Alfa

2 Capítulo 01


Notas iniciais
Gostaria de agradecer à minha beta, Esthellar que ri demais dos meus erros enquanto faz o trabalho. Eu sei, por que quando ela me mostra, eu rio. Só imagino o escândalo que ela deve fazer. Muito obrigada, Darling!

Quero agradecer a todos que comentaram e favoritaram! 11 comentários, 21 Leitores e 7 favoritos! Vocês me deixam toda boba, seus lindos.

Bom, sem mais... Ao capítulo! Espero que gostem!

Capítulo 01

α

“Ai, ai, ai.” Lucy não podia decidir o que doía mais: sua cabeça ou o local entre suas pernas, e mesmo que todo o resto estivesse em um delicioso e quente casulo, algumas partes ainda lhe doíam. Ela resolveu que precisava de seu cérebro pra viver, então, escolheu tentar curar a dor de cabeça, antes. Quando abriu seus olhos castanhos e tentou levantar-se para pegar uma Aspirina, não conseguiu. Havia um par de braços envolvendo sua cintura.

Seus olhos se arregalaram quando olhou sobre os ombros, pra ver quem diabos estava lá. E o que havia acontecido na noite anterior, para que estivesse nua sob os lençóis e...

As lembranças do que houve se fez presente, em sua mente.

A memória estava meio nublada, mas houve alguns beijos profundos e desesperados. Mãos sob sua blusa, tocando-a, fazendo-a sentir como se estivesse em chamas. Suas costas batendo numa parede, enquanto lábios ásperos beijavam um caminho desde seus próprios até seu pescoço, descendo, até chegar aos seios.

A loira não tinha a mínima ideia de quando, mas sua blusa desapareceu e aconteceu o mesmo com a outra pessoa; o contato de pele com pele era tão bom, tão quente.

Um nome escapou de seus lábios e o dono grunhiu em aprovação. Uma mão navegou de sua barriga nua até meter-se debaixo da saia azul que a garota usava, e sob sua calcinha de renda, fazendo com que Lucy soltasse um suspiro de surpresa e prazer de uma só vez. Aquelas mãos foram feitas para tocá-la, Lucy pensou, ainda em seu estupor.

Ela não podia lembrar por quanto tempo aquilo acontecera, mas recordava-se do prazer como nunca havia sentido ante. Então, seu amante abaixou sua calcinha e a loira sentiu algo tocar levemente sua parte inferior, como se pedisse passagem, escutando uma pergunta, em seguida.

Muito quente para falar qualquer outra coisa, sussurrou um ‘Sim’ no ouvido do homem e o sentiu acomodar-se dentro de si. Houve dor, isso era certo, mas foi aceitável. O movimento que começou logo após, era bom, ela sabia mesmo em seu estado de embriaguez.

Suas mãos estavam agarrando os cabelos rosáceos do homem, enquanto ele fazia um barulho de aprovação em como a situação estava se desenrolando, mordendo levemente o lóbulo da orelha da garota. Era bom, Lucy decidiu. Mas então, houve outra pergunta, uma que continha mais significado – a mulher sabia dentro de si –, mas não podia lembrar-se exatamente o que era, então, somente repetiu a afirmativa de antes.

Houve dor no lado esquerdo de seu pescoço e ela choramingou em agonia. Aquilo havia sido uma mordida? Ma, realmente não ligou mais para aquilo, por que, logo depois, parecia que seu sangue havia se tornado fogo.

Sentiu sua mão esquentar como se estivesse em chamas e ela mal se lembrava de tocar seu amante na parte superior do braço direito, um jato de eletricidade correndo por todo seu corpo como nada que já experimentara em sua vida. Então, aconteceu novamente, mas, dessa vez, ela sentiu o homem que estava em cima dela segurar sua mão, e o jato de eletricidade percorreu-lhe, uma vez mais.

Lucy sentiu-se poderosa, completa, sentiu... sentiu...

Dor.

Onde seus corpos se conectavam, houve dor. Alguma coisa que não deveria acontecer estava acontecendo, e a fazia sentir mais dor que quando seu hímen fora rompido. Ela conseguia se lembrar de ter gemido de dor e que algumas lágrimas foram derramadas, e então, sentiu algo quente derramar-se dentro de si, a dor diminuindo um pouco, mas ainda sem ir completamente embora.

Ela sentiu um corpo cair sobre o dela – de alguma forma haviam chegado à cama –, e percebeu que o homem não fez nenhuma menção de se retirar de dentro dela. Lucy se lembrava de sentir a quentura novamente; mas estava muito bêbada e cansada para ficar acordada.

Tudo ficou preto depois disso.

Cabelos cor-de-rosa. O homem – tinha uma pequena (pequena, aham) protuberância cutucando-a por trás, então tinha certeza de que era um homem — possuía cabelos rosáceos e, mesmo que não pudesse ver quem era – o rosto dele pressionado contra suas costas deixava difícil dar uma boa olhada —, havia somente um homem, com tal cor de cabelo, que conhecia.

O único homem a quem deixaria que sua virgindade fosse tomada.

“Ai, meu deus, eu dormi com Natsu!” Lucy disse para si mesma.

