Além das Quadras
39 Arco III – 39. Eu confio em você
Notas iniciais
Capítulo 39: Eu confio em você
A última pessoa que Erick imaginou ver novamente era Emerson.
Depois de praticamente ter usado o garoto, o culpado, surtado e sumido da vida daquela pessoa que lhe foi companheira por tanto tempo, não imaginava que Emerson seria tão simpático como sempre. Ele não tinha ciência do quanto aquela situação o afetou, mas gostaria de saber. Gostaria de deixar toda aquela história o mais clara possível. Talvez aquela fosse sua última pendência depois de tudo.
— Não sabia que tinha voltado pro Rio – comentou Emerson, – Na verdade, não sei de muita coisa sobre você desde aquele dia.
Erick ficou se perguntando se havia um tom de ressentimento na voz de Emerson ou era impressão sua.
— Isso te magoou muito né? – Erick perguntou, já tendo uma noção da resposta.
— Olha, sendo sincero… Sim – ele deu de ombros apesar de suas palavras. – Mas já superei. Digo, eu gostava muito de você. Tinha esperança que depois do nosso beijo pudesse rolar algo entre nós, mas aí você saiu do time, parou de falar comigo… Claro que eu ficaria chateado.
— Eu sinto muito por isso – Erick disse, com sinceridade – Foi um período… Perturbador pra mim.
— Eu percebi – os olhos de Emerson desviaram para os braços de Erick, onde havia algumas cicatrizes. – Não te culpo por isso, de verdade.
— Te chamei pra conversar pra pedir desculpas de verdade. Não queria você fora da minha vida aquela forma.
Emerson sorriu e deu um soquinho no ombro de Erick.
— Estamos de boas – ele disse. – Amigos?
Erick retribuiu o sorriso e acabou apertando-o num abraço. Emerson pareceu surpreso, mas devolveu o abraço.
— Amigos, com certeza.
Eles trocaram o número de celular, Emerson dizendo que podia mandar mensagem quando ele precisasse.
— Até mais, Erick – Emerson disse, dando um beijo na bochecha de Erick antes de se afastar completamente, não deixando que o outro reagisse.
Ele ficou alguns segundos processando o beijo que havia recebido. Não significava nada, mas não deixava de ser uma surpresa aquela atitude. Voltou rapidamente para onde Marge e Henry estavam, sentando-se ao lado do namorado com um coco na mão.
— Finalmente hein? – reclamou Marge. – Eu to morta de cansaço e preciso de um banho. Sem contar que já tá anoitecendo.
— Não quer ficar mais, amor? – perguntou Erick para Henry, que apenas negou com a cabeça.
— Então vamos pelo amor de Deus – Marge começou a guardar as coisas. – Minha avó deve ter feito algo pra gente comer, meu estômago tá roncando.
Arrumaram tudo e partiram para a casa de praia, Erick achando estranho quando Henry disse que iria na frente com Marge. Ele franziu o cenho, mas não falou nada, possivelmente só queria fazer companhia a amiga.
A viagem de volta foi curta e silenciosa, apenas com o rádio tocando algumas músicas da playlist de funk de Henry. Chegaram rápido e foram recebidos com uma mesa posta com bolos, biscoitos, suco e salgados feitos pela avó de Marge.
Para a sorte deles, a casa tinha três banheiros, então eles não precisaram revezar para tomar banho antes de comer. Fizeram suas higienes, comeram conversando com dona Neusa e depois Marge deu a ideia de ficarem assistindo filmes.
Erick achava que estava tudo bem até sentarem no sofá e Henry não se aconchegar em seus braços, coisa que ele sempre fazia. Estava notando que o outro andava mais calado, mas não achava que era algo tão sério. Ele tentou abraçar o namorado, que pareceu ter aceitado um pouco a contra gosto.
Como era de se esperar, Marge dormiu em menos de 30 minutos de filme. Ela estava mesmo exausta, então Erick a pegou no colo e a colou no quarto que ela ficava, cobrindo a amiga e lhe dando boa noite mesmo que ela estivesse num sono profundo.
— Vai querer continuar assistindo o filme? – ele perguntou quando voltou para a sala.
— Tanto faz – Henry disse, mexendo no celular e sem dar muita atenção à Erick.
— Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou, sentando-se ao lado do namorado.
— Não – Henry continuava com os olhos na tela do celular.
— Ah mas tem – ele disse, pegando o queixo de Henry e fazendo-o olhar para si. – Me diz o que você tem.
Henry rapidamente se desvencilhou e se afastou de Erick.
— Não é nada, para de ser chato.
— Você sabe que vou insistir até você falar né? – Erick se aproximou e começou a fazer cócegas na cintura alheia.
— Para, não quero – Henry praticamente chutou Erick para longe.
— Meu Deus, o que eu fiz?! – ele exclamou – Eu não to entendendo nada.
— Só me deixa em paz – resmungou Henry, voltando sua atenção para o celular.
Erick não gostava que fizessem aquilo que estava prestes a fazer com ele próprio, mas sentia a necessidade de fazer. Precisava saber o que estava acontecendo com o namorado e se Henry não falaria por bem, falaria por mal.
Arrancou rapidamente o celular da mão do outro e escondendo o aparelho embaixo de sua bunda. Quando Henry avançou para cima para pegar o objeto, Erick agarrou os dois pulsos dele com uma mão e segurou o queixo de Henry com a outra. Ele tentava se desvencilhar do aperto, mas não conseguiria nem se quisesse muito. A vantagem de ser mais alto e mais forte.
— Henry, comunicação – disse sério, sem tom de brincadeira. Henry fixou os olhos nos seus, dando pra ver nitidamente que o outro não estava bem. – Passamos por muita coisa ruim por falta de comunicação. Por favor, conversa comigo.
