Notas iniciais
Espero que gostem, pessoas ♥ comentem, pls.

Era um dia como todos os demais quando eu me acordei e Riley estava ao meu lado, virado para o lado oposto da cama porque ainda estava momentaneamente com raiva de mim. A minha grande pergunta era o porquê de ele não ter ido para o apartamento dele e ter me deixado sozinha já que sua raiva ainda era presente. Por favor, era o que faria pessoas normais.

Eu não estava com raiva dele ou com algum ressentimento qualquer, esses sentimentos não me atingiam quando se tratava dele. Afinal, eu não tinha mais ninguém no mundo e, vamos encarar isso, eu não era o que se chamava de pessoa mais extrovertida. Eu afastava as pessoas e era exatamente isso que eu estava fazendo lentamente com ele, mesmo não querendo.

Suspirei e levantei-me, ficando sentada na cama. O dia estava horrível e desastroso, fazia sol! Normalmente pessoas pálidas odiavam sol porque este mesmo pinicava na sua pele e quando ela ia se olhar no espelho via que os altos das suas bochechas estavam avermelhados. Era a visão do inferno ou até mesmo o diabo em pessoa.

Comigo, claro, não era diferente e eu evitava sair de casa quando o sol brilhava. Era um tipo de terror particular e agora eu me via sem escapatória. Se eu faltasse, seria demitida sem pensar duas vezes, afinal quantas pessoas não se matariam por um trabalho na enorme empresa Wilder? Bom, eu não matei ninguém para entrar, apenas arranhei a cara de uma garota de dezenove anos que queria passar na minha frente.

É, parece que o diretor gostara da minha política antiviolência. E depois, quando este mesmo morreu não deixando nenhum herdeiro, ele disse em seu leito de morte — e legalizou isso em seu testamento — que a maldita — com essas mesmas palavras — empresa deveria passar para a garota das unhas. Ou seja, eu, Isabella Swan que fui pega de surpresa com esse ato.

Eu esperava que a empresa passasse até para faxineiro, menos para mim. Na época eu não tinha nenhuma competência (física e mentalmente falando) para dirigir uma empresa daquele porte, mas depois eu notei que não era nada que me matasse em dois dias. Eu poderia sobreviver por alguns anos a mais e então o estresse matinal me mataria.

Ou talvez Riley retardasse o efeito dessa merda toda — pelo menos era o que eu murmurava para ele assim que chegava exausta do trabalho. 24 anos e diretora da empresa Wilder. Quem diria? Pelo menos, eu não, nem ninguém que um dia me conheceu quando eu era adolescente. Era demais para a pobre e fraca Isabella Swan.

Eu estava esperando a água do chuveiro ficar quente quando Riley entrou no banheiro com sua adorável cara de sono. Fiquei feliz que seu olhar não fosse raivoso ou desapontado na minha direção e sorri quando ele entrou no boxe junto comigo. Tomar banhos juntos fazia parte da rotina infinita que nós tínhamos e isso acontecia ou na casa dele ou na minha.

Ele me abraçou apertado, espremendo meus seios contra seu peitoral e beijou o alto da minha cabeça duas vezes até separar-se e olhar pra mim.

— Me desculpe por ontem.

— Uhum — Murmurei, prensando meu rosto contra sua pele. Eu nem tinha chegado a ficar com raiva dele para falar a verdade, brigas sobre sua mãe e a língua enorme que ela tinha eram normais. Acontecia pelo menos uma em cada semana e mesmo eu me controlando para não me sentir ofendida pelo o que ela achava sobre nós sempre acontecia porque ela não tinha piedade nenhuma.

Ontem aconteceu somente por eu não querer ir para a casa dela justamente para evitar tudo isso. A Sra. Biers deve ter ficado possuída quando percebeu que era tarde demais para seu filho ir para uma das visitas que ele fazia durante a semana, mas deve ter ficado contente ao extremo quando soube que era porque estava brigando comigo.