“A gente quase não dormiu” o homem respondeu, e a loira pulou em surpresa, enquanto sentia os fortes braços ficarem mais apertados em sua cintura, trazendo-a para perto de seu peitoral; a garota guinchou e tentou se libertar. “Cara, eu estava bêbado.”

“Natsu...” o rosto da jornalista ficou mais corado, quando sentiu os lábios do homem em seu pescoço, onde ele a havia mordido na noite anterior. Espera. Ele realmente a havia mordido? Por que faria isso? E por que fazer sexo tinha doído mais depois que seu hímen havia sido rompido? Não deveria ter doído durante o rompimento? Lucy podia estar com uma ressaca e uma dor de cabeça de matar, mas não era nenhuma idiota. Tudo aquilo não era normal. “Me solta!”

Ele afrouxou seu enlace na cintura da loira, e Lucy imediatamente levantou-se da cama, levando o lençol consigo, para cobrir seu corpo nu. Quando estava a uma distância segura do homem, virou-se e viu que o bombeiro tinha um olhar confuso e estava muito, muito nu em sua cama.

“Cubra-se!” Lucy gritou, colocando uma mão sobre seus olhos.

“Por quê? Você viu tudo ontem.” o tom era de genuína surpresa, e quando a loira olhou por entre seus dedos, viu que ele tinha colocado um de seus bichos de pelúcia sobre sua parte inferior. Bom, não havia mais salvação para o velho Barney agora; o urso iria para o lixo, depois. “Lucy, você está bem?”

“Você me mordeu?” a jornalista perguntou, encarando-o cuidadosamente.

“Bom... Eu... É. Sim. Eu não pude me controlar, ok?” Natsu disse, sem tirar seus olhos dos dela. “Seu cheiro, seu toque, você... É uma daquelas coisas que eu não posso me segurar por ser o que sou.”

“Por que você é o que é?” a garota pegou a palavra-chave da frase de Natsu, e viu o corpo do homem ficar rígido no mesmo momento em que seus olhos ficaram mais serenos.

“Lucy... Eu não sou exatamente humano” ele disse, depois de alguns segundos tensos.

As palavras ecoaram por sua mente, e quando finalmente foram compreendidas, havia somente uma explicação. “Ai. Meu. Deus. Você é um vampiro, não é?”

“O quê?” Natsu franziu o cenho, ofendido. “Claro que não! Você já me viu na luz do sol!”

“’Crepúsculo’ tem vampiros que brilham; acredito em qualquer coisa, agora, amigo!” Lucy começou a pensar nas saídas, e se por acaso tinha algum alho em sua casa, só por precaução. Não havia cruzes e luz do Sol parecia não ter efeito. Alho era sua arma final.

“Crepús...?”

“Mas é óbvio que essa é minha sorte! Eu finalmente faço...” ela tentou achar a palavra correta para o ato, mas corou com o pensamento do que ambos haviam feito durante a noite “aquilo, e é com um vampiro que me morde e...” parando seu falatório, virou-se novamente para o homem. “Você chupou meu sangue?”

“Lucy, você está sendo ridícula.” Natsu riu.

“Natsu, você chupou meu sangue?” ela perguntou, novamente, e muito mais séria que antes. Quando percebeu isso, Natsu parou de rir imediatamente.

“Não.” ele a assegurou. “Posso, por favor, explicar tudo pra você?”

A loira pareceu indecisa, mas não tinha muita escolha além de deixá-lo explicar o que quer que fosse. Sentindo a dor entre suas pernas aumentar, a garota puxou uma cadeira e sentou-se, encarando-o com cautela. “Explique.”

O homem de cabelos cor-de-rosa sentou-se e ajeitou a posição de Barney, quando viu Lucy voltando a cobrir seus olhos — ele teve que lutar contra um rolar de olhos, com a ação —, e começou a falar. “Eu sou o que se pode chamar de Mago.”

Ela esperou que ele procedesse com a explicação, mas aparentemente essa era sua explicação. “Um Mago?”

“Sim.” Natsu assentiu.

“Não um vampiro.” a garota de olhos castanhos perguntou, pra ter certeza.

“Não.”

“Natsu, pelo amor de deus: se você me falar que pode tirar um coelho da cartola, eu...” a loira ameaçou o homem, que pareceu apavorado com o que ela poderia fazer. Ele tinha visto o lado ruim de Lucy uma ou duas vezes, para saber que ninguém mexia com LucyDoida.

“Não!” o rapaz suspirou em irritação. “Eu não prestei muita atenção nas aulas do Mestre, mas eu sei que somos descendentes de Lobisomens, porém, a maioria perdeu a habilidade de se transformar.”

Novamente, parecia que o cérebro de Lucy havia feito as malas e partido, porque a loira pensou ter escutado a palavra ‘Lobisomens’ saindo dos lábios de Natsu. E Lobisomens não existiam, claro. Porque, se existissem, tudo que sabia ser real, se provaria errado.

‘É, há apenas alguns minutos você pensava que ele era um Vampiro e pareceu uma provável explicação. Por que um Lobisomem seria diferente?’ Lucy pensou, e sentiu sua cabeça latejar mais, com a probabilidade de ter dormido com um Lobisomem.