Henry parou de tentar se soltar e encarou Erick de novo, profundamente. Em alguns segundos ele pode ver a expressão do namorado se suavizando, dando lugar a uma carranca culpada. Henry desviou os olhos e murmurou baixinho algo incompreensível.
— Eu não entendi, babe – disse Erick de forma suave, já afrouxando o aperto e acariciando a pele do outro..
— Eu fiquei com ciúmes – respondeu mais alto, olhando novamente nos olhos de Erick.. Aquele olhar um tanto desafiador, mas que continha um pouco de mágoa por trás. – Eu fiquei com ciúmes de você com aquele garoto. Quero dizer, ele é todo lindo e gente boa e eu… Eu sou só eu. Eu não tenho nada de bom pra te oferecer. Eu nunca vou ser suficiente pra você.
Erick arregalou os olhos, largando Henry.
— Você é só você? – perguntou incrédulo – Como você tem a pachorra de achar isso? Henry, você é minha vida! Minha luz, minha paz… Nunca mais diga isso! Por favor!
Henry pareceu chocado com a declaração e também um tanto envergonhado. Como ele poderia sequer pensar em algo assim?
— Babe, por favor – Erick limpou as lágrimas que escorriam dos olhos castanhos. – Sempre que você se sentir assim, não me enxote do jeito que voce fez… Eu me sinto muito mal, depois de tudo o que a gente passou por falta de comunicação, a última coisa que eu quero é brigar com você por causa disso.
Henry apenas assentiu e abraçou Erick com força.
— Você me faz sentir tão bem… – murmurou ele – Mas sempre tem uma vozinha dizendo que eu não sou suficiente, que isso não é real… Eu odeio isso, de verdade.
Erick apertou o outro em seus braços, sentindo os batimentos do coração de Henry.
— Eu vou fazer de tudo pra você se sentir bem, viu? – ele afastou uma mecha de cabelo que caia em seus olhos. Henry era tão lindo… A luz da televisão deixava a visão ainda mais bonita.
Henry apenas assentiu e permitiu que Erick beijasse seus lábios. O gosto salgado não era um incômodo, muito menos a pele molhada do outro contra a sua. Seu coração acelerou daquele jeitinho que só Henry conseguia fazer, Sua pele arrepiava e pegava fogo em todos os lugares que Henry lhe tocava. Sempre seria surreal beijar aquele ser humano perfeito e maravilhoso.
Como era de praxe, as coisas foram ficando mais quentes. O ar pareceu faltar quando eles se separaram para respirar e Henry mordiscou o lábio inferior, olhando Erick com aquele olhar sexy e provocativo. A pontada no ventre foi imediata, assim como todo seu corpo arrepiando. Nada era mais maravilhoso do que aquilo.
Como tinha duvidado de seus sentimentos esse tempo inteiro? Era surreal pensar que em algum momento negou e reprimiu todo aquele sentimento guardado em seu peito.
Eles se olharam tão profundamente que parecia que o mundo tinha desaparecido. Só Henry importava, só conseguia vê-lo, só conseguia senti-lo. Levou sua mão para acariciar aquela pele macia, passando o dedão pela haste do óculos alheio antes de passar para a bochecha.
— Eu quero – Erick soltou, esperando que aquilo fosse o suficiente para que Henry entendesse. E pareceu que foi, pois a expressão surpresa não passou despercebida.
— Você… – ele começou e engoliu em seco – Tem certeza? Tudo bem se não…
— Eu quero – disse firme, cortando o outro para que não perdesse a coragem. – Eu confio em você. Tem que ser você.
Um sorriso singelo apareceu nos lábios alheios e puxou Erick pela nuca para beijá-lo. Eles deitaram no sofá, Erick por cima controlando para não deixar seu corpo esmagar o do namorado, mas sem perderem o contato. Henry arrastou uns beijos pela sua mandíbula, fazendo-o arrepiar e apertar a cintura do outro.
— Vamos pro quarto – ele sussurrou sensualmente perto da orelha de Erick.
Ele vira em alguns filmes aquelas cenas em que o mocinho pega a mocinha pela cintura e a leva para o quarto e achou prudente fazer aquilo com Henry. Então ele abraçou o outro pela cintura e o puxou para junto de seu corpo. Henry imediatamente prendeu suas pernas na cintura de Erick, segurando-o pelos ombros.
— Eu geralmente odeio ser carregado – ele comentou, mas sorriu para o outro – Mas acho isso muito sexy, então prossiga.
Erick soltou uma risadinha e beijou o namorado, segurando-o pelas coxas grossas. Ele caminhou calmamente até o quarto deles, para que não caissem ou tropeçassem em algo. Ao chegarem no cômodo, Erick fechou a porta e pressionou Henry contra ela, deixando-o um tanto chocado.
— Okay, não esperava por isso – comentou Henry.
Erick sorriu e avançou nos lábios alheios, agora mais a vontade por atacar aqueles lábios uma vez que não estavam correndo o risco de serem pegos. Apertou todas as partes possíveis do corpo de Henry, se deliciando a cada respiração ofegante e gemido baixinho que o outro soltava.
O quarto não demorou a ficar quente e também não demorou para que Erick jogasse Henry na cama e subisse em cima dele, voltando a beijá-lo após sustentar um leve sorriso quando viu a expressão um tanto incrédula do outro. Erick foi rapido tirando a própria camisa e em seguida a camisa do namorado, que ainda sustentava um olhar surpreso que era fofo, sexy e engraçado, tudo ao mesmo tempo.
— Você é um virgem com vibes de sex god – comentou Henry quando Erick passou a beijar seu pescoço – Me diz como isso é possível.
– Talvez eu seja um virgem que se preparou com filmes de romance e pornôs?
As sobrancelhas de Henry arquearam.
