Algo de errado em Fabletown
20 ❝Episódio 20 -– idiota。
Notas iniciais

Capítulo 20
Com a minha mente abarrotada de memórias, memórias minhas e dela, eu me guio para a razão. Já não tinha certeza se a amava, ou se o amor dela havia me corrompido.
Então me lembro de seu sorriso, e a certeza agora é concreta.
。。。
Sammuel agora estava em um beco sem saída. Não exatamente sem saída, apenas não havia uma forma convencional de escapar. Caterpillar não estava mais lá, Harriet também não, fábulas mortas e fábulas sumidas.
"Chapeuzinho acreditou que aquele lobo era o anjo da floresta, que a protegeria de todo o mal". É, ele se lembrava ainda de ter representado isso inúmeras vezes, centenas de milhares pelo que parecia uma eternidade.
E agora estava livre.
Livre e sem saída.
Ele agora caminhava com o livro em mãos para fora da mansão, em direção à igreja local. Não era muito longe dali, e não estava com cabeça para dirigir, então vai caminhando. O céu já estava escuro, e as estrelas brilhavam e acompanhavam seus passos rígidos.
Haviam meios de encontrar Caterpillar, o espelho poderia ajudar, bruxas... pegar Caterpillar foi um erro que nenhuma fábula cometeria, afinal, ele criou tudo isso. Tinha poder para fugir, não ficaria preso por muito tempo. A não ser que não quisesse.
— Você está me seguindo há um bom tempo, — A cabeça de Sam tomba para o lado, seu olhar era vazio e pensativo — Faith.
De fato, Faith o seguiu desde que ele saíra da mansão. Ela estava muito curiosa sobre Sammuel, o homem que ela viu em primeiro, quase uma mãe, alguém que seu corpo desejava e que sua mente sentia conforto. Ela vestia um vestido branco e por hábito usava a longa capa vermelha, seus cabelos louros esvoaçavam com a corrente de ar noturna.
"Ele é meu"
Imagens começaram a jorrar em sua cabeça, era a maldita Harriet querendo perturba-la com memórias dela e de Sammy. Desta vez, ela exibia o seu ponto de vista do momento em que Sammuel se deitou junto dela, e por acidente acordou e ele estava abraçado à garota. Ela se aproveitou disso. Ficava olhando para ele.
"CHEGA!"
"Tente me parar"
— Só quero te ajudar — Faith chuta um pouco da grama, já que estava fora do caminho liso, e estava se esgueirando pelos jardins. — Talvez Harriet não pudesse, mas eu posso!
Ela se desfaz de sua capa, que era encantada, e corre na direção de Sammuel como uma criança que acabara de encontrar a mãe no super-mercado. Harriet berrava dentro da cabeça dela, berrava por Sam. Ela leva as mãos a cabeça, porque doía ouvir tantas coisas, e ainda ter que ouvir Sammuel falando ao mesmo tempo.
— Não entendo porque está fazendo tudo isso, o nom—
Ela não conseguia se concentrar, ela não calava a maldita boca — Harriet não parava. Não ia parar, porque sabia que doía. Agora que ela finalmente tinha se encontrado na mente dela, queria seu corpo de volta. Faith não cederia, não estava pronta para morrer.
— CALA A BOCA! — Ela berra, em um surto — CHEGA!
Sammy une o cenho, sua cara contorcida em curiosidade. Claro que era estranho ela dizer para que ele se cale, mas ela parecia tão atormentada com algum tipo de dor de cabeça que ele concluiu que isso não era para ele. Algo na cabeça dela. Mudar de nome. Deixar a capa de lado. Cala a boca.
O homem pestaneja, e o ultimo piscar de olhos tornou aquele azul escuro em amarelo. Seu corpo se quebra em segundos e dá lugar a um lobo gigante, que parte para cima de Faith. Ela se assusta e tropeça, caindo de bunda no chão. Ela aperta seus olhos e quando os abre, dentes bem afiados estavam diante de sua face. Ela grita. O chapeu que cobria suas orelhas caíram no chão.
— NÃO FOI PRA VOCÊ, DESCULPA SAM! — Ela admite, apavorada. Ele percebe que ela abriria a boca se ele a assustasse um pouco mais.
Ele habilidosamente morde a saia da roupa bem costurada de Faith e a arrasta para dentro do território da mansão, que estava uma casa de distância. Ninguém poderia escuta-la de lá. Era encantado. O lobo rosna alto para ela, que tenta fugir, mas é cercada por ele. Ele rosnava e ameaçava morder o rosto dela, que inutilmente tentava engatinhar
Faith já estava chorando, apavorada, com medo de morrer.