Sim, ela estava em Crepúsculo. Ela não gostava de Crepúsculo. Havia sempre alguém tentando matar a mocinha, e ela não estava preparada para aquilo.

“Ok. Ok.” a garota levantou-se da cadeira, ainda envolta no lençol. Ignorou a dor de cabeça e a de sua parte inferior, e começou a andar de um lado para outro, na pequena quitinete à qual morava. “Então, você é um Lobisomem.”

“Mago. Eu sou um Mago. Quando mencionamos a palavra ‘Lobisomem’ as pessoas ficam meio malucas.” Natsu levantou-se e a garota virou, enquanto o homem andava pelo quarto. Ela tinha esperanças de que ele estivesse procurando por suas roupas. “É raro encontrar alguém que se transforme de verdade. Só conheço um, na realidade.”

“Transformar? Pessoas realmente se transformam?” Lucy virou-se e viu que Natsu estava de costas para ela, colocando sua cueca boxer, e não pôde deixar de notar as nádegas firmes e mais brancas que o resto de seu corpo dourado — culpa de ficar muito tempo do lado de fora, treinando e sendo lindo, ela supôs —, e os músculos de suas costas estavam se mexendo belissimamente, enquanto colocava a roupa. Lucy podia estar confusa e doída, mas ainda era uma mulher com sangue nas veias.

“Difícil, mas... claro.” quando terminou de pôr suas boxers, Natsu levantou os braços sobre a cabeça e alongou-se, primeiro para a esquerda, depois para a direita, e Lucy só pôde morder o lábio inferior com a demonstração que estava tendo. O rosado olhou sobre o ombro, com o mesmo sorriso que sempre a balançava. “Ser um Mago não é tão ruim, Lucy. Somos humanos diferentes, só isso.”

“Quais as diferenças?” Lucy clareou a garganta, sentindo suas bochechas esquentarem.

“Força, sentidos mais afiados...” o bombeiro deu de ombros. “Como você acha que eu te encontrei naquele dia, em Harujion? Eu senti seu cheiro.”

“M-Meu cheiro?” a loira gaguejou, vendo-o se virar. Quantas vezes havia sonhado em ver Natsu naquela situação: parcialmente vestido, com a luz do sol banhando seu corpo, enquanto ela mesma estava envolvida num lençol, depois de uma noite de paixão...?

“Você cheira como...” poderia ser impressão da jornalista, mas os olhos verde-escuros pareceram ficar quase negros, e brilhavam. “Você cheira como a melhor coisa do mundo. Não sei explicar. É como se...” Natsu deu dois passos na direção da loira, e, sem tocá-la, inclinou-se, respirando profundamente. “Você cheira como lar.” levantando uma mão, Natsu retirou o cabelo liso e loiro do pescoço da mulher, e tocou levemente as marcas de dente, que havia deixado naquela noite. “Tive que juntar toda minha força de vontade pra não pular em você, sabia? Mas ontem...?”

“O que aconteceu ontem?” Lucy sussurrou, tudo esquecido; somente a presença de Natsu importava.

“Aparentemente, você não deveria tomar tequila, e eu fico bêbado facilmente com o bom e velho whisky.” o bombeiro riu levemente. “Depois de alguns shots, você me beijou e, bom... Não pude lutar contra você daquela forma, não que eu quisesse. Acabamos aqui e...”

“É. Eu... eu me lembro dessa parte.” Lucy sabia que seu rosto estava mais que vermelho. “Nós estávamos... entusiasmados.”

“Eu não sabia como te explicar, como te falar o que é ser marcado. Nunca fui muito bom lidando com mulheres, e você é especial, Lucy” Natsu sussurrou de volta. “Sempre será especial.”

“Marcado?” ela perguntou, ainda no mesmo tom baixo. O peitoral de Natsu estava logo à sua frente, e Lucy podia até não ser uma Maga, mas conseguia sentir o cheiro leve da colônia que o homem havia usado na noite anterior; a fragrância que sempre adorara.

“Olhe para o meu braço.” Lucy franziu o cenho e olhou para o braço esquerdo do homem, que apenas riu levemente. “O outro braço.”

Quando inspecionou o membro direito do bombeiro, a loira deixou a cabeça cair um pouco para o lado, ao ver uma marca que, com toda certeza, não estava lá na noite anterior. Era de cor amarronzada e parecia com o símbolo comum do fogo, mas dentro havia uma forma como se fosse uma pequena estrela. Quando foi tocar, por pura curiosidade, percebeu que na parte exterior de sua mão, tinha uma marca parecida.

“Mas o que...?” trouxe sua mão para mais perto de seu rosto, confusa.

“Nós fomos marcados!” Natsu falou, excitado. “Na primeira vez. Você sabe o quanto isso é raro?”

“Natsu...” Lucy sentiu a parte inferior de seu ventre doer, como se estivesse com cólica, mas deixou para lá, naquele momento. “Como...? O que...?”

“Nós somos Companheiros.” ele sorriu mais abertamente que antes. “Tivemos o Elo na primeira vez que ficamos juntos.” colocando uma de suas mãos na nuca da garota, Natsu a puxou para perto de si, beijando-a com paixão, e Lucy, sem saber o que fazer, meio sem chão, e desejando o beijo tanto quanto ele, retribuiu. Quando precisaram separar-se para respirar, a loira pôde ver os olhos verde-musgo do homem à sua frente brilhando de felicidade. “Eu sabia que era você no momento em que senti seu cheiro, naquele bar. Eu sabia.”

