Alaíndia
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
---Mansão Kido---
Os rapazes de bronze estavam de férias. Era mais do que merecido, já que a maioria vinha de uma origem humilde e desconhecida, nasceram órfãos sem nome e sobrenome, com 0,01% de parentesco perdido em alguma estrada sem fim; além de serem obrigados a submeterem à vida dura e rígida, mesmo usando fraldinhas.
Mas é broxante comovente lembrar dessa fase, então vamos deixa-la no passado e falar dos bons momentos por agora. Afinal, o que aqueles santos guerreiros poderiam esperar de um longo tempo de férias? Nada melhor que sombra e água fresca, beijo na boca e tico-tico no fubá para esquecer o passado...
Mas é claro que a vida colorida não é feita só disso. Por de trás de toda ilusão se escondem as verdadeiras emoções, sem as quais não teria graça manusear as páginas dos nossos álbuns de fotos e relembrar os momentos inesquecíveis, incluindo os micos!
E foi assim que aconteceu. As inesquecíveis férias dos rapazes e que iremos relembrar com eles – ou pelo menos um deles – que já neste momento abria cuidadosamente o álbum de fotos... Relembrando o tempo que passaram aquelas férias...
Foi exatamente naquela tarde de sábado, início do ano de 2002, o dia extremamente ensolarado, ensopado, um mormaço dos diabos, em que os rapazes se reuniam em volta da sala da mansão Kido para uma partida de poker. Eis que surge ela – supimpa! – a ideia genial: uma viagem!
Diga-se de passagem, que esse presságio não teria acontecido se a união não fizesse a força entre eles. Graças a ao velho Kido? Uma ova! Graças ao espírito de amizade e os bons momentos que viveram juntos. Sem esquecer –obviamente! – de quantas lutas travaram e amarelaram juntos, ao lado de nada mais nada menos que a reencarnação da poderosa deusa Atena, mais conhecida por Saori Kido.
Oh, sorte grande! A guria era tão poderosa que pulverizaria até o mais forte dos cavaleiros com um único espirro. E foi assim que compartilharam uma amizade profunda, tão profunda que o arco-íris passou a fluir naquele ambiente...
Pensaram na possibilidade daquela viagem, enquanto se abanavam bebendo um ki-suco nojento servido pelo antigo mordomo já mumificado pelos séculos que trabalhava para os Kido’s. É nessas horas que o ki-suco vira água benta, refrigerando tudo, inclusive as intimidades implícitas.
A neta bastarda do jaz, ou do véio que aqui jaz, tinha suas regalias, “nós também temos o mesmo direito”, pensava o grupo com total afirmação e decoro. Graças ao benevolente e santo velho que antes de voltar ao pó (que Zeus o tenha em qualquer lugar) deixou um legado para os cavaleiros (U$$):
“Todos os órfãos e órfãs deste Orfanato são registrados como netos e netas adotivos; desde então, farão parte do meu testamento, que terá como responsável a minha legítima – tal legitimidade incluída depois – neta Saori Kido, que fará o controle de toda minha herança, administração da Fundação, Mansão, quaisquer outra propriedade, bem móveis e controle financeiro de toda a herança. A condição impõe aos órfãos, amazonas e cavaleiros, adquirentes desse direito, tornar-se e continuar-se um santo guerreiro de Atena, jamais se esquecendo do seu objetivo e de sua lealdade. Lutar pela justiça e paz na Terra ao lado da Senhorita Saori Kido que é reencarnação da deusa Atena, é mais do que um dom, é uma obrigação para com os deuses para todo o sempre”.
Aqueles jovens órfãos descobriram que ser órfão nunca fora tão lucrativo beneficente quanto parecia. Além da amizade, outro laço forte que unia aqueles rapazes a um único objetivo: ($_$). Pequenas fundações, grandes negócios!
Ainda bem que o mundo estava de bem com a vida, e a pensão dos órfãos em seu devido e precioso lugar – fundo monetário dos guerreiros de Atena. Logo, tudo estava em paz por um longo tempo; e se não havendo mais lutas, mais nada a fazer, os bronzeados já poderiam gozar daquelas Santas Férias.
“Merecemos um descanso misericordioso”, discurso aplaudido por um mero cavaleiro que adorava falar em público, ainda que as velze erradio e cafuso.
Mas antes de tudo, vamos começar entendendo o seguinte: Saori era a presidente da fundação Kido. Vivia mais em Bagdá do que cá. A administração da Fundação ficava sob a responsabilidade dos administradores junior’s, Hyoga e Shiriu, que cursavam a faculdade de Direito e Administração, respectivamente.
