Além do Espelho

19 Os sonhos são a Chave


Notas iniciais
GENTE EU TO VIVA, DÁ PRA ACREDITAR? Eu sumi por 3 meses, pelas minhas contas então eu meio que devo desculpas infinitas a vocês (desculpem, sério). Mas em vez disso eu estou aqui humildemente vindo anunciar que a história vai acabar em cerca de três capítulos E COMO EU SOU MUITO INDECISA MESMO eu vou fazer dois finais diferentes, pra não deixar ninguém tristonho. Sem mais, espero que gostem do capítulo

Charlotte estava com a respiração acelerada. Ela definitivamente não tinha jeito algum pra ser espiã, e esperava que essa fosse a última vez que seria necessário fazer algo assim. A menina esperou seu peito parar de parecer prestes a explodir antes de fazer algo. Quando conseguiu finalmente se acalmar, Charlie se levantou e abriu a porta da varanda, entrando de novo em sua casa, que parecia completamente diferente depois da chegada daqueles homens, mesmo que eles não houvessem alterado muita coisa fora do quarto de seus pais. Ela estava se sentindo insegura dentro de sua própria casa e mesmo sabendo que eles não voltariam mais, ainda sentia medo. E isso seria tudo que ela sentiria por um bom tempo.

A menina trancou a porta atrás de si unicamente pelo costume. Andou de volta até seu quarto e, fazendo o mínimo de barulho possível, entrou no cômodo. Viu-se novamente em sono profundo, o que ainda era uma imagem perturbadora, mas agora a menina que dormia não parecia calma como antes. Ela parecia estar no meio de seu primeiro pesadelo, que parecia ter acontecido a tanto tempo atrás. Naquela hora, a Charlie de alguns dias atrás não fazia ideia do que estava prestes a acontecer, e a Charlie de agora não fazia ideia de como estava lidando com tudo aquilo tão fria e calmamente. A garota percebeu que estava devaneando, coisa que fazia muito frequentemente. Ficou parada em frente ao espelho, respirou fundo e pensou em Alice. Tocou a superfície fria do vidro, e entrou no espelho.

...

Alice estava preocupada, porém ficou realmente entediada depois de um tempo. Sua amiga estava em uma missão suicida, mas ela com certeza saberia lidar com a situação tranquilamente. Ela podia atravessar espelhos e tudo mais, certo? Pra quê toda aquela preocupação? Alice levantou e começou a rodar por aquele quarto onde já estivera várias vezes antes. E como seu tédio aumentava ainda mais sua curiosidade quando não estava em casa, começou a vasculhar o quarto de Charlie na esperança de encontrar algo que poderia fazer ou qualquer coisa que desse assunto para as meninas conversarem mais tarde. Depois de meia hora rodando o quarto, Alice desistiu. Deitou no chão e abriu seus membros formando uma estrela, enquanto olhava pro teto e pensava o quanto ela preferia estar na missão suicida em vez de ter que esperar pela volta de sua amiga. Ser um humano normal era algo realmente muito chato às vezes.

A menina mal pensou isso e Charlie estava de volta lá. Pra tristeza de Alice, um de seus pés havia ficado exatamente na frente do espelho, e Charlie acabou acidentalmente (por culpa de sua falta de atenção/lerdeza/ser desastrada) pisando no calcanhar de sua amiga, o que fez ela parar de pensar em como tudo era chato imediatamente e levantar absolutamente enraivecida com Charlie. Mas quando viu a cara da melhor amiga, toda aquela raiva passou imediatamente. Tudo que Alice conseguiu dizer foi “bem vinda de volta” e abraçar sua amiga.

—Eu sei que ver tudo aquilo deve ter sido bem ruim pra você, e eu sinceramente preferia ter passado por isso no seu lugar, mas você pode por favor me contar o que aconteceu? –Perguntou Alice.

—Você quer detalhadamente ou só o resumo? –Perguntou Charlie.

—O que for menos pior pra você –Respondeu Alice, enquanto as duas meninas se sentavam no chão.

—Bem –Começou Charlie –Aparentemente minha mãe fez algo de errado, e uns caras invadiram nossa casa atrás dela. Meu pai estava falando a verdade, embora eu ainda esteja sentindo um pouco de raiva dele. Minha mãe fugiu (eu presumo) usando o reflexo de dentro da porta do guarda-roupa do quarto deles, mas eu não tenho nenhuma pista de onde ou quando ela possa ter ido. É isso.