“Po-Por quê...?” Lucy mostrou sua mão para Natsu, a única coisa entre seus corpos era o lençol e as boxers que ele usava.

“Significa que somos...” o rosado procurou a palavra correta “Vocês humanos chamam de ‘almas-gêmeas’, metade da laranja.”

“E nós somos? Almas-gêmeas?” Lucy perguntou, e o fato de ela estar aceitando tudo aquilo com facilidade, fora notado levemente por sua mente, que tentava lidar com a realidade de não somente ter transado com Natsu, mas que ele era um Lobis... Mago, que podia sentir seu cheiro, e agora era sua alma-gêmea.

“Sem dúvidas.” seu sorriso era tão lindo que Lucy teve que sorrir de volta.

“Bom, você bem que deveria ter avisado que era um Lob— Mago antes de nós... você sabe.” corou, enquanto olhava para o lado. “Um pouco de preparo teria sido bom. E você tem que me explicar muita coisa antes de eu aceitar tudo isso, Natsu. Por exemplo, por que doeu tanto ontem à noite?”

“O quê?” o sorriso de Natsu desapareceu em uma fração de segundos. “O que doeu?”

“Você sabe... depois que você,” Lucy suspirou “estava lá,” sussurrou “e depois que você me mordeu... houve outra dor, uma mais forte.”

“Dor...?” Natsu a fitou por cima dos ombros, na direção da cama, e depois, novamente para a loira.

“Droga de cólica.” a jornalista passou a massagear seu abdômen inferior, que estava começando a doer novamente. Ela não deveria estar sentindo aquilo.

“Espera, aquilo é... sangue?” o bombeiro olhou para a cama, onde uma mancha vermelha podia ser vista, e fora ignorada até o momento. “Eu... Eu não senti o cheiro...”

“Natsu...” a loira viu a mente de Natsu trabalhar, somando dois mais dois, relembrando a noite que haviam compartilhado, e viu o exato momento no qual tudo fez sentido dentro de sua cabeça, sentindo-se imediatamente mal, por ele.

“Eu fiz isso?” o homem ficou pálido. “Lucy, eu te machuquei?”

“Natsu, é normal para uma mulher sentir dor durante a primeira vez. E de sangrar.” não daquela forma, Lucy pensou, porém, mesmo assim, tentou acalmá-lo. O problema é que ele provavelmente viu que a garota estava mentindo sobre algo; realmente havia doído mais do que deveria.

“Eu fiz, não fiz?” ele deu dois passos para longe da loira. “Eu nunca... com uma humana. Foi o Nó? Oh, merda. Lucy, eu não sabia que iria...” o pânico estava evidente em sua expressão.

“Eu...” a parte inferior de seu ventre doeu novamente, dessa vez com mais intensidade, e ela gemeu em agonia e confusão com o que estava acontecendo. “Eu não me sinto muito bem.”

“Lucy? Lucy!” ela escutou Natsu chamar seu nome, mas seus cílios foram ficando mais pesados, seus joelhos viraram gelatina, a dor a envolveu e a escuridão tomou conta de si, mais uma vez.

α

Quando acordou, bem mais tarde, Lucy escutou uma voz estranha e feminina, e então a de Natsu, fazendo com que a loira se sentisse melhor imediatamente, sabendo que ele estava ali. Quando ela desmaiou — e desmaiara, mesmo? —, o rapaz estava muito incomodado com o fato de que a havia machucado; por um momento, a jornalista ficou com medo de que ele a tivesse deixado.

“Oh, você acordou” a mulher falou, assim que os olhos cor-de-chocolate de Lucy foram abertos. A garota teve que piscar algumas vezes para se acostumar com a luz. Uma mulher de cabelos cor-de-rosa, que parecia estar na melhor idade, Lucy supôs, estava sentada ao seu lado, na cama. “Como você está se sentindo?”

“Eu...” Lucy tentou sentir seu corpo e notou que tudo doía, não somente seu ventre, como antes. Era como se tivesse corrido uma maratona sem nenhuma preparação. “Dolorida por todos os cantos.” a garota conseguiu falar.

“É de se esperar.” os olhos verdes e claros da mulher viajaram sobre o corpo – coberto com uma camisola, no momento – da mais jovem; e então, ofereceu-lhe um líquido rosado, e que era muito doce, seguido de um copo d’água, que a garota aceitou avidamente. “Você está mudando, e o processo pode ser um incômodo para alguns.”

“Mudando? O que você quer dizer?” Lucy perguntou, confusa.

“Quando eu te mordi,” a voz de Natsu fez com que a loira virasse a cabeça, procurando por ele. O homem estava sentado na mesma cadeira que a garota havia estado, quando o bombeiro decidiu explicar o que era. Os olhos verde-escuro estavam nublados, ombros caídos; ele não parecia o homem sorridente que a conquistou “eu não sabia, mas, aparentemente, quando um Mago morde sua Companheira humana, depois de marcados, começa a mudança.” ele enterrou o rosto nas mãos. “Me desculpe, Lucy. Eu não sabia que ia te machucar ainda mais.”

