Além dos Muros

10 Sonho e Casa da Alison


Notas iniciais
Mais um como prometido, espero que gostem :D Boa leitura

Céu nublado e muito frio. Mabela estava em uma rua estreita onde a iluminação era apenas algumas tochas penduradas nas paredes. Mabela estava parada no meio da rua com uma calça, jaqueta, botas baixas e pretas, toca e luvas. Ela avistou uma carruagem que se aproximava pela rua de paralelepipedo. Um calafrio percorreu por seu corpo.


A carruagem parou em sua frente, Mabela começou a encarar os cavalos de pelos macios e marrons e a fumaça que saia de suas narinas.


Uma pessoa saltou da carruagem, alta, ombros largos e completamente coberto, da cabeças ao pés. A pessoa estava com uma capa preta de lã, a capa batia até o calcanhar e cobria toda a cabeça, deixando nem mesmo seu rosto visível, pelo corpo fisíco da pessoa, a mesma aparentava ser um homem. A pessoa encapuzada se aproximou, passou atrás de Mabela e ela pôde sentir sua respiração ofegante


– Óla — disse a pessoa. Sua voz era grossa e firme e Mabela confirmou sua dedução, era um homem — a cada dia que passa você fica ainda mais linda. Seu hálito tinha cheiro de sangue
– Quem é você? — indagou Mabela
Ele riu
– Sua salvação
– Minha salvação?
– Me entregue o que tens e terá a vida eterna.
– Como?


Mabela se sentiu enjoada com o cheiro forte de sangue que exalava do homem. Ele passou por ela e parou em sua frente, ele deu uma risada fraca, abriu os braços e deu um passo em direção a Mabela.


– Eu não quero te obrigar a nada — disse o homem, começando a ficar com a voz fina como uma espada se chocando com outra
– Eu... — Mabela deu um passo para trás


O homem levantou um pouco a cabeça e Mabela conseguiu apenas ver presas afiadas em sua boca, ela queria tirar aquela capa e ver quem realmente era, mas não conseguia mexer os braços. O homem se aproximou rindo mostrando ainda mais suas presas afiadas e brancas como leite. O céu ficou completamente escuro como um sinal de uma grande tempestade, fumaça preta tomava conta do ambiente e sangue, um cheiro enorme de sangue pairava por todo o lugar. O homem se aproximou de Mabela de braços abertos e soltou um rugido quando a enlaçou.

Mabela deu um sobresalto e ficou imóvel. A coberta estava no chão e ela estava toda suada, a janela estava aberta e o vento forte batia em seu rosto quente e molhado. Ela olhou em volta e viu o gatinho se levantando e caminhando até a janela, Mabela o encarou e ele a olhou com aqueles olhos verdes e outrora azuis. O canto da boca do gato se formou em um sorriso e então ele saltou e desapareceu.


– Foi só uma sonho — sussurrou Mabela.
Ela se levantou e puxou a coberta que estava no chão a colocando na cama. A porta do quarto se abriu e Amanda apareceu
– Já está de pé?
– Acho que foi por quê durmi cedo
– Acho que sim — Amanda sorriu e se aproximou de Mabela — bom, vou descer para fazer o café da manhã
– Tudo bem, vou tomar um banho rápido, estou toda suada
– É, fez muito calor essa noite, por isso deixei sua janela aberta
Mabela olhou para janela onde alguns instantes, havia um gato que sorri e que tinha olhos multicolore em seguida para Amanda
– Verdade, obrigada


Mabela sorriu e Amanda saiu. Ela se levantou e foi até o guarda roupa, pegou uma calça jeansclara, a blusa da escola, uma lingerie preta e colocou em cima da cama, pegou uma toalha e foi para o banheiro. Mabela ligou o chuveiro e tirou a roupa, jogando a mesma em um balde médio, ela prendeu os cabelos e entrou debaixo d'água. Seus músculos estavam tensos e conforme a água batia os mesmo relaxavam dolorosamente, ela se lavou rapidamente e deixou a água bater mais alguns instante e saiu, vestiu a lingerie e colocou a roupa, penteou os cabelos e os prendeu em um rabo-de-cavalo, arrumou seu material e desceu.


