Alguém Como Você
23 Capítulo XXIII - A Cachoeira
Notas iniciais
Alguém Como Você
Por Myuky e ReH-San
Capítulo XXIII – A Cachoeira
Hinata dormia profundamente e com um singelo sorriso nos lábios até ser despertada por alguém.
– Ei Hina, acorda!
– Ahn? Ino-chan? – Hinata despertou e logo fez uma expressão triste, “Será que o que aconteceu ontem foi um sonho?”.
– Que milagre é esse? Você dormindo até essa hora... – Olhou para o relógio de pulso que já marcava 11h30. – Será que estava sonhando com um certo Uchiha? – A loira sorriu ao perceber o sorriso que surgia nos lábios da morena e ambas começaram a rir da situação.
– Pensei que tivesse sido um sonho...
– Não, não foi... E quando a senhorita pretendia me contar que o “cara” era meu cunhado? – Ino fez careta e cruzou os braços.
– Nem precisei contar, né? Você e o Sasu-kun não deixam passar nada, por isso são o casal mais perfeito de Konoha! – Deu um abraço na loira que retribuiu ao gesto. – E eu devo estar louca, mas obrigada pelo que fizeram...
– O que nós não fazemos pela felicidade da nossa melhor amiga? E vamos descer logo, nossos Uchiha’s esperam por nós... – Levantou-se e puxou o lençol que cobria Hinata. – Vamos! Vamos! O dia passa rápido por aqui, não podemos perder um minuto!
Hinata se levantou, tomou um banho e desceu sendo seguida por Ino, ao chegar à metade da escada viu Itachi em pé, com uma das mãos ao bolso da calça e olhando-a encantado.
– Achei que não fosse acordar mais... – Esperou a morena chegar mais perto, puxou-a para si e deu-lhe um beijo.
– Acho que sou eu quem vai vomitar hoje...
– Ah! Deixa os dois aproveitarem um pouco, amor... – Ino se aproximou de Sasuke e puxou-o para a saída da casa. – Vamos deixar os pombinhos a sós.
– Ei, sejamos mais discretos, por favor... – Desvencilhou-se a Hyuuga ainda tímida pelo beijo repentino.
– Qual o problema? Estamos entre amigos, que diga-nos de passagem, não são nada discretos... – Sorriu, e como aquele sorriso encantava Hinata que parecia desnorteada com toda aquela situação, Itachi aproveitou aquele momento de fraqueza para dar-lhe outro beijo, mais demorado e intenso, e ficaram ali por alguns segundos no silêncio da casa, vindo a se desvencilharem apenas pela falta de ar, afinal, precisavam respirar. E Hinata sorriu, com as bochechas a arderem, provavelmente estava mais vermelha que um pimentão, mas aquela timidez não importava, Itachi estava certo, estavam entre amigos e ela queria mais do que tudo aproveitar aquele feriado ao lado do homem que lhe despertou aquele sentimento.
– É, você tem razão... Não tem problema nenhum, mas minha timidez acaba me atrapalhando. – Sorriu tímida.
– Então, o que me diz de passarmos o dia passeando pela trilha que tem por aqui? – Hinata fez uma careta e passou a mão na barriga. – Não se preocupe, eu sou uma pessoa muito prevenida... – Disse indo até a cozinha e trazendo consigo uma cesta.
– É, estou vendo... E quer dizer então, que você já tinha tudo isso em mente? – Indagou a Hyuuga.
– Como já disse, sou uma pessoa muito prevenida... – Pegou a mão de Hinata. – Vamos, vou te mostrar um lugar...
Saíram da casa e passaram pelo Lago, onde o resto do pessoal estava reunido, acenaram e seguiram para a trilha no qual Itachi se referira mais cedo, caminharam por alguns minutos e o Uchiha muito atencioso fazia questão de ajudar Hinata com quaisquer obstáculos que apareciam à frente, por menor que fossem, até chegarem a uma floresta um tanto densa, com árvores altas e latifoliadas, dificultando a passagem da luz solar, Hinata só conseguia ver alguns pequenos flashes de luz que insistiam em atravessar alguns buracos feitos por insetos nas folhas e mais ao fundo dava para escutar o barulho de água corrente; era tudo tão lindo e maravilhoso que a jovem ficara estagnada.