“Natsu...” a garota queria acariciar os cabelos rosáceos do homem e lhe dizer que tudo iria ficar bem, mesmo que ela estivesse confusa e dolorida por todo o corpo. Apesar de ter feito uma cena quando ambos haviam acordado juntos, na mesma cama, lá no fundo, Lucy sabia que Natsu nunca a machucaria de propósito.

“O pirralho me explicou o que aconteceu” a anciã disse para a loira, e mesmo que Lucy estivesse escutando, não retirou seus olhos da forma derrotada de Natsu. “Ele me ligou, gritando, me falando que havia te matado.” a mulher mais velha parou por um momento. “Uma idiotice, claro. Por várias gerações não se tem notícias de um Mago matando um humano durante o acasalamento. Mas quando ele me contou sobre a mordida...” a anciã suspirou “A mágica que corre dentro dele, agora, está sendo dividida com você.” Lucy finalmente moveu seus olhos para encarar a mulher de cabelos rosáceos. “Essa mágica está fazendo com que você se torne uma híbrida: metade humana e metade Maga, para que, então, no futuro, você possa carregar os filhotes dele, ou em palavras humanas: bebês.”

“Sua fisiologia está mudando e isso dói, é por isso que você tem febre,” somente naquele momento a jornalista notou que estava muito quente, até seus olhos pareciam queimar, se é que era possível “e é por isso que provavelmente sentiu cólica também: você está mudando para aceitar o Nó.”

“Nó?” as pálpebras de Lucy estavam ficando pesadas, mais uma vez.

“Descanse agora. Eu te dei um remédio para que você dormisse durante a mudança. Não se preocupe, você vai ficar bem. O pirralho estava fazendo uma confusão por nada.” a loira olhou para Natsu uma vez mais, e ele estava fitando-a de volta, os olhos mostrando o quão inquieto ainda estava. O sono estava tomando conta, e a garota não teve a chance de dizer para ele, mas pensou: ‘Não fique com esses olhos tristes; me deixa deprimida te ver assim.’

α

Quando abriu os olhos mais uma vez, sentindo-se muito melhor, e percebeu o quão estava cansada, ao acordar após ficar bêbada, desmaiar, tomar um sedativo, depois de só deus sabe quanto tempo, somente para se encontrar confusa, novamente. Com um grunhido, a loira moveu seu corpo, descobrindo que estava somente um pouco dolorida, mas não se comparava com quando estava quente e com dor por todo o corpo, no momento em que a anciã estava ao seu lado. Na realidade, sentia-se muito bem.

“Lu-chan?” oh, aquela voz a jornalista conhecia.

Levy McGarden era sua melhor amiga — sem contar Natsu, claro —. Uma mulher de tamanho mignon, com cabelos azulados, e que era uma bibliotecária muito doce para ser normal. Seus olhos eram castanhos, um pouco mais escuros que os da loira, e grandes. Ela havia confessado à Lucy que, não ter os seios tão grandes quanto aos de suas amigas, a incomodava bastante, mesmo que a jornalista não visse nada de errado com os seios de Levy: eles tinham um tamanho normal.

“Levy-chan?” Lucy sentou-se em sua cama e viu a mulher em questão aparecer, vindo da direção de sua cozinha. “O que...? O que você está fazendo aqui? Onde está Natsu? E aquela senhora?”

“Estou tão feliz que você está bem!” a azulada suspirou em alívio, sentando-se ao lado de Lucy. “Aquela senhora se chama Polyuska, ela é uma médica de Magos, embora não seja uma. Ela foi pra casa; você ficou adormecida por um dia inteiro.”

“E... Natsu? Onde está?” Lucy perguntou, sentindo-se desesperada para tê-lo em seu campo de visão, novamente.

“Foi embora duas horas atrás, logo quando eu cheguei” Levy disse docemente, com os olhos castanhos cheios de simpatia. “Ele me contou o que aconteceu. Estou feliz que vocês foram marcados, claro, mas ele estava tão incomodado por ter te machucado de alguma forma...” a pequena mulher pegou a mão de Lucy e colocou entre as suas. “Por falar nisso, como você está se sentindo?”

“Muito melhor.” a jornalista suspirou. “Mas estou morrendo de fome.”

“Foi uma coisa boa eu ter feito panquecas, então.” a azulada sorriu. “Vá tomar um banho enquanto termino, e nós poderemos conversar sobre tudo que aconteceu, ok?”

“Obrigada, Levy-chan.”

Sendo a garota inteligente que era, a sugestão da bibliotecária realmente deu resultados. Os músculos tensos começaram a relaxar, quando a água quente caiu por seus ombros. Tanta coisa havia acontecido nas últimas 48 horas, e tinha estado dormindo por metade desse tempo, pelo que Levy lhe havia informado.

Quando saiu do banho, sentia-se bem melhor. Colocou um short marrom e uma blusa branca simples, decidindo que deixaria seus cabelos loiros secarem naturalmente.

Chegando à cozinha, seu estômago fez um barulho alto, quando sentiu o maravilhoso cheiro de panquecas. Viu que já havia um prato preparado para ela, uma vez que Levy possuía um, para si mesma, logo à sua frente, e só estava esperando Lucy para começar a comer.

