Alexis Lindington e as Pirâmides de Gizé
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alexis acordava para mais um dia de trabalho. Já fazia cinco anos que tinha a mesma rotina, com apenas alguns contratempos quebrando isto. Ela se levantou e seguiu para o banheiro, onde tomou um longo e gelado banho. Durante o mesmo, lembrou-se da época em que descobrira toda a verdade sobre si e os ataques que sofria antes desta descoberta, que a abalou de um modo inimaginável.
Toda essa coisa de deuses e tudo o mais era muito estranho, mesmo para uma pessoa como ela, que nunca viveu em uma família normal. Todos tinham, pelo menos, uma doença mental e Alexis era a única que não tinha. Fora violentada por todos os seus parentes até completar cinco anos, que foi quando um vizinho viu e denunciou. Então, foi levada de lá para um orfanato, onde ficou até os onze anos. Mas, não foram seis anos contínuos. Fugiu várias vezes, mas sempre era encontrada e levada de volta. Isto aconteceu por apenas um ano, até ocorrer o acidente que a debilitou.
Saiu do chuveiro enrolada na toalha e foi vestir uma roupa. Colocou uma calça jeans não muito solta não muito colada; uma camisa de botão rosa bebê, com as mangas dobradas até os cotovelos. Na lapela, tinha costurado um íbis com cinco estrelas em cima da ave; tênis All Star azul real, que contrastava com seus olhos; e um cordão de ouro com dois pingentes: um no formato de um íbis e o outro no de um babuíno (mandril).
Arrumou todo o quarto e saiu de lá logo em seguida. Adentrou em um corredor que parecia ser de um hotel. Era decorado com lustres por todos os lados; e a parede e o chão tinham tapeçarias roxas e amarelas, respectivamente. Mas, não era um hotel. Estava em um prédio, onde os semideuses egípcios descansavam. Cada andar pertencia a um deus e ela era a única naquele. Seu pai não procriava muito com mortais. Aquela foi a única vez que isso aconteceu. Foi o único momento em que seu pai saiu de seu templo para ficar com uma mortal.
Direcionou-se para o final do corredor, onde se abria uma ampla área quadrada com dois elevadores. Chamou-o e esperou. Esperou por apenas cinco minutos, até a porta metálica se abrir no décimo quarto andar. Deu de cara com seu arqui-inimigo, Argo, e sua irmã, que também não gostava dela, Valerie. Os dois eram do andar dezenove, de Sekhmeth.
A garota era loira de olhos verdes e magra. Seu semblante era naturalmente irritante e imponente. O garoto tinha o cabelo e os olhos castanhos e era magro. Ele não era feio, mas, com certeza, enjoado. Suas vestimentas eram parecidas. Valerie também usava uma camisa de botão rosa, com as mangas dobradas, calça jeans e salto alto preto. Argo uma camisa de botão azul bebê, calça jeans e um sapatênis vermelho. Na lapela, um leão estava costurado. A da menina tinha seis estrelas em cima do felino e a do menino, duas.
– E aí, DST? – zombou a loira, dando uma risada alta logo em seguida, sendo acompanhada por Argo.
– Tchauzinho... – debochou o garoto fazendo um aceno com a mão. A porta se fechou, fazendo com que Alexis ficasse só novamente.
Por um instante, ficou sem expressão, até que soltou a raiva que a consumia por dentro, dando um soco na parede. A tapeçaria amorteceu o impacto, mas não adiantou de muita coisa. A força que foi produzida contra a parede respondera com uma força maior e em forma de choque. Seus fios de cabelo cor de cobre e sua roupa ficaram um pouco tostados. O sangue pingava de sua mão a partir de pequenos cortes. Sua estrutura metálica da perna vacilara e ela havia caído sentada, sem poder mover os membros inferiores.
Ajeitou o equipamento que a fazia andar e se levantou apoiando-se na parede. Cambaleou até conseguir se equilibrar. Apertou o botão do elevador novamente para chamá-lo. A porta se abriu e ela agradeceu por estar vazio. Pressionou a letra P, que era o andar da portaria. Chegando ao destino, dois minutos depois, saiu com dificuldade. Quando foi dar um com a perna direita, a mesma vacilou e quase caiu. Sorte que um menino alto, com o cabelo e olhos castanhos e pele branca. Usava um casaco de couro preto sobre a camiseta verde escura, botas de couro rústicas e calça jeans cinza. O animal representado em sua camisa era uma cobra, com uma estrela sobre o mesmo.