Seiya, o futuro professor de educação física e seu amigo inseparável Shun, o promissor massagista à fisioterapeuta... Ambos ficavam a cargo do orfanato.
Ninguém gosta de fofoqueiros, mas cá entre nós, rolava alguns boatos de que Shun fazia jus à terapeuta sexólogo, já que sua função principal era ajudar os amigos como estimular a excitação antes e relaxar depois... das lutas, óbvio!
Ikki, por incrível que pareça era o homem dos negócios em relações internacionais, o braço direito de Saori em resolver os assuntos da Fundação fora do país. Ele adorava se mandar viajar. Seu trabalho era respeitado, fazia do bom o melhor, do melhor o impossível!
Recém-formado em administração e comércio exterior, deixou o posto de semi-tiririca para alfabetizado e graduado. Hoje ele é considerado por muitos cavaleiros de borracha – classificação de novos cavaleiros mirins – o cavaleiro mais inteligente, forte e sarado do Santuário. Pelo menos os borrachinhas tinha opinião própria e formada, mesmo menores de idade.
De sarado e apetitoso a torcida do Barcelona já sabe; de inteligência, alguns preferem questionar. Ganhou fama de renegado por ser independente, solitário e o do contra em fazer as coisas ao seu bel prazer, o que o tornava um sujeito promíscuo ao sucesso. Se é verdade, só o conhecendo pessoalmente! Seu grande sonho, o inverso do que dispõe, é ser um diplomata. Mas o mais longe que conseguiu chegar foi um autógrafo de um dito cujo.
(...)
Bom, enfim, lembrando detalhes daquele sábado infernal, reunidos num calor à queima-roupa, arriscaram a sorte no poker, nas cartas, dama, dominó, boliche, baralho, bozó, xadrez, jogo da velha, batalha naval, cassino, jogo do bicho, queimada, amarelinha, peteca, roleta-russa, bafo, bola-de-gude, zerinho ou um, soltaram pipa... E mesmo assim não saia o desempate!
Também, com aquele clima árido e temperatura desapropriável para surgir boas ideias, mesmo com um ínfimo-amigo ao lado, nativo da Sibéria, não fez questão de usar seus poderes para refrescar aquele ambiente... O infeliz negociava caro ($) pelo serviço, e como todos estavam mais duro que peru de natal passado, ficaram só na vontade! Afinal, amigos-amigos, negócios a parte.
“Maldito Renato pato da Russo”, protesta o mais velho da turma, apoiado pelos demais – exceto o caçula, o único que sentia gostosamente ser refrigerado sentando no colo do namorado, mesmo sob os protestos do irmão –, iria reclamar do que se o ar-condicionado era particular?
Diante das circunstâncias, suavam enquanto pensavam, não pela força da cachola, mas pelo calor em si. É claro que alguns precisavam de mais reforço e não convenhamos dizer nomes para não influenciar votos. Mas escolher para onde iriam viajar seria a jogada de mestre. Não iriam pra qualquer cafofo muito menos Hong Kong – todos os olhos se voltaram para Shiriu.
"O que eu tenho a ver com Hong Kong", bufou o chinês.
Optariam por uma jogada de ninja, já que o objetivo único ali era ampliar novos horizontes, conhecer culturas diferentes, experimentar paladares exóticos...
Seiya foi o primeiro animal animado a manifestar o interesse por países exóticos, mas nenhum nome lhe veio à mente; ou talvez ficasse pensando na pronuncia correta – taí a razão e o porquê da opção em Educação Física, pouca leitura, mais ação – Enquanto ficou guerreando com sua massa cefálica, passou a bola da vez.
Quase num ato de solenidade, decidiram numa combinação perfeita – Hyoga e Shiriu – que fizeram o discurso das mil maravilhas que o Brasil tinha a oferecer. Enquanto Ikki desdenha por sua escolha, tanto faz como tanto fez, já que não toparia viajar com aquela quadrilha de marmanjo...
Até que chegou a vez de o caçula protestar. Shun, que havia recém-descoberto uma nova paixão por frango tango, pensou alto. “O que poderia ser mais prazeroso conhecer a terra do famoso jogador de futebol Maradona, aprender um tango com a pessoa amada, além da culinária que é uma arte”. Pensou no frango tango novamente.
Então, numa decisão rápida, jogaram novamente as cartas...
A sorte foi lançada!
E aquele que tirasse o Coringa...
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