A jornalista agradeceu e começou a comer com vontade. Provavelmente era nojento vê-la daquela forma, mas não podia se controlar: tinha muita fome.

Quando terminou, deu um longo suspiro e virou-se para a azulada, que juntava a louça e colocava na pia. “Obrigada, Levy-chan. Você salvou minha vida. Não acho que teria forças para cozinhar.”

“Sem problemas, Lu-chan.” rindo levemente, Levy voltou a sentar-se na cadeira ao lado de Lucy. “Mas agora, eu sei que você tem várias perguntas, não tem?”

“Nem sei como começar.” Lucy fez um som de estresse e deixou sua cabeça bater na mesa. “Lobisomens que são chamados de Magos? Alguma coisa chamada ‘Nó’ que me machucou? Eu e Natsu tendo algo chamado ‘Elo’? E isso foi só o que consigo lembrar!”

“Sua mente deve estar dando voltas.” Levy disse, com calma. “Por isso Natsu pediu para que eu viesse: achou que eu explicaria melhor o que é ser um Mago, nossos costumes. Você sabe que ele é um amor, mas as palavras lhe fogem, não é?” Lucy, ainda com a testa apoiada na mesa, soltou um risinho. Aquilo era verdade. Ele sabia ser o homem mais profundo do mundo em certos momentos, mas geralmente era um bobo.

‘O seu bobo’, um sentimento de posse tomou conta de Lucy, como nunca havia sentido em sua vida. Era uma mistura de felicidade e presunção por saber que Natsu era seu e somente seu.

Tomou um susto tão grande, que voltou à posição ereta, assustando até mesmo Levy. “Mas o que...?”

“Lu-chan?” Levy tinha o cenho franzido. “O que foi?”

“Quando falamos de Natsu, senti...” a loira colocou a mão sobre o peito esquerdo.

“Falta dele?”

“Sim. Tenho sentido desde o momento em que abri os olhos. Mas dessa vez foi... possessividade.” Lucy explicou, e Levy sorriu.

“Isso é ótimo, Lu-chan! Isso quer dizer que o Elo está ativo!” a menina de cabelos azuis levantou-se da cadeira e foi até a porta da quitinete da jornalista, abrindo uma mochila e pegando um livro, retornando logo em seguida.

“Primeiramente: Eu sou uma Maga também.” Levy sentou-se novamente. “E todos que Natsu apresentou para você, todos da Fairy Tail, são Magos também.”

“Como?” Lucy estava oficialmente impressionada. Supôs que a pequena mulher também era, mas todos da Fairy Tail?

“Sim, todos. Não é um clube, Lucy: Fairy Tail é uma matilha.” Levy explicou. “Tente me acompanhar, tá?” a loira assentiu lentamente, ainda surpresa. “Nós somos descendentes de Lobisomens, como Natsu te explicou, e que, por temos essa genética, diferentes dos humanos: somos mais fortes e nossos sentidos são mais apurados, certo? Nada mais natural do que também termos uma matilha. Lobos são seres absurdamente familiares, não gostam de ficar sozinhos; preferem ter uma matilha. Mas como chamar de Matilha hoje em dia seria estranho, usamos o termo ‘Guilda’. Nas Guildas, assim como nas Matilhas de lobos, existem patamares, ranks de comando.”

“Alfas, Betas...” Lucy falou, lembrando-se vagamente de uma apresentação que vira sobre lobos, na oitava série, em uma feira de ciências.

“Isso: Alfas, Betas, Deltas e Ômegas.” Levy assentiu, excitada que a jornalista estava entendendo sua explicação. “Como você já deve saber, os Alfas são os que mandam; são os líderes. Logo depois vem os Betas, como eu.” a menina sorriu. “Nós somos a ‘equipe de apoio’, segundos no comando, e tomamos conta da Guilda caso o Alfa esteja ausente.” Lucy escutava atentamente, tentando assimilar o que estava escutando. “Logo depois, existem os Deltas. Eles são comuns, são o resto da Guilda — sem querer ser insensível, claro —. E existem os Ômegas.” a bibliotecária mordeu o lábio inferior e hesitou por um momento. “Nós não temos Ômegas na Fairy Tail. Preferimos categorizá-los como Deltas, caso apareça algum.” parou por um segundo. “Nas outras Guildas, os Ômegas são os rejeitados, tratados mal e sofrem muito bullying.”

“Por quê?”

“Dizem que eles são necessários para manter a moral da Guilda, para que os membros possam liberar um pouco de energia, descontando neles.” Levy olhou para baixo, com vergonha. “Infelizmente é a realidade em outras guildas.”

“Que horror.” Lucy disse, balançando a cabeça lentamente. “Mas... Fairy Tail...?”

“Não temos nenhum Ômega. Se tivermos, não vamos tratá-lo dessa forma, te garanto.” Levy balançou a cabeça, como se estivesse clareando seus pensamentos. “Bom, você entendeu essa parte?” Quando a loira assentiu, a outra continuou. “Bom, nós já somos diferentes dessa forma, mas também existe a parte mágica da coisa.”

“Mágica?” Lucy franziu o cenho, lembrando-se vagamente da mulher chamada Polyuska ter mencionado aquilo, no dia anterior.

