Aleatoriedade
3 Vício.
Notas iniciais
Era um vício. Fazia mal, machucava, mas nenhuma das duas tinha a vontade ou a força necessária para parar.
Era uma necessidade. Forte demais para ser explicada, entendida. Ia da paixão ao fogo violento em momentos.
Era físico. Era atração, desejo, tensão, sede. Era um risco que elas sabiam que corriam desde o começo, mas que queriam correr. Era a borda de um penhasco para quem tem medo de altura. Aterrorizante e fascinante a ponto de roubar o ar. E ar não existia quando estavam juntas, assim como o mundo lá fora. Existia apenas o desejo, a paixão. E a frustração de um amor impossível.
O que começou como uma briga violenta e física se tornou um beijo. Não de paixão, e sim de desafio. Virou fogo, desejo, e logo as roupas foram sumindo e as marcas aparecendo. Podia ser a única vez que aquilo aconteceria, não seria uma oportunidade mal aproveitada ou desperdiçada por nenhuma das partes.
Era pra ser aquela única vez. Era. Mas as oportunidades continuavam aparecendo, se insinuando, até que começaram a ser criadas. Um telefonema, uma mensagem no meio da noite. O esquecimento não ocasional de algo em um escritório. Uma peça de roupa no carro que precisava ser buscada. Oportunidades demais para serem ignoradas, e não foram. O que começou como desafio virou desejo, que virou paixão. E algo que elas não ousavam nomear, mas era visível no cuidado e carinho que se faziam tão presentes agora. Algo notável no conforto da presença, no calor dos olhos, no abrigo dos abraços, na delicadeza dos beijos.
Era um vício, mas era a tempestade antes do arco íris, a madrugada antes do raiar do sol. Se tornou remédio. Deixou de corromper para começar a curar. E se tornou a melhor coisa que elas tinham.
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