Notas iniciais
Amores, escrevi este pequeno capítulo apenas para aguçar a curiosidade e imaginação de vocês. Espero que gostem.

O sol tinha acabado de se pôr quando eles chegaram à casa da mulher misteriosa. Lua parecia atenta, como se estivesse percebendo algo estranho. Alexa, por sua vez, tinha se arrependido de ter insistido para voltar, estava com frio, fome e medo, muito medo. E Bernardo disfarçava muito bem, com uma pose de valente bem convincente, escondendo o pavor que trazia consigo. Em silêncio, a garota desceu na carroça e a cachorrinha a acompanhou desta vez. O rapaz resolveu ir também, sabia que sua amiga precisava dele, mesmo que não admitisse.

Ao se aproximarem ouviram um som de vozes vindo do interior da casa, frases estranhas e desconexas. Subiram os degraus da varanda e chamaram pela mulher, mas a única coisa que ouviram foi mais uma frase sem sentido:

Tenebris diebus veniet...

Os dois se olharam atônitos, sem entender do que se tratava, sabiam apenas que era uma língua estranha, bem estranha. A garota caminhou um pouco e percebeu que o som vinha dos fundos da casa, continuou caminhando em direção ao som, até que Bernardo a puxou pelo braço.

— Você está louca? Vamos embora daqui.

— Mas temos que entregar esta chave.

— Dane-se esta chave. Vamos sair daqui.

— Eu vim entregar esta chave e é exatamente isso que farei.

Na verdade, ela não estava preocupada em devolver o objeto, mas sim, dominada pela curiosidade, que a instigava a descobrir o que realmente estava acontecendo naquele lugar. Chegando aos fundos da casa observou que exalava fumaça pela chaminé. Alguém estava cozinhando. De repente, a garota percebeu que havia uma fresta na janela, que, por sinal, era a única maneira de descobrir o que se passava lá dentro. Ela se aproximou e então viu.

A mulher ruiva estava vestida com uma capa cinza, segurando o livro que ela tinha acabado de receber, do qual retirava as frases que proferia, em frente a um caldeirão que borbulhava e exalava fumaça, gesticulando a cada palavra.

Uma bruxa!

Uma bruxa na Vila. Inacreditável. Alexa ficou atônita com o que acabara de ver, seus olhos se arregalaram e por alguns segundos sua respiração falhou.

— O que você viu? – perguntou Bernardo.

A garota não conseguiu responder, sua voz não saía, na verdade nem seu corpo se mexia. Então o rapaz a empurrou para o lado e tomou seu lugar, ficando de boca aberta com o que seus olhos observavam.

—Cruzes! Ela é uma bruxa!

Alexa ainda estava perplexa e não conseguiu responder. Não estava mais com medo, na verdade, queria ficar ali assistindo ao que a ruiva estava fazendo, mas Bernardo a puxou pelo braço.

— Aonde você vai? – perguntou ela.

— Shhh! Nós vamos embora daqui. Essa mulher é uma bruxa e eu que não ficarei para saber o resultado dessa poção.

— Mas eu quero.

— Você está ficando maluca?

Não houve tempo para a resposta.

Notas finais
Beijinhos encantados!! Até o próximo capítulo. ;)