“Sim. Toda nossa existência se dá devido à mágica. Há muito tempo atrás, uma deusa amaldiçoou uma aldeia: todas as noites de lua-cheia, os aldeões virariam bestas; metade homem e metade lobo. Anos mais tarde, uma mulher chamada Mavis ofereceu sua vida em troca da liberdade de todos, na época, chamados Lobisomens. Não se sabe por que aceitara: a Deusa acabou com a maldição, mas não inteiramente. Uma maldição tão forte quanto aquela, não podia ser simplesmente desfeita, então, alguns elementos continuaram. A força sobrenatural, o olfato, paladar e visão apurados. E claro, o Elo. Lobos são conhecidos por terem somente um Companheiro durante a vida, certo?” novamente a memória do trabalho sobre lobos, que vira na oitava série, a fez pensar, então, assentiu. “Com os Magos, é a mesma coisa: nós também temos nossos Companheiros.”

“E como se acha esse... Companheiro? Como saber que é o seu?” Lucy perguntou, altamente interessada, e, pela primeira vez naquele dia, viu a azulada ficar vermelha.

“O cheiro ajuda a identificar um provável Companheiro, mas... Bom... É preciso... É preciso fazer sexo para saber.” a bibliotecária sussurrou, e quando finalmente entendeu as palavras, Lucy também ficou corada. “Durante a primeira vez, como aconteceu com você e com Natsu, é extremamente raro: isso significa que suas almas estavam em sincronia. Geralmente demora de três a quatro meses para um casal obter o Elo. Depois de seis meses de tentativa, é praticamente impossível ter o Elo.”

“O que isso significa? Obter o Elo?” a loira perguntou, mais curiosa sobre aquilo, do que qualquer outra coisa.

“Vê essa marca?” Levy pegou a mão direita de Lucy e mostrou-lhe a marca amarronzada que havia notado no dia anterior, quando Natsu ainda estava em seu quarto. “Natsu tem uma igual, não tem?” Lucy assentiu. “Enquanto vocês estavam... sendo íntimos, suas almas se encontraram. Você o marcou logo que o tocou, e ele fez a mesma coisa. Vocês agora são parte um do outro. Ficar muito tempo longe faz com que uma dor extrema comece a aparecer, você não consegue respirar, não consegue se concentrar.”

“Uau.”

“É. É bem profundo.” Levy sorriu. “Natsu é o seu homem, Lu-chan. Ele é quem você esteve esperando e nunca soube que o fazia. Você foi sortuda e encontrou sua outra metade.”

Lucy levantou-se da cadeira e começou a andar de um lado para o outro, pensando em tudo que havia aprendido. Então, era por isso que Natsu estava sempre por perto, sorrindo-lhe e fazendo com que a loira se apaixonasse mais e mais? Ele mesmo havia dito que sabia que era ela.

E talvez, no fundo, a própria Lucy soubesse que seria ele quem tomaria seu coração para sempre. Desde o momento no qual ele a havia salvado, desde aquele instante, seu coração tinha sido roubado de seu peito, e a loira havia sido tola para não perceber antes.

Antes que ele a marcasse, já era sua. Somente o seu bombeiro idiota não sabia daquilo.

Não mais.

Colocou a mão marcada no lado esquerdo de seu pescoço, onde Nastu a havia mordido. Não doía mais, mas, mais cedo, depois do banho, tinha se olhado no espelho e visto que a marca dos dentes de Natsu estavam menos evidentes, ainda que o local estivesse arroxeado; qualquer pessoa confundiria a ‘mordida mágica’ com um chupão.

“E a mudança?” Lucy virou-se para a bibliotecária. “Escutei a Polyusca-san falar algo sobre mudar minha fisiologia.”

“Bom, para isso, eu trouxe esse livro.” Levy mostrou o livro que havia retirado de sua mochila. Lucy voltou a se sentar ao lado de Levy, e pôde ver que era um livro sobre anatomia lupina, então, olhou confusa para sua amiga, que deu de ombros. “Não é como se possamos ter livros de anatomia de Magos, Lu-chan. É melhor que nada.” abrindo em uma página previamente marcada, Levy pôs o livro na frente da loira. “Leia a parte marcada.”

Assentindo, Lucy tornou seu olhar para a página, e pôde ler: ‘Na base do pênis se encontra o bulbus glandis, também chamado de Nó, que incha na vagina da fêmea para unir macho e fêmea durante o coito. O Nó previne que o par separe-se até depois que tenha havido a inseminação.’ A boca da loira fez um perfeito ‘O’ quando finalmente entendeu o que era o Nó que todos falavam, e então, continuou a ler. ‘Durante a copulação, o macho insere o pênis dentro e fora para trabalhar seu bulbus glandis na fêmea. Isso faz com que o pênis do macho prenda-se no cérvix da fêmea, que estimula o pênis para a ereção. A ereção expande a bulbus glandis, atando os dois lobos juntos; o coito, então, é realizado. Uma vez que é realizado, o esfíncter vaginal da fêmea se contrai ao redor do bulbus glandis, para segurá-lo firmemente, acionando a ejaculação do sêmen no útero.’ A parte marcada por Levy parava ali, mas um pouco mais abaixo, havia mais algumas linhas obviamente marcadas. ‘(...) até o fim do enlace, que pode durar até 35 minutos.’

