Alguém como você
1 Capítulo 1 - Conhecendo a rotina
Mansão/Empresa dos Bittencourt.Manhã fria de segunda feira. Armando Bittencourt se arrumava calmamente para encarar mais um dia de trabalho na empresa de confecções de roupas da sua família. Gostando do que via no espelho terminava de colocar sua camisa social e se olhava no espelho certificando-se de que estava bem arrumado.
Armando era alto, possui porte magro, cabelos castanhos claros e lisos comparados aos de um índio, olhos verdes esmeralda expressando os sentimentos que ali transbordavam, nariz levemente arrebitado, lábios grossos, pequena cicatriz perto do olho esquerdo e pele branca. Tinha 30 anos, viúvo, pois sua esposa havia morrido após o parto de sua filha, que atualmente tinha 10 anos de idade.
Assim que terminou de se arrumar, desceu para tomar o café da manhã com Helena, que o esperava ansiosamente para fazer o pedido que havia adiado há algumas semanas relacionado ao acampamento promovido pelo curso que fazia.
-Bom dia Helena — depositou um beijo em seus cabelos escuros herdados de sua mãe — o que quer falar comigo? Ou melhor, o que quer me pedir?
A menina olhou para o mais velho surpresa.
-Como sabe que quero perguntar algo para você?
-Eu conheço a filha que tenho -disse colocando café em sua xícara e pegando um pedaço médio de bolo de cenoura — agora fale logo o que quer.
-Posso ir a um acampamento? O curso quer que todos estejam presentes para nos inspirar nas atividades desse ano.
-Bom. Vou deixar ir porque você anda bem comportada ultimamente, com a exceção da má educação que você tem com a...
-Não fale o nome dela. — Helena falou com firmeza
-OK, irei respeitar isso. — Armando sabia que sua filha não gostava nem um pouco da atual namorada dele e não queria brigar com ela aquela hora da manhã- O Ângelo vai com você?
-Sinceramente não sei. Tem que ver se a tia Zulmira irá deixar.
-Me fale mais sobre esse acampamento. — o mais velho disse interessado
Helena o deixou a par sobre o que iria acontecer, o quão importante era para o desenvolvimento de todos os colegas e quanto tempo iria durar. Armando consentiu que ela fosse e combinou de ir buscá-la na hora do almoço para irem juntos a escola de teatro para ele assinar a autorização do acampamento.
-Olá Armando, bom dia.
-Bom dia Zulmira, tudo bem contigo? — a mais velha assentiu — O Ângelo vai ao acampamento também?
A mulher negou com a cabeça.
-Não temos dinheiro para pagar. -disse em tom chateado- Apesar de ele querer muito ir.
-Eu ajudo você, tenha calma. Vai ser importante para ele, então faço questão em te auxiliar. E não adianta negar porque irei te ajudar querendo ou não.
Zulmira sorriu e agradeceu ao patrão em tom inaudível. O rapaz sorriu em resposta e levantou-se da mesa.
-Bom. Ta na minha hora. — depositou um beijo na testa de Zulmira, a quem considerava uma irmã mais velha, e abraçou Helena — te busco na hora do almoço menininha. Até depois.
O rapaz saiu rapidamente da casa enquanto Helena e Zulmira conversavam animadamente.
Quase meia hora depois já estava na empresa. Por onde passava cumprimentava os funcionários e sempre que eles precisavam de auxílio ele parava para ajudar, mesmo se atrasando para reuniões importantes na maior parte das situações. Depois de vinte minutos já estava na sua sala analisando relatórios que havia em sua mesa. Não havia notado que alguém estava entrando na sala.
-Bom dia — a moça disse em um tom de voz suave. Foi até onde o rapaz estava depositando um beijo em seus lábios.- Espero que você tenha me desculpado depois do que eu fiz semana passada.
-Se fizer aquilo novamente você vai esquecer que nós tivemos um relacionamento algum dia. E estou falando bem sério.
-Poxa amor, você deixa as mulheres darem em cima de você. Como você quer que eu fique?
Armando revirou os olhos e respirou profundamente.
-Primeiramente, a Ana não é esse tipo de mulher que você está falando. Ela é minha melhor amiga e não faz sentido você vir me dizer essa indireta que eu sei exatamente que é dela que você está comentando maldosamente. Segundo, se você não gosta dela tudo bem. Apenas respeite-a, estará me fazendo um favor. -O rapaz respirou fundo novamente e falou consideravelmente alto — E terceiro, me deixe trabalhar pelo amor de deus.
A moça não havia gostado da atitude de Armando e resolveu sair de sua sala. Ia até a sala de contabilidade voltar ao que estava fazendo antes que se estressasse depois da repreensão de Armando. Havia mais três funcionários no local, que não tiveram atrevimento em perguntar o que havia acontecido. Todos ali não gostavam da moça, mas a suportavam por causa de Armando.