— PARA! — Ela implora, se voltando para o lobo gigante, um pouco mais séria dessa vez. — O que eu poderia fazer?! EU NÃO QUERO MORRER! — Ela berra, quase cuspindo os pulmões.
Sammuel para de ameaça-la e se torce em um humano novamente. Estava nu diante dela, então joga mais pó magico para obter roupas comuns como uma camisa e um jeans — isso fazia ele parecer um garoto de 19 anos com barba. Seus cabelos deslizaram pelo ar quando ele se abaixa na altura de Faith.
— Desembucha. Não tenho tempo para joguinhos, não mais.
Ele estava bem sério, olha para ela sem dó, mesmo que tivesse a aparência de Harry. Faith seca as lágrimas desajeitadamente, tentando conter seu coração que batia aceleradamente. Olhando ao redor, só era possível ver o céu e algumas casas altas, estava escuro demais, assustador demais.
— Ela está...na minha cabeça. — Ela abaixa o olhar, mordendo o lábio inferior por dentro da boca.
— Você não é Harriet sem memórias, ela está aí... — O homem comenta, mais para ele mesmo. O desespero cresce dentro dele — Como vamos traze-la de volta?!
— Não vamos, Sam — Ela se encolhe, colocando a mão contra o peito — Eu não quero morrer!
Ah, era verdade. Se Faith sumisse, era o mesmo que morrer. Porque seja lá o que foi criado na ausência de Harriet, agora tinha vontades, desejos... tudo que um ser humano precisa. Ela era humana. Isso pega o Lobo de surpresa, se tinha uma coisa que ele não gostava, era de ver as pessoas morrendo sem motivo. Faith era inocente, poderia ser uma criança caminhando na rua, ou uma moça preocupada com a faculdade. Contudo, ela estava ali, no meio do maior mistério de Fabletown.
— Vamos tentar resolver isso, ok? — Usando braços para se apoiar nos joelhos, ele se flexiona e fica em pé. Ele estende a mão para ela, de forma que a lua ficasse coberta pelo seu corpo, e então fazer com que ele parecesse imponente. — Entenda que precisamos da Harriet para ficarmos vivos.
Ele então... se importava com ela. Faith que antes o via como um pai ou um objeto de desejo, agora nutria um sentimento apaixonado por ele, como se fosse seu herói. Não ouvir "Quero Harriet de volta" fez com que ela se magoasse, e lágrimas brotarem do corpo que não lhe pertencia mais.
— Eu gosto de você, Sam. — Ela admite, usando sua voz e sua aparência, aquela que ele desejava.
Ele morde o lábio, fazendo uma gota de sangue escorrer — ele rapidamente a busca com a língua. Não, ele não perderia o controle, não com Faith. Mesmo que fosse Harriet, a personalidade das duas eram bem diferentes. Ele busca seu chapéu não muito longe dali e o recoloca.
Eu não, então fique na sua. — Ele dá as costas para ela e dá um daqueles saltos que só fábulas poderiam dar, e em instantes ele estava no telhado da casa seguinte e assim por diante até chegar dentro de uma igreja.
Ela já estava fechada, mas Sam facilmente desce da escada até uma janela entreaberta. Cair de metros de altura não afetava alguém forte como o lobo mau, mas quebraria as pernas de Harriet, por isso ela precisava fazer paradas sutis sempre. Ele caminha entre os bancos, passando os dedos pela madeira. As orelhas em sua cabeça se dobram ao perceber que havia alguém se aproximando. Sam ajeita o chapéu.
Era o padre.
— Já fechamos filho, confissões só pela manhã. — Provavelmente o homem dormia ali, porque estava com um pijama listrado, era gordinho e baixinho, como qualquer padre. Estava bem próximo ao centro, e então Sam anda até ele.
— Pois é vovô, eu vou precisar de uma ajuda sua, e vai ter que ser agora.
Encantado por Sam e ao mesmo tempo apavorado com o que ele representava, o senhor de idade avançada caminhou até a escadinha que levava até aquele mini-palco que o padre ficava e sentou nas escadas. O tal padre tremia ocasionalmente, e abaixou o olhar cansado quando Sam se acocou diante dele, com as mãos unidas e olhar curioso.
