Além das Palavras

1 The Lake Isle Of Innisfree


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Aqui estou eu com a minha segunda história Bethyl. Essa história está participando da #1semanabethyl e espero que possa contribuir com essa semana maravilhosa, cheia de conteúdo desse casal maravilhoso. Aviso que todos os capítulos terão o nome de algum poema da literatura do idioma inglês e que tentarei atualizar diariamente. Espero que gostem. Boa leitura!

O sinal ecoa pela universidade, anunciando o início das aulas do dia. Daryl entra na sala e coloca seus livros sobre a mesa de professor, atraindo a atenção dos alunos da turma de Literatura Inglesa, que imediatamente se calam e se sentam, observando o professor.

— Bom dia — cumprimenta o professor.

A turma o responde e Daryl encara seu relógio, esperando que os cinco minutos de tolerância exigidos pela diretoria da instituição se passasse e ele pudesse iniciar sua aula. Assim que o relógio marca oito horas e cinco minutos, o homem abre seu livro.

— Muito bem. Já deu o horário. Tranquem a porta dos fundos — pede com seriedade.

Múrmuros ecoam pela sala, diante da pontualidade rígida do professor. Mesmo que as aulas tivessem se iniciado na semana anterior, essa era a primeira aula da matéria. Era uma segunda-feira, início de um novo semestre e ainda assim, Daryl havia dado a ordem de fechar as portas apenas cinco minutos após o sinal.

É ciência de todos que assim que as portas dos fundos da sala de aula são trancadas é proibida a entrada dos alunos pela porta da frente e automaticamente levariam falta. Não havia discussão, tampouco justificativa. Não importava o que acontecesse, Daryl não cederia ao pedido de entrada em sua aula, após os cinco minutos de tolerância.

— Uau. Nem mesmo hoje temos exceções — sussurra uma aluna, frustrada. — Ele é tão rigoroso. É o primeiro dia de aula.

— Ele deixou bem claro no e-mail que enviou na sexta-feira que desde o primeiro dia de aula, os alunos devem chegar no horário — sussurra outra aluna em resposta.

— Todo professor diz isso, mas geralmente eles deixam a gente escapar sem punições uma vez ou outra, certo? — questiona um aluno para os colegas.

— Não é à toa que ele é chamado de Demônio Dixon.

— Silêncio! — esbraveja Daryl, chamando a atenção da turma, que começava a se perder em múrmuros. — Vamos começar a aula.

O silêncio retorna à sala. Todos conheciam a fama rigorosa do professor de Literatura Inglesa e sabiam que ele não aceitaria transtornos em sua aula. O professor se dirige a sua mesa, pegando um pincel.

Com a caligrafia impecável, ele escreve seu nome na lousa branca e coloca o pincel de volta a mesa. Encarando os rostos curiosos de seus alunos, ele inicia sua apresentação que era de praxe em todo início de semestre.

— Para quem não me conhece, eu me chamo Daryl Dixon e trabalharei a matéria de Literatura Inglesa I com vocês ao longo desse semestre. Como o próprio nome da matéria supõe, o objetivo da matéria é que vocês aprendam a base da Literatura Inglesa. Vocês serão avaliados pela participação nas aulas, desenvolvimento de atividades e as provas padrões.

Daryl responde mais algumas perguntas de seus alunos e explica mais sobre as matérias que seriam trabalhadas ao longo do semestre. Como de costume, poucos alunos parecem realmente interessados no que era dito, mas ao menos não atrapalhavam a aula.

Após uma apresentação breve de cada aluno, Daryl escreve na lousa o nome do poema do autor que trabalharia com sua turma naquele dia. Assim que termina, ele se vira para os alunos e os encara com seriedade, dando início de fato a sua aula.

— The Lake Isle Of Innisfree é um poema de doze versos que foi escrito e publicado pelo escritor irlandês William Butler Yeats em 1890 — explica Daryl, pegando o livro que usaria como base no dia. — “Me levantarei agora e para Innisfree partirei. Lá, construirei uma pequena cabana de sapê e barro. Com alguns pés de feijão e um pouco de mel viverei...”

A declamação profunda do professor faz com que toda a sala se concentrasse na voz encantadora de Daryl. As garotas suspiram, sentindo-se envolvidas pela beleza do homem que transmitia um ar misterioso e envolvente.

De repente, ninguém nem mesmo se lembrava do medo que sentia da fama do professor. A sensualidade discreta presente em cada palavra dita arrancava suspiros e tornava o ambiente mais caloroso.