— Se você tiver feito mesmo isso, você não sabe de nada – Henry pontuou, mas ainda parecia em dúvida se acreditava ou não em Erick – Você fez isso mesmo?
— Não – riu Erick – Talvez os filmes de romance, mas pornô é horrível.
— Sim, pornô e vida real não tem NADA a ver – Henry acariciou as costas de Erick com os pés, mantendo a cintura alheia firme entre as pernas – Mas pode me tratar como uma mocinha de comédia romântica, eu não vou reclamar.
— Posso te tratar muito melhor que isso – Erick disse sorrindo e se aproximando do rosto de Henry – Você merece muito mais…
Ver o corpo do namorado se arrepiando todo por conta de uma única frase era simplesmente incrível. Não tinha sensação melhor do que ver a reação de Henry diante de suas cantadas, carícias e declarações. Mas ele só estava sendo sincero, apenas isso.
— Que homem maravilhoso que eu fui arrumar meu Deus do céu! – Henry exclamou com um sorriso e puxou Erick para mais um beijo.
A mente de Erick só conseguia gritar em felicidade, apenas isso. Por mais que as coisas tenham sido do jeito que fora, ele estava pronto. Sentia-se pronto para dar mais um passo na relação deles. Tentava a todo custo deixar a insegurança de lado tendo em vista a vasta experiência que Henry tinha. Sentia medo de fazer algo errado, de fazer algo que o outro não gostasse ou então de machucá-lo de alguma forma.
Porém, Henry lhe passava tanta paz e confiança que esses sentimentos desapareciam. Quando estavam relativamente longe, Erick pensava a respeito e a insegurança vinha, mas quando estava com Henry, tudo se dissolvia e nada mais importava além deles dois dando prazer um ao outro.
Mesmo sendo inexperiente, aprendera bastante com Henry durante esses meses que passaram mais juntos. Então, tentava deixar seu corpo seguir o fluxo e também não ignorava quando Henry lhe direcionava de alguma forma, como estava fazendo com sua mão naquele exato momento.
Ele direcionou sua mão pelo próprio peito, fazendo com que Erick passasse a acariciar aquela parte do corpo alheio. A pele macia e quente lhe davam arrepios, deixando a ponta de seus dedos com uma espécie de formigamento. Não sabia o que significava, mas não era algo ruim. Então Henry direcionou a mão de Erick para sua cueca, lhe lançando aquele olhar provocador que fazia o ventre de Erick pulsar.
— Pode fazer o que quiser comigo – sussurrou Henry e Erick achou que fosse morrer ali mesmo.
Estava se segurando. Muito. Queria apertar o corpo alheio de todas as formas, beijá-lo até não conseguirem respirar mais. Erick nunca se sentira assim e era surreal que Henry tinha esse poder sobre ele. Nunca sentiu vontade alguma de transar, mas agora, naquele momento, era tudo que Erick mais queria.
E em um segundo, as roupas de Henry já não estavam mais no corpo, as mãos de Erick explorando as coxas grossas e a bunda redonda do outro. Era difícil não ficar extasiado e hipnotizado com as expressões que Henry fazia a cada apertão ou carinho.
— Você pode… – Henry soltou, baixinho e ofegante – Me comer agora…
Erick tentou controlar a tensão de seus músculos, mas foi inevitável. Porém, não travou igual das outras vezes.
— Sobre isso… – ele disse, um pouco envergonhado, mas tomou coragem e continuar – Queria saber se você se importaria de…
Era difícil. Ainda se sentia muito desconfortável falando aquelas coisas, mesmo que estivesse naquela situação extremamente intima. Se afastou um pouco do namorado, ficando sentado na cama. Henry percebeu que tinha algo de errado, então sentou-se de frente para Erick, que ficava impressionado o quão estar totalmente nu na frente de outra pessoa fosse algo natural e cotidiano. Provavelmente era para Henry, mas não gostaria de pensar naquilo agora.
— Me importaria com o que? – ele perguntou, buscando o olhar de Erick, que tentava olhar para qualquer outro ponto que não fosse Henry.
— Se importaria de…
Henry rapidamente pegou o queixo de Erick, forçando-o a encará-lo. Ele olhou para aqueles olhos castanhos lindos, que ficavam ainda mais brilhantes com o feixe de luz lunar que vinha da janela. E o olhar de Henry era de curiosidade e atenção.
— Se… – incentivou ele, acariciando a barba por fazer do queixo de Erick. Aquele carinho fez toda a diferença.
— Se você pode assumir esse papel
Sentia a vergonha pulsando e as bochechas ficando vermelhas mesmo que não pudesse ter certeza se estavam. A expressão de Henry era impagável, uma mistura de incredulidade com apreensão.
— Você quer que eu seja o ativo? – ele perguntou sem nenhum pudor, como era esperado de Henry. – Tipo, mesmo?
Erick assentiu com a cabeça.
— Depois de tudo o que rolou é um pouco difícil assumir isso e eu quero muito dar esse passo na nossa relação, então pensei que talvez… – ele puxou o ar – Eu também não quero te machucar.
— Oh meu amor – ele aproximou de Erick e encheu seu rosto de beijos – Não se preocupa com isso, de verdade. Eu já disse e repito, não precisamos fazer se você não qusier ou não se sentir confortável.
— Mas eu quero! – Erick exclamou, tomando as mãos de Henry nas suas – Você me deixa desse jeito e eu quero saber como é… Nunca senti isso antes e quero que seja com você…
Henry sorriu e fez uma carinha tão fofa que Erick teve vontade de apertá-lo até explodir.
— Então você vai dar sua virgindade pra mim – ele brincou bagunçando os cabelos de Erick. – Vou confessar que não sou muito bom nisso.
— Eu confio em você
Eles se olharam, aquele olhar intenso, profundo e que só eles entendiam. Era um olhar com bastante significado e Erick teve mais do que certeza de que tudo estava exatamente onde deveria estar. E ele não podia pedir coisa melhor.
