Ala B
2 Cap 1
Notas iniciais
" Posso entrar? " Killian colocava a cabeça na brecha da porta, enquanto eu retirava meus olhos dos papeis que analisava, para poder encara-lo.
" O que o trás aqui, às três da tarde? " eu sorria, enquanto colocava os papeis de lado. " Se eu não me engano é nesta hora que a Ala B esta mais movimentada. "
Eu o vi suspirar cansado enquanto se sentava na cadeira a minha frente, deixando os olhos entreabertos enquanto soltava um bocejo cansado. Killian era nosso segundo melhor médico após o doutor Nolan, ao contrário do amigo de infância sempre fora totalmente humilde e responsável com seus pacientes, os tratando sempre como parentes próximos e não como cobaias.
" Então? " eu o encarei enquanto o via fechar os olhos cansados.
" Perdão. " ele se arrumou na cadeira e agora me olhava apreensivo. " Sabe que tem que conversa com ele não é? "
" Se veio até aqui para falar de David é melhor voltar para emergência, afinal estou muito contente por não ter recebido mais nenhum processo desde que o transferi para a emergência e não mais para área das clinicas. " eu falei animada, ao lembrar-se do nosso último processo que quase me levou a falência total.
" Esse é o problema Regina, ele não anda fazendo nada se recusa a atender pacientes e faz dois dias que não o vejo pelos corredores, então se não quiser interna-lo na área psiquiátrica, vá fazer alguma coisa. "
Killian me olhou sério e de muito mau humor antes de se retirar da minha sala batendo a porta, eu apenas gritei se ela quebrar você ira pagar!, mas na verdade eu estava furiosa pela nova crise emocional do David, é claro que essa não era a primeira e eu bem sabia disso, afinal a três anos eu descobri o vicio dele por analgésicos, depois que ele rompeu um dos ligamentos do joelho em um acidente de moto.
Como uma médica responsável e que zela pela saúde de meus pacientes eu deveria mantê-lo afastado de todos, mas apesar de seu vício David era o melhor médico que eu tinha no hospital e por essa e outras razões que eu mesma desconheço tenho que mantê-lo por perto.
Caminhei pelos corredores tranquilos, até a ala B onde a mais nova emergência funcionava, tudo estava tranquilo e na paz, fato extremamente diferente de alguns dias atrás. Assim que aproximei da sala de David, encontrei sua assistente Ruby do lado de fora, folheando uma revista.
" O que esta acontecendo aqui? " olhei séria para ela, enquanto a mesma se tinha completamente pálida pela surpresa, apenas a ignorei e segui para a sala do doutor Nolan, onde o encontrei vendo uma novela de medicina na sua pequena Tv particular, junto com mais dois internos. " Todos pra fora agora. " falei entre dentes, enquanto David continuava a assistir a maldita novela e os internos saiam assustados da sala. " David, desliga isso e volte ao seu trabalho, não lhe pago para ver novela ao invés de tratar de doentes. "
" Regina isso aqui é a emergência sempre tem um interno querendo agradar o médico chefe, então eles trabalham eu vejo minha novela você vai encher a paciência do Killian e ficamos todos na mais perfeita paz, então, por favor, quieta eu quero descobrir quem matou o doutor Eduardo no capitulo vinte seis. " eu o olhei incrédula, enquanto ele continuava a fitar a tal TV, meus nervos gritavam quando alguém me tratava com descaso e isso sempre acontecia quando David estava por perto, então eu tinha a solução perfeita para tudo aquilo.
Como os olhos azuis de David estavam vidrados na tv, eu apenas caminhei até o interruptor e a desliguei na parede e sai batendo a porta, apenas o ouvi gritando. Meu celular também tem TV ele gargalhava enquanto falava e eu tinha vontade de aprender o tal celular.
Ainda estava furiosa, com mais uma dor de cabeça, quando o doutor Gold apareceu na minha frente.