— Posso até tirar um “F” nessa matéria, mas se eu largar essa classe, não vou mais conseguir ouvir essa voz rouca dele — comenta Sasha a Beth, que ri discretamente e assente, também encantada com o professor.

— Sua voz se assemelha a de um locutor conforme declama o poema — sussurra Beth, observando o homem que se destacava na frente da turma.

O professor termina de declamar o poema e coloca o livro sobre a mesa. O silêncio novamente se faz presente, mas o clima estava muito mais ameno. Daryl passa a turma com seriedade.

— Na sexta-feira, eu enviei para o portal do aluno de vocês um texto sobre os autores que iremos trabalhar nas próximas aulas, começando com W.B Yeats hoje. Alguém leu esse material?

Como de costume, os rostos começaram a se virar e ninguém ousava encarar os olhos do professor. Daryl não estava realmente surpreso. Ele é professor universitário há quase vinte anos e durante todo esse tempo, foram raras as vezes em que os alunos leram o conteúdo antes da aula.

— É claro que não — resmunga para ele mesmo, mas se surpreende ao ver uma tímida mão levantada no fundo da sala.

Ele encara a aluna de cabelos loiros, olhos esverdeados e aparência delicada. Suas bochechas estavam levemente coradas e ela parecia ter dificuldades para manter os olhos sobre o professor. Daryl assente e desvia o olhar para as folhas que ele havia levado para entregar aos seus alunos.

— Certo. Apenas uma aluna de quarenta e cinco alunos — comenta Daryl, relembrando da quantidade de alunos matriculados em sua matéria. — É necessário que adquiram o costume de ler o material de estudo da aula previamente. Vocês são estudantes universitários que em breve desenvolverão atividades profissionais que exigem o domínio da interpretação de texto. Precisam ler os textos para com antecedência para saber debater e argumentar sobre o tema que será explicado durante a aula.

Daryl conta mentalmente a quantidade de alunos que compareceram a primeira aula e distribui as folhas com o conteúdo do dia para os primeiros alunos de cada fileira.

— Mais da metade de seus colegas de turma não vieram, mas ainda iremos desenvolver a atividade de hoje. Essa será a primeira das vinte atividades avaliativas, que juntas serão a nota de participação de vocês — informa Daryl, surpreendendo aos alunos.

Ninguém esperava que ele passaria uma atividade avaliativa logo no primeiro dia de aula. Novamente, múrmuros se fazem presentes na sala, demonstrando a insatisfação dos estudantes. Daryl não se importa e continua com a explicação, ignorando os olhares indignados.

— Dividam-se em grupos de até quatro pessoas. Assim que os grupos tiverem formados, irei sortear os poemas dos autores que vocês irão apresentar à turma. Usem o material que vocês receberam no portal do aluno, o livro de Literatura Inglesa e essa folha com algumas outras informações adicionais para montarem suas apresentações. Um grupo irá apresentar hoje, tendo W.B Yeats como tema e o restante nas próximas aulas. A previsão é que seja dois grupos por aula. No entanto, todos irão me entregar um relatório breve sobre o autor e o poema que o grupo irá apresentar até o final da aula.

Inconformados com a atividade escolhida pelo professor, uma série de reclamações se inicia. Daryl bate brutalmente sobre sua mesa, ecoando um som ensurdecedor. Os alunos se calam e encaram o professor amedrontados.

— O tempo está passando. Vocês terão uma hora para fazer o relatório e me entregar. Cada grupo terá trinta minutos para fazer uma breve apresentação sobre o autor, curiosidades, suas principais obras e uma interpretação do que o poema escrito quis transmitir, portanto, eu sugiro que vocês parem de perder tempo reclamando e comecem a dividir os grupos — alerta o professor.

Sem saída, os alunos seguem o conselho do professor e se dividem. Felizmente, a atividade foi menos caótica do que costuma ser e não demorou mais do que vinte minutos até que os grupos estivessem formados. Daryl realiza o sorteio e logo todos se envolvem na atividade de realizar a pesquisa de seus autores.

Quando o tempo termina, mesmo sobre protestos, os alunos entregam seus relatórios e voltam aos seus lugares. A apresentação do primeiro grupo se inicia sob os olhares atentos de Daryl, que mantinha uma expressão assustadora e misteriosa para seus alunos.

Ninguém sabia o que se passava pela sua cabeça, mas suspeitavam que ele não estava muito feliz com o resultado. Beth observava ao professor com curiosidade, imaginando como ela deveria fazer para apresentar o seu poema com Sasha e Gregory, seu grupo da atividade.

