Notas iniciais

Não sei dizer ao certo quem eu sou, mas sei que as minhas escolhas, fizeram com que eu me tornasse quem eu sou.

Nossas escolhas formam nosso caráter, se bons ou ruin apena o tempo poderá dizer, mas eu não sei ao certo quais foram as escolhas que eu fiz que me fizeram chegar até aqui, muitos dizem que não são as escolhas mas sim os caminhos que tomamos.

Meus pais morreram quando eu era pequeno, uma criança, não consigo me lembrar como, os médicos dizem que algumas pessoas reprimem lembranças traumatizantes, então de certo alguma coisa aconteceu naquela noite, que não pode ser visto em qualquer filme de terror, deve ser algo realmente aterrorizante, ou melhor dizendo muito mais aterrorizante que os filmes de terror são para as garotas.

Eu me lembro de todos os momentos, todas as historias, contos e cantigas que minha mãe cantava e contava antes de dormir; bem diferente da minha irmã eu consigo me lembrar, ela tinha 4 anos na época, mas afinal o que uma criança de quatro anos pode se lembrar que uma criança de seis anos não possa; independente disso nós mudamos muito em 10 anos.

Nós moramos com nosso tio, Allan Archer; ele cuidou de nós como se fossemos seus filhos, desde a morte dos nossos pais; apesar disso ele não gosta muito de falar sobre o meu pai, acho que se deve ao fato de serem irmãos e também melhores amigos, então na noite em que meu pai morreu, ele não perdeu apenas o melhor amigo mas também um irmão.

Moramos ao norte da Carolina do norte, próximo as montanhas, Wolf-River, população 2500 pessoas, em sua maioria idosos; pessoas cujos sonhos e esperanças se perderam; o pior é passar os dias, rodeado de pessoas que fingem entender como você se sente, mas na verdade estão apenas fingindo que entendem, ignorantes, que tem medo daquilo que não conhecem mas fingem saber do que não sabem; não existe muita coisa para se fazer na cidade, nós podemos nadar no lago Montrie, nos reunir na Gredens, ir ao cinema no cineplex Aton, mas também podemos ir a biblioteca da cidade, onde literalmente eu prefiro passar a maior parte do meu tempo livre, lendo.

Durante muito tempo não consegui fazer nenhum amigo, até que Karine Humprey, chegou a cidade, todos implicavam com ela, pois não era comum, que alguém se mudasse para a cidade; me lembro que alguns garotos estavam implicando com ela, eu acabei entrando em uma briga naquele dia, para defende-lá, hoje ela faz piadas, dizendo que eu parecia um cavaleiro de armadura brilhante lutando por sua honra.

A Sra. Humprey, ainda me vê como o garotinho, que levou sua filha de volta para casa, depois de entrar em uma briga e estando todo machucado, ela cuidou das minhas feridas naquele dia; com o passar do tempo Karine se tornou minha melhor amiga e era como se eu tivesse outra irmã.

Nos últimos meses eu não tinho dormido direito, tenho pesadelos quase todas as noites, eles tem se tornado cada vez mais contantes, o pior não é ter pesadelos, mas sim sonhar com alguém que nem se quer, eu sei se é real; varias vezes quis não ter mais pesadelos, mas ao mesmo tempo anseio para sonhar com ela .

Para qualquer pessoa normal, isso significaria estar ficando louco, mas isso não seria novidade, já que qualquer um que visse sua vida tomando um rumo estagnado, ficaria louco.

Todos os dias são iguais, tediosos; Allan diz que nada é igual, entretanto todos os dias, parecem iguais para mim, pelo menos é assim que eu me sinto com relação a isso.

Já me peguei inúmeras vezes imaginado como seria se eles estivessem aqui, será que as coisas seriam iguais? Será que eu teria feito as mesmas escolhas que me trouxeram até aqui? Eu não sei, mas passado é apenas passado, ainda assim não consigo esquecer o que aconteceu no meu passado.

Cheiro de ovos, bacon e torrada, Allan deve estar fazendo o café da manhã, é quase impossível não ficar com fome sentindo esse cheiro, vindo da cozinha, que basicamente parece te puxar para perto.

Saltei da cama, vesti uma calça jeans, camiseta preta e minha jaqueta de moletom, me olhei no espelho, encarei meus olhos castanhos, cabelos escuros e a pele clara, Allan diz que me pareço com meu pai.

