Alguém Como Você
37 Capítulo XXXVII - Alguém Como Você
Notas iniciais
Boa leitura :)
Alguém Como Você
Por Myuky e ReH-San
Capítulo XXXVII — Alguém Como Você
Amanhecia e a claridade que entrava pela janela impedia o sono de um certo casal.
- Ohayo, hime... – Disse Itachi se aconchegando mais próximo de Hinata que abria os olhos com dificuldade.
- Bom dia, meu amor. – Respondeu beijando a ponta do nariz do moreno que sorriu com o gesto.
- Dormiu bem?
- Extremamente bem.
Já haviam passado quase dois anos desde o casamento entre Itachi e Hinata, após isso, todos os seus amigos também haviam se casado, com exceção de Gaara e Matsuri, já que o ruivo não fazia outra coisa além de enrolar a mulher.
- Hum... Já está na hora de acordar. – Disse Hinata olhando para o relógio que ficava em cima do criado mudo ao seu lado.
- Não... – Reclamou Itachi com uma voz manhosa abraçando mais forte a morena.
- Sim... – Disse com a mesma voz que Itachi fizera. – Eu tenho que ajudar a Kurenai-san e você o meu pai, então, não reclama. – Terminou empurrando o moreno que quase caíra da cama e levantando-se em seguida.
Arrumaram-se e desceram em seguida, indo direto para a cozinha onde estava sendo servido o café da manhã.
- Ohayo dorminhocos! – Disse Sasuke que já estava se preparando para atacar a mesa.
- Ohayo casal feliz! – Continuou Ino que estava sentada ao lado do marido.
- Ohayo crianças... – Terminou Aya que terminava de arrumar a mesa.
Desde que se casaram há seis meses, Ino teve que se mudar para a mansão Uchiha, ambos haviam decidido comprar uma casa e irem morar sozinhos, mas Itachi não deixou que seu irmão saísse de casa e por isso, os quatro vivem juntos sobre o mesmo teto.
- Ohayo!!! – Respondeu Hinata animada indo dar um beijo no rosto dos amigos e de Aya.
- Ohayo. – Itachi não fez questão de tratar o casal com o mesmo carinho que Hinata e apenas deu um beijo em Aya.
- Ah! Também quero um beijo, aniki... – Brincou Sasuke fazendo bico.
- Vai ficar querendo... Você já recebeu um beijo da minha esposa, então, sinta-se beijado por mim também. – Respondeu o moreno sentando-se em seguida.
Então, todos começaram a tomar seu café-da-manhã, com exceção de Hinata que parecia indisposta e se levantou alguns minutos depois.
- Está tudo bem, hime? – Indagou Itachi preocupado.
- Sim, amor... Só estou um pouco enjoada, deve ter sido algo que comi ontem. Eu vou indo primeiro, okay? – Respondeu a ex-Hyuuga.
- Tem certeza? Não quer ir ao médico?
- Não, não... Já estou melhorando.
- Então fica mais cinco minutinhos que eu te levo.
- Tudo bem, só vou lá em cima pegar a minha bolsa e depois eu desço. – Terminou a Uchiha saindo da cozinha e deixando duas mulheres completamente desconfiadas.
...
Hinata subiu ao seu quarto, pegou um pequeno objeto que havia escondido dentro do closet e entrou ao banheiro, minutos depois saiu com o objeto em mãos completamente pálida, havia confirmado a grande dúvida que tinha há alguns dias, estava grávida. Hinata precisou se sentar na cama, pois estava com as pernas bambas, se sentiu extremamente feliz e ao mesmo tempo como se não estivesse preparada para ser mãe, então se lembrou de toda a sua infância, da falta que sentia do amor materno e principalmente das pequenas lembranças que tinha de sua mãe, sorriu e colocou a mão sobre a barriga acariciando-a, mas se assustou com alguns passos que ouvira vindo do corredor e imediatamente escondeu o teste debaixo do colchão.
- O que está fazendo, amor? Ainda se sente mal? – Indagou Itachi preocupado com o semblante da esposa que parecia diferente de quando saiu da cozinha.
- N-não... Estou bem. – “Hinata, não gagueje, não gagueje...” – É que eu recebi uma ligação da Kurenai-san me avisando sobre um problema com a confecção de algumas peças e fiquei preocupada.
- Hum... Tem certeza? – Perguntou. – Não quer mesmo ir ao hospital?
- Não, não! Só me senti mal lá embaixo, agora estou completamente bem! – Levantou-se transparecendo animação e deu um selinho no moreno. – Agora vamos, senão iremos nos atrasar. – Saiu primeiro, deixando o Uchiha desconfiado com a mudança repentina.
...
Hinata chegara à empresa completamente afoita e foi diretamente para a sua sala, chamando Kurenai e Ino através do telefone, não sabia exatamente o que fazer, ou como contar a Itachi, estava nervosa com a novidade, ficou ali andando de um lado para o outro até Kurenai entrar na sala.
- O que aconteceu, menina? Por que está assim? – Indagou a mulher preocupada.
- Hina-chan!!! O que foi? Acabei de chegar... – Entrou Ino em seguida. – Aliás, o que foi aquele enjoo hoje de manhã? – Lembrou-se do pequeno mal estar que a Uchiha tivera.
- O que? Enjoo? – Kurenai arregalou os olhos para Hinata que apenas confirmou com a cabeça.
- Não acredito!!! Serei titia!!! – Ino gritou dentro da sala e correu para abraçar Hinata.
- Calma, Ino-chan... Ainda não é certeza, eu fiz apenas um teste de gravidez daqueles que se compra em farmácia, e também não sei se estou preparada para isso... Eu fiquei extremamente feliz, mas tive medo, sabe? É como se eu imaginasse tudo o que passei na minha infância acontecendo ao meu bebê.