Amanda estava sentada tomando café e sorriu ao ver Mabela na entrada da sala de jantar, Will estava com uma calça jeans preta, a camisa branca da escola e os cabelos emaranhados. Mabela se aproximou da mesa e sentou-se, serviu e ficou em silêncio.


– Conseguiu fazer amizades Mabela? — perguntou Amanda puxando assunto
– Sim — Mabela deu um gole no café — conheci uma garota chamada Alison — Will largou o copo brutalmente e a encarou.
– O quê? — disse Will rispidamente
– Qual o problema? — perguntou Mabela
– Nenhum — respondeu Amanda, antes que Will começasse a dar seu 'show' — e quem mais?
– Ah... e mais dois garotos que também são amigos da Alison, Pedro e Alexsander.
– Ela só pode está de brincadeira — disse Will colocando a mão no rosto. Amanda encarou Will e depois sorriu para Mabela
– Fico feliz que tenha feito ótimas amizades
Will respirou fundo e se levantou
– A onde vai? — perguntou Amanda tomando seu café
– Lá em cima
– Senta agora! Você não terminou de comer
– Não estou com fome — Will caminhou até a porta
– William, volte e termine seu café
Will voltou sem dizer nada e terminou de comer, Mabela fez o mesmo.
– Agora posso ir?
– Pode
Will saiu da sala e Mabela apenas encarava a cena.
– Não se preocupe, ele é sempre assim, logo começamos a nos acostumar
– Espero, ahn... eu queria pedir permissão para fazer trabalho com a Alison e os garotos.
– Claro, você vai fazer o trabalho aqui ou na casa de um deles?
– Acho que vai ser na casa da Alison.
– Tudo bem, me avise quando você for e eu a deixou lá e te busco
– Ok


Mabela se levantou e Amanda também. Mabela pegou a mochila no sofá e foi caminhando até a porta de entrada e Amanda logo em seguida.
Will estava parado na calçada com fones de ouvido, Amanda retirou o carro e ele logo entrou e sentou-se no banco da frente, Mabela abriu a porta e sentou-se atrás.
Ninguém disse uma palavra si quer até chegar ao colégio, Will desceu e foi para sua rodinha de amigos e Amanda suspirou olhando para trás e dando um sorriso simpático para Mabela.


– Boa aula querida
– Obrigada — Mabela sorriu e abriu a porta — bom dia
– Bom dia!
Mabela desceu do carro e encontrou Alison parando no portão ao lado de Alexsander, ela se aproximou e os cumprimentou com um beijo no rosto
– Bom dia — disse Mabela sorrindo
– Bom dia — responderam em uníssono
– A onde está o ...
– All eyes, They're on you don't deny, you've got to, this a call — Pedro se aproximou cantando com duas baquetas nas mãos, fones de ouvidos enormes e batendo no ar.
– O Pedro? — disse Alexsander sorrindo
– Eai galerinha — disse Pedro quase gritando tirando os fones. Ele cumprimentou Mabela e Alison com um beijo no rosto e fez um toque de mão com Alexsander
– Como vocês estão?
– Bem — disse Mabela sorrindo — mas você parece extremamente feliz.
Pedro riu
– Imagine Dragons é vida, impossível não ficar feliz
– Concordo plenamente — disse Alison
– Vamos entrar, o sinal tocou — interrompeu Alexsander
Eles entraram na escola e foram direto para sala.
– Quando vamos fazer o trabalho? — perguntou Pedro sentando em seu lugar — é para entregar quinta certo?
– Sim, mas estou surpresa por você está com vontade de fazer o trabalho de Física, pensei que era a matéria que você mais odiava — disse Alison tirando o caderno da mochila
– I é — respondeu Pedro, todos começaram a rir — mas quero fazer isso logo, e quero que a Mabela veja nosso ensaio
– Assim você vai assustar ainda mais ela — disse Alexsander
– Em falar no trabalho — disse Alexsander virando-se para Mabela — sua mãe liberou? Você fazer o trabalho com a gente?
– Sim, ela pediu apenas que eu ligasse, para ela me levar
– Não precisa, meu pai vem nos buscar — disse Alison
– E quando vamos fazer? — perguntou Pedro
– Acho melhor fazer hoje, até por que Amanhã a tarde eu vou sair e o trabalho é para quinta-feira e como hoje é terça...
– Certo, então vamos todos fazer o trabalho hoje a tarde na minha casa falo? — concluiu Alison
– Alison e grupinho — disse o professor — tem matéria na lousa
– Chato — sussurrou Pedro, todos riram.