— Essa apresentação foi um verdadeiro desastre — comenta Daryl, crispando os lábios. Ele encara o grupo com rigidez e isso faz os quatro rapazes se encolherem. — A atitude do grupo não foi sincera e o conteúdo fraco. Nem mesmo se preocuparam em ler o material adicional que eu dei. A interpretação do grupo foi tão rasa e sem fundamento que eu achei que estivesse diante de crianças do maternal e não de universitários...

— Eu estou preocupada com a nossa apresentação — Beth escuta um colega comentar com outro, enquanto toda a turma murmurava amedrontada diante das críticas que o grupo em frente a sala recebia.

— Ele é tão malvado! Como pode ser tão cruel com os alunos?

— Agora entendo o apelido Demônio Dixon.

— Eu acho que não vou conseguir apresentar.

Os alunos continuavam a cochichar contra Daryl, mas Beth concordava com as palavras do professor. Não era uma especialista em Literatura Inglesa, mas ficou evidente na apresentação que o grupo não se esforçou em nada para interpretar o texto. Parecia que eles haviam tirado o material da internet e nem haviam se preocupado em confirmar se a fonte das informações era confiável.

— Quem será o primeiro grupo a apresentar na próxima aula? — questiona o professor, quando a turma finalmente se acalma.

— Somos nós, professor — informa Beth, timidamente se levantando.

Seus olhos se encontram. Daryl reconhece a aluna e assente, quando ver os outros dois alunos ao seu lado, desviando o olhar.

— Certo. Seu grupo falará sobre “Annabel Lee”, o poema do Edgar Allan Poe, correto?

— Sim, senhor...

Por algum motivo, forma-se um silêncio constrangedor entre aluna e professor. Eles se encaram por um tempo, sem saber o que dizer. Beth morde o lábio e volta a se sentar. Ela não sabia bem o que deveria dizer ao homem.

— Muito bem. Isso é tudo. Vocês estão liberados — informa o professor e não demora muito para que os alunos passem a deixar a sala.

— Hã... professor.

Daryl desvia o olhar dos relatórios de seus alunos para encarar o rapaz de cabelos castanhos e olhos esverdeados. O professor logo o reconhece. Jimmy McCune era um de seus alunos da matéria de Linguística, que havia começado na sexta-feira.

— Sim, Jimmy? — questiona Daryl, observando o rapaz.

— Eu estava com pressa para chegar aqui hoje e eu acabei esquecendo de imprimir a minha tarefa da aula de Linguística que o senhor me deixou entregar hoje. Posso sair para imprimir na sala de informática? Eu voltarei em cinco minutos... Não! Três minutos! Eu prometo! — insiste Jimmy, desesperado.

— Que eu me lembre, eu disse que poderia me entregar até o início dessa aula — retruca e Jimmy choraminga, desesperado. — E você teve o fim de semana inteiro para imprimir essa atividade. Por que não fez antes?

— A minha impressora acabou a tinta e eu não tive tempo de trocar. E a sua aula hoje era no primeiro horário, eu não consegui imprimir antes. Por favor, professor! Por favor! Por favor!

Jimmy continua a implorar e choramingar. Ele já havia reprovado no semestre anterior em Linguística. Seus pais não aceitariam que ele reprovasse de novo, por isso, o rapaz estava determinado a se dedicar esse semestre.

Daryl desvia o olhar e nota que havia uma garota na porta da sala. Ela estava encostada no batente da porta com os braços cruzados e uma expressão cansada.

“Beth Greene? Ela está esperando por Jimmy?” — Daryl se pergunta, curioso para saber o que a garota fazia na porta da sala.

— Por favor, professor!

— Está bem, Jimmy. Eu te darei dois minutos para você imprimir sua atividade e me entregar. Dois minutos e nada mais do que isso. Como você sabe, eu não aceito receber atividades no meu escritório — responde Daryl, dando-se por vencido.

— Beleza! Muitíssimo obrigado, professor! — Jimmy corre até a garota na porta. — Beth, eu vou voltar logo! Aguarde só mais um pouquinho! Não vai embora, está bem?

Jimmy não espera uma resposta de Beth e sai correndo para imprimir a atividade que estava devendo ao professor. A garota suspira e morde o lábio inferior, ponderando sobre o que deveria fazer.

— Beth Greene?

— Sim, professor! — responde Beth, alarmada. Ela parecia tão assustada que surpreende até mesmo Daryl.

— Por que está tão assustada? Eu apenas chamei o seu nome — comenta Daryl, encarando-a com curiosidade.