Francine Laguillo trabalhava para a contabilidade da empresa da família Bittencourt fazia alguns meses. Ambiciosa e egoísta, queria se dar bem na vida e para isso passava por cima de todos que atrapalhassem seus objetivos. Tratava a todos com superioridade, fazendo com que ninguém a suportasse no ambiente de trabalho. Se relacionara com Armando por ter realmente se apaixonado por ele e por ser dona da empresa de confecção da família de seu namorado. Vaidosa, sempre está arrumando seus cabelos loiros escuros e sua maquiagem dos seus olhos castanhos escuros ao invés de trabalhar. Porém, ultimamente andava procurando o que fazer e se ocupar, pois o outro dono da empresa e irmão de Armando estava pegando no seu pé para trabalhar.
Assim que pegou o espelho de sua bolsa e começou a olhar seu rosto notou que alguem estava atrás dela. Virou-se rapidamente e viu que era Fernando, irmão de Armando.
-Guarde esse espelho agora ou terei de lhe dar uma advertência por escrito.-o rapaz disse firme- O que prefere?
-Não irei assinar. — disse no mesmo tom- Simples.
-Espero que vocês estejam dispostos a serem minhas testemunhas na advertência -Fernando disse para os funcionários, que trabalhavam e prestavam atenção no que o rapaz dizia para Francine. Novamente se virou para a moça- e isso não seria nada bom pra você.
A moça não pensou duas vezes e fez o que Fernando mandara. Pegou uns papeis que estavam guardados em uma das gavetas e voltou ao seu trabalho.
O rapaz se retirou da sala, indo até a de seu irmão. Bateu duas vezes e logo foi entrando, encontrando Armando olhando para a foto de Laura. Fernando havia notado que o mais novo estava triste por lembrar que, se a moça estivesse viva, iria completar trinta anos naquela semana. Se aproximou da mesa, puxando uma cadeira e se sentou em frente ao seu irmão.
-É difícil pra você... — Fernando disse tentando consolar o mais novo — Mas você tem de reagir. E conhecendo você, sei que conseguirá. Tem algo que queira colocar para fora?
Armando negou com a cabeça.
-Não tenho nada a dizer. Só que isso ainda dói em mim de uma forma inexplicável. — o rapaz olhou para o mais velho com lágrimas nos olhos e limpando uma delas rapidamente por ter escapado — É difícil, mas eu consigo lidar com isso.
-Eu entendo você porque eu sinto falta dela também. Mas, do jeito que eu a conhecia, ela sempre quis te ver feliz e fazia de tudo para você não ficar mal. E sempre te incentivava a reagir em todas as situações. E acredito que isso nunca vai mudar, pois possivelmente ela gostaria que você encontrasse um novo amor.
-Ela era a pessoa que eu realmente amava. Duvido muito que irei amar outra pessoa algum dia.
-Cuidado com o que diz. O destino pode fazer você mudar de ideia. — Fernando se levantou — E se não gosta da Francine de verdade, aconselho você a terminar com ela. Ela não é a pessoa que diz e demonstra que é, mas também não deve ser usada dessa forma. E pense bem no que está fazendo com ela e principalmente com você.
O rapaz se dirigiu ate a porta e saiu do local. Armando ficou pensativo com o que seu irmão mais velho havia dito. Não iria tomar nenhuma decisão no momento, pois sempre se arrependia depois. Iria esperar a tristeza passar e, ai sim, pensaria nas decisões certas para ele.
**
A secretaria estava se preparando para entrar na sala de Armando, porém Fernando a impediu com um gesto sutil. A moça mais nova havia entendido e voltou ao seu posto.
-Aconteceu algo Ana?
-Dona Zulmira ligou para confirmar a contratação da nova governanta da mansão. Disse a ela que iria perguntar a ele e que retornaria assim que eu tivesse a resposta.
-Sim. Ele havia me dito que certamente iria contratar a governanta para cuidar da organização da casa e ficar de olho na Helena enquanto ele estivesse trabalhando.
-Então posso confirmar? — a moça perguntou receosa com a decisão de Fernando
-Pode — disse sorrindo querendo transmitir certeza a moça que estava ao seu lado.
Ana Caballero é a melhor amiga de Armando e seu braço direito na empresa. Possuía porte um pouco acima do peso cabelos ruivos e ondulados, rosto redondo, olhos pretos que sempre chamavam a atenção além de ser envolvente, nariz largo e lábios grossos, que davam um charme ao seu rosto. Sempre estava disposta a resolver problemas da empresa por gostar de sempre ajudar seu amigo. O via como homem ao invés de irmão, porém procurava não demonstrar tal sentimento para não se prejudicar e sempre conseguia. Fernando sabia, porém respeitava e nunca comentava isso com ninguém.
Naquele momento, a moça não negava a si mesmo que estava insegura com a contratação da nova governanta da mansão. Sabia que alguma coisa iria acontecer com a sua chegada, mas não imaginava nada e preferia não imaginar. Apenas sabia que iria trazer novas emoções para a vida de todas as pessoas próximas de Armando.
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