- Do que está falando, menina? Um filho é um milagre na vida de qualquer mulher e quando você menos esperar a única coisa que sentirá por estar grávida e por esse bebê é amor. Não tenha medo e apenas seja uma mãe que você gostaria de ter tido quando pequena. – Disse a mulher fazendo com que a Uchiha ficasse mais tranquila.
- É, você tem razão Kurenai-san... Obrigada por me acalmar. – Disse sorrindo. – Mas e então, vocês podem vir comigo ao médico para confirmar? – Indagou fazendo bico.
- Quem é que resiste a esse seu biquinho, Hina... É claro que vamos, não é Kurenai-san!?
- Claro... Agora mesmo! – Disse Kurenai pegando a bolsa de Hinata. – Vamos logo porque agora estou mais ansiosa que vocês! – Terminou fazendo as duas sorrirem e seguirem a mulher que já se encontrava apertando o botão do elevador.
...
- Mas e então? Já está tudo pronto para a construção da ONG “Um sonho de menina”? – Indagou Itachi enquanto anotava algumas coisas.
- Sim, está tudo saindo como o planejado, Itachi. – Respondeu Deidara. – Só precisamos nos preocupar agora com a contratação de pessoas especializadas em educação e moda.
- Minha filha ficará extremamente feliz com essa ONG, uma bela forma de devolver o dinheiro, rapaz.
- Tenho certeza que ela irá se apaixonar pela ONG, ainda mais se tratando de ajudar crianças carentes a estudarem com embasamento em moda... Bom, pelo menos ela não poderá “não aceitar”! Dessa vez te peguei, Uchiha Hinata. – Disse a última frase se vangloriando.
...
Hinata já havia realizado o exame e continuava no hospital esperando o resultado que sairia em duas horas, não parava de andar de um lado para o outro e a cada 15 minutos ia a lanchonete comer alguma coisa, enfim foi chamada pela médica que realizou o exame, doutora Takeda Seiko.
- Uchiha Hinata, certo? Aqui está o resultado do seu exame... Boa sorte. – Disse entregando o envelope nas mãos da ex-Hyuuga, em seguida chamou outra paciente.
Hinata apenas voltou à sala de espera onde Ino e Kurenai estavam sentadas aflitas, sentou-se no meio, respirou fundo, abriu o envelope tirando os papéis e lendo com muita atenção o que estava escrito e ao final da folha, pôde ver a palavra “POSITIVO”.
- Deu positivo! Estou grávida!!! – Disse extremamente animada, deixando uma lágrima escapar de seus olhos e recebendo um abraço das mulheres ao seu lado que começaram a chorar também.
Voltaram à empresa e Kurenai dispensou Hinata para que ela pudesse ir para casa e contar à Itachi sobre a novidade, Hinata não pôde deixar de parar em uma loja especializada em bebês e gestantes na volta para casa, onde comprou diversas coisas, desde brinquedos a roupas; chegou à mansão com uma sacola enorme, contou à Aya pedindo segredo, pois queria fazer uma surpresa para Itachi e um pequeno favor, em seguida subiu para seu quarto.
...
- O QUÊ? – Itachi quase gritou.
- Menino, venha rápido, pois não sei dirigir, Hibiki está com Sasuke na convenção da Suna e a Hinata não está em condições, ela está muito mal e quer que você venha. – Dizia a senhora tentando segurar o riso.
- Tudo bem, Aya... Chegarei aí em 15 minutos! Se ela piorar chame uma ambulância e me ligue de volta, okay?
- Tudo bem, meu querido... Mas venha rápido! – Desligou em seguida.
- O que foi Itachi? Você está pálido... – Indagou Deidara preocupado.
- É a Hinata... Parece que ela está em casa passando muito mal, tenho que ir lá agora, fique aqui e não diga nada ao Yuichi-dono, okay? – Advertiu.
- Mas o que eu digo a ele? Ei, Itachi, espera!!! – O Uchiha já descia às escadas correndo já que o elevador demorava.
Itachi pegou o carro e praticamente voou para casa, chegando lá em exatamente 15 minutos já que havia se deparado com trânsito em plena segunda-feira na Avenida principal, em seguida entrou correndo na mansão.
- Onde ela está, Aya?!
- Está lá em cima, meu querido... Eu disse para ela se deitar enquanto esperava. – Dizia a senhora com uma feição de preocupação, fazendo Itachi subir a passos largos, em seguida a senhora sorriu e voltou aos seus afazeres.
O moreno chegou ao corredor e passou a andar mais rápido visando chegar à porta que estava fechada, quando tocou a maçaneta e abriu se deparou com Hinata sentada na cama cercada de roupinhas e brinquedos, sorrindo e segurando um pequeno macacão branco onde estava bordado em vermelho a frase “Okaeri, otou-san”. Itachi que estava muito aflito sentiu um alívio percorrer lhe a espinha, seguido de surpresa e euforia, correu para onde Hinata estava e a abraçou, não falou mais nada, ficou ali abraçando a esposa, depois de uns dois minutos finalmente desvencilhou-se dela.
- Isso é sério? Eu vou ser pai?!!! Eu não estou acreditando!
- Sim, papai! – Hinata sorriu. – Eu confirmei hoje! – Terminou tomando os lábios do marido.
...
3 meses depois...
- Amor, acorda porque tenho uma surpresa pra você... – Disse Itachi enquanto arrumava sua gravata.
- Hum... Do que está falando? Que tipo de surpresa é essa? – Indagou Hinata ainda sonolenta.
- Uma surpresa em que eu estava trabalhando há algum tempo e que só ficou pronta ontem.
- Isso é estranho, não é nenhuma data especial nem nada do tipo... O que está aprontando Uchiha Itachi? – Indagou enquanto se sentava na cama.