— Estou cansado disso tudo, Bella. — Disse ele, a voz abafada contra o meu ombro. — Essas brigas constantes por causa da minha mãe e… e… olhe, eu prometo que não vamos mais brigar sobre isso.

Eu sorri largamente quase dançando de tanta felicidade.

— Obrigada.

Ele riu e me apertou em seus braços antes de me soltar.

Tivemos que nos arrumar o mais rápido possível porque estávamos atrasados para a maldita reunião que teria com a diretora — eu —, vice-diretor — que no caso, por ironia do destino era o Sr. Riley Biers — e os principais acionistas. Eu estava enjoada só de pensar em debater sobre alguma coisa de pequeno valor, mas que era preciso o fazer para manter o número constante de reuniões em um mês só. E sim, era exatamente desse jeito que eu via as reuniões.

Fiquei realmente grata que eu só tenha pegado dez segundos de sol por ter andado rapidamente para a cobertura do estacionamento da empresa. Riley sorriu de meu desespero e juntou sua mão com a minha, entrelaçando nossos dedos com um possessivo aperto já conhecido por mim. Ele dizia que tinha muitos homens olhando para mim e que eles eram muito desrespeitosos nos seus olhares para uma mulher comprometida. Ele sabia, obviamente, que eu era introvertida o bastante para iniciar uma conversa saudável com qualquer um, tanto que ele que teve que iniciar todos os assuntos que nos levaram ao que nós chamamos hoje de noivado.

— Você está uma gata, Isabella Swan. — Riley sussurrou para mim quando entramos no elevador vazio.

Ele sempre murmurava esses tipos de besteira quando entrávamos em um elevador e não tinha ninguém no mesmo e às vezes chegava a não ser uma besteira e sim uma sujeira absurda que me fazia corar horrores. Eu o dizia que ele era um pervertido e ele se defendia dizendo que adorava ver cor nas minhas bochechas.

Cumprimentei todos que acenaram com o rosto para mim e finalmente, sem nenhum dano, pousei em minha cadeira confortável de couro branco. Riley era mais azarado que eu e tinha que ver alguma coisa no processo de tradução, então nós não estávamos tomando o café com creme enquanto colocávamos os relatórios em ordem.

Hoje não tinha nenhum relatório para colocar em ordem porque ele adiantara isso ontem, Riley tinha um problema sobre começar a trabalhar quando estava com raiva e ontem ele acabara arrumando o da semana inteira. Suspirei ao escutar batidinhas cautelosas na minha porta e revirei meus olhos, apertando o café em minha mão.

Hoje eu definitivamente só estava com paciência para Riley e isso porque eu tinha me acostumado ao longo dos anos a ter isso.

— Sim?

— Há uma visita para a senhora. — Chelsea disse para mim, abrindo a porta e colocando o rosto para dentro da sala.

— Visita? — Franzi meu cenho, começando a sentir dor-de-cabeça. — Eu estava esperando alguma? Argh — Reclamei sem deixá-la responder —, mande entrar. Obrigada, Chess.

Ela assentiu e dez segundos depois ele entrou na sala com seu cabelo normalmente bagunçado e o sorriso torto no rosto. Edward Cullen, o cara que costumava ser meu melhor amigo no colegial e o mesmo cara por quem eu nutria uma paixão secreta e nunca correspondida aos quinze anos. Mesmo que fosse, para muitos, imperceptível o sorriso dele murchou um pouco.

Talvez por notar que era eu ou sei lá o quê. Eu perdera a habilidade de ler a mente dele alguns anos atrás e não era como se eu pudesse retomar isso de onde eu tinha parado.

Nem me dei ao trabalho de sorrir.

Notas finais
O que aconteceu entre a Bella e o Edward será explicado melhor no primeiro capítulo. Se você gostou, comente! Se não gostou, comente também dizendo em que preciso melhorar! Beijos, gente, até a terça-feira! ♥