Algumas palavras
1 Capítulo único
Notas iniciais
Caríssimos,
Saudações.
Enquanto escrevia um capítulo de uma história que estou desenvolvendo, dei uma pausa e acessei a internet. Abri os sites de fanfics que costumo acompanhar e percebi a quantidade de escritores que estão dando um tempo em suas escritas. Imagino que, quando começaram, havia uma sensação de expectativa e animação no ar. como será que vão receber minha fic? Será que terei muitos views e comentários? Posto fics mais curtas ou mais longas? Sem dúvida, muitas perguntas povoam as mentes desse trabalhadores de histórias, mas tem uma pergunta que nem sempre é feita e fica quieta e silenciosa lá no fundo... Como essa história acaba?
Eu tenho muitas primaveras já vividas e escrevo desde que me conheço por gente! Era contadora de histórias para minhas irmãs mais novas e depois, para colegas de sala de aula, que se reuniam comigo na hora do recreio para ouvir o que eu tinha para contar. Eu amava isso e ainda amo. Então a palavra deu lugar à escrita, a fala cedeu lugar ao silêncio do papel, mas não perdeu em momento algum seu poder de contar o que saía de minha cabeça.
Fiz do dicionário meu melhor amigo e um exigente professor. Muitos me questionaram:_Fala sério?_ Sim, eu falo sério. Sou uma eterna estudante e acho nossa língua fantástica. Por isso, quero cuidar para que meus escritos sejam algo agradável para quem quiser ler. É um carinho que tenho para algo que amo fazer. De verdade, sem pieguismo ou demagogia.
Perceberam que falo muito a palavra "amo". Escrever é um ato de amor e aqueles que escrevem entendem perfeitamente esse sentimento. Mas existe a dor da criação e é nesse ponto que retorno. Por que machuca tanto? Por que temos tantos escritores que desistem no meio do caminho e deixam suas obras inacabadas? Por que os ouvimos dizer que precisam da pausa, dar um tempo, seguir por outros caminhos para que um dia possam voltar a fazer o que tanto amam?
Eu respondo por eles, ousadamente... Porque quando escrevemos, estamos expondo quem somos, o que pensamos, o que sentimos. Há pedaços de nossa alma e coração em cada escrita, em cada palavra escolhida. Assim como nos emocionamos lendo algum texto de outra pessoa, também nos emocionamos colocando as palavras no papel, na tela de um computador, num celular. Posso apostar que muitos escritores derramaram lágrimas enquanto digitavam uma cena mais dramática, triste ou violenta. Riram sozinhos numa passagem cômica. Reescreveram um momento em suas histórias que não fazia sentido e sorriram satisfeitos por achar o tom certo.
Mas quando perdemos o tom, o que aconteceu conosco? Então veio a Vida e nos disse que precisamos dar uma pausa e prestar mais atenção nela. Diferente do papel, do computador, do celular, a vida não aceita correções, não há cópia de segurança ou back up. Tudo nela é escrito em tempo real, sem volta, sem rascunho. Todos crescemos e isso não tem jeito. Também tem alguém escrevendo sobre nós.
Assim, eu dirijo estas palavras aos inúmeros escritores com quem tive contato, lendo, comentando e aos outros de quem ainda não conheço o trabalho. Continuem amando o que fazem, escrevam sempre, mesmo que não for para uma postagem e guardem o que fizeram. Em algum momento de suas vidas, vão ler e refletir o quanto amadureceram, como suas mentes mudaram e como aprenderam com a passagem dos anos. Como numa cápsula do tempo, é algo precioso e não tem preço.
Ah, essa chuva que não pára, lá fora. O som dela me deixa sonolenta. A xícara de café não teve a menor chance...
Vou parando por aqui.
Um abraço.
Daniela.
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"I know that it's been rough
It shows in your reflection
You've fallen out of touch
Got lost along the way
I know it's not enough
But these things they all get better
And even if its tough."
"Human" — Banda Aquilo.
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