Com o café da manhã de Allan ganhei cerca de 10 KG em um ano, além de aumentar a massa corporal.

Assim que cheguei aos pés da escada me deparei com uma cena um pouco incomum, Allan, Ethan, Nathalie e Jack sentados a mesa, o que geralmente indicava que tinham alguma coisa para falar comigo.

— Tyler venha sente-se aqui. — Me sentei e Nathalie me passou rapidamente um prato.

— Obrigado Nathalie. — Agradeci Nathalie. — Pelo cheiro parece estar muito bom Allan.

— Obrigado Ty. — Agradeceu-me. — Então, estão ansiosos para o começo das aulas?

—Nem um pouco pai. — Jack estava quase chorando ao ouvir as palavras "começo das aulas".

— Claro, existem muitas garotas bonitas na cidade. — Não sei como classificar a resposta de Ethan, mas o sentido que ele estava falando era inconveniente, além de pervertido e nojento.

— Mais respeito Ethan, nós mulheres não gostamos de caras como você! — Nathalie estava irritada com a forma que Ethan falou. — Respondendo sua pergunta pai, definitivamente NÃO.

— E quanto a você Tyler? — Fiquei em silêncio na esperança de que ninguém notasse. — Tyler?

— Desculpe. — Baixei a cabeça. — Prefiro não comentar sobre. — No mesmo instante Allan parou de comer.

— Tyler precisa parar de ser assim. — Eu o olhei enfurecido.

— Assim como? — Perguntei.

— Com tanta raiva, de se fechar para tudo e todos. — Ele me encarou.

— Me desculpe mas não estou entendendo, por favor me explique? — O Encarei firmemente.

— Precisa parar com esse seu desprezo pela cidade! — Fiquei em silêncio, eu podia sentir a raiva fluindo pelo meu corpo.

— Desprezo, eu apenas não quero comentar. — Eu desprezo sim a cidade, na verdade abomino. — Não sei por que eu tenho que ser o que eles querem, eu não sou como eles.

Me levantei, subi as escadas rumo ao meu quarto, senti uma mão pequena no meu ombro, um pouco gélida.

— Tyler, para. — Ouvi a voz suave de Nathalie. — O que esta acontecendo com você?

— Nada. — Tentei não olhar em seus olhos.

— Você sabe que pode confiar em mim! — Ela ergueu meu olhar de maneira que eu olhasse em seus olhos. — Me conta.

— Eu apenas não quero permanecer aqui nesta cidade, eu odeio estas pessoas, elas apenas fingem entender os outros mas não entendem, eu sou incapaz de me adaptar. -Eu estava furioso.

— Tyler isso não vai fazer com que eles mudem, eu te entendo eles fingem entender a sua dor. — Eu sabia onde ela queria chegar. — Sabendo que seus pais estão mortos e não se pode fazer nada, além de seguir em frente.

— Nathalie eu não posso! — Ela colocou sua pequena e gélida mão em meu rosto.

— Isso depende de você, e apenas de você. — baixei a cabeça, as lagrimas rolavam por meu rosto. — Mas por favor peça desculpas ao meu pai, ele ficou chateado.

— Ta, antes de sair vou fazer isso. — Falei sinceramente.

Antes de sair fui até o escritório de Allan, que geralmente fica trancado, bati na porta e ela logo se abriu.

— Entre. — Era a primeira vez que eu entrava naquela sala em 10 anos. — Pode falar, o que quer?

— Quero pedir desculpas! — Ele parece surpreso.

— Está tudo bem Tyler! -Afirmou.

— Só queria me desculpar. — Fiquei um pouco irritado.

— Você se parece com seu pai, sempre esquentadinho, com absolutamente tudo ao seu redor. — Ele riu. — Você me lembra muito ele.

— Eu ... Não sei o que dizer. — Me desfaço em lágrimas. — Sei que não gosta de falar sobre ele

— Está tudo bem, agora vai ou vai se atrasar para a aula! — Ele sorriu. — cuprimentei a Sra. Humprey por mim, quando passar para buscar a Karine.

— Tá — Sorri de volta.