- Não se preocupe, é algo muito bom... Tenho certeza que você irá amar. – Disse enquanto se sentava ao lado de Hinata. – Mas e como estão nossos bebês? – Questionou acariciando a barriga da esposa.
- Acho que estão dormindo ainda, estão muito quietinhos... – Respondeu a Uchiha colocando uma das mãos sobre a de Itachi. – Mas e então, devo me arrumar agora? – Disse se levantando sendo amparada pelo Uchiha.
- O que foi Itachi? Eu só me levantei... Não é porque a minha gravidez é de risco que eu não posso nem mesmo andar sozinha. – Sorriu a ex-Hyuuga se dirigindo ao banheiro, da onde saiu pronta em menos de 20 minutos fazendo Itachi continuar suspirando pela beleza de sua esposa que parecia ainda mais linda grávida.
Desceram em seguida, tomaram o café da manhã e se dirigiram para o local onde Itachi disse que estaria a surpresa, Hinata achou estranho que o moreno estivesse dirigindo para a região mais pobre de Konoha já que quase nunca andavam por lá, e antes que chegassem o Uchiha entregou-lhe uma venda e pediu que colocasse nos olhos para que ela não visse essa surpresa, com isso Hinata ficara ainda mais ansiosa, mal podia esperar para ver o que Itachi havia preparado pra ela. Depois de colocar a venda, o carro continuou em movimento por mais uns cinco minutos e parou.
- Chegamos? Estou curiosa...
- Sim, não tire a venda ainda... – Disse saindo do carro e abrindo a porta do lado de Hinata. – Venha, vou te ajudar. – E Itachi ajudou a mulher e andaram apenas alguns metros, pararam e Hinata pôde ouvir alguns burburinhos, achou estranho que tivessem pessoas no local, mas continuou na expectativa.
- E então, está preparada? – Perguntou Itachi com as mãos sobre a venda.
- Sim, sim, sim! Eu acho que sim... – Disse a morena animada e ansiosa. E com isso Itachi tirou a venda e Hinata se deparou com um local extremamente bonito com uma fachada escrita “Um sonho de menina”, e alguns rostos conhecidos desde amigos a antigas colegas do curso de moda, ela não entendeu exatamente o significado daquilo e olhou confusa para Itachi.
- Essa foi uma forma que encontrei de te devolver o dinheiro daquela vez, eu sabia que não iria aceitar de outra forma, então fiz isso especialmente para você! É uma ONG dedicada à educação de moda para jovens carentes de Konoha e agora, minha Uchiha Hinata, você não tem escolha senão aceitar! – Explicou Itachi com um largo sorriso no rosto.
- Uma ONG? Para eu administrar? – Hinata não acreditava. – Eu nem sei o que falar, meu amor... Estou extremamente feliz! Muito, muito obrigada!!! – Terminou pulando nos braços de Itachi e lhe dando um grande beijo, até se esqueceu das pessoas que estavam ao redor. – Eu não mereço isso tudo.
- Claro que merece, tudo isso e muito, muito mais! Tem algumas pessoas aqui para te ajudar desde contratados a voluntários... – Disse ainda com a esposa nos braços. – Então, não exagere e cuide bem dos nossos bebês! – Advertiu sério.
- Não se preocupe, vou cuidar bem de nós três! – Terminou acariciando a barriga e recebendo outro beijo.
...
3 meses depois...
Passou vagarosamente por entre os braços que a seguravam, tentando não se mexer muito, já em pé calçou os chinelos felpudos enrolando-se no robe azul. Abriu à porta o corredor estava escuro e com pé ante pé desceu indo para a cozinha.
Abriu a geladeira à procura de algo que não estava ali, passou para os armários, mas estava longe de encontrar o que precisava, bufou irritada, fechando a última porta, ainda faltavam algumas coisas para poder fazer sua receita favorita, dangos! Tamborilou os dedos levemente sobre a barriga de seis meses e virou-se para voltar a cama, mas foi surpreendida por um par de orbes ônix que a fitavam com curiosidade.
- São duas da manhã, o que está fazendo? – inquiriu a encarando.
- Dangos... – disse com um tom triste na voz.
- Não parece que está fazendo dangos – retrucou, ela fez uma careta.
- Eu queria comer dangos, mas não tem e não encontro tudo para fazer a receita – explicou frustrada com um biquinho nos lábios, fazendo o Uchiha sorrir.
- Certo... Vamos – disse vindo de encontro a ela e tomando uma de suas mãos.
- Para onde? – indagou confusa.
- Ao mercado, comprar seus dangos – respondeu como se não fosse nada.
- Mas assim? – falou apontando para as roupas de dormi que ambos usavam.
- Sim, está de madrugada, ninguém vai ligar – explicou, ela não protestou e saíram.
...
- Chá verde... Algo mais senhora Uchiha? – brincou o homem.
- Hum... Sorvete? – falou olhando para área de congelados.
- Pensei que só quisesse dangos – replicou.
- Eu quero, mas... Podemos levar eu como depois – explicou sorrindo.
- Esqueceu o que a Konan disse sobre doces? – indagou com a sobrancelha arqueada.
- Não – ela cruzou os braços com feição séria, Itachi suspirou.
- Tudo bem levamos o sorvete, mas pedirei a Aya que o mantenha sobre vigilância – Hinata sorriu dando um leve beijo na bochecha do marido, que em seguida pegou um pote de sorvete e voltaram a andar pelos corredores vazios.
- Sabe... Acho que deveríamos fazer isso mais vezes, assim parecemos um casal normal.
- Não somos um casal normal? – perguntou confuso.
- Claro que somos, só que... É diferente a sensação, já pensou como seria se nossos bebês estivessem aqui? Seria tão divertido, com certeza estariam correndo e pedindo um milhão de coisas – a morena riu com a imaginação longe.
