Alguém tem algo a esconder

8 Máscaras em decadência


Notas iniciais
- O título do capítulo é referente à "The Wait - Metallica" Boa leitura :*

[2 dias depois...]

Quebrei uma garrafa vazia de vinho, de uma marca muito ruim por sinal, sobre a parede do cômodo. Os estilhaços deixaram o chão brilhando sob a luz amarela daquilo que seria o lugar onde ele guardava seus troféus. Um acervo podre de fotos indecentes de moças e rapazes. Roupas intimas femininas e masculinas, revistas de nudez, mofo e muito lixo amontoado. Entulhos encobertos pelo o que seria, grandes lençóis de algodão amarelados e empoeirados, o lugar fedia a lixo, só não mais fedia que sua alma podre. E eu queria que ele pagasse.

– Continue rezando. — Eu disse cuspindo em sua face.

– O que você quer? Diga que eu pago tudo, juro que não sou isso que parece...- Eu o interrompi.

– Permaneça agachado, sem mais mentiras. — Eu disse dando-lhe um chute em sua mandíbula. — Sei o que você é, sei o verme que rasteja aí dentro. — Agachei-me para encara-lo. — Então decidiu fazer deste lugar o seu acervo, não foi? — Andei pelo cômodo procurando por mais lugares em que ele teria escondido seus troféus imundos. O odor era horrendo, um fétido misto abafado. Retirei um dos lençóis imundos que cobria caixas em latão. — O que temos aqui? — Disse pegando um envelope datado com fotos recentes. Eu o abri e me deparei com a prova de que ele teria estuprado Vitor. Imagens que não me acrescentaram muita coisa, sentimentalmente falando, porém minha chama estava cada vez mais sendo alimentada. Havia imagens de moças que não conheço em poses e machucados significativamente graves. — Imundo! — Eu cortei na diagonal do cômodo minúsculo para cuspir em sua face.

– Eu tenho um distúrbio é uma doença que não consigo controlar! — Ele disse desesperado, parecendo um coitado doente. Sua boca jorrava sangue e de sua face escorria suor. O que ele não sabia é que eu não sou um justiceiro, muito menos movido por sentimentos e "penismos". Me é avulso senti-los.

– Como pode ser tão descuidado? A polícia está com a porra louca atrás de quem fez aquilo com o universitário e eis me aqui, tão fácil, tão solto! — Encarei-o dando-lhe um sorriso debochado. — Ah! Ninguém desconfiaria de um humilde homem, ex componente do exército e pai de três filhas! Mas eu não sou a polícia. — Eu sorri de canto para minha presa, olhando-o fixamente nos olhos de cima para baixo. Como deveria ser. Ele resmungou alguns balbucios, mas o sangue em sua boca o atrapalhara. — Por que pegou o rapaz? — Eu o questionei pegando pelos seus cabelos e batendo sua cabeça na parede com ódio. — Hein? Responda verme! — Gritei batendo mais três vezes sua cabeça contra parede.

– Não gosto de viadinhos! — Ele explodiu, deixando seu rosto ruborizado, suas veias se mostraram em sua face e seus esternocleidomastoideos ficaram aparentes em seu pescoço.

– E o estuprou? — Eu ri daquela tamanha cara de pau que ele tinha. — Fale tudo! — Eu o olhei em seus olhos me agachando e ainda pressionando sua cabeça contra parede. — Agora! — Disse trincando meus dentes.

– Tud.. tudo, não me mate. — Ele gaguejou. — Eu estava caçando pelo bosque, passando pela trilha encontrei duas bicicletas no chão e agachei-me para observar. Pensei que fosse um casal de namorados comum, como já vi várias vezes, mas assim que me aproximei escondido entre as folhas, me deparei com a cena de dois rapazes se beijando! — Ele disse engasgando no sangue.

– Outro rapaz? Onde? — Eu perguntei surpreso.

– O outro não suportou aos chutes e golpes que dei com a minha arma e morreu. Minha intenção não era matá-los mas dar uma lição! — Ele disse chorando como um molenga. Mesmo se eu tivesse algum sentimento, não tinha pena de monstros. — Eu enterrei o corpo do outro mata a dentro dali. — Ele informou.

Então, assimilei comigo:

1 — Ninguém havia percebido a falta do outro rapaz, pois Vitor não assumiu jamais sua sexualidade para sociedade.

2- Era tudo pouco recente, não havia histórias para o ataque que justificassem as situações a que o encontraram.