Limpei as lágrimas, que rolavam pelo meu rosto, e segui até a porta da frente para ir a aula; Afinal hoje é o primeiro dia de aula mas sei que uma coisa será igual a todos os anos, Aghata Stevenson, ficaria no meu pé!

Não consigo entender algumas garotas, por que por mais que você demonstre, seja afeto ou não, algumas não são capazes de entender; Aghata é uma delas, inúmeras vezes deixei claro que ninguém que fosse da cidade me interessava, pois todos são praticamente iguais, ela não é capaz de entender.

Peguei as chaves da picape no meu bolso, destranquei a garagem, e fui até o carro, definitivamente pode-se dizer que eu sou fanático por carros clássicos, cada curva do carro tem um significado, nem que seja inspirado nas curvas do corpo feminino; liguei a picape e sai da garagem, desci e logo já havia trancado a garagem, hora de buscar Karine.

Rua Climber, parei a picape de frente com a casa de Karine; a Sra. Humprey apareceu na janela, um sorriso, Karine abriu a porta e saiu correndo para a picape, como se estivesse correndo para a liberdade, dois meses de férias e ela nem se quer pode sair, algo definitivamente tedioso.

— Oi. — Ela sorriu.

— Oi Kaka. — Sorri de volta. — Como foi as férias?

— Definitivamente tediosa, minha mãe, me levou para trabalhar com ela. — Espantoso.

A Sra. Humprey trabalha no mercado da cidade, mais exatamente no caixa, provavelmente ela fez Karine trabalhar no estoque do mercado.

— Deve ter sido ruim! — Eu ri.

Nós continuamos conversando até chegar ao colégio; a gente anda junto praticamente o tempo todo; em resumo o dia foi entediante, eu não via a hora de chegar em casa, mas antes eu tenho de ir para o trabalho; eu trabalho no centro veterinário da cidade Stoney, das 16 horas as 20 horas da noite.

Todas as noites tenho sonhos estranhos, geralmente envolvem uma garota, são noites verdadeiramente tempestuosas, mas de certa forma me acalmam, porque nestas noites ou em algumas delas geralmente há lua cheia brilhando forte e intensa na noite, envolta em uma imensidão, rodeada de milhares de estrelas.

Me desespero em muitas noites, é como se algo tivesse sido tirada de mim, cada célula do meu corpo arde, como se eu estivesse em brasa; sinto como seu eu devesse seguir a lua, para onde quer que eu fosse.

Meus sonhos são partes de mim, mas cada vez mais, parecem reais, até mesmo meus pesadelos, algumas vezes eu sonho com um lobo com pelos negros e olhos vermelhos, magnífico, porém amedrontador.

"Estou em uma montanha, a lua está no céu brilhando intensamente, logo a beirada de um precipício, uma garota com pele clara, vestida com o que parecia um vestido branco, eu andei até ela, fiquei a cerca de um metro dela, não pude ver seu rosto, pois estavam sendo agitados com o vento.

— Oi? — A voz dela era diferente de tudo que eu já ouvirá, ao mesmo tempo que era suave, era autoritária.

— Oi, como é o seu nome? — Ela colocou uma de suas mãos em seu braço, relutante.

— É melhor que você não saiba! — Ouvi um gemido.

— Por que? — Perguntei.

— Eu não sou uma boa pessoa! — Senti que algo ruim iria acontecer a ela.

— Eu não consigo te entender, o que quer dizer com isso? — Ela se virou para a lua.

— Nasci apenas para morrer sozinha, não para ter amor, não para ser amada, te dizer meu nome, seria o mesmo que condena-lo — Ela chorava enquanto falava.

— Eu já estou condenado. — O choro se abafou.

— Entendo que você não queira admitir, mas ainda há esperança para você, ainda a chance de se salvar. — Ela estava cada vez mais na beirada do penhasco.

— Você também pode! — Afirmei.

— Não, não posso. — Ela pulou do penhasco.

Em um instinto pouco incomum da minha parte corri e saltei para tentar salva- lá, mas ela desapareceu, então eu morro!"

Acordo no meu quarto toda vez, suado como sempre, as vezes anseio, pelo fim desses sonhos, mas me lembro de que se eles acabarem, nunca mais verei a garota, isso é o que mais me apavora, como é possível amar alguém que nem se quer sabe se existe.