— Humanos tem um Deus. — Ele começa, mas é interrompido.
— Deus é Deus de todos, pois são criação de sua criação. — Tinha lógica, Sammuel teve que admitir — Por isso só existe um.
Ele definitivamente não queria entrar em um assunto como esse, do tipo que faz você pensar desse jeito. Religião era interessante até certo ponto, as pessoas muito sérias quanto a isso irritavam.
— Então quem cria é Deus? — Sammuel indaga — Se eu criasse um shampoo novo, eu seria Deus desse shampoo?
O velho une o cenho e ri um pouco sem humor. Era como se ele tivesse sido pego de surpresa.
— Acho que você pode encarar isso assim, se quiser.
Humanos eram seus Deuses, eles eram capazes de usar sua mente e criar essas histórias. Seu Deus morreu há muito tempo.
— Bom, valeu velhote, até mais.
。。。
Sammuel conversou com o espelho sobre suas novas ideias; Primeiro: Faith. Concordaram em não mata-la, em tentar contornar a situação. Provavelmente matando ou desenfeitiçando a pessoa que amaldiçoou ela, traria Harriet de volta. Agora eles teriam que contornar isso. O culpado só podia ser uma fábula esquecida, conforme Faith disse, conforme o que Harriet sempre sentiu. Uma lista foi feita.
O mais fácil agora era encontrar Caterpillar e em fim acabar com isso. Por esse motivo, agora Sam tentava ensinar Faith a curar rosas.
Inutilmente, a garota simplesmente não entendia que ela podia fazer isso.
— Esquece isso, ok? — Eles estavam a sós no quarto de Harriet. — Não sou Harriet.
— O que você acha dela? — Sam pergunta, curioso com a hospedeira do corpo de sua amada.
— Ela é bonita. — Diz, hesitante — Esforçada, preocupada, não sei dizer.
— Contagiante.
— É, isso aí.
E por algum tipo de acaso, os dois são invadidos com a mesma memória. Harriet a faz lembrar, e ao mesmo tempo Sam vê, como se ela estivesse dentro dos dois — Mas só funcionasse no próprio corpo.
Foi da vez em que era o começo de Fabletown, que as coisas estavam se ajeitando, que tudo mudava. Frequentemente quebravam as janelas da floricultura de Harry, e tentavam roubar ou até mesmo tirar a vida dela, entretanto, Sam sempre estava lá.
— Dá próxima vez, eu acabo com eles! — Ela ergue o punho, com o rosto dramaticamente iluminado pela lampada da floricultura.
Sam acha isso extremamente perigoso, ela era pequena e frágil, era loucura. Jamais venceria ninguém desse jeito. O homem apenas pega um cigarro e o acende ali mesmo, relaxando os ombros e tragando o cigarro.
— Vai sonhando, idiota. — Ele diz, sério, tentando fazer com que ela entenda.
— Ei, você me chamou de idiota! — Ela estava totalmente surpresa e braba, como uma criança. Parte para cima dele, não com intensões malignas, mas como se fosse tirar satisfação. Sammuel a pega pelos ombros e olha sério para ela.
— Você deve entender a gravidade da situação — Ele relaxa os dedos que estavam apertando os ombros da pequena — Eu vou proteger você e essa sua loja boba, baixinha.
Ela torce o rosto em uma careta, mas fica concentrada e levemente preocupada.
— Sammy, você comeu algo estragado? — Ela diz, inocentemente — Essa comida humana é engraçada, tome cuidado.
O homem se afasta imediatamente, quase desejando ter se matado no lugar de ter tentado ser agradável com essa criatura de meio neurônio.
— Não sei porque eu ainda tento...
A chapeuzinho lhe da um tapa camarada nas costas.
— Idiota! — Ela tenta tranquiliza-lo, porque seu tom era como se tivesse dito "bobo!".
— Porque você fez isso? Idiota! — Ele se refere ao tapa, essa intimidade toda! Francamente.
— Ah, você me chamou disso de novo! — Ela se zanga, e Sam já está atravessando a porta recém concertada de vidro, ignorando totalmente a loura — Idiota é quem chama os outros de idiota!
— Você disse o mesmo! Idiota!
Ela praticamente voa mentalmente no pescoço dele. Seus olhos estavam arregalados e a boca escancarada em perplexidade. Essas eram as guerras constantes de ódio entre a chapeuzinho vermelho e o lobo mal. Ele virava uma criança toda vez que falava com ela;
— IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA!
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