Alguém tem algo a esconder
9 Em cada centímetro de você
Notas iniciais
"Porque sei que é isso que você quer que eu faça."
Os vidros do carro estavam fechados por completo, o som que os para-brisas emitiam me lembrava algo semelhante a um relógio, extintamente liberei uma mão do volante para conferir as horas.
00:30
Eu era amante da velocidade. Consegui chegar ao campus em tempo record, estacionei o carro conferindo sua aparência e colocando minhas chaves em mãos. Enquanto colocava meus passos a frente, sai cortando o jardim na diagonal. A grama estava num verde vibrante, gotas de uma fina chuva havia banhado-a, lhe configurando um aroma de grama com terra molhada que invadia meu olfato. Era meu cheiro predileto. O campus estava calmo, olhei pros dormitórios femininos no outro extremo, aparentemente tudo calmo também. Atravessei o portal olhando pro céu e subindo as escadas, encontrei um gato preto de olhos amarelos que me encarava em um dos corrimãos de madeira desgastada do prédio.
– Oi, amigo. — Eu disse passando por ele, mas nem me deu bola.
Meu quarto ficava no último andar, o que só me restava subir umas oito escadas até meu destino. Porém, não me importei, tinha sido uma noite ótima e eu já havia me adaptado a subir aquelas escadas, seis meses já são bastante coisa. Meus passos de encontro aos degraus velhos faziam um barulho que passava certa insegurança, a iluminação não era nada boa e os ares condicionados velhos gotejavam de alguns quartos, formando uma poça esverdeada ao chão. O gato reapareceu, de frente para mim, dentro de um cobogó de pedra, só seus olhos amarelados se mostravam. Dessa vez, eu que não lhe dei bola.
Entrei no meu quarto fechando a porta, passando as chaves e trancas. Acendi as luzes, jogando minhas chaves na cômoda. Me joguei na cama olhando meu ventilador de teto fazer seu barulho característico, quando fechei meus olhos, alguém bateu-me a porta. Levantei desconfiado, olhando pelo olho mágico, abri-a:
– Algum problema? — Questionei-a.
– Não. Trouxe isso para nós dois. — Ela disse erguendo uma garrafa de vinho e atrevidamente passou por debaixo do meu braço, entrando sem pudor algum no meu quarto. Fiquei sem ação. Ela rondou meu quarto, devorando-o com os olhos, enquanto eu trancava a porta numa expressão incrédula.
– Não peço que vá embora porque este vinho é de excelente qualidade e... — Ela me interrompeu se aproximando:
– E...? Eu também. — Me disse beijando meu pescoço. — Você também é uma excelente companhia, Evan. — Sussurrou em meu ouvido. Essa provocação me fez pegar seu queixo e encarar sua boca, ela era linda e todos os seus traços juntavam-se a favor da proporção de um rosto marcante e tentador. Encarei-a. Minha boca já havia se chocado com a dela algumas vezes.
– Abra o vinho. — Disse soltando-a e sentando no mini sofá de frente para ela. Seus olhos me encararam numa expressão desgostosa, quando virou-se, meus olhos caminharam magneticamente pelo seu corpo ao andar de forma provocante.
– Sente-se aqui! — Ela disse pondo dois recipientes cheios de vinho no criado mudo, sentada em minha cama. Minha reação foi apenas observá-la, seus olhos nos meus falavam pelos cotovelos de tão exagerados na mensagem que desejava transmitir. Levantou-se, tomou um gole do vinho e caminhou até minha posição imóvel de frente para ela e sentou-se em minhas pernas de frente para mim. "Tentação" deveria ser seu sobrenome. Pôs seus braços em volta do meu pescoço e aproximando a ponta de seu nariz em minha orelha, mordiscou-a. Seus dentes, lábios e língua caminharam pelo meu pescoço, minhas mãos delinearam o perfil de sua cintura cavada demorando-se em seus quadris. O ar quente de sua respiração ofegante me fez segurá-la com mais força, sua boca desenhou um caminho tortuoso que vinha da minha clavícula até meu queixo. Mordeu-o, provocando-me com classe. Seus olhos fitaram os meus e nossas bocas se uniram num desejo recíproco. Aproximei seu corpo o máximo que podia, ela enroscou suas pernas em volta de mim fazendo movimentos tentadores. Seus lábios pareciam criança ao se lambuzar em chocolate nos meus. Levantei carregando-a até minha cama, joguei-a lá e prendendo seus punhos me coloquei por sobre o corpo dela. Encostando meu nariz ao dela, encarei-a dizendo num sussurro:
– Não tomamos vinho ainda.- Fiz de propósito.
