Alexa e a Guerra da Irmandade
4 A curiosidade supera o medo
Notas iniciais
O sol tinha acabado de se pôr quando eles chegaram à casa da mulher misteriosa. Lua parecia atenta, como se estivesse percebendo algo estranho. Alexa, por sua vez, tinha se arrependido de ter insistido para voltar, estava com frio, fome e medo, muito medo. E Bernardo disfarçava muito bem, com uma pose de valente bem convincente, escondendo o pavor que trazia consigo. Em silêncio, a garota desceu na carroça e a cachorrinha a acompanhou desta vez. O rapaz resolveu ir também, sabia que sua amiga precisava dele, mesmo que não admitisse.
Ao se aproximarem ouviram um som de vozes vindo do interior da casa, frases estranhas e desconexas. Subiram os degraus da varanda e chamaram pela mulher, mas a única coisa que ouviram foi mais uma frase sem sentido:
Tenebris diebus veniet...
Os dois se olharam atônitos, sem entender do que se tratava, sabiam apenas que era uma língua estranha, bem estranha. A garota caminhou um pouco e percebeu que o som vinha dos fundos da casa, continuou caminhando em direção ao som, até que Bernardo a puxou pelo braço.
— Você está louca? Vamos embora daqui.
— Mas temos que entregar esta chave.
— Dane-se esta chave. Vamos sair daqui.
— Eu vim entregar esta chave e é exatamente isso que farei.
Na verdade, ela não estava preocupada em devolver o objeto, mas sim, dominada pela curiosidade, que a instigava a descobrir o que realmente estava acontecendo naquele lugar. Chegando aos fundos da casa observou que exalava fumaça pela chaminé. Alguém estava cozinhando. De repente, a garota percebeu que havia uma fresta na janela, que, por sinal, era a única maneira de descobrir o que se passava lá dentro. Ela se aproximou e então viu.
A mulher ruiva estava vestida com uma capa cinza, segurando o livro que ela tinha acabado de receber, do qual retirava as frases que proferia, em frente a um caldeirão que borbulhava e exalava fumaça, gesticulando a cada palavra.
Uma bruxa!
Uma bruxa na Vila. Inacreditável. Alexa ficou atônita com o que acabara de ver, seus olhos se arregalaram e por alguns segundos sua respiração falhou.
— O que você viu? – perguntou Bernardo.
A garota não conseguiu responder, sua voz não saía, na verdade nem seu corpo se mexia. Então o rapaz a empurrou para o lado e tomou seu lugar, ficando de boca aberta com o que seus olhos observavam.
—Cruzes! Ela é uma bruxa!
Alexa ainda estava perplexa e não conseguiu responder. Não estava mais com medo, na verdade, queria ficar ali assistindo ao que a ruiva estava fazendo, mas Bernardo a puxou pelo braço.
— Aonde você vai? – perguntou ela.
— Shhh! Nós vamos embora daqui. Essa mulher é uma bruxa e eu que não ficarei para saber o resultado dessa poção.
— Mas eu quero.
— Você está ficando maluca?
Não houve tempo para a resposta.
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