Nas noites em que não sonho com ela são as piores noites, que eu poderia ter, o mais cruel é que eu anseio por ela, mas me desespero ao tê-la, por que nestas noites ela não está lá, a garota, sinto como se algo terrível fosse acontecer a ela, quando não. Sonho com ela.

É desesperador, imaginar as características e a personalidade de uma pessoa sem nem ao menos conseguir entende-la.

Pobre alma vazia, envolta em dor e escuridão, condenada a queimar, definhar, morrer e nunca amar, condena a vagar sozinha, a procura de alguém que não se sabe se existe.

A marcha fúnebre de um enterro, um caixão sendo carregado, a chuva caindo e molhando a todos sem perdão, toda a cidade se reuniu, estavam seguindo para o cemitério, pessoas chorando como se aqueles mortos fossem importantes para eles; foi assim que aconteceu no dia do enterro dos meus pais, pessoas falsas.

Ontem foi o primeiro dia de aula, mal começou as aulas e as pessoas já começaram a apontar dedos e espalhar rumores; apenas posso ouvi-los, tentar ser paciente, mas não posso fazer nada, uma voz sozinha em uma multidão não é capaz de fazer tudo mudar, ainda mais quando é vinda de alguém como eu.

Peguei a chave da picape na gaveta; Allan me deu a picape poucos dias depois do inicio das férias; abri a garagem e me joguei no banco do motorista, liguei a picape, o som do motor era excitante; é a segunda vez que uso o carro, mas claro eu tinha combinado com Karine, de que depois que eu tivesse carro eu sempre a levaria para o colégio.

A casa dela fica a cerca de 20 quadras da minha.

— Bom dia! — Olhei pela janela, Aghata estava de pé ao lado da janela.

— Bom dia Aghata. — Falei com desdém. — Eu tenho que ir estou atrasado; tenho de fazer algumas coisas.

— Ah claro, poderia me dar uma carona ? — Ela ponhou seus longos cabelos avermelhados para trás, o que deixava seus seios expostos. — Por favor.

— Sinto muito não vai dar. — Por sorte Ethan, Nathalie e Jack saíram da casa e entraram na picape.

— Okay. — Até depois então era o que ela queria dizer.

Pisei no acelerador e sai em disparada para a casa da Karine, certamente ela estaria brava, não ela estaria furiosa comigo; vi de longe com a mochila nas costas indo a pé para o colégio.

— Karine. — Gritei, ela não olhou.

Apertei a buzina do carro, ela olhou, parecia querer arrancar minha cabeça.

— Você está atrasado. — Graniu ela.

— Desculpe. — Abri a porta da picape.

— Espero que tenha uma boa explicação. — Apesar de ela ter 1,58 de altura, eu sei muito bem como ela pode ser mortal.

— Tenho até testemunhas. — Ela entrou no carro quase rindo.

— Idiota. — Ela riu. — Agora dirija e me conte o que aconteceu!

— Aghata apareceu. — Destravei o freio de mão. — Lá em casa pedindo carona.

— Caramba, você deve ter uma ima para atrair essa garota. — Ela me olhou e começou a dar risada.

— Ela ainda não entendeu que não quero nada com ela!

Olhei para ela procurando alguma expressão enquanto esperava o semáforo abrir; a pele dela era tão clara que quase parecida com a neve, ela tem o que parecem ser sardas no rosto, lábios carnudos e avermelhados, pernas extremamente fortes, cabelos escuros, olhos castanhos e um sorriso maravilhoso; absolutamente perfeita.

— O que foi? — Perguntou ela.

— Nada! — Eu ri.

— Você já soube? — Perguntou ela.

— Do que? — Bem a minha frete apareceu um carro que eu nunca havia visto.

— Tem uma garota nova na cidade, todos estão comentando sobre ela e a família. — Não tirei os olhos do carro até reconhece-lo um mitsubshi lancer evo.

— Acho que eles tem um Evo! — Ela me olhou confusa.

— O que é um Evo? — Eu ri.

— O carro que está na nossa frente! — Ela ficou brava.

— Não faz assim comigo seu idiota. — Ela me dava socos.

— Desculpa. — Ela ficou emburrada até chegarmos no colégio.

— Aliás Feliz aniversario Karine. — Ela sorriu, Abri o porta luvas e retirei um pacote vermelho que eu havia escondido ali a meses. — Aqui!

