Além dos 500 dias
3 O Fim.
Notas iniciais
Comecei a sair com esse tal de Tom, o do Smiths. Ele é um cara legal, bonzinho. Não tenho o que reclamar dele. Era divertido sair. A gente se deu bem, mesmo discordando sobre algumas pequenas coisas da vida. Mas não da pra concordar em tudo.
A gente até fez uma louca encenação num mostruário de um quarto mobiliado em uma loja de moveis. A reação da família de japoneses ao nos ver deitados na cama, foi hilária. Claro que não tão hilaria quanto no outro dia em que fomos ao parque.
– Grita Pênis.
– Eu não vou fazer isso.
– Grita, Tom!
– Não, eu…
– PÊNIS! — Gritei. Era divertida a reação dele.
– Para com isso. — Ele tinha ficado irritado. Era estranho. Adam ficava irritado com isso também, mas de um jeito diferente. Como se fosse meu pai e eu tivesse 10 anos e falasse ‘pênis’. É um irritado com carinho, entende?
– Oi Summy. — Era Adam do outro lado da linha. Sábado de manhã e ele estava me ligando. Confesso que fiquei feliz em ouvir a voz dele.
– Oi Adam.
– Eu to voltando. A gente podia sair?
– Ta… Quer dizer, claro. Porque não?!
Na manhã seguinte ele estava na porta do meu apartamento, em um terno preto lindo e com um enorme buque de flores. Eu odiava aquelas flores, mas o sorriso que ele dava ao me dar elas, espantava meu ódio sempre.
– Para onde vamos, senhor?
– Vamos… É surpresa.
Fomos ao nosso restaurante preferido. Era um bem caro que ficava no lugar da antiga cafeteria, onde nos conhecemos. Como o tempo passou rápido. Lembro daquele lugar cheio de jovens estudantes e pessoas sem o que fazer da vida, com seus amigos ou sozinhos, sentados nas mesas ou de pé nos balcões, conversando sobre todo tipo de besteira.
– É estranho, ne?
– O que? — Ele me sorria, aguardando minha resposta.
– O tempo. É bem estranho. Não acha?
– É. Passou bem rápido. Mas ainda bem que já passou, certo? — Pedimos risoto, que eu adorava, acompanhado de vinho, que eu não adorava. Mas pra não fazer papel de chata num restaurante caro como aquele, tomei.
– O que é isso? — Ele estava com uma pequena caixa preta de camurça, segurando uma de minhas mãos.
– Eu tenho certeza, mais do que eu já tinha antes, que você é o amor da minha vida. Quer se casar comigo, Summer? — Disse se ajoelhando. E foi ai que sabia que o amor acntecia pra todos. Aconteceu pra mim. De um jeito estranho, mas aconteceu. Depois de muito tempo, mas aconteceu.
Eu tive que tomar distancia do Tom. O casamento ia ser em breve e a gente não podia mais sair juntos. Eu ia me casar! E ele não entendeu isso. Não ficou feliz por mim. Não apareceu no meu casamento, mesmo indo a minha festa de aniversário. Ele simplesmente sumiu.
Me pergunto se o amor aconteceu pra ele também.
Espero que sim...
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