- Seria ótimo – comentou também distraído, Hinata parou subitamente, pousando uma das mãos sobre o ventre – Hime está tudo bem? – indagou preocupado, de repente um sorriso tomou a feição da moça, que pegou a mão livre de Itachi e a pôs onde a sua estava.
- Acho que eles gostaram da ideia – disse divertida, sentindo os chutes dos bebês, enquanto Itachi parecia encantado, como sempre ficava quando os gêmeos faziam aquilo.
...
2 semanas mais tarde...
- Isso é sério? – indagou abismado, fazendo a morena sorrir.
- Hai! – respondeu Itachi confirmando o que acabara de falar.
- Eu... Eu me sinto lisonjeado – disse emocionado – Um dos meus netos terá meu nome – repetiu as palavras, ainda surpreso – Hizashi... Hizashi... – começou a rir bobo.
- Exato otou-san e nossa bonequinha Mikoto, é justo, não é? – inquiriu ajeitando-se de forma que se sentisse confortável na poltrona, tendo seus movimentos vigiados pelo marido sentado do outro lado.
- Claro, claro... Agora além de um, terei dois netos e uma neta, vou comprar vestidos, bichinhos de pelúcia, bonecas...
- Otou-san calma – interrompeu Hinata – Está muito cedo – explicou, Itachi sorriu de lado achando graça na reação de pai e filha.
- Não anjo, não está, quando menos esperar estarão grandes e como disse, sou avô e vou mimá-los o máximo que puder – rebateu animado, fazendo Hinata rir, pois tinha plena ciência de que aquilo era o que seu pai mais queria.
...
32 semanas... 8 meses... 5 semanas após a decisão dos nomes
Saia do quarto arrumada após um banho relaxante, usando um vestido rosa claro, sandálias baixas brancas, cabelos presos em um coque. Tinha acordado tarde, por isso não vira seu marido sair, ainda sorria só de pensar naquelas palavras “M-A-R-I-D-O” soletrou mentalmente alegre, mas logo sua feição se modificou, uma dor aguda a fez pender para frente e colocar uma mão sobre o ventre como se quisesse protege-lo, e a outra na parede para se apoiar. Reprimiu um grito, fechou os olhos fortemente, tentou andar, mas não conseguia, precisava chamar alguém...
- Aya... — falou, mas de onde estava seria impossível à senhora ouvir, outra pontada – AHHHHH!! – gritou, encolhendo-se ainda mais.
- Sra. Uchiha – disse uma das empregadas, o grito de Hinata chamara sua atenção, já que estava limpando um dos quartos, a mulher veio ao seu encontro a amparando. Na extremidade do corredor Aya apareceu com o olhar preocupado sobre a morena, que tentava voltar à postura normal. Com algumas lágrimas correndo de sua face, Hinata ficou reta, a dor parecia ter passado, mas algo estava errado, sentiu um liquido percorrer por suas pernas.
- Sua bolsa rompeu – informou Aya, que já se encontrava ao seu lado, confirmando as suspeitas da morena de olhos assustados – Meiko, peça a Hibiki posicionar o carro e ligue para Itachi – pediu, sendo obedecida imediatamente, ajudando Hinata – Está com muita dor? – a viu negar com a cabeça – Consegue andar?
- Ha-hai... – respondeu vacilante, mesmo que soubesse que sua gravidez era de risco e seus bebês pudessem nascer antes do tempo torcia para que não, mas agora ali sabia que não tinha jeito e mesmo que sentisse uma pouco de dor, deveria deixa-la de lado e ir para o hospital, a segurança de seus filhos vinha em primeiro lugar.
...
A grande mesa de reuniões não estava completa, mesmo assim, aquela apresentação continuava sendo importante, se tudo desse certo seria um dos maiores negócios feito. Do outro lado dentro de uma sala um celular vibrava, mas depois de tanto ficar daquela forma parou. Sasuke falava explicando os detalhes finais do projeto, para um homem muito interessado, quando o telefone tocou tirando a atenção da tela para o aparelho.
- Sim Shizuka – atendeu sem humor o Uchiha mais velho odiava que atrapalhassem as reuniões — Tem certeza? - inquiriu preocupado levantando-se e procurando por algo nos bolsos. – Certo, arigatou! – terminou colocando o telefone na base, olhou para Yuichi que o encarava, na verdade todos o olhavam – Hinata entrou em trabalho de parto e está indo para o hospital – falou o mais rápido que podia, já se dirigindo a porta, sendo seguido pelo sogro e cunhado, deixando um cliente confuso para trás.
...
- Dra. Konan! – chamou uma enfermeira, a mulher de cabelos azuis – A Sra. Uchiha acabou de dar entrada no hospital... – não precisava falar muito, pois imaginava qual era situação.
- Já estou indo – informou a azulada, levantando-se. Sabia que ela poderia ter os bebês antes da hora, mas os últimos exames mostraram que não deveria se preocupar, claro que era imprevisível e a pressão alta que Hinata apresentava deixava isso claro, todo o cuidado no parto seria pouco. Com esses pensamentos a obstetra saiu da sala apressada.
...
Andava de um lado para outro impaciente com a demora, dirigira feito louco para chegar ali e agora passar por aquela angústia, estava com medo, mas não queria demonstrar, no entanto, ainda sim, vinham várias coisas em sua mente principalmente as palavras de Konan médica de Hinata e sua amiga desde sempre.
“Uma gravidez normal é pode ser tanto tranquila, quanto complicada e de gêmeos é a mesma coisa, os cuidados são redobrados, sendo que eles podem nascer antes do período previsto, mas por enquanto está tudo bem...”.
