometros. Esta sala tem a arquitetura feita para quem está neste canto da sala possa conversar com quem está do outro lado da sala, em um outro canto. Este pequeno ser sentado no canto da imensidão esteve aí sozinho a meses, anos, até que descobriu que havia alguém do outro lado. E este ser pequeno sou eu.
O ser que estava do outro lado nunca estivera naquela sala antes, ele não era pequeno e disse que saía e entrava na sala quando ele bem entendesse. Eu, obviamente, não havia nascido naquela sala, mas eu estava lá a tanto tempo que não me lembrava que havia algo fora dela, muito menos que havia como sair. Então contei pra ele que não havia porta no meu canto, e ele falou que era uma pena mas ao mesmo tempo eu não poderia ir até la, pois seriam semanas andando.
Ele começou a ir na sala pra conversar comigo todos os dias, e cada vez que nos falávamos percevíamos quão parecidos somos; e não muito depois ficamos do mesmo tamanho. Eu descobri que havia uma porta do meu lado, eu e ele saíamos o mesmo tanto.
Foi aí que percebi que eu havia encolhido ele e ele, aos poucos se trancaria na pálida, gélida e mórbida sala também. A angústia revirou meu estômago, apertou meu coração e fez um nó na minha garganta. Eu percebi que o amava, e que o estava fazendo mal. Sair da sala não adiantava, pois ficava pensando nele, só nele. Tudo me lembrava ele.
Então um dia, aos prantos, saí correndoapara enfrentar o horizonte sem cor. Passei horas e horas correndo até que caí de joelhos gritando porque não aguentava mais. Meus gritos ecoavam dolorosamente no silencio da imensidão.
Volte para o meu canto pra poder falar com ele, e ele tinha dito que fizera o mesmo. Os dolorosos ecos não eram ecos. Nós nos fazemos sofrer tanto, chega a ser ridículo. Mas combinamos de ir andando e levando nosso canto com a gente, mas sem a porta. Assim consegueríamos nos conhecer e ao mesmo tempo tirar a horrenda imensidão de nossas vidas. Ficaríamos aconchegados, um no braço do outro, em uma pequena sala, pra sempre.
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