“Trinta e cinco minutos?” Lucy não percebeu, mas falou aquilo alto, e Levy saltou assustada, logo depois começando a rir.

“Calma, Lu-chan. Pelo que ouvi Cana falar, são 15 minutos que o enlace pode durar, e que não é ruim.” a menina rolou os olhos. “Disse que é até prazeroso para a Maga.”

“Mas eu não sou uma Maga!” Lucy falou em pânico. “Por isso doeu tanto quando eu e Natsu...”

“Você está esquecendo-se da mordida, da mudança.” os olhos castanhos de Levy estavam brilhando em excitação. “A mágica de Natsu fez com que você passasse de humana para híbrida, justamente para que você aceite o Nó. A dor que você sentiu foi por que seu corpo não estava preparado, mas agora está.”

Lucy a olhou com dúvidas. “Você acha?”

“Claro.” a bibliotecária sorriu calmamente. “Agora você é uma de nós, Lucy. Agora, você e Natsu podem ficar juntos sem problemas, Lu. E conhecendo Natsu, ele vai ter ainda mais cuidado com você, do que antes.”

α

Um dia depois, Lucy havia mandado várias SMS para Natsu, mas ele não tinha respondido. A loira recebera uma ligação de Gray horas antes, dizendo que o bombeiro estava lidando com o que havia feito, e que era para não se preocupar: duas pessoas com Elo não podiam ficar muito tempo sem contato. Ele iria aparecer quando a dor fosse demais.

O problema era que, como uma híbrida, Lucy começou a sentir a necessidade de tê-lo ao seu lado, de segurá-lo. Se apenas sendo metade Maga, o sentimento a estava corroendo por dentro, ela só podia imaginar o que estaria fazendo com Natsu, quando o visse.

Durante todo seu dia no trabalho, ficara olhando a marca do fogo com a estrela em sua mão direita — havia terminado o artigo que lhe fora dado horas antes — e pensando no mundo que agora fazia parte. No mundo ao qual Natsu a havia levado.

Não se importava, na realidade. Não era culpa de ninguém; nem dela, nem de Natsu. Era somente uma daquelas coisas que a maioria espera que aconteça consigo, mas nunca acontece. Talvez, no final das contas, a jornalista fosse a sortuda?

O que mais existiria? Se Lobisomens eram reais, o que mais era? Talvez existissem mesmo vampiros. E fantasmas. Fadas, quem sabe?

Quando chegou em casa, foi direto tomar um banho e, logo que terminou, ouviu uma batida leve em sua porta. Sabia quem era.

Sentiu o cheiro dele.

Natsu.

Seu Natsu.

Talvez, seus sentidos estarem mais afiados não fosse uma coisa ruim, ela pensou, enquanto corria para abrir a porta.

Natsu Dragneel estava um caco. Cabelos mais bagunçados que o normal, olheiras, e parecia que não comia há dias. Mas ele estava ali. Estava ali para vê-la.

Dentro de si, uma nova parte de si, uma voz gritava ‘Meu, meu, meu!’, enquanto Lucy tentava segurar o sorriso enorme e de alívio. Vê-lo fez com que o nó em seu estômago se desfizesse.

“Natsu.” Lucy tentou falar, mas foi interrompida pela voz cansada do rosado.

“Nós não precisamos mais fazer sexo, Lucy” ele falou, olhando para o chão. “Te machuca, e eu não quero te machucar nunca. Eu só quero ficar ao seu lado. Tentei ficar longe, tentei de verdade, mas dói muito. Eu sei que vou ficar excitado às vezes, mas tenho duas mãos saudáveis que me vêm sendo úteis para esse propósito, há anos. Mas, se eu perdê-las, aí é com você” ele resmungou, e Lucy quase não entendeu. Ela sorriu e se jogou nos braços do bombeiro, que pareceu surpreso com a ação.

“O que mais me machuca é te ter longe de mim, seu bobo” Lucy sussurrou e, então, sentiu o firme corpo do homem relaxar e envolver os braços ao redor de sua cintura, enquanto o rosto pressionava contra o pescoço da mulher, que sentiu sua respiração quente, ali.

Puxando os cabels rosáceos do garoto, para que pudesse encará-lo, Lucy ficou na ponta dos pés e, com um sorriso, deu um pequeno beijo nos lábios do homem. A jornalista sentiu os braços de Natsu a apertarem mais, e depois do doce beijo, ambos descansaram a testa um no outro.

“Nós precisamos conversar, mas eu senti sua falta.”

“Eu não: me doeu sua falta, Lu” Natsu sussurrou, e então, ambos entraram na quitinete de Lucy.

Notas finais
No próximo capítulo (provavelmente o último) teremos os dois conversando e, bom... fazendo outras coisas. Muahaha
Vejo vocês semana que vem nesse mesmo horário e nesse mesmo canal? ;P

Ps: Quem gosta de Gruvia, farei um merchan da minha outra fic, também desse Universo Alternativo. É bem grande, 10000 palavras, mas me falaram que vale a pena e já tem lemon ~le usando pootarias como merchan, haha~ :)

Beijos da Bonney! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.