O que veio depois o deixou mais atento em relação à morena “Sua pressão está muito alta, e isso é um risco tanto para você quanto para os bebês, deve ter cuidado e se observar alterações não hesite em vir até aqui ou me ligar”. Nesse instante o medo lhe sobressaltou, lembrava-se das pesquisas que fizera após a informação, principalmente do risco da pressão aumentar no momento do parto, aquilo não era de longe normal, Hinata sempre pareceu bem estável nesse quesito, mas Konan deixara claro que isso poderia ocorrer, mesmo se a Uchiha não tivesse alterações anteriores.
- Itachi você quer, por favor, parar de andar de um lado para outro? – inquiriu Neji impaciente pelo ir e vir do cunhado – Vai abrir um buraco no chão! – complementou, Itachi deu um suspiro resignado.
- O deixe em paz, você estava uma pilha de nervos quando Hiro nasceu – comentou Yuichi divertido, enquanto Tenten sentada ao lado marido ria, com o pequeno de um ano e meio nos braços.
Itachi apesar de ter parado de andar continuava alheio ao que ocorria ali e não prestava atenção nas falas dos presentes ainda submerso em pensamentos que tentava reprimir, possibilidades e mais possibilidades, principalmente o risco de perder Hinata ou uma das crianças que ele tanto amava, era sua vida e realização em jogo naquele momento. Olhou para o corredor onde avistou Konan vindo à direção deles, tentou decifrar a expressão da azulada, mas nem que ela estivesse perto conseguiria, seu coração tornou acelerado a cada passo dado pela mulher, que se aproximava.
- Como eles estão? – inquiriu afoito. Ao redor todos os olhavam com expectativas visíveis no rosto.
- Tivemos algumas complicações, mas está tudo certo, Hinata está sendo levada para o quarto, para descansar, e os gêmeos estão sendo levados para UTI neonatal – Itachi parecia ter perdido o ar ao ouvir aquelas palavras – Itachi é um procedimento padrão para bebês prematuros, lá eles serão monitorados para que haja um ganho de peso, maturação de órgãos e se alimentem adequadamente — explicou, já sabendo que o mesmo deveria estar desesperado por dentro.
- Hinata... A Hinata já sabe? – indagou com a voz entrecortada.
- Não, contarei mais tarde quando ela acordar, um parto é cansativo – disse por experiência própria. – Mas podem ir ver os bebês se quiserem, os levarei até lá, venham – chamou. Yuichi aproximou-se de Itachi, dando-lhe um breve abraço, como se dissesse que tudo ficaria bem.
Caminharam até o elevador subindo um andar, seguiram Konan silenciosamente pelos corredores, até avistarem o local onde os bebês estavam, para surpresa geral não era apenas os gêmeos ali e sim vários outros. Todos se puseram em frente à estrutura de vidro observando os mínimos movimentos dentro daquela sala.
- Acha que pode reconhecê-los? – indagou Konan para Itachi que estava ao seu lado, os presentes o fitaram curiosos, esperando a resposta.
- Ali... – apontou com convicção para o lado esquerdo, os olhos de todos se voltaram para duas incubadoras uma ao lado da outra – Tão pequenos... – comentou com certa emoção na voz.
- É são eles mesmos. – informou a azulada – Quer entrar? – recebeu um aceno positivo – Venha, se quiserem poderão entrar, mas terão de esperar, tudo bem? – todos acenaram afirmativamente e saiu acompanhada de Itachi para que o mesmo se paramentasse antes de entrar na sala.
- Konan... Eu vou dizer a ela, tudo bem?
- Imaginei que iria querer, por mim não tem problema, tenho certeza que ela vai entender, acredito que um mês é o suficiente para eles ficarem bem e receberem alta, há casos que saem até antes dependendo de como estiverem. Não há nada que se preocupar, poderão vir vê-los o quanto quiserem até saírem. – reforçou as informações, sabia que muitos pais ficavam preocupados com a situação dos filhos e até mesmo com medo, mas todos no fim concordavam que se fosse o melhor, aguentariam a espera.
...
Yuichi estava ali, olhando para a filha que estava extremamente animada, sendo assim decidira colocar um sorriso no rosto, quer dizer ele estava feliz, mas ao mesmo tempo preocupado, ainda sim prometera a Itachi que não contaria nada a Hinata, na verdade todos prometeram, no entanto, o moreno sequer queria sair da UTI neonatal de tão absorto de estava vendo seus pequenos, se não fosse o sogro chamar-lhe a atenção, as horas teriam passado despercebidas.
- E como eles são otou-san? – inquiriu visivelmente animada a Uchiha que acordara e deparara-se com o pai ao seu lado.
- Eles são muito pequenos, cabelos bem pretos azulados como os seus, estavam dormindo, por isso não pude ver olhos – explicou sorrindo.
- Sério? Não vejo a hora de vê-los e tê-los em meus braços! – comentou sonhando.
- Bom anjo, eu preciso ir, venho pela manhã, tudo bem?
- Hai otou-san – respondeu, recebendo um beijo carinhoso na testa. O homem se afastou e na porta despediu-se de Itachi, mas antes perguntou se não queria mesmo ajuda para contar, o mesmo negou entrando na sala. – Ita-kun! – exclamou.
- Yo Hime – aproximou-se dando um selinho na mulher – Como está se sentindo? – indagou, sentando-se ao seu lado na cama.
- Estou bem, Itachi... – hesitou um pouco, mas precisava tirar sua dúvida – Sei que há algo muito errado. – ele arqueou uma sobrancelha – Eu, eu acho que meu otou-san não falou tudo quando perguntei sobre os gêmeos, na verdade os demais também estavam um pouco estranhos, a Ino então, o Deidara... Logo eles que se fossem irmãos não seriam tão parecidos, eu quero saber o que está havendo. Há algo errado eu sei, eu sinto.