– É lindo, não é? – Itachi disse fazendo-a despertar. – Mas você ainda não viu nada... Vem comigo. – Pegou-a pela mão e a conduziu até o lugar de onde vinha o barulho de água, era um pequeno riacho, com muitas pedras no caminho, provavelmente, desaguava no lago em frente a casa em que estavam, por um momento, a Hyuuga não entendeu o que tinha de tão bonito naquele riacho, mas Itachi continuava à puxá-la e o caminho tornara-se mais difícil, pois tinham que passar por cima de algumas pedras no riacho e por entre as enormes folhas que haviam no caminho, e a cada obstáculo que passavam, o barulho ficava mais alto, era como se tivesse uma queda d’água em algum lugar por ali, Hinata sorriu, ao pensar no que poderia haver ali de tão especial e continuou a seguir aquela incógnita à sua frente que a cada minuto que passava parecia mais claro e resoluto para ela.
– Será que isso tudo vai realmente valer à pena? – Quebrou o silêncio que reinava entre as folhas e pedras no caminho.
– Mas é claro que vai... – Sorriu, e Hinata não resistia àquele sorriso, era um porto seguro pra ela. – Mais um pouquinho e estamos lá.
E realmente, passaram mais alguns minutos naquela jornada e o barulho ficara ensurdecedor, Itachi parou à sua frente e mais uma vez sorriu, haviam algumas folhas no caminho, a morena não pôde ver o que havia por trás delas, o Uchiha percebera a feição de dúvida que surgira em sua face e com as duas mãos puxou as folhas que haviam no caminho, e Hinata mais uma vez ficara encantada com o que vira, jamais havia presenciado algo tão belo quanto aquilo, havia uma cachoeira que aparentava ter pouco mais de 10 metros de altura e abaixo o centro do riacho pelo qual haviam passado com um pequeno arco-íris sendo formado pela queda d’água, as águas eram tão cristalinas que dava para ver as pedras e ao redor, ramagens e folhagens de todos os tipos e formas, aquele lugar era sem dúvida uma raridade.
– Tá esperando minhas mãos caírem para passar? – Itachi continuava segurando as folhas e Hinata sorriu.
– Me desculpe, fiquei tão encantada que nem percebi que ainda estava ai... – Passou por entre o vão que estava aberto e esperou o moreno passar também.
– Faço questão de te trazer a meu lugar secreto e é assim que me trata? – Fez uma feição de coitado e logo teve seus lábios tomados pela Hyuuga que pulara em seu colo, enlaçando as pernas contra suas costas.
– Muito obrigada por me trazer aqui... – Sussurrou ao se afastar um pouco, mantendo suas testas e narizes ainda colados.
– Não há de que, Hime... – Hinata ficara surpresa com o que Itachi acabara de pronunciar, era do que ele a chamava em seus sonhos, parecia que ambos estavam ligados. – O que foi? Que carinha é essa de interrogação? – Indagou o moreno.
– Nada não... Só estava pensando no que me chamou. – Sorriu.
– Por quê? Não gosta que eu te chame assim, Hime? – Debochou e colocou a morena em cima de uma pedra que estava à sua direita. — Está com fome? – Disse colocando à cesta ao lado dela que apenas meneou a cabeça afirmativamente.
– Você disse que aqui é seu lugar secreto, não é? – Itachi pegara dois sanduíches na cesta, deu um pra ela e apenas balançou a cabeça em sinal de resposta. – Quer dizer então, que ninguém sabe dele? – Pulou da pedra, se sentou e esperou o moreno se sentar ao seu lado.
– Não necessariamente, quando venho aqui nunca encontro ninguém, mas isso não significa que só eu conheça, além disso, quem descobriu esse lugar foi o Sasuke.
– O Sasu-kun?
– Sim. O Sasuke sempre foi um ótimo irmão, antes da morte dos nossos pais, ele era um garoto frágil, chorão e fazia de tudo para sempre chamar a atenção, mas logo depois do acidente, ele mudou completamente, a última vez que o vi chorar foi no enterro, e depois desse dia, por mais que eu soubesse que ele estava destruído por dentro, ele fazia questão de me mostrar o contrário, e tudo isso, para que eu não me preocupasse com ele. – Hinata escutava tudo atentamente, só não entendia muito bem o que aquele lugar lindo tinha a ver com a mudança do seu amigo. – Até um dia em que resolvi trazê-lo pra casa do lago, foi mais ou menos um ano depois, nós dormimos e no outro dia quando acordei, ele havia desaparecido, procurei em todos os lugares próximo a casa e nada, pedi para o Hibiki ir aos arredores da cidade ver se ele estava por lá e deixei a Aya na casa para ir procurá-lo na trilha, fiquei andando, andando, fui e voltei a casa para ver se ele tinha aparecido e nada, quando voltei novamente à trilha, o sol já estava se pondo e eu comecei a ficar desesperado. – Itachi dizia tudo aquilo parecendo extremamente angustiado ao se lembrar, e Hinata percebendo aquela inquietação recostou a cabeça no ombro do moreno.
