Alecrim
1 Geada.
Notas iniciais
–Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado...– Cantava baixinho, acariciando a pequena flor do alecrim. — Foi meu amor, que me disse assim, que a flor do campo era o alecrim...
Nem de longe tinha a voz bonita, mas cantar aquela pequena melodia infantil, acalmava minha alma, e aquecia meu coração, como se de alguma forma, me conecta-se as flores.
Eu amava as flores.
Hoje, elas estavam especialmente lindas, assim como o entardecer.
A luz alaranjada banhava as plantas, e a suave brisa fazia-as balançar. Parecia que aquele momento ia durar para sempre.
–Foooi meu amooor...– Continuei a cantar. — Que me disse assim, que a flor do campo era o alecrim...– Coragem e felicidade, me lembra o Naruto. Acho que o alecrim dourado, é ele.
Sorri com o pensamento.
Andei todo o canteiro do jardim Yamanaka até parar em frente aos imponentes copos-de-leite.
Indiferença, calma.
A flor dele.
Ainda me trazia a paz, apesar de isso não ser o mesmo para todos. Só de lembrar de seu rosto, sua voz, seu olhar, uma branda calma invadia meu corpo, anestesiando-o de todos os pensamentos ruins, e elevava meu estado de espírito.
Passei levemente os dedos pela flor aveludada, chegando perto para sentir seu aroma.
–Talvez ele, — Disse para mim mesma enquanto observava os últimos segundos do sol no céu, que já deixava de ser laranja, ficando cada vez mais escuro, dando vida as estrelas antes escondidas diante da luz. — Seja um copo-de-leite negro, cheio de ódio, sem trazer a paz. Um negro de ódio. Mas... Ainda branco aos meus olhos, mas permanece como o copo de leite. Indiferente a mim.
Sinceramente, preferia não ama-lo. Amor unilateral é uma coisa muito dolorosa e solitária.
–Pela última vez... — As lágrimas pingaram na flor alva. — Me permita chorar por ele.
***
Uma semana se passou, e eu continuava a distribuir sorrisos por todos os lados, fingindo que a tristeza não existia.
Não iria chorar por ele. Não mais.
–Francamente... — Papai reclamou saindo do jardim, limpando as mãos sujas de terra, parecia irritado.
–O que foi, papai? — Perguntei, apoiando os cotovelos no balcão.
–Roubaram três copos de leite no jardim. — Ele suspirou indignado. — Esse mundo está perdido.
–Ah... — As flores dele, que conhecidencia.
Parece até que o mundo está conspirando sobre minhas tentativas de esquece-lo.Suspirei profundamente.
***
Oh droga.
Me levantei da cama e fui até a varanda, cansada de tentar dormir, e respirei a brisa fresca de verão.
De repente tensionei meu corpo, sentindo uma presença atrás de mim, e antes que tivessem a chance de ele fazer mais alguma coisa eu virei pront para dar um golpe.
Mas antes que eu pudesse sequer me virar, meu pulso foi agarrado, e meu corpo foi virado bruscamente para frente, e minha boca tampada por uma mão gelada.
Meus olhos se arregalaram na hora. Só havia uma forma de ele ter feito tudo isso.
Sharingan.
Seu rosto não demonstrava nenhuma emoção, e seus olhos permaneciam frios e indiferentes, como se ele nem estivesse lá. A todo custo tentava me soltar, tentei chuta-lo, mas ele prendeu minhas pernas com as suas, ficando extremamente perto, perto demais.
–Não grite, vou soltar sua boca. — Ele avisou, e sua voz soou como mil geadas, que me fizeram estremecer. Assenti, sem poder me recusar.
Quando ele finalmente soltou minha boca, percebi que estava sem respirar e tomei várias golfadas de ar. O encarei, o olhar firme, e esperei que ele fizesse o que ia fazer. Esperei a morte, um golpe, um aviso.
Esperei tudo menos o que ele realmente fez.