- Não está nada errado apenas... – suspirou profundamente, não havia forma de dizer a ela o que acontecia, mas precisava contar – Devido ao nascimento prematuro, Hizashi e Mikoto foram levados para UTI neonatal, precisarão ficar lá por um tempo. Konan disse que é um procedimento padrão que auxilia no crescimento e maturação dos órgãos, talvez eles fiquem até completar os nove meses – falou passando as informações que recebera posteriormente tentando não transparecer preocupação, mas sim segurança a esposa. Hinata permanecia muda, parecia em choque com a notícia, Itachi passou a mão levemente no rosto da mulher.
- Quero vê-los – pediu, voltando ao normal.
- Não acho que seja uma boa ideia...
- Itachi você não entendeu, não estou sugerindo eu vou vê-los! – disse as palavras firmemente deixando o marido impressionado, sabia que Hinata quando falava daquela forma, não havia volta. Ajudou-a levantar colocando um roupão e os chinelos que trouxera na mala. Seguiram vagarosamente, sem dizer uma palavra, o silêncio entre eles transparecia exatamente um ao outro o que se passava.
Chegaram ao local e através do vidro Itachi indicou onde os gêmeos estavam, Hinata tocou levemente a vidraça e com a outra mão deu um breve aceno, mesmo sabendo que eles não veriam, pequenos e frágeis, era assim que resumia a situação. A angústia que sentia antes de receber a notícia subiu em seu peito com mais força, não tendo como se controlar suas lágrimas rolaram livremente. Os braços fortes de Itachi a envolveram em um abraço, naquele momento era como se tivessem se fechado em um casulo, onde apenas os dois estavam e ali podiam compartilhar o misto de sentimentos que se confundiam entre alegria, tristeza e preocupação, palavras mais uma vez não seriam necessárias.
...
Fazia algumas semanas que Hinata saíra do hospital, nesse dia chorara copiosamente por não estar levando seus filhos consigo, mas após esse período ia todos os dias vê-los, na maior parte acompanhada de Itachi, pai, cunhada ou de seu irmão. Mas naquele dia seu marido não pudera ir, tivera uma reunião importante e ficara ocupado, na verdade todas as reuniões tinham ficado por conta do irmão, já que ele estava preocupado demais em deixar sua Hime sozinha.
Agora era tarde da noite, subia as escadas apressado precisava ver Hinata o quanto antes, ia direto para o quarto quando percebeu a porta do quarto ao lado aberta, seguiu até ela, encontrando a Uchiha dormindo sentada na cadeira de balanço, segurando dois ursos de tamanho médio muito semelhantes, mas com camisetas distintas um rosa e outra azul, com os nomes dos gêmeos, sorriu ao ver a cena, imaginando como seria tê-los ali. Entrou no quarto completamente decorado, com cores claras e desenhos nas paredes, dois berços brancos, um guarda roupas, trocador e claro muitos brinquedos. Sem dizer nada se abaixou, iria leva-la para a cama, mas quanto a tocou os olhos perolados se abriram encarando os ônix e um largo sorriso se formou nos lábios rosados.
- Você chegou. – falou com a voz sonolenta.
- Desculpa não ter ido – pediu com certa culpa na voz.
- Tudo bem – respondeu calmamente – Adivinha o que soube hoje? – inquiriu com a voz animada.
- Não sei, o que?
- A pediatra e Konan-san me disseram que se tudo der certo em duas semanas nós teremos nossos bebês em casa, não é ótimo?
- Sério? – ele rebateu a pergunta com outra, estava muito surpreso, mesmo sendo visível que os gêmeos estavam ficando melhores a cada dia. Sem falar que ainda não se esquecera de quando os viram de olhos abertos, mostrando a cor ônix para quem quisesse ver, contrastando com o azul escuro quase preto dos cabelos.
- Hai, hai – disse animada.
- Foi a melhor notícia que recebi hoje. – falou dando um beijo na morena que correspondeu vivamente.
- Ah, não se preocupe Kurenai-san e a Ino-chan foram comigo, sem falar que encontramos a Tenten lá – explicou com um brilho enorme nos olhos, na verdade ambos estavam da mesma forma sentindo-se felizes pela notícia.
- Me sinto mais aliviado, agora vamos para o quarto! – Hinata sorriu.
- Você não ia me levar? – inquiriu, ouviu uma risada baixa do moreno.
- Claro! – respondeu a pegando em seguida.
...
- Você leva a bonequinha e eu o príncipe! – disse estendo o bebê em sua direção.
- Claro, claro, ele é o príncipe – resmungou sentindo-se indignado, recebendo a filha nos braços.
- Ei, ei, não fico com ciúmes quando Mikoto só quer ficar com você – explicou a morena, saindo do carro com Hizashi nos braços que dormia tranquilamente ao contrário da irmã, sendo auxiliada por Hibiki que segurava a bolsa dos bebês e se divertia com a conversa dos patrões. – Sem falar que, só existe um rei na minha vida... – disse dando um selinho no marido que sorriu com a fala.
- E você sempre será minha Hime – comentou fazendo Hinata corar, adorava aquele apelido. Caminharam lado a lado até a porta.
- Hibiki, pode abrir, por favor? – pediu gentilmente a morena. O homem sem hesitar o fez. Quando a porta se abriu e passaram pelo portal ambos estacaram admirados.
- SUPRESAAAA!!!! – gritaram em uníssono, todos os amigos do casal estavam lá, haviam preparado uma festa de boas vindas para os gêmeos e uma faixa pendurara no alto da escada deixava isso claro.
- Ita-kun... – Hinata tentou falar.
- Não foi eu – respondeu entendo o que a esposa queria dizer.
- É não foi ele, fomos nós que combinamos tudo – comentou Ino sorrindo e se aproximando – Posso pegar? – indagou animada.
- Claro, se conseguir ficar com os dois – falou Hinata divertida.