" Desculpe doutora, mas seu advogado ligou, disse que estará.... " ele me falava aflito enquanto eu apenas assentia, o dia seria longo. " A paciente do quarto 206 passou a noite com febre, já entramos com analgésicos pelas dores que anda sentindo no corpo, a colocamos no soro, mas a paciente parece estar com um pequenas manchas avermelhadas na coxa, além de outras pela barriga, braço e anti-braço. "
" Já fizeram exames mais detalhados, olharam a ficha da família? " ele me assentiu e eu continuei o interrogatório.
" Tem histórico de câncer na família? Teste de dengue talvez? "
Eu ainda iria continuar meu interrogatório quando entramos no quarto 206 e me deparei com uma menina de no máximo oito para nove anos, com os cabelos bagunçados e pele clara, com manchas marrons abaixo dos olhos o que eu analisei serem olheiras.
" Senhora Brendon, essa é a doutora Mills a chefe do hospital, sua filha está em boas mãos. " após a apresentação o médico saiu da sala e me deixou com a mãe e a garotinha.
Comecei a analisar sua ficha e pedi licença da quarto, ainda sem nenhuma explicação para o estado dela, caminhei apresada até a ala B mais uma vez e dessa vez encontrei David jogando bolinha na parede e com as pernas encima da mesa.
" Preciso de sua ajuda. " eu falei atônica enquanto o via me encarar com um sorriso no rosto.
" Bom no momento minha emergência está muito lotada, não posso ajudar, mas deixe a ficha que quando eu vagar, eu analiso. " ele falou debochado ainda jogando a bolinha na parede e sim David estava mais uma vez me irritando.
" Pegue essa ficha agora, dê uma olhada, se não dessa vez eu o mandarei fazer sessão dos narcóticos anônimos ao invés de ficar aqui na emergência. " eu falava séria, enquanto o via pegar a bolinha e jogar na lixeira, voltando sua atenção agora para a ficha da garota em mãos. " Muito bem, agora me diga o que acha que pode ser? " eu me sentei na cadeira enquanto ele analisava a última página. " Eu diria que pode ser lúpus, mas pode também ser rubéola, mas não posso constata nada sem exames. " ele coçou o queixo e eu apenas suspirei cansada. " Bom, pode ser rubéola pelo surto que está tendo no leste. Faça os exames e depois me traga o resultado, até que os exames saiam se mantenha a dez metros da porta da minha sala. " ele sorriu e eu apenas sai da sala a ponto de explodir, porém as observações de David poderiam ser validas ou não.
Os exames foram feitos e em menos de cinco horas estava Regina mais uma vez caminhando em direção a sala de David.
Seu salto ecoava pelos corredores, enquanto seu guarda-pó balançava de um lado a outro em sincronia com a jovem.
" Já temos o resultado. " disse enquanto entrava na sala do mesmo jogando os resultados na mesa.
" Por Deus mulher, não consegue me deixar um minuto se quer em paz? " mais uma vez com seu mau humor de sempre, David agora jogava num vídeo game enquanto se tinha estirado no chão da sala, de onde pode ver as belas pernas torneadas de Regina, o que o fez sentir um arrepio.
" David, já disse para trabalhar ou vai visitar os narcóticos. " ela sorria debochada enquanto o via se levantar do chão em meio a resmungos, pegando logo os exames nas mãos e os analisando.
" Deus você já olhou isso? " erguendo os exames ainda com os olhos arregalados e mirando a mulher, que apenas assentiu. " Pegue meu telefone ligue para as emissoras, todo o dinheiro que gastou em processos será revestido nesta descoberta. " olhando-o incrédula, a jovem doutora apenas se mantinha neutra as bobagens do médico.
" Doutor Nolan, deve lembrar-se do juramento que fez onde prometeu proteger seus pacientes, agora levante dessa cadeira e vá tratar de avisar a mãe da garotinha. " dizendo isso Regina se levantou da cadeira e caminhou até a porta. " E mais uma coisa, irei ligar para as autoridades e informa que o surto de rubéola já chegou até aqui, enquanto isso quero você cuidando da pequena July. "
Sem dar tempo de resposta para David, eu apenas sai da sala a passos largos antes que fosse obrigada a ouvir mais besteiras saindo daquela boca carnuda e sensual.
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