—Então agora nós temos que encontrar um jeito de descobrir pra onde ela foi e perguntar pra ela o que exatamente aconteceu e como nós poderíamos ajudar?

—Acho que sim. Mas como eu falei, não faço ideia de onde ela pode ter ido.

—Você chegou a olhar dentro do guarda roupa dos seus pais quando procurou indícios que pudessem levar você a encontrar sua mãe? –Charlie negou com a cabeça –Bem, talvez sua mãe tenha escrito algo dentro da porta. Mesmo que ela não tivesse nada pra escrever na hora, ela podia ter escrito com as unhas ou algo assim.

Aquela ideia parecia um tanto impossível para Charlie, mas por enquanto era tudo que ela tinha. As meninas se levantaram e foram até o quarto onde Noemi se encontrara. Ainda haviam estilhaços do espelho pelo chão, então elas tomaram o cuidado de colocar chinelos e andar o mais devagar possível no quarto. ­­­­­­Charlie abriu a porta do guarda roupa esperando encontrar algo novo lá dentro, mas tudo parecia impecavelmente arrumado, como sempre. As portas estavam lisas e lustradas. De volta à estaca zero, as garotas voltaram para o quarto de Charlie e sentaram-se no chão.

—Bem, talvez ela simplesmente não queira ser encontrada –Disse Charlie, um tanto melancólica. –Eu não faço ideia dos motivos que ela teria pra isso, mas parece algo realmente provável pra mim.

—Acho que você está certa, mas está vendo as coisas do jeito errado. –Charlotte olhou para a amiga, pois aquilo não fazia sentido para ela. –Bem, assim como você vasculhou o guarda roupa procurando por pistas, as pessoas que vieram aqui procurar sua mãe poderiam ter feito a mesma coisa. Deixar alguma pista era se pôr em risco. Ela está fugindo, Charlie. Não de você, mas de alguém que quer causar algum mal a ela.

—Ok, mas levando em conta tudo isso, como nós podemos encontrar ela agora? Não temos absolutamente nada que possa nos ajudar a saber onde ou quando ela está. E eu duvido que ela vai voltar pra casa por conta própria. Nem sei se ela pode. Não sei nem mesmo se ela está viva agora.

—Então, primeiro você se controla, ok? –Disse Alice, levantando uma sobrancelha. –Respira fundo e começa a pensar racionalmente. Como tudo isso começou?

—Eu tive um pesadelo –Respondeu Charlie.

—E quem estava nele? – Perguntou Alice.

—Uma mulher que era a “minha mãe” no sonho. Mas não era a minha mãe de verdade.

—Mas depois você sonhou com a casa em chamas e a sua mãe de verdade presa lá dentro, certo? –Charlie concordou com a cabeça. –Talvez esse sonho seja um jeito de te mostrar onde sua mãe está. Pode ser magia, ou pode ser só alguma coisa do tipo ligação entre mãe e filha. Não tem como a gente saber agora, mas acho que é uma pista que deve ser seguida.

—Você é um gênio, obrigada por existir. –Disse Charlie, esboçando um pequeno sorriso. –Acho que sem você eu estaria duas vezes mais perdida nesse momento.

—Duas vezes é um eufemismo. Você estaria absolutamente totalmente completamente perdida sem mim. –Respondeu Alice.

—Me lembra de nunca mais te elogiar, ok? –Disse Charlie, revirando os olhos. –Cara, fazer esse negócio de viajar no tempo cansa. Acho que vou tomar um banho e ir dormir.

—Eu devo dizer que quase dormi enquanto você estava na sua missão ultra secreta, então eu já tô indo mesmo. Boa noite, até amanhã –Disse Alice, logo depois de um longo bocejo.

Charlie se levantou para pegar suas roupas e foi até o banheiro. Ligou o chuveiro, e a água quente encontrou suas costas, relaxando quase que instantaneamente os músculos rígidos da garota. Tudo aquilo apenas por conta do estresse que ela estava passando durante esses dias, mas de algum modo ela sentia que tudo aquilo estava prestes a acabar. Mas uma pergunta assombrava a menina desde que ela havia “voltado de viagem”. O que sua mãe havia feito de tão ruim?

Notas finais
Agradecimentos especiais à TODO MUNDO QUE NÃO DESISTIU DA HISTÓRIA. Críticas construtivas e elogios sempre são aceitos, então deixe o seu! Obrigada à todo mundo que leu a história até aqui. Até a próxima ^-^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.