Alados
1 Prólogo
Naquele instante eu não preocupava mais com os meus jeans apertados ou com os sapatos caros que o tinha, naquele instante eu queria que ardência e a coceira que irritava a minha pele desaparecesse. Isso não acontecia de uma hora apara a outra. Tive vontade de gritar no escuro do meu quarto, mas eu fique quieta.Fogo ardia nas minhas costas, pelo menos era essa a minha sensação.Quanto eu mais coçava a área avermelhada, mais ardia, eu podia ver pedacinhos de minha pela debaixo das unhas.Isso me dava náuseas. As lágrimas fluíam dos meus olhos como uma nascente de água cristalina em uma serra verdinha e cercada por nuvens carregadas, como as de Verville onde eu cavalgava com o meu avó. Desejei ter os seus braços carinhosos e familiares ao meu redor me chamando de "Meninha", antes eu achava algo irritante e ficava profundamente magoada com isso, mas agora queria um de seus abraços carinhosos para me proteger.Não. Talvez nem isso me faria ficar melhor.A dor me corroía. Levantei-me cambaleando no escuro do quarto e fui até o banheiro. tirei a camiseta de manga longa cor grafite, virei-me de costas rodando a minha cabeça em 180 graus. Ali, bem pequenininha, escondida a um palmo do meu pescoço pude notar algo : Uma pequena e fina linha cândida que se ramificava em meu próprio corpo, com uma imensa curiosidade arranquei e senti como se uma agulha me espetasse bem naquele ponto. Havia sangue na ramificação, parecia um fio de cabelo platinado igual as mechas Champanhe da Jessica do acampamento de verão.Olhando mais de perto eu pude constatar: Era sim uma ramificação, uma ramificação de uma pena branquinha. dali a pouco cresceu mais uma, mais outra, mais outra e mais outra, comecei a rangar e gemer de dor, mas quanto mais arrancava mais uma, duas, três ou mais surgiam no mesmo lugar, dali a pouco tempo, virada para o espelho de corpo inteiro vislumbrei a imagem… alada.
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