— O que é isso? — Ela me olhou surpresa.

— Um presente ! — Afirmei.

Ela abriu o embrulho e eu pude ver o brilho eu seus olhos ao retirar o livro que eu empacotei com tanto cuidado.

— Obrigada. — Um sorriso iluminou ainda mais seu rosto.

— Não tem de quer. — Abri a porta da picape para ela descer. — Vamos entrar.

— Amanhã será o seu aniversario! — Falou sorrindo.

— Não será nada de mais Kaka! — Sorri.

— Nada de mais vou fingir que acredito Ty! — Nós dois rimos.

Entramos na sala e como de costume sentamos um ao lado do outro.

— Tyler, oi, senti saudades enquanto vinha para o colégio. — Que voz irritante pensei.

— Aghata estamos na sala de aula. — Murmurei. — E além do mais nós não somos um casal, então por favor, faça um favor a si mesma e pare de se iludir.

— Por que você tem de ser assim? — Resmungou ela.

— Não importa para você! — Afirmei.

Todos na sala nos olharam momentaneamente, uma vez que já sabem como sou, e que quando algo me enche o saco, eu falo a verdade mesmo que seja grosseiro.

— Ty? — Karine me chamou.

— Eu sei! — Revirei os olhos. — Peguei pesado!

— É pegou mesmo. — Eu e Karine tínhamos um trato, de que se eu fosse grosseiro, ela me daria um tapa na cara, o que seria impossível se eu estivesse de pé. — Sabe o que isso significa? — Fiz que sim com a cabeça.

Ela deu um tapa que ficou marcado no meu rosto, olhei para a porta da sala e vi uma garota, não muito mais alta que Karine, com um longo cabelo preto com uma mecha prateada, a pele era tão clara, que me lembrava a lua! Não pode se dizer que ela era como as outras garota, que pode se dizer são apenas "ossos", magras demais; Ela era perfeita em cada curva de seu corpo; que também não era como o das chamadas "gordas", que as garotas tanto falam.

O diretor Julian Hale entrou logo em seguida.

— Classe, essa é Diana Silvermoon! — Ele estava apresentando-a.

Eu a fitava intensão, não conseguia parar de olha-la, eu estava tentando uma sensação intensa, eu nunca havia sentido algo assim antes, minha boca estava seca, minha pele ardia e o coração estava acelerado.

Fitei-a até que seus olhos acinzentados encontraram meu olhar, senti meu rosto corar e a vi corar; condenado está foi a única palavra que me vei a cabeça, sorri tentando disfarçar, ela sorriu de volta e caminhou até uma carteira a minha frente, onde se sentou.

Passei a aula inteira a admirando; na hora de sair da sala um dos garotos que anda com Aghata a derrubou.

— Jason, vamos temos de almoçar, deixa essa esquisita ai! — Deu-se inicio as provocações.

— Ela não é você aghata. — Não pude me conter. — Permita-me te ajudar. — Estendi a mão para a garota nova.

— Concordo com o Tyler. — Num segundo Karine estava bem ao meu lado.

— O quê Tyler? — Aghata me olhou furiosa.

— Quer que eu repita! posso repetir, Non Is You, Et non est tibi! — Ela me olhou furiosa.

— Obrigada! — Ela agradeceu e saiu da sala.

— Espere. — chamei-a. — Irei lhe acompanhar se me permitir.

Ela corou e acenou com a cabeça, Aghata me olhou co ainda mais raiva; eu havia assinado e carimbado a minha sentença, mas isso pouco me importava.

Passei o almoço a admirando, se conseguir desviar meu olhar do dela, era vibrante e completamente intenso, mas definitivamente não era amor.

— Eu tenho de ir. — Ela estava se despedindo.

— Você devia ir na festa que vai ter hoje a noite. — Não sei o por que estava falando aquilo.

—É você devia ir. — Karine concordando comigo. — O Tyler pode te levar.

— Não quero incomodar. — Um chute na minha perna.

— Não vai ser incomodo. — Não hesitei. — Que horas posso passar pra te buscar?

— Pode ser as 19:00 horas? — Ela parecia hesitar.

— Claro, não vai ser problema. — Sorri. — Espera, eu te levo até a sala.

— Obrigada, mas não é necessário. — Baixei a cabeça.