— Ah... Eu estava surpresa por você saber o meu nome, professor — confessa Beth, dando uma risada envergonhada. — Você deve ser bom em lembrar os nomes dos estudantes.

— Bem, de certa forma, dá para memorizá-los enquanto faço a chamada — explica Daryl. A garota se aproxima e o encara com curiosidade. — Além disso, seu nome é bem único.

A loira ri e assente, concordando. Não era a primeira vez que as pessoas ficavam intrigadas por seus pais terem escolhido o que é usado geralmente como um apelido para nomeá-la.

— É mesmo. Geralmente as pessoas pensam que meu nome é Elisabeth ou Bethânia. Mas Beth é realmente meu nome — comenta Beth, dando de ombros. — Meus pais me deram esse nome por causa de um dos seus significados.

— Que seria? — questiona o professor com curiosidade.

— Casa das Tâmaras ou Tamareira. Não é o significado principal, mas é um deles — comenta a garota, sorrindo.

— Tamareira? Intrigante — repete Daryl, analisando o significado. — Então é um nome ligado a uma árvore. Mas por que esse significado?

— Meus pais são apaixonados por tâmaras. Eles diziam que a tâmara é uma a frutinha que traz vida até no deserto. Meu nome quase seria Tâmara, mas minha irmã não deixou e meus pais optaram por Beth depois de muito pesquisar.

— Eles realmente amavam tâmaras — comenta o professor, intrigado.

— Sim. Mas eu entendo. A tamareira é uma palmeira frutífera muito importante na história e na cultura do Oriente Médio. Ela é considerada uma árvore sagrada e há um dito popular que diz ser possível um andarilho caminhar por três dias no deserto, comendo uma única tâmara — conta Beth, aumentando ainda mais a curiosidade do professor.

— Isso é mesmo possível? — questiona Daryl com curiosidade. — Ser capaz de caminhar três dias no deserto comendo apenas um único fruto?

Beth o encara por alguns instantes. O professor a encarava com seriedade e parecia realmente interessado em saber se uma simples lenda poderia ser verdadeira. Por algum motivo, ela o achou adorável naquele momento e passou a rir.

— É apenas uma lenda, professor. É verdade que a tâmara é rica em propriedades nutricionais que ajuda a dar energia, melhorar a disposição e a saúde digestiva, além de ser um anti-inflamatório e antioxidante natural, mas não acho que apenas uma seja o bastante para sustentar alguém andando três dias no deserto — responde Beth aos risos.

Daryl se sente um tolo por ter se animado tanto com uma lenda e mais ainda envergonhado pelo som da risada doce de Beth.

Ele não sabia bem como reagir e tudo o que faz é ficar admirando a beleza de Beth e a sonoridade de sua adorável risada.

Ao notar que era observada pelo professor, a garota para de rir. Seus olhos se fixam um no outro. O clima se torna estranho entre eles, mas não era necessariamente desconfortável. Eles apenas estavam envergonhados.

— Professor!

Jimmy entra na sala de uma vez. Sua respiração estava tão ofegante e desregulada que parecia não ter forças para mais nada. Ele respira fundo e se aproxima do professor.

— Aqui está! — Jimmy estende a atividade e Daryl a pega, fazendo o estudante suspirar aliviado. — Muito obrigado por aceitar, professor. Obrigado mesmo!

— Tudo bem — concorda Daryl.

— Vamos, Beth? — pergunta Jimmy, passando o braço por cima dos ombros de Beth, conduzindo-a para a saída da sala. — Você esperou muito tempo? Me desculpe por ter chegado tarde.

— Não tem problema — garante Beth.

Ela olha por cima dos ombros para encarar o professor, que continuava parado com a atividade de Jimmy em mãos. Seus olhos se encontram. Ela se despede com um sorriso e um leve aceno, antes de ser arrastada para fora da sala por Jimmy.

Daryl volta sua atenção para atividade em suas mãos. A risada de Beth volta a sua mente. Perguntando-se se algum aluno já tinha sido capaz de o deixar tão afetado com algo tão bobo quanto o som de sua risada, Daryl volta a arrumar suas coisas. Precisava se preparar para a próxima aula.

Notas finais
O que acharam do primeiro capítulo? Espero que tenham gostado. Peço que comentem, porque isso me incentiva muito a continuar a história. Eu acredito que revisei o capítulo, mas caso tenha algum erro ainda, não hesitem em me avisar. E caso queiram me seguir nas redes sociais ou participar do meu grupo de leitores no Whatsapp, vou deixar os links abaixo. Obrigada e até amanhã!

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