- Ei, eu sou o avô, tenho direitos... – todos riram do que acontecia, mas era inevitável, cada um ficou pelo menos um pouco com as crianças nos braços, até mesmo os mais receosos como Gaara que se rendeu ao encanto de ambos imaginando como seria quando tivesse um filho, principalmente por Matsuri estar grávida, o que aconteceu dois meses depois de casarem a quase quatro meses antes.
...
Anos mais tarde...
O clima quente e cheio de vida se iniciava, anunciando a temporada de férias que viria a seguir, mas antes disso um grupo de alunos da escola Seishun Gakuen, se aprontavam para o festival de verão, organizado pelo colégio. Enquanto isso próximo aos bastidores fazia menção de jogar o celular no chão de tão brava que estava, bufou alto, fechou os olhos e contou até dez. Precisava se acalmar, nem que fosse um pouco.
- Okaa-san ele não vem, não é? – indagou a voz infantil.
- Não sei meu amor, não consegui falar com ele – explicou aproximando-se da filha.
- Ele vem onee-chan, pode ter certeza! – disse convicto um garoto aparentemente de nove anos, cabelos preto azulados levemente bagunçados, olhos ônix penetrantes, pele alva, esboçando um sorriso de canto para a menina, que se parecia muito com ele, mas com os cabelos longos e traços suaves no rosto.
- Mikoto-san, Hizashi-san, vocês entram em alguns minutos – anunciou à professora, as crianças acenaram e a mulher sumiu.
- Muito bem, vão lá e arrasem! – pediu a morena agachada na altura de ambos.
- Hai okaa-san! – disseram em uníssono, recebendo um beijo na testa e um abraço de boa sorte, indo ao encontro dos amigos que fariam parte da apresentação.
Hinata saiu dos bastidores e se colocou ao lado de uma Ino e um Sasuke animados com a apresentação, já que o filho Satoru de oito anos faria parte do grupo. Com uma câmera na mão Shikamaru não desgrudava o olho do palco, na verdade ele nunca estivera tão acordado e assim como os outros ele e Temari permaneciam na expectativa de ver o filho lá. Na fila de trás Neji, Tenten Hori e Misty — filha de quatro anos do casal — esperavam, ao lado de Pain, Konan e Seiji — o filho do casal de onze anos — juntamente com Deidara e Ume sua esposa – uma mulher de cabelos curtos pretos, olhos arroxeados, de baixa estatura com roupas elegantes.
As cortinas do palco se abriram, permitindo que vissem Satoru – um menino franzino de cabelos loiros rebeldes e olhos ônix — sentado atrás de uma bateria; Nana – filha de Deidara e Ume, uma menina um ano mais nova, cabelos loiros como o pai e olhos arroxeados como os da mãe — no comando do teclado; Shuichi filho de Temari e Shikamaru – um garoto um pouco alto para idade com quase dez anos, cabelos castanhos e olhos verdes – segurando firmemente o baixo nas mãos; Hizashi com uma guitarra; e Mikoto no vocal. As crianças fitaram a plateia lotada, ensaiaram por três meses, não podiam desistir era agora ou nunca, a pequena Uchiha lançou um olhar ao irmão gêmeo e como se falassem algo um ao outro no silêncio, os primeiros acordes de guitarra foram ouvidos.
...
- Droga! Eles já estão começando – comentou ofegante – Nunca tinha reparado o quanto essa escola é grande – parou de correr pondo as mãos sobre o joelho.
- Itachi é melhor você ir na frente, não sou tão jovem assim – disse com as mãos sobre as costas.
- Tem certeza Yuichi? – indagou preocupado olhando para o sogro.
- Hai, vá logo, chego assim que me recuperar – respondeu fazendo um sinal com a mão para que o genro prosseguisse. Sem olhar para trás o moreno correu o mais rápido que suas forças restantes permitiam. Abriu a porta do anfiteatro extremamente cansado, olhou para o palco e lá estavam eles, começando a primeira estrofe da música. Havia conseguido, abriu um enorme sorriso, sabia o quanto aquilo era importante, não apenas para os filhos, mas para todos, e a aquela viagem de última hora quase estragava tudo, agora era só ficar ali e curtir som.
No inicio do refrão os olhos de Mikoto passaram pela plateia encontrando o pai ao fundo, não conteve um sorriso, sempre fora muito apegada a ele e para ela a presença dele era mais que importante e ao lado dele o avô babão que tanto adorava. Nesse momento Hizashi focou os olhos onde a irmã olhava deu sorriso mínimo voltando a se concentrar nas cordas da guitarra vermelha.
- Eles puxaram os dotes artísticos da mãe – comentou o moreno sem desviar o olhar.
- Isso é verdade, sem falar que vem de gerações – rebateu extremamente contente Yuichi.
Quando a apresentação acabou os aplaudiram de pé, eles foram os únicos alunos que tiveram a ideia de se reunir com membros de outras turmas, o que deixou a professora responsável pelo projeto muito satisfeita demonstrando isso durante o discurso final, que acabou rapidamente, liberando os alunos para que pudessem ir de encontro aos pais.
Hinata aguardava os filhos com um grande sorriso nos lábios, ambos vieram ao seu encontro fazendo um milhão de perguntas sobre o que ela tinha achado da apresentação, ela respondeu animada. Enquanto isso Itachi tentava passar sem esbarrar em ninguém, o que era quase impossível visto a quantidade de pessoas ali.
- Otou-san! – bradou a pequena que saiu correndo acompanhada do irmão para abraçar o pai. Hinata virou-se e sorriu ao vê-lo ali.
- Vocês foram muito bem, com certeza os melhores – elogiou, assim que se soltou dos dois.
- O senhor viu? Eu consegui acertar aquele acorde! – falou Hizashi contente, por ter conseguido o que julgava impossível.
- Vi sim, disse que era só ter calma – bagunçou o cabelo do filho com as mãos.