Como se tivessem em câmera lenta, eles se aproximaram. Erick via os olhos de Henry intercalando entre sua boca e seus olhos. Uma das mãos dele subiu, puxando o queixo de Erick delicadamente. Os lábios se tocaram, um arrepio percorreu cada centímetro de Erick com o beijo gentil e calmo. Os dedos gelados de Henry provocavam ainda mais arrepios enquanto passavam pelo pescoço de Erick.
Com um movimento ágil, Henry tirou a camisa que o outro vestia, empurrando-o delicadamente até que ele se deitasse, sentando-se no colo de Erick logo em seguida. O sorriso safado foi inevitável, o que deixou Erick um pouco constrangido pelo namorado sentir sua ereção, mesmo que ainda estivesse de short.
O olhar penetrante e provocador de Henry deixava Erick sem chão. E quando ele começou a fazer movimentos em seu quadril, as coisas ficaram ainda mais intensas. Henry apoiava as mãos no peito de Erick enquanto rebolava, os olhos nunca desviando de seu alvo. Um gemido baixinho escapou dos lábios alheios, fazendo Henry sorrir de lado.
Então ele pegou as mãos de Erick, colocando-as no próprio quadril como se quisesse que ele acompanhasse os movimentos que fazia. Erick não conteve o apertão na pele alheia, querendo que ela ficasse marcada com seus dedos. Com um olhar mais sério, mas ao mesmo tempo extremamente sexy, Henry se inclinou, aproximando o rosto da orelha do namorado.
— Você ainda pode fazer o que quiser comigo – sussurrou, mordendo o lóbulo de Erick logo em seguida.
— E você comigo – devolveu, agora arranhando a pele com as unhas curtas.
Henry soltou uma risadinha, começando a depositar beijos, lambidas e mordidas desde a orelha até a clavícula de Erick, que se contorcia com as sensações. Os beijos iam descendo ao passo que a respiração de Erick ficava mais pesada e um tanto mais tensa. Peito, abdômen, umbigo… Cada pedaço de Erick era beijado e acariciado por Henry, que parecia bastante feliz com as reações que causava no namorado.
Logo as peças de roupa que ainda restavam e que impediam Henry de continuar desapareceram, Erick se impressionando com a habilidade do namorado em tirar roupas alheias. Respirou fundo, se forçando a não pensar em coisas ruins que esse fato podia acarretar.
Porém, não precisou de muito para que os pensamentos a respeito se dissipassem. Erick quase engasgou com o gemido quando Henry passou a lamber áreas mais íntimas. Ele agarrou os lençóis no momento que estava praticamente todo na boca do namorado, que subia e descia sem pudor algum.
Erick não conseguiu distinguir quanto tempo se passou, estava imerso demais nas sensações, em extase demais para ligar para qualquer coisa, mas se lamentou quando tudo aquilo parou de repente. Ele abriu os olhos, que nem tinha percebido que havia fechado, e olhou para o namorado, que se afastava e levantava da cama.
— Um segundo
Erick nem conseguia responder, apenas apreciar a visão, mesmo que no escuro, do namorado completamente nu. Os anos tinham sido maravilhosos para Henry, assim como o vôlei, que tinha lhe dado uma definição nos músculos incrível.
Totalmente hipnotizado, ele viu Henry voltando após tem pego algo em sua bolsa, mas não reparou no que era, pois logo jogou a cabeça para trás quando recebeu novamente aquelas sensações de tirar o folego.
— Você não pode me torturar assim… – resmungou Erick fechando os olhos, apesar de estar amando cada segundo daquilo.
— Não foi você que disse que eu podia fazer qualquer coisas? – Henry devolveu e Erick podia imaginar perfeitamente o sorrisinho sacana nos lábios do outro.
— Isso não é justo…
— A vida não é justa, meu amor – a voz calma e sexy de Henry fazia seu sangue pulsar. Todas as vezes que havia sonhado com esse momento… Nada chegava aos pés da realidade. – Isso pode doer um pouco…
Erick assentiu, sabendo o que viria a seguir. Respirou fundo, tentando acalmar seu coração e não ficar tenso.
— Só relaxa, baby – Henry disse com uma voz doce, acariciando o quadril de Erick. – Preparado?
Mesmo que a resposta fosse “não”, Erick assentiu para que o outro prosseguisse. Não queria decepcionar Henry e também não queria que aquilo parasse. Queria continuar, queria ir até o final. Precisava de algo para afastar os pensamentos ruins que aquilo lhe trazia.
Abriu os olhos e viu Henry encarando-o com aquele olhar carinhoso. Ele podia confiar no namorado. Podia fazer qualquer coisa, sentia isso. Então nada abalaria aquele momento.
Sentiu algo gelado e com textura de gel. O dedo de Henry fazia movimentos circulares naquela área, causando sensações de prazer que Erick jamais imaginou sentir. Então sentiu a dor que o outro havia lhe dito, soltando um resmungo. Não era totalmente prazeroso, mas era melhor do que esperava.
— Tudo bem? – perguntou Henry – Posso tirar se quiser.
— Não… – disse, respirando fundo – Pode continuar.
Henry assentiu e logo começou a sentir os movimentos de vai e vem que ele fazia com o dedo. Foi dolorido no início, mas com o passar do tempo foi se acostumando com as sensações novas. Henry falava para que ele relaxasse e ele tentava, mas de vez em quando sentia mais intensamente, fazendo seus músculos se contraírem.
O namorado perguntava a todo momento se ele estava bem e Erick achou fofo da parte dele se preocupar tanto. Também falava tudo o que estava fazendo e quando pediu permissão para colocar mais um dedo, Erick se arrependeu levemente, mas aguentou firme, respirando fundo. Sentira dores piores na vida, não seria aquilo que o faria desistir de ter um momento único com Henry.