– Você está bem? – perguntou.
– Sim, estou Dimitri. – respondeu gemendo.
– Venha cá, que te ajudo a andar. – disse segurando sua cintura e seguindo para o refeitório – O que houve para isso acontecer? Você está toda chamuscada e o equipamento da sua perna está danificado.
– Valerie e Argo me irritaram e dei um soco na parede. Acabei levando um choque.
– Um dia mato aqueles dois! – exclamou cerrando os dentes.
– Matar quem? – quis saber uma garota que apareceu na frente dos dois de repente. Seu cabelo era dourado. Seus olhos eram cinza. Sua pele era branca. Usava um vestido simples azul, com um falcão dourado, representado sob três estrelas; tênis All Star igual ao de Alexis; e uma pulseira de ouro, com um pingente do animal de seu pai, Hórus.
– Valerie e Argo. – respondeu Dimitri.
– Eles nunca vão parar com isso, não?! – reclamou a garota.
– Não se preocupe Brenda. Um dia eles vão pagar pelo que fazem comigo. – comentou Alexis com o pensamento ao longe.
– Sim, com certeza, vão... – murmurou.
– Vamos entrar? – indagou o filho de Seth.
– Claro. – a filha de Hórus deu um sorriso – Mary já guardou o nosso lugar.
Adentraram em um recinto amplo, com várias mesas espalhadas pelo lugar e uma mesa larga ao fundo. Seguiram para a mesa que Mary havia segurado para eles. Mary era uma menina com a pele muito branca, olhos e cabelo negros e magra. Vestia uma camisa colorida caída no ombro, com a estampa de uma caveira. Um chacal estava em baixo de duas estrelas, no ombro onde sua blusa estava mais baixa; sapatilha azul-marinho; short jeans; e um pano mais escuro cobrindo sua cabeça.
– O que houve?! – preocupou-se quando viu Alexis se apoiando em Dimitri.
Brenda começou a explicar, mas não pôde terminar, pois o coordenador do Egypt Village, o condomínio onde os semideuses egípcios viviam e treinavam para poderem sobreviver ao mundo afora, com constantes ataques de monstros. O Egypt Village era composto por um prédio com dormitórios para o descanso dos meio-sangues. E o resto era ao ar livre com campos de futebol, basquete, vôlei, tênis, etc; arco e flecha; praias e piscinas; e muito mais. Parecia mais um acampamento do que um condomínio.
– Bom dia, semideuses! – iniciou feliz. Ele sempre fazia isso. O Mr. McCoy era muito excêntrico e alegre, diferente dos seus irmãos leviatãs, que eram monstros do mau e difíceis de matar – Hoje teremos uma brincadeira inédita nesse condomínio! – conversas paralelas entre os semideuses tinham começado. O assunto era “Qual é a brincadeira?”. O diretor pediu silêncio e todos se calaram – Bem, vejo que já estão fazendo apostas, mas garanto que não descobrirão!
– Duvido muito! – gritou um – Eu conheço todas as brincadeiras!
– Eu que duvido que saiba filho de Sekhmeth! – exclamou.
Desse modo, o tempo foi passando, com os dois discutindo. No final do café da manhã, o coordenador disse para todos estarem às oito horas da noite no campo de futebol. Alexis e seus amigos esperaram todos saírem, para não se perderem entre a multidão. Enquanto esperavam, Brenda continuou o que estava contando para Mary.
***
Às sete e meia, os quatro combinaram de se encontrar na portaria. Todos haviam chegado, menos a filha de Thot, Alexis.
– Acho que Lexi não vai vir... – comentou o filho de Seth.
– É... – Brenda deu de ombros olhando para o piso de mármore – Ela estava muito abalada hoje...
– Ainda mais com as pernas dela. – complementou Mary.
– Acho melhor irmos logo. – sugeriu Dimitri.
Sendo assim, os três seguiram sem a amiga para o local combinado.
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