Alecrim Dourado
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Foi meu amor
Que me disse assim
Que a flor do campo é o alecrim
Adrien não sabia como havia começado. Só sabia que toda vez que olhava para Marinette seu coração acelerava e ele sentia um relaxamento no corpo inteiro. Nas vezes em que se tocavam, sentia vários choques elétricos percorrendo seu corpo e seus pensamentos pareciam apagar.
Isso havia refletido na vida de seu auter ego: Chat Noir. Ladybug parecia notar o parceiro mais distraído, mais afastado. Sentia falta das cantadas que sempre dizia não gostar, mas na verdade amava. Se antes o problema era ele sempre sacrificar-se por ela, naquele momento talvez ela daria muita coisa para uma atitude assim da parte dele.
Quando eles conversavam, ele parecia estar presente apenas no corpo. A heroína conseguia ver um sorriso bobo que sempre aparecia e que provavelmente era direcionada a sei lá o que lhe roubava a atenção. Esses altos níveis de distração e o descaso com ela só poderiam significar uma coisa: ele estava apaixonado por outra.
Ladybug tentava convencer-se de que isso era algo bom, mas simplesmente não conseguia. Ela sabia que não podia corresponder os sentimentos do companheiro porque amava Adrien Agreste, porém por algum motivo estava recheada de ciúmes dessa pessoa misteriosa que arrebatou seu gatinho.
Pelo modo com que ele agia, era nítido que ainda não havia se dado conta de seus sentimentos. Afinal, mesmo com a frequência diminuindo, ela ainda recebia demonstração do amor que o herói sentia por ela. Será que estava em dúvida entre ela e mais alguém ou era ingenuidade mesmo?
Chegou um momento em que ela simplesmente sentiu que precisava da certeza. Ele parecia estranho demais falando com a heroína e tudo que Ladybug queria era seu amigo de volta.
— Chat Noir, acho que você está apaixonado. — foi sincera
— O que? Pela Ma... — ele pareceu perceber o que dizia e apressou-se em corrigir – Eu estou, é claro. Já disse que sou apaixonado por você, My Lady.
A garota sorria, totalmente vidrada na força daquelas palavras. Porém assim que olhou em seus olhos, viu o reflexo da outra pessoa.
— Não me venha com essa. — disse brincalhona — Você não me engana, sei que estava gostando de alguém mais.
Ao ouvir tamanha declaração cheia de certeza, Chat Noir começou a meditar sobre isso. Como não percebera o que sentia antes? Por que precisou de Ladybug para abrir os olhos?
Que lindos olhos, que lindos olhos, tem você
Que ainda hoje, que ainda hoje eu reparei
Se eu reparasse, se eu reparasse a mais tempo
Eu não amava, eu não amava quem amei
Adrien parecia desperto pela primeira vez quando chegou na escola no dia seguinte. Parecia mais alegre, mais vivo, mais decidido. Quando Marinette percebeu como ele olhava para si, nem teve tempo de ficar nervosa. A intensidade era tão forte que parecia presa no lugar.
O rapaz não sabia como nunca percebera a joia rara que sempre esteve ao seu lado no colégio. Tão corajosa forte e decidida quanto Ladybug, aquela que tinha a ilusão de amar. Contudo, a menina possuía um brilho próprio que a heroína não parecia ter mais.
Seu jeito atrapalhado de ser ficava cada vez mais encantador, e seus esboços de roupas cada vez mais perfeitos. Tudo que ela fazia parecia especial para Adrien. Ele sentia seu peito esquentar-se só pela visão dela, a presença da garota era como uma grande fogueira aconchegante. Ele só não sabia como não tinha reparado antes nas chamas, que ele percebia serem ainda mais fortes do que as de sua Lady.
Fale com o autor