Seu corpo se acostumou logo e começou a querer mais. Seu coração estava totalmente acelerado, sentia todas as partes do seu corpo pulsando junto, principalmente a área que Henry tocava cada vez mais rápido e mais fundo. Sua respiração estava ofegante, assim como a de Henry, que estava completamente vidrado no rosto de Erick. Ele mal conseguia reparar no que estava acontecendo, apenas sentia os estímulos. As coisas ficaram ainda mais excitantes quando Henry passou a masturbá-lo junto com a movimentação na parte de trás.
— Pelos deuses… – Erick soltou, curvando um pouco o corpo e se agarrando nos lençóis – Henry, eu vou…
Segundos após sua fala, todas as sensações se foram. Erick piscou algumas vezes, olhando para o teto, sem entender o que estava acontecendo.
— Por que você parou? – ele perguntou levantando um pouco o tronco para conseguir ver o namorado.
— Você só vai gozar quando eu quiser que você goze – Henry disse, com aquele tom sexy e provocador.
Erick arqueou as sobrancelhas, realmente surpreso e sem palavras. Mas ele não precisou dizer nada, pois Henry se aproximou dele, roubando um beijo enquanto apertava suas coxas. A língua de Henry acariciou a sua de forma delicada, ao passo que as suas mãos eram agressivas contra a pele das coxas de Erick.
— Eu vou… – disse ele quando se afastaram minimamente, os olhos agora conectados – Tudo bem?
Erick só conseguiu assentir e se preparar mentalmente para o que estava por vir.
— Só relaxa – Henry disse acariciando os cachos alheios. – Eu não consigo te beijar, mas fica tranquilo, não vou te machucar.
Respirando fundo, Erick apenas assentiu. Henry assentiu também, depositou um beijo em sua boca e se afastou, traçando com os dedos o peitoral de Erick até chegar em seu quadril. Ele disse o que iria fazer e Erick fechou os olhos quando sentiu o namorado. Era bem diferente do que alguns dedos, mas Erick segurou firme, fazendo uma careta que fez Henry soltar uma risadinha.
— Não faça essa cara, você tá na melhor posição.
— Temos que rever seu conceito de melhor – resmungou Erick.
— Quer que eu pare?
— Não.
Voltou a sentir Henry o preenchendo e a cada segundo a respiração de ambos ficava mais ofegante. Henry soltava alguns gemidos e apertava Erick, puxando-o mais contra si.
— Okay, isso é realmente bom – comentou Henry entre um gemido e outro. – Pode me dizer quando eu puder me mover.
Erick não falou nada, ficou apenas se acostumando com a situação. Doía bastante, mas com os carinhos e apertos que Henry lhe dava, logo o incômodo se dissipou e ele apenas assentiu para que o outro prosseguisse. Lentamente, Henry saia e entrava dentro de si e Erick começava a sentir algo além da dor.
Gotículas de suor iam se formando na testa de Henry à medida que ele ia aumentando a velocidade e que ia puxando Erick contra si. Os sons promíscuos que aquele ato gerava estranhamente excitava Erick e ele queria ouvir mais, queria sentir mais.
— Henry... – gemeu ele – Mais…
Não demorou para ser atendido, as estocadas tornando-se mais fortes e rápidas e os sons se misturando com os gemidos e respirações de ambos. Erick sentia um calor absurdo e se controlava ao máximo pra não gritar. Ele sentia a pressão dos dedos de Henry em sua pele, sentia o quadril de Henry, sentia tudo.
Então o namorado passou a acertar um ponto que fez Erick simplesmente arquear as costas e colocar o travesseiro em seu rosto para que não pudesse gritar.
— Eu quero… Ver você – disse Henry – Merda, Erick… Me deixa te ver…
Ele obedeceu, tirando o travesseiro do rosto, mas passando a morder a própria mão para que nada escapasse de sua boca sem seu consentimento. A expressão de Henry era surreal, ele podia ficar pra sempre admirando o namorado naquela forma ativa e sensual.
Erick se contraiu mais uma vez e pode ouvir o gemido mais alto vindo do namorado.
— Puta que pariu…
Sem ao menos esperar, Henry começou a masturbá-lo ao mesmo tempo que se movimentava dentro de Erick, que mordeu ainda mais sua mão, não conseguindo controlar as ondas de prazer que inundavam seu corpo. Nunca imaginou que fosse se sentir tão bem, principalmente com um ato daqueles.
— Você pode gozar agora – ofegou Henry, aumentando a velocidade.
O gemido foi abafado pela mão, que percebeu estar sangrando quando sentiu o gosto de ferro na língua. Mas não ligava, pois o prazer que sentia superava totalmente aquela dor. Seu ventre se contraiu e ele sentiu um jato quente e viscoso em sua barriga. Olhou para baixo, vendo a mão de Henry em sua intimidade, totalmente coberta pelo gozo de Erick.
Ele só não esperava que Henry fosse levar seus dedos aos próprios lábios e sugá-los com vontade. Aquilo simplesmente foi uma das cenas mais excitantes que Erick já vira.
— Você tem um gosto bom – murmurou ele – Eu gosto…
– Como você consegue ser tão sexy? – murmurou Erick ainda ofegante e soltando um gemido quando sentiu o outro saindo de dentro de si.
— Vira – comandou Henry com a voz rouca, ignorando completamente o que Erick havia dito.
Ele piscou algumas vezes, um tanto atordoado, mas Henry pegou em sua cintura e fez com que ele virasse de bruços. Apenas seguia os comandos do namorado, mesmo que a sua mente estivesse um pouco nebulosa ainda por conta do prazer.