– No problems! — Ela libertou-se de mim sentando-se na beira da cama. Pegou um dos recipientes e me entregou. Nós bebemos um atrás do outro, por vezes ela mordeu meu pescoço e nos beijávamos. De repente, levanta-se da cama fica de pé bem na minha frente e tira seu vestido simples, seguindo de suas roupas íntimas. Aproximando-se de mim pronuncia:
– Mais vinho, Evan?- Ela me encara engatinhando pela cama até mim. Ao encontrar-me, sentou-se ao meu lado afastando meus cabelos dos olhos para me olhar de forma tentadora. Deixei que ela beijasse meu pescoço e cravando suas unhas pintadas de vermelho em minhas costas, beijei-a dizendo:
– Durma comigo. — Foi apenas o que consegui falar. Seu rosto acendeu numa explosão de seu sorriso ousado. Suas mãos caminharam pelo zíper da minha calça, abrindo-o. Minha camisa foi arrancada facilmente. Ela me empurrou contra os travesseiros, colocando seu corpo nu por cima do meu. Minhas mãos caminharam pela extensão de suas costas e suspendendo nosso beijo demorado, tirei-a de cima de mim, num movimento contrário virei ela de costas para a mim. Comecei mordendo sua cintura, subi passando a língua pelas protuberâncias de suas vértebras, aninhando meus dentes em sua escápula, mordi olhando seu rosto de perfil exalar desejo num suspiro.
– Evan... — Eu a interrompi tapando sua boca e ela seguiu mordendo-a. Liberando seu suspiro, passei meus dedos pelos seus lábios bem desenhados, automaticamente ela os sugou como se os quisesse para si. Segurei seu cabelo e virando seu rosto para mim mordi seu lábio no mesmo momento que a virei para debaixo do meu corpo.
Olhei seus olhos e sua boca, prendendo seus punhos cerrados contra a cama. Sua cabeça se elevou num ajeitar-se sensual, seu queixo se elevou ao pronunciar meu nome mais uma vez. Juntei seus pulsos a uma só mão, peguei o recipiente com o resto de vinho em cima do criado mudo e derramei entre seus seios, o líquido vermelho escorreu pelo seu tórax, derramando-se pelas laterais de suas belas costelas. No retorcer de seu corpo, um pouco do líquido se acumulou em seu umbigo e eu suguei o conteúdo alojado ali. Minha boca percorreu a extensão de seu abdômen até chegar em seu queixo. Ela beijou minha testa e eu mordi seu lábio inferior logo após.
Eu admirava seu corpo, suas curvas, suas proporções, seu cheiro e principalmente sua ousadia. Era com certeza uma das garotas mais bonitas e de atitude em toda universidade, fazia o estilo popular mas sem o estereótipo de loira fútil que ferrava com a vida de todo mundo. Com certeza era inteligente. Não me cobrava absolutamente nada, surgia de supetão com um jeito todo particular. Me procurava e provocava em demasiado apenas quando queria, era misteriosa e atraente.
No momento eu só me concentrava naquele rodopio de quadris e no seu traço nu, envergado em forma de sombra pós luzes apagadas...
E na gustação de seu corpo salgado ao vinho.
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