3- Vitor não acordou desde então, foi o que me informaram. A história era pior do que eu esperava e minha chama só crescia.

– Por que então deixou ele naquela situação? E num campus universitário?! Em frente aos dormitórios femininos? — Eu dei um tapa em sua face esquerda.

– Para que o vissem humilhado e no lugar onde sempre desejou estar, mas não podia! Viadinho nojento! — Ele disse sem medo me encarando.

É um imundo. Esses vermes rastejam entre nós, disfarçados com essa fina camada de verniz, configurando bons homens acima de qualquer suspeita. Bocas tão mentirosas. O cara possui três filhas, mas é tão sujo e tem uma alma tão pervertida que jamais parou com os estupros. As fotos e todo aquele acervo falava por si só. O que ele não sabia, é que já estava sob meus olhos. Eu o prendi, ironicamente, com cordas do seu próprio acervo. Estando preso com os braços e pernas abertas contra parede, como o homem vitruviano de Da Vinci, eu rasguei suas roupas, dando-lhe na mesma moeda a que ele submetia suas vítimas. Humilhado. Dominado. Eu estava no controle, a única voz que exigia, impunha e tinha valor era a minha. Ele estava assustado e chorava feito criança, num soluço continuado. Eu não tinha pena, muito menos de monstros. Abafei seus futuros gritos de agonia e dor amarrando sua própria cueca rasgada, suja e fétida como mordaça. "Na mesma moeda", pensei.

– Vou contar uma história engraçada e irônica. — Eu dei uma pausa o encarando de frente, com uma lâmina afiada em mãos. — Alguém na infância era obrigado a vestir-se de menina, com vestidos cor de rosa em seda pura, pois foi assim que sua mãe tentou curar a dor de ter perdido a filha em um acidente de carro. Desequilibrou-se, certamente. Ela não sabia, mas estava criando um ódio monstruoso no coração daquele pequeno garoto. Um monstro, preconceituoso e imundo que repudiava as mulheres e homossexuais. Assim ele cresceu. Contudo, ele precisava de uma máscara, uma vida de dupla identidade. Decidiu cobrir-se num verniz aparentemente apresentável à sociedade. Casou-se, teve três filhas... Irônico, não é mesmo? Manter a camada mais superficial lhe custava muito, mas era em suas camadas mais profundas que habitava o velho monstro e ele adorava usar o poder de sua máscara para encobertar seus feitos podres. Estuprava moças, homossexuais e os batia violentamente em demasia. Até que alguém, também trazendo suas próprias sombras, o cercou e saciou seus desejos. Eu! — Levantei o dedo indicador, de forma a parecer que era uma chamada escolar. Ele choramingava feito cachorrinho recém nascido.

– Achou que entrei em sua vida assim... de surpresa? Ah! Não. — Eu confirmei a negativa balançando a cabeça.

Caminhei até onde ficara os estilhaços de vidro, da garrafa que havia quebrado contra parede, peguei um pedaço bem pontiagudo e afiado, me dirigi até sua face sentindo o chão de madeira chiar.

– Este é o meu presente para vocês! — Cravei a ponta do vidro em sua testa, desenhando um "S" ao contrário, que parecia um "Z". Esta era a minha assinatura. O sangue quase preto escorria de sua testa e ele resmungou de dor. — Mas eu nem comecei ainda. — Eu sorri ironicamente. Pegando um martelo em sua própria caixa de ferramentas, bati com força contra sua panturrilha esquerda, depois direita, ouvindo seus abafados e contidos gritos de dor. — Meu objetivo é quebrar todos os ossos que poder. — Eu disse seguindo com mais uma forte martelada em seus braços, seguindo costelas, fêmur, pelve... até o ciclo se completar nas pernas. E tudo recomeçava outra vez. Eu conferia apertando-os ao final de cada ciclo, até chegar ao momento certo. Ele morreria lento e dolorosamente. Peguei minha lâmina afiada, retirei seu órgão genital e o coloquei ao chão. Ele agonizava nas cordas, suspenso, a força da gravidade lhe era cruel, pois seu corpo estava exausto, sem estrutura para ficar de pé. Eu me divertia matando estupradores. Então, chegado ao ponto ideal que eu desejava, deixei-o lá para morrer devagar, sempre cuidadoso com evidências, me certifiquei de estar seguro e deixei o lugar olhando-o ao dizer minhas ultimas palavras:

– Enquanto eu viver, vermes como você irão ver revertidos seus feitos podres na pele. Na carne.

Na mesma moeda.

Notas finais
Alguém realmente odeia estupradores :x