Saudações, eu sou Bartô Raposino.

Durante os últimos anos, venho recebendo do investigador Piget Miraa– assim como de tantos outros – os mais incríveis, horrendos e fantásticos arquivos de seus Casos Inexplicáveis e Assombrações Fantásticas – como ele mesmo os chama, pois eu não poderia jamais nomear sequer um desses horrores –, enquanto "insisto em me retirar em chácaras distantes dos olhos humanos e mesmo do contato com a civilização", aqui, também, uma citação de suas palavras. Todas as citações nessa nota introdutória pertencem a Piget Miraa. Preciso dizer, antes de tudo, estar apenas em minha reclusão a possibilidade de estar aqui, agora, tecendo as teias de alguns momentos específicos e, diria, mais interessantes, dos casos de meu amigo Piget Miraa.

As histórias, às vezes, precisam ser contadas.

Cheguei à conclusão de que chegou o momento de algumas delas.

Mas tudo a seu tempo; há qualquer coisa de muito bela na paciência. Espero que sejam pacientes comigo, mas, antes de tudo, espero ter sua companhia durante os próximos relatos de eventos inexplicáveis.

Escolhi para o primeiro caso, entre todos os disponíveis em minhas gavetas e estantes – e, asseguro, há muita coisa – um pequeno caso de assombração comum, mas com grandes chances de se transformar num grande problema se não solucionada em tempo. Essa não é uma história de assombrações. Ao menos, não é apenas uma história de assombrações e horrores; é uma história sobre Piget Miraa e como ele, um senhor distinto e "relativamente esperto", consegue encontrar solução para problemas inexplicáveis. Pois é isso o que ele faz, "é a única coisa que sei fazer".

Estamos prontos, Piget.

Faça o que sabe fazer de melhor.

Bartô Raposino,

S---, 28 de maio de 2017.