Então Henry fez um carinho na base de suas costas, chegando até sua bunda e apertando com vontade. Erick não sabia muito bem como reagir, então abraçou o travesseiro e esperou. Não demorou muito para que seu quadril fosse puxado para cima, fazendo com que ele se apoiasse em seus joelhos e ficasse totalmente vulnerável, logo sentindo Henry dentro de si novamente.
Ele mordeu o travesseiro, tentando conter os sons que teimavam em sair de sua boca. As mãos de Henry o puxavam pelo quadril, fazendo com que ele sentisse o namorado indo mais forte e mais fundo.
— Eu preciso de você – Henry sussurrou, aumentando a velocidade e ficando mais ofegante. – Eu quero mais de você…
O corpo de Erick se contraiu, apertando Henry, que soltou mais um gemido de prazer. Erick sentia-se tão bem ao ouvir os gemidos do namorado, mesmo que não pudesse ver sua expressão, aquilo lhe deixava doido. Saber que estava conseguindo dar prazer ao outro, mesmo não tendo experiência ou por não ter feito quase nada.
— Erick, eu vou gozar…
Os movimentos aumentaram, as respirações estavam entrecortadas e os músculos de Erick gritavam. Tudo aquilo era tão gostoso…
Ele não sentiu quando Henry chegou ao seu ápice de prazer, mas notou que o outro havia começado a parar com os movimentos. Aos poucos foi saindo de Erick, que sentia cada centímetro do outro se afastando.
Seu rosto ainda estava contra o travesseiro.. Não notou o que o namorado fizera, mas sentiu o outro saindo da cama e depois retornando, fazendo carinho nas costas marcadas de Erick.
— Você tá bem? – Henry perguntou, a voz ainda rouca, mas com um tom carinhoso.
Erick apenas concordou com a cabeça, sem tirar o rosto do travesseiro.
— Eu te machuquei?
Ele negou, ainda sem conseguir olhar o namorado.
— Olha pra mim…
Erick deu uma leve congelada. Estava morrendo de vergonha pelo o que tinha acabado de acontecer. Se sentia completamente estranho e não sabia muito bem como conversar com Henry depois daquilo. Deveria dizer o que? Deveria falar que tinha gostado, mas que ainda assim era estranho pra ele? Deveria dizer que se sentia culpado? Que se sentia sujo e depravado por ter gostado tanto?
— Por favor, Erick – Henry disse agora com a voz um pouco preocupada – Conversa comigo…
Com um pouco de esforço, ele conseguiu olhar para Henry. E imediatamente as lágrimas começaram a descer.
— Tá tudo bem, amor – Henry se aproximou, deitando ao lado de Erick e puxando-o para o seu peito. – Você não gostou?
— Não é isso… – ele se afundou no peito do namorado – Eu só me sinto culpado, sujo e estranho…
Abriu seu coração, dizendo que tinha gostado muito, mas que ainda era uma situação complicada pra ele, que talvez ele não devesse ter se forçado a fazer aquilo.
— Sei que você sempre foi muito pra frente nesse sentido e eu só quero te agradar também… Eu não quero que você se prenda a mim e fique passando vontade porque tenho problemas com isso…
— Amor do céu! – exclamou Henry e puxou o rosto de Erick para encará-lo – Isso não importa mais… Eu quero você e só você. Sempre quis isso e nada nesse mundo vai te tirar de mim, ouviu? Nada vai me fazer te desejar menos, te querer menos, te amar menos.
Erick apenas assentiu, ainda com os olhos chorosos e o coração acelerado pela turbulência de sentimentos e sensações.
— Eu sempre te amei e sempre vou te amar – Henry continuou – Se eu tivesse que escolher entre passar um dia com você ou transar com milhões de pessoas, eu escolheria você. Eu sempre vou escolher você, ouviu?
O beijo cálido e afetuoso que Henry depositou em sua testa foi o fechamento perfeito. Erick conseguiu se acalmar, relaxar os músculos e aproveitar o som do coração de Henry batendo. Se aconchegou ainda mais no namorado, abraçando-o fortemente e murmurando que também o amava muito. Henry fazia carinho em seus cabelos, deixando as coisas mais tranquilas e serenas. O peso de seu coração parecia ter sido tirado e ele sentia-se mais leve e sonolento.
Ficaram alguns segundos em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro. Erick fechou os olhos e sentiu quando estava prestes a sucumbir para o mundo dos sonhos, mas sem antes ouvir a coisa que mais lhe aqueceu o coração durante todo esse tempo.
— Você é minha vida, Erick. Aceite isso.
[...]
Aquele mês após a viagem tinha sido surreal.
Henry tinha praticamente criado um ninfomaniaco. Nas primeira vezes, Erick ainda parecia se forçar e se sentir culpa, mas com o passar do tempo, foi se acostumando e até pedindo para Henry, daquele modo meio tímido e sem graça dele.
Se teve algum momento em que Henry sentiu falta de sexo, agora não precisava se preocupar com isso.
Eles tinham decidido mudar para Belo Horizonte depois que a temporada acabasse. Então começariam os treinos após as férias do time, dando a possibilidade de fazerem a mudança de forma tranquila. Além disso, iriam aproveitar aquele tempo de descanso forçado em São Paulo.
Henry estava fazendo faxina na casa enquanto Erick tinha ido ao supermercado fazer as compras da semana. Pudim estava dormindo na cama do dono quando Henry entrou no cômodo. Ele afegou a cabeça do pug e começou a limpar o quarto e a organizar as coisas.
Estava curtindo a música nos fones de ouvido, dançando como sempre, catando as coisas espalhadas que Erick deixava no quarto. Foi quando estava ajeitando os livros na prateleira em cima da escrivaninha que Henry se deparou com algo que despertou sua memória.