As três primeiras aulas foram bem divertida, houve debate nas duas últimas que foram de matemática. O sinal tocou e todos foram para o intervalo


– Cara, a Mabela parece o Alex, vive debatendo os resultados com o professor — disse Pedro
Todos começaram a rir
– Eu gosto de debates — respondeu Mabela
– Eu também, eu aprendo melhor assim — concluiu Alex
– Eu odeio matemática, odeio debates, odeio a escola, odeio... — começou Alison
– Você é uma revoltada Ally — interrompeu Pedro mordendo o lanche — e é por isso que eu gosto de você


Eles começaram a rir e comer até o sinal bater. As duas primeiras aulas passaram arrastando e a última era vaga. Eles ficaram conversando, escutando música, Mabela contou um pouco sobre o orfanato e Pedro começou a contar algumas piadas sem sentido. O sinal tocou


– Casa da Alison, uhuul — Pedro gritou pulando e jogando os braços para cima
– Ha-ha-ha-ha que legal, uuu — disse Alison desanimada, caminhando até o portão
Mabela e Alex riram
– Mabela, acho melhor você ir avisar a sua mãe que você vai embora comigo
– Ok
Mabela atravessou a rua e caminhou até o carro de Amanda e sorriu
– Oi querida — disse Amanda sorrindo
– Oi — Mabela sorriu — o pai da Alison vai nos levar a casa dela para fazer o trabalho de física
– Ah... tudo bem, ligue em casa quando terminarem, eu vou busca-la
– Certo
Mabela deu um beijo no rosto de Amanda e voltou para junto de seus amigos, Will a encarou e entrou dentro do carro. Com um aceno, Amanda saiu do campo de visão.
– Bom, agora vamos — disse Alison


Eles caminharam até um carro preto que estava estacionado um pouco acima da rua da escola. Alison abriu a porta da frente e entrou, Alexsander abriu a porta de trás e deu passagem para Mabela, ela dentrou e ele entrou em seguida, Pedro entrou pelo o outro lado e sorriu para o homem que estava segurando o volante. Alison deu um beijo na bochecha dele e sorriu virando-se para trás


– Pai, essa é a Mabela
– Ah.. Óla Mabela, sou Dawson — ele sorriu — o pai fantástico da Alison
Alison revirou os olhos e riu
– Óla, muito prazer em conhece-lo — respondeu Mabela, dando um sorriso tímido
– Oi tio! — disse Pedro sorridente, igual criança
– Fala Pedrão — eles fizeram um toque de mão — beleza?
– Suave — respondeu Pedro. Dawson sorriu e olhou para Alexsander
– Eai Alex, bom saber que está de volta ao Brasil
– É — Alex sorriu e o cumprimentou com um toque de mão também — finalmente em casa.


Dawson deu partida e em poucos minutos e já haviam chegado. A casa da Alison era bem parecida com a dos Walder por fora, toda branca. Eles desceram do carro e Alison abriu a porta


– Mabela, seja bem vinda a minha preciosa e maluca casa.