Esperei até o fim da noite, quando iria busca-lá. Assim às 19 horas em ponto fui até a casa de Diana; toquei a campainha e logo um homem alto com os cabelos prateados atendeu a porta.

— Olá, meu nome é Tyler. — Cumprimentei-o. — Eu havia combinado com Diana de vir busca-lá para a festa, que vai acontecer... hoje a noite. — Gaguejei.

— Olá, sou Jefferson, pai da Diana. — Ele me cumprimentou de volta. — Só um instante ela está se arrumando. — Ele parecia ser muito confiável. — Por favor entre!

— Não quero incomodar. — Falei hesitante.

— Não será um incomodo, logo Diana estará pronta, por favor entre, quer um pouco de aguá ou alguma outra bebida. — Hesitei.

— Certo, poderia me dar um pouco de aguá. — Ele riu.

— Você não é como os outros jovens que adoram beber. — Ele olhou profundamente nos meus olhos.

— Não, eu ... não gosto de bebidas desse tipo. — Mas a verdade é que não me deixavam bêbado, não sei o porque.

— Certo, por favor sente-se! — Sentei me no que me parecia um sofá muito antigo.

Logo Diana descia pela escada, mais uma vez não pude deixar de fita-la ela estava estupenda, absolutamente maravilhosa, vestindo um vestido branco na altura do joelho, com rendas nas barras; pude sentir meu rosto aquecer enquanto corava, nossos olhares se encontraram e vi seu rosto corar também.

— Você esta linda. — O pai dela estava a elogiando.

— Pai, você sempre diz isso. — Ela me olhou. — E você, Tyler o que acha?

— Você está maravilhosa. — Suas bochechas coraram ainda mais. — Digo, você está linda.

O tom enrubescido em sua pele a deixava ainda mais linda, o que fazia meu corpo tremer, como se eu estivesse realmente sendo condenado, mas a um tipo diferente de tudo que eu podia imaginar.

— Vamos? — Perguntei sorrindo, tentando disfarçar meu nervosismo.

Em determinado momento acho que pareci até um pouco com os clichês de romance, abrindo e fechando a porta para ela, mas por algum motivo me senti bem. Eu sabia exatamente onde estávamos, já dirigirá por ali centenas de vezes até mesmo tinha decorado a casa de Michel, namorado da Nathalie afinal, sempre que ela precisava fazia com que eu dirigisse até ali, só para ela ver seu namorado.

— No que está pensando? — Foi tão repentino que me assustei. — Desculpe.

— Está tudo bem, na verdade eu estava apenas pensando em coisas que passaram despercebidas por mim durante muito tempo. — Sorri. — Logo nós vamos chegar. — Eu corei.

— Está bem. — Ela riu.

Me parecia que ela gostava de me deixar constrangido, agora que se acostumou comigo; ela sorria toda vez que eu a olhava, mas desta vez sem corar, sem nem deixar um sinal avermelhado em suas bochechas tão claras quanto a neve, eu poderia compara-la a lua cheia, nas noites em que se destacava das milhares de estrelas que brilhavam no céu enfeitando a noite; sempre que eu olhava para o céu nestas noites eu imaginava um casal dançando valsa, e que as estrelas eram o palco de sua apresentação.

Assim que chegamos a casa da Karine percebi que estava muito diferente do normal, provavelmente ela convidou todo o colégio, o que poderia significar duas coisas no caso de Diana:

1° todos poderiam concordar com Aghata, oque tornaria ali uma zona de guerra.

2° ela poderia se entrosar e fazer muitos amigos, claro desde que não sejam seguidores fieis de Aghata.

Apesar destas duas coisas sua personalidade era forte, até porque ninguém nesta cidade pode me atingir tanto como ela fez em apenas algumas horas, provavelmente ela foi a unica garota que pode me atingir tão profundamente; era como se em um instante eu estivesse completamente perdido e em outro tivesse encontrado a paz, porém eu continuava dizendo a mim mesmo que é impossível que seja amor, até por que para se amar alguém leva-se tempo e eu a conheci a menos de 24 horas.

Eu abri novamente a porta do carro para ela, e quando ela desceu do carro juro que eu a comparei a um anjo, de tão linda que ela estava, algo realmente diferente de tudo que eu já fiz, até onde eu sabia, eu era o cara mais irritado, anti-social e agressivo da cidade, então certamente aquilo não era do meu feitio.