Era o mesmo caderninho que o namorado tinha derrubado quando tinham se trombado pela primeira vez na UFMG. Lembrava-se claramente de ler as primeiras palavras nas páginas abertas, vendo que era sobre ele, como se fosse uma carta para si que nunca fora enviada.
Henry se conteve em pegar o objeto. Não sabia do que se tratava e não queria ser invasivo. Porém, o caderninho lhe chamava, ele podia ouvir. Estava sendo atraído e seduzido pelo conteúdo.
“Só uma espiadinha não vai fazer mal” ele pensou, esticando a mão sobre o objeto.
Seus dedos tocaram o objeto e seus olhos foram imediatamente para a porta, o coração acelerado com a possibilidade de ser flagrado. Nada. Então pegou-o e abriu na primeira página. Havia um desenho de uma praia na primeira folha, pintado em aquarela e com a assinatura de Amanda. Henry sabia que a garota fora um dos maiores apoios para Erick enquanto estava passando pelo inferno.
Seguiu para a próxima página. Nessa havia alguns escritos aleatórios em uma letra extremamente bonita, que depois de um tempo Henry percebeu que poderiam ser trechos de músicas e em uma das páginas tinha a assinatura de Danilo.
Foram nas próximas páginas que ele prendeu a respiração, lendo as palavras com a caligrafia característica e bagunçada de Erick e com algumas partes manchadas de tinta que entrou em contato com pingos de água.
“Querido Henry,
Eu pensei que fosse morrer hoje. Na verdade, eu desejei muito que isso acontecesse. Eu não aguento mais, não quero mais viver um minuto nesse verdadeiro inferno. Talvez você pudesse me salvar, mas pode ser que não seja suficiente…”
Ele se interrompeu quando percebeu que estava chorando. O coração extremamente acelerado e apertado, sua cabeça rodando. Sentiu-se tonto com a carga emocional que aquilo tinha. Era como se estivesse entrando numa casca vazia e percebendo que seu conteúdo tinha se perdido, se quebrado.
— O que você tá fazendo? – a voz alta e séria de Erick lhe despertou do atordoamento. Ele andou até Henry, praticamente arrancando o caderninho das mãos do outro – Isso é particular.
— Erick, me desculpa. – ele tirou os fones e correu para o namorado, que parecia não querer olhar em seus olhos. – Não queria invadir sua privacidade, mas eu fiquei muito curioso e… Desculpa.
Erick se mantinha parado, mesmo no abraço de Henry. Depois de alguns segundos, ele puxou o ar profundamente e soltou, como se estivesse tentando se acalmar. Então virou-se para Henry e retribuiu o abraço.
— Tudo bem – respondeu, não parecia zangado, tampouco feliz. – Só não faça mais isso, por favor… É muito pessoal.
— Prometo – Henry sentia-se a pior pessoa do mundo por ter feito aquilo. – Desculpa, desculpa, desculpa.
— Não tem problema.
Eles ficaram em silêncio e abraçados por alguns minutos, o silêncio era um tanto quanto desconfortável e Henry detestava quando o clima ficava tenso entre os dois.
— O que você quer comer hoje? – Henry perguntou depois de um tempo, tentando quebrar o gelo.
— Sushi – respondeu Erick imediatamente, a voz suave voltando ao normal – Tenho uma notícia pra te dar.
Henry franziu as sobrancelhas.
— Que notícia? – perguntou e olhando fundo nos olhos de Erick, conseguiu perceber que o outro estava em conflito. – Aconteceu alguma coisa ruim?
Ele balançou a cabeça, os cachos loiros acompanhando o movimento daquela forma que Henry era apaixonado.
— Na verdade não, mas é algo meio sério e… – ele respirou fundo novamente. – E que acho que temos que decidir juntos.
— E você vai me fazer esperar até de noite? – Henry perguntou – Eu sou ansioso, não faz isso comigo!
— Eu sei que é ruim pra ti, amor – Erick abraçou Henry, afagando seus cabelos – Mas preciso colocar a cabeça no lugar antes de conversarmos a respeito… Por favor, entenda.
Henry entendia, mas isso não significava que seu subconsciente entendia. Ele queria dar um tempo a Erick, mas seu cérebro ficava imaginando inúmeras possibilidades do que tinha acontecido. Temia de que tinha acontecido alguma coisa com a família dele. Temia que o pai dele estivesse envolvido. Temia tudo o que tinha pra temer e ficou remoendo aquilo horas a fio.
Erick fez de tudo para que relaxasse. Fez massagem, preparou chocolate quente, sugeriu assistir alguma coisa, mas nada tirava aquilo da cabeça de Henry.
Quando era 18h, eles fizeram o pedido da comida japonesa e Erick foi tomar banho, deixando Henry sozinho com seus pensamentos.
Ao celular, mandou mensagem para Marge, perguntando se ela sabia de alguma coisa. Porém ele deveria saber que ela não contaria mesmo se soubesse. Entretanto ela não sabia de nada e ainda mandou ele quietar o cu porque Erick não faria uma coisa dessas se fosse terminar com ele ou algo assim.
Aquilo não deixou Henry mais tranquilo, mas pensando de forma racional, Erick realmente não faria aquilo. Porém lhe dava muita agonia saber que algo estava acontecendo e ele não tinha o conhecimento de absolutamente nada a respeito.
Ficou conversando mais um pouco com Marge para tentar aliviar a ansiedade. Tinha acontecido algo com ela, ele podia sentir pela forma como ela respondia, mas quando perguntou, Marge apenas desconversou.
Henry sentia-se um pouco frustrado por não ter mais tanto contato com seus amigos. Fazia séculos que não conversava com Bruno e não fazia ideia se Leo estava vivo ou morto. Ele tinha essa dificuldade de ir atrás das pessoas por achar que seria um incômodo ou algo do tipo. Era algo que precisava trabalhar mais na terapia.