Antes que eu percebesse, seus lábios eram pressionados contra os meus, tomada pela surpresa, não tive reação. O que não se foi por muito tempo.
Tomada pelo delírio do momento, até achando que aquilo era um mero sonho, abri minha boca e recebi aquele beijo com toda a paixão reprimida que existia dentro de mim. Fúria, amor, desejo, tristeza, ódio. Tentava transmitir tudo com aquele simples ato, agarrando e puxando seus cabelos, mordendo seus lábios, arranhando seu rosto. Até que o ar se fez nescessario.
A visão de sus lábios vermelhos e inchados era extremamente convidativa, e até um pouco erótica. Meus lábios doloridos, me provavam que aquilo não foi um sonho. Sasuke estava aqui. Me beijou.
Quase caí em lágrimas.
Ele me olhava, um pouco ofegante e sem dizer uma palavra pegou minha mão e me guiou pelos telhados de Konoha, depois pelas florestas. Não sentia nada, estava praticamente sonhando acordada. Não conseguia dizer se aquilo era verdade.
Quando paramos, percebi que estávamos em uma clareira dentro da floresta. Aquela clareira...
Tinha copos-de-leite por todos os lados. Nas árvores, no chão, e até nas pedras.
Sasuke se abaixou e começou a passar o dedo por uma das flores, parecia pensativo.
–Por que... — Respirei fundo. — Porque? — Decididamente perguntei.
–Ino. — Ele disse com sua voz de mil geadas. — Aquilo... Não foi suficiente?
–Aquilo o que?
–O beijo. — Ele agora se levantou e parou na minha frente, olhando direto para mim. — Não me faça dizer essas palavras.
Ah.
Ah. Meus. Deus.
–Sa-sasuke. — Gaguejei vermelha. — D-desde quando?
–Sempre. — Ele disse sem hesitação, e mais sincero do que eu jamais vi. Agora eu já não segurava as lágrimas, e fui correndo ao seu encontro, abraçando-o, e hesitante, ele abraçou de volta.
–Estou tão feliz. — Disse com a voz rouca pelo choro.
Ele ficou em silêncio, até eu parar de chorar, e então ficamos daquele jeito por um tempo.
–Sabe, — Ele falou de repente. — Não posso ser um copo-de-leite negro.
–Huh? — Me afastei e o observei confusa. -Aquilo..? Você escutou? — Perguntei encabulada.
–Sim. Mas então, não consigo, não posso. — Ele falou sem nunca abandonar sua expressão indiferente. — Se eu tento queima-lo, o copo-de-leite se desmancha, e não fica negro, se eu tento pinta-lo, ele morre. E foi graças a isso... Que eu percebi que meu ódio não serve de nada.
Sasuke fez experiencias estranhas.
Sasuke roubou copos-de-leite do jardim da minha família.
–No entanto. — Ele continuou. — Quando eu plantei e cuidei do copo-de-leite ele floresceu e se espalhou. — Então era por isso que essa clareira existia. — Eu quero concertar meus erros. Voltar para vila. — Seus olhos demonstravam um pedido.
–Não se preocupe. — Disse emocionada, voltando a chorar. — Vai dar tudo certo.
Ele me beijou de novo, e quando o ar se foi novamente, ele foi até uma parte da clareira e pegou uma tulipa vermelha, me oferecendo.
Peguei a flor e a olhei com admiração. O amor eterno.
E um presságio, um sentimento se apoderou de mim.
Daqui para frente, nada seria igual a antes.
E aquela musiquinha grudenta surgiu na minha mente, sem motivo nenhum, enquanto abraça meu destino a minha frente.
Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado.
Foi meu amor, que me disse assim que a flor do campo era o alecrim.
Foi meu amoooor, que me disse assim que a flor do campo era o alecrim...
–Eu te amo. — As mil geadas invadiram meus ouvidos, e finalmente, meu copo-de-leite, já não era tão indiferente.
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