- Ei, não ganho um abraço também?
- Vovô! – disseram em uníssono, indo até o homem.
- Achei que não viessem – Hinata disse ao se aproximar, passando por Itachi – Yo otou-san – deu um beijo na bochecha do Hyuuga.
- Yo anjo, quase não chegávamos – comentou, ainda entretido com os netos. A Uchiha mais velha voltou-se para o marido com um olhar sério, ele sorriu caminhando até ela dando-lhe um selinho demorado, o que fez as crianças fazerem uma careta e o avô rir.
- Pessoal, o que acham de comemorar o sucesso do festival naquele restaurante próximo a avenida principal? – indagou Sasuke.
- Eba! – ouviu-se um grito geral das crianças e depois risadas.
- Quem chegar por último lá fora é a mulher do padre! – berrou Nana correndo, fazendo os outros acompanha-la.
- Acho que temos de ir atrás deles – disse Neji sugestivo.
- Hai! Temos... – respondeu Hinata, fitando ao longe.
...
Abriram a porta da mansão e os anjinhos entraram correndo como um furacão, deram um ‘boa noite’ rápido para Aya e comentaram que tinham ido muito bem na apresentação. Em seguida sumiram.
- NÃO ESQUEÇAM DE TOMAR BANHO! – gritou à morena, mesmo sem saber se iria ou não ser ouvida, dando um suspiro.
- Dá para acreditar que Gaara se tornou Kazekage? – indagou Sasuke ao irmão.
- Para dizer a verdade não, mas se ele for tão bom quanto o pai, vai se sair bem – respondeu, alheios a conversa de Hinata e Ino, que pareciam decidir algo sobre a griffe.
Passado alguns minutos a loira seguiu para a sala onde Sasuke descansava e a morena foi atrás do marido, precisavam resolver algo que ficara pendente, caminhou calmamente até o escritório, não bateu apenas abriu a porta e entrou, fechando a mesma atrás de si. O homem sorriu, mas logo murchou ao ver novamente o olhar sério sobre si.
- Não deveria prometer as coisas – começou à morena de braços cruzados, caminhando pelo escritório.
- Mas, eu cheguei é isso que importa, sem falar que foi a primeira vez que aconteceu – rebateu calmamente, tentando decifrar a esposa que por algum motivo andava extremamente irritada.
- Hai, mas e se não desse? Não quero que eles pensem que não devemos cumprir uma promessa, ou que todas podem ser simplesmente ignoradas – deu suspiro e parou em frente a enorme porta de vidro que dava acesso do escritório para o grande jardim da mansão, a noite já anunciava sua chegada e um misto de alaranjado e rosado cobria o céu.
- Eu, eu sei, não voltará a se repetir... – disse resignado levantando da cadeira e caminhando até a esposa envolvendo-a em um abraço por trás, deu um beijo na bochecha da mesma e colocou a cabeça na curva do pescoço dela, que sorriu com o ato. – Posso saber por que tem andando tão brava? Tem algo errado? – inquiriu com a voz preocupada, olhando para fora assim como ela.
- Não há nada errado, é só que... – hesitou um instante – Tem horas que não dá para controlar – explicou com a voz chorosa.
- Não precisa chorar, já aturei muita TPM sua, então já me acostumei – comentou relacionando um fato a outro. Hinata deu uma risada fraca, desvencilhou-se dos braços do marido, ficando de frente para o mesmo, era agora ou esperar que ele percebesse.
- Ita... Vou te contar um segredo, não é apenas TPM que me faz mudar de humor – disse divertida e antes que o mesmo pudesse falar algo ela continuou – Tem outra coisa que está acontecendo há quase dois meses – o viu franzir a testa e arquear uma sobrancelha em seguida.
- Você está dizendo que...
- Teremos em breve outro Uchiha correndo por aqui – concluiu a fala do marido. Itachi não sabia o que dizer, apenas sentia-se maravilhado com a novidade, tomou-a novamente em seus braços dando um beijo profundo e cheio de felicidade.
- Arigatou Hime, por me dar àquilo que precisava para me sentir completo – disse no ouvido da morena, ao cortarem o beijo em busca de ar. Hinata sorriu com a declaração.
- Uma camiseta... Um beijo roubado e inesperado... Trancados em uma noite de chuva... Acho que também devo agradecer, então arigatou meu Ita-kun, por me mostrar que tudo o que precisava era de alguém como você...
Outra declaração como muitas feitas antes, todas de grande valia, simbolizando cada vez mais o amor entre ambos, à aproximação dos lábios para outro beijo cheio de carinho, gratidão e amor, o amor que apesar dos anos não sumira de seus corações, sendo capazes de enfrentar o mundo se fosse necessário, desde que estivessem juntos a cada dia se completando mais e mais... Pois o fim é apenas o começo!
Notas finais
Queremos nessas notas finais agradecer pelo carinho, paciência e por nos acompanharem nessa história, que sinceramente para nós no começo parecia sem sentido, mas que deu muito certo, não imaginávamos que alguém leria, contudo, vocês apareceram e provaram o contrário... A fanfic Alguém Como Você acaba aqui, mas para explicar um pouco nosso atraso na postagem desse último capítulo, lhes apresento "Um Pouco Antes De Alguém Como Você", nela contaremos como os outros personagens se conheceram e ficaram juntos e claro teremos um ItaHina *--*
Só uma observação do capítulo é que o nome "Seishun Gakuen" pertence ao anime The Prince Of Tennis, então qualquer semelhança não é mera coincidência ^^
Aqui está o link da fic bônus: http://fanfiction.com.br/historia/432132/Um_Pouco_Antes_De_Alguem_Como_Voce/
Aguardo vocês lá!
Arigatou, sentiremos saudades, beijos.
Myuky e ReH-San
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