Apesar disso, conversar com a amiga lhe ajudou. Tanto que nem percebeu Erick chegando com a toalha na cintura e o corpo escultural parcialmente molhado. Ele só teve tempo de olhar pra cima antes de seus lábios serem tomados pela boca do outro, o cabelo loiro pingando em seu rosto. Como todas as vezes que Erick fazia aquilo, Henry retribuiu o beijo sem reclamar nem um pouco. Gostava do fato de que o outro estava perdendo cada vez mais a timidez a respeito da intimidade entre eles e gostava mais ainda quando Erick se portava como um predador prestes a atacar sua presa.
Henry tinha que confessar que adorava ser sua presa.
As mãos de Henry voaram para a toalha de Erick, tirando-a sem muito esforço. Ele interrompeu o beijo para dar uma espiada, decepcionando-se quando viu que o outro estava de cueca. Erick soltou uma risada com a cara levemente emburrada de Henry, voltando a lhe beijar, agora inclinando o corpo contra o de Henry para que ele deitasse.
A pele fria e molhada de Erick contra a sua lhe causava arrepios. A boca macia contra a sua fazia seu coração disparar e Henry ansiar por mais. Queria mais do que tudo que Erick lhe fodesse ali e agora, sem muita cerimônia.
— Recebi uma proposta pra jogar na Itália – Erick disse subitamente quando se separaram.
— O que? – a voz de Henry ficou aguda, fazendo o outro fazer uma careta.
— Eu não sabia como te falar então decidi dizer quando eu tomasse coragem e bom… Desculpa se foi num momento como esse.
Eles se separaram definitivamente, sentando-se lado a lado no sofá. Henry estava processando a notícia ainda.
— Itália? – ele estava realmente surpreso. Erick assentiu com a cabeça. – Uau… Itália é bem longe né?
— Isso que queria conversar com você – Erick coçou a nuca, mostrando seu nervosismo. – Queria que você fosse comigo.
Henry piscou atônito para ele por alguns segundos.
— Pra Itália…
— Sim, Henry…
O silêncio caiu sobre eles. Henry não sabia o que estava sentindo naquele momento. Estava muito feliz pelo namorado, mas também estava muito triste. Morar na Itália seria incrível, obviamente, mas Henry não teria como se sustentar lá. Não tinha formação alguma para conseguir um emprego bom e nem sabia se conseguiria algo. Não queria ser sustentado por Erick, de forma alguma. E também tinha a questão da sua família. Estar em São Paulo já era uma tortura para ele, se fosse para a Itália seria muito pior.
— Eu não sei, amor – ele disse, com um pouco de pesar. – Tem muita coisa pra considerar… É outro país!
— Eu sei, eu sei – Erick torceu os lábios – Se você não quiser ir, eu não aceito a proposta e vamos continuar com nosso plano de ir pra BH.
Henry o encarou totalmente estupefado.
— Você não pode fazer isso! – ele exclamou, levantando-se do sofá – Essa é uma puta oportunidade! Você tá conseguindo alcançar seus sonhos e vai desistir por mim? Nem pensar! Não vou deixar você fazer isso.
— Mas nada disso tem graça se eu não tiver com você – Erick disse
Henry ficou chocado ainda mais.
— Isso não faz nem sentido! – ele exclamou – Não vou deixar você fazer isso com sua vida e sua carreira!
Erick o encarou sério. Por mais que ele estivesse apenas de cueca, aquilo era tão sério que Henry não conseguia achar a imagem sexy ou engraçada.
— Eu não quero te deixar – Erick disse baixo.
— Eu também não – retrucou Henry – Mas eu vou me sentir péssimo se você deixar de ir por minha causa.
Erick assentiu, com o semblante triste.
— Você ainda vai me querer? Se eu for? – ele perguntou depois de um tempo.
Henry sentou ao lado do namorado, segurou seu rosto com as duas mãos e o encarou firmemente.
— Eu sempre vou te amar, não importa onde você estiver – disse, tentando transmitir a maior sinceridade do mundo. – Mesmo se você estiver a não sei quantos quilômetros de distância.
— 8.970 – murmurou Erick. – Eu pesquisei…
Henry não conseguiu conter o sentimento de pena com a expressão tristonha de Erick.
— Mas se você for comigo, vamos estar a poucos centímetros...
Ele engoliu em seco, encarando aqueles olhos castanhos que achava tão perfeitos. Era uma situação que Henry não sabia o que fazer.
— Posso pensar? – ele perguntou – Quando você iria?
— Tenho alguns dias pra aceitar a oferta… Aí eles vão me dar alguns meses pra tirar passaporte e toda essa burocracia – respondeu Erick, que tinha pegado as mãos de Henry e ficou acariciando a pele alheia distraidamente. – Teríamos esse tempo pra decidir.
Henry assentiu.
— Eu vou pensar, okay? – ele disse suavemente, retribuindo o carinho – Mas não quero que você se prenda por mim. Você tem que seguir seu sonho.
Erick assentiu, mas Henry não sabia se ele estava aceitando ou apenas fingindo.
O silêncio permaneceu sobre eles até o interfone tocar e Erick dizer que iria buscar a comida, deixando Henry sozinho com seus pensamentos novamente.
Seu coração estava apertado. Aquela situação tinha que ser uma peça do destino brincando com eles. 8.970km. Se fosse, estaria a 8.970km de seus pais, irmãos e amigos. Se ficasse, estaria a 8.970km longe da pessoa que mais amava em todo o mundo.
Era uma decisão difícil de tomar, levando todas as considerações possíveis. Ele não queria que Erick desistisse por sua causa, mas no fundo sabia que queria que o outro ficasse.
Falara o que sabia que era certo dizer. Porém, em seu coração, não queria se separar de Erick. E não sabia o que fazer e a quem escutar: seu razão ou seu coração.
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