Eu estava completamente em estado de euforia e preocupação, estava animado com a festa e esperava que não houvesse nem um problema na festa, acho que nunca podemos ter o que esperamos, Aghata e seus seguidores estavam a porta da frente, o que jé me deixou irritado, pois eu sabia que ela não deixaria barato o que aconteceu no colégio.

Sinceramente não esperaria menos dela, já que todos sabem como ela se sente ao meu respeito, independente disso ao menos esperava que ela tivesse o bom senso de deixar isso para lá ao menos aqui, para não estragar a festa, pelo menos ter a consideração, mas acho que não vai ser bem assim, sabendo que ela quer se vingar de todos nós.

Eu conseguia ouvir as risadas e via os rostos de todos que estavam com ela, uma raiva enorme subindo pelas minhas veias, chegando até minha cabeça, eu queria soca-los, fazer com que cada um deles ficasse caído no chão sangrando, com seu corpo inerte caído sobre a estrada, que a noite logo transformaria em um caminho frio, devido a nossa localização.

Deixei minha irritação de lado, toda minha raiva e focar em algo mais importante; nós ficamos horas na festa sem nada de ruim acontecer, todos os meus amigos, se tornaram amigos de Diana, mas o sorrisinho no rosto de Aghata me incomodava, pelo simples fato de que provavelmente ela estava tramando algo.

— Por favor, a atenção de todos.- Aghata estava gritando. — Primeiramente, feliz aniversario Karine. — O show ia começar. — Por outro lado, estou intrigada, do porque você convidou a novata assassina para a festa?

— Do que você ta falando? — Diana protestou.

— Não se faça de desentendida. — Aquele sorrisinho que estava estampado em seu rosto a noite inteira apareceu novamente. — Deixe me esclarecer para que todos saibam, a verdade. — Isso era realmente ruim. — Por todas as cidades em que essa garota passou, sem exceção aconteceram mortes sem qualquer explicação.

— Aghata, cala a boca. — Gritei furioso. — Antes que eu cale para você.

— Vai virar assassino agora também Tyler. — Eu estava prestes a perder o controle.

— Cale essa maldita boca. — Senti meu corpo anciar por um ataque.

— Ta tudo bem. — Uma mão encostou no meu braço, quando olhei vi que pertencia a Diana. — Por favor me leve para casa. — Ela estava chorando.

— Tá. — Limpei suas lágrimas. — Vamos.

Não demorou muito para eu deixa-la em casa, mas eu tinha certeza de que ela nunca mais falaria comigo, pois eu não pude nem ao menos defende-la, e tenho certeza de que ela foi mais que humilhada, por causa do que Aghata havia feito; eu sentia tanta raiva, que estava começando a acreditar que poderia ser ódio.

Foi quando comecei a ouvir mais e ver melhor do que o normal, assim que cheguei em casa, eu estava fora de si, acabei quebrando a maçaneta da porta, não me lembro de ter andado muito pra chegar ao meu quarto, foi em um instante, comecei a sentir meus ossos se quebrarem, cada um deles.

Arvores, tudo que eu via por onde quer que eu olhava, eu não sabia como tinha ido parar na mata, mas de alguma forma eu dormi no meio da mata, demorei cerca de uma hora pra chegar em casa, entrei pela porta dos fundos, pois eu havia acordado nu, corri ao meu quarto, o ultimo lugar que eu me lembrava de ter estado; estava cheio de marcas de garras.

— Tyler, temos que conversar! — Allan apareceu logo atrás sem nem ao menos parecer surpreso.

— Pode começar. — Eu estava um pouco assustado.

— Como posso dizer isso. — Ele coçou a cabeça. — Você é um lobisomem.

— Isso é impossível. — Tentei parecer irônico.

— Não, não é, já que ambos os seu pais, eu e todos da família somos, porem você é diferente dos que conhece. — Eu estava começando a ficar apavorado.

— Como assim? — Perguntei.

— Você é um Alfa. — Me sentei pois eu estava espantado.

— Pode me dar um momento por favor. — minhas mãos foram automaticamente para a cabeça, preciso de um tempo pra absorver todas essas informações.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.