– Eu imagino como você deve ter se sentido... – Sussurou. — Mas e o que aconteceu depois disso?
– Eu andava por aquela trilha, e sabia que no fundo ele estava perto, então não desisti. Andei tanto que acabei encontrando aquela floresta densa e quando escutei o barulho de água correndo, minhas esperanças se afloraram, então, eu segui todo aquele caminho que seguimos e achei meu otouto sentado nessa pedra em que estamos, olhando para a cachoeira.
#FLASHBACK ON
Eu tive vontade de matar o Sasuke quando o vi sentado naquela pedra, mas tudo o que pude fazer no momento foi chorar, chorar de alívio por ver que a pessoa mais preciosa pra mim estava bem. Limpei minhas lágrimas e me aproximei, ele parecia tão distante e solitário que nem percebera a minha presença, até eu me sentar ao seu lado.
– Então era aqui que você estava seu pirralho! – Dei um pequeno cascudo e ele não demonstrou nenhuma reação. – Como achou esse lugar?
– A okaa-san me mostrou essa cachoeira...
– Ela mostrou só pra você? Ela nunca havia me contado sobre ela... – Não percebi sobre o que Sasuke estava falando até ele me olhar diretamente com a expressão mais triste que eu já tinha visto e dizer:
– Ela me mostrou nos meus sonhos, aniki... E eu passei o dia todo aqui esperando que ela viesse, mas ela não veio.
#FLASHBACK OFF
– Ouvir meu irmãozinho que sempre foi mais forte que eu dizer aquelas palavras me fez perceber que por mais que eu tentasse protegê-lo, eu não poderia retirar de dentro dele tudo o que estava sendo guardado desde a morte dos nossos pais, porque aquele era e sempre vai ser o Sasuke, o irmão que eu tanto amo e tanto me orgulho. – Itachi terminou a história juntamente com o sanduíche. – E desde então, eu sempre venho aqui, às vezes ele vem comigo, às vezes ele vem sozinho...
– O Sasuke é realmente uma pessoa incrível, um irmão que qualquer um gostaria de ter... – Completou Hinata. – Mas e quanto ao sonho?
– Eu acredito que tenha sido verdade e que nossa mãe queria nos mostrar esse lugar incrível de alguma maneira, e é por isso que o escolhi para te dizer uma coisa... – Itachi que até então olhava a cachoeira, virou-se para Hinata e segurou suas mãos. – Eu quero que essa cachoeira seja a testemunha do que eu vou lhe propor... — Respirou fundo, sorriu e completou. – Hinata, você aceita ser...
– ITAAAAACHI! – Foi interrompido por uma voz que se aproximava. – Eu sabia que você tinha trazido a Hina pra cá... – Sasuke saiu por entre as folhas de antes. – Droga! Eu atrapalhei alguma coisa, né? Droga! Droga! A Ino vai me matar... – Hinata e Itachi ainda estavam surpresos com a chegada de Sasuke, o último teve vontade de matar o irmão. – Mas vocês terão que deixar isso pra outra hora porque o Deidara acabou de ligar preocupadíssimo dizendo que algo grave aconteceu e que precisa de você na empresa imediatamente.
Itachi levantou-se da pedra num ímpeto e olhou para Hinata que consentiu, se Deidara estava ligando e pedindo pra que ele corresse para a empresa, provavelmente tinha acontecido um problema dos grandes. Os três seguiram o caminho de volta até a Casa, Itachi preparou suas coisas e saiu acompanhado de Hinata que queria ir com ele.
– Hime, infelizmente a minha proposta terá de ficar para outra ocasião... Mas eu quero que você fique com o pessoal e aproveite mais um dia do feriado, ok? – Disse dando-lhe um último beijo que demorou a cessar.
– Eu fico só se você prometer que irá me ligar... – Pediu Hinata.
– Não se preocupe, assim que eu resolver meu problema te ligo. – Terminou desvencilhando-se da Hyuuga, entrando no carro e partindo.
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