Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Demorei mil anos, mas voltei a aparecer. Desculpe por isso. Eu tive alguns problemas e fiquei doente, mas estou bem agora. Quero agradecer demais ao comentário da AndreaNeves no capítulo passado que me inspirou tanto. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura...

Daryl raramente revelava suas preferências aos outros e era por isso que o número de pessoas que sabia sobre o seu amor por doces dava para se contar nos dedos. Até mesmo seus familiares, com exceção dos pais e dos avós, não sabiam que ele amava chocolate e sobremesas.

A verdade é que por ter sofrido tanto nas mãos de seu irmão e primos por supostamente ser afeminado demais por não participar das suas brincadeiras machistas ridículas, ser fissurado em leitura e gostar de chá, Daryl temia ser julgado ainda mais por também amar doces.

E mesmo depois que mudou de cidade e passou a viver sozinho, Daryl ainda se sentia inseguro de compartilhar com as pessoas que estava sempre em busca de novas confeitarias para experimentar doces diferentes, por isso, uma vez por mês, ele fazia questão de visitar uma confeitaria nova para provar a sobremesa chefe do estabelecimento.

Esse era um hobby que ele adquiriu ainda na adolescência e, mesmo depois de adulto, ele não conseguia abandonar. Era por isso, que naquele dia, Daryl se sentia tão animado, enquanto adentrava uma confeitaria nova, que ficava um pouco mais afastada da cidade.

Com o seu material de trabalho em mãos, o professor observa o ambiente aconchegante e delicado da doceria com um discreto sorriso no rosto. Tudo parecia tão atrativo quanto descrito no blog culinário que leu, enquanto buscava um novo lugar para visitar.

Como de costume, Daryl escolhe uma mesa mais afastada e se senta, estudando o lugar. Não sabia se deveria ir ao caixa para fazer o pedido ou se algum garçom apareceria para lhe servir.

Não demora para que uma jovem apareça com um sorriso simpático, cumprimentando Daryl, e o entregue o cardápio. Após verificar os pratos disponíveis, o professor realiza o seu pedido e observa a garçonete se afastar para informar seu pedido aos responsáveis da cozinha.

Sozinho mais uma vez, Daryl aproveita para conferir a hora e relembra que o blog comenta que o diferencial da doceria era as apresentações de música ao vivo que ocorria no final do dia nos fins de semana.

Daryl raramente saia para locais com música ao vivo, porque sabia que sempre era muito cheio e não era muito bom em lidar com ambientes caóticos, então quando viu que teria possibilidade de ouvir música ao vivo em um ambiente mais calmo como uma confeitaria, ele se animou em conhecer o lugar.

Era por isso, que mesmo tendo enfrentado o trânsito caótico de uma sexta-feira à noite, tendo vindo direto do trabalho, algo que odiava fazer, ele se sentia animado com a experiência que estava prestes a viver de comer um bom doce, enquanto assiste uma boa apresentação musical, deixava o professor especialmente animado.

— Aqui está — anuncia a garçonete, colocando o pedido de Daryl sobre a mesa.

Ele se surpreende pela rapidez com a qual seu pedido tinha saído.

— Obrigado — agradece o professor, dando um leve sorriso.

— Por nada. Bom apetite. Se precisar de algo mais, basta me chamar. Meu nome é Hannah — avisa a moça, sorrindo simpática.

— Obrigado, Hannah. À propósito, eu soube que vocês têm apresentações de músicas ao vivo aos fins de semana — comenta Daryl e a garota assente, animada.

— Sim. Normalmente, é a banda Black Rose que apresenta, mas hoje teremos uma cantora nova, já que a banda teve um imprevisto. Eu nunca a ouvi cantar, mas meus colegas informaram que ela é muito boa — responde Hannah, pensativa. Ela então sorri e encara o relógio em seu pulso. — A apresentação deve estar perto de começar.

Confirmando a informação da garçonete, as luzes da confeitaria próximas ao palco se apagam e não demora para que uma garota bastante familiar para o professor, subisse no palco com um violão em mãos. Ela se posiciona de frente para o microfone e é recepcionada por aplausos do público.

Daryl arfa ao ver que a cantora da noite seria ninguém menos que Beth. A sua Beth. Aquilo era coincidência demais para ele acreditar. Assim, levado pela felicidade de ver a garota que ele tanto desejava, o professor também ovaciona Beth com animação.

Hannah sorri e, após avisar que ele poderia chamar, caso desejasse pedir mais alguma coisa, ela se afasta do homem, para que pudesse atender outros clientes que acabaram de chegar na loja.

Beth agradece e respira fundo para controlar seu nervosismo. Seria sua primeira apresentação naquela confeitaria. Temia não agradar o público, que estava acostumado com as apresentações de cantores populares na cidade.

— Boa noite, pessoal. Obrigada a todos pela presença. Eu me chamo Beth e serei a cantora da noite. Espero que se divirtam e cantem comigo as músicas que reconhecerem.

A loira cumprimenta a plateia e novamente volta a ser ovacionada. Estava feliz pela recepção. Todos pareciam ansiosos para ouvi-la cantar. Assim, sentindo-se um pouco mais segura de estar no palco, ela se vira para a banda que estava atrás de si, apenas esperando a autorização dela para começar a tocar.

Após dar o sinal que havia combinado com a banda, a melodia de “Julie” passa a ecoar pela confeitaria, surpreendendo Daryl, que não imaginou que a garota usaria essa música em seu show.

Beth sorri e passa a cantar a canção com animação, relembrando de quando visitou a família Dixon e pôde se apresentar com Daryl. E por algum motivo, a lembrança do professor cantando com ela e a encarando daquela forma doce fez com que o nervosismo que sentia desaparecesse quase que por completo.

Daryl também sorri e passa a saborear seu pedido. Ele não sabia dizer se era pelo fato de estar ouvindo a voz melodiosa de Beth ou por causa da torta em si, mas aquela era a melhor refeição que ele já havia feito desde que conseguia se lembrar.

E enquanto canta, Beth passa a interagir com o público, incentivando todos a acompanharem na canção, as luzes do palco, que alternavam de direção, iluminam brevemente a região onde Daryl se encontrava, surpreendendo a cantora.

Os olhos dos dois se encontram e a típica eletricidade que parecia existir quando eles se encaravam, faz com que seus corações se agitassem e, inconscientemente, sorrissem. Beth volta a cantar, fazendo questão de manter os olhos fixos no homem.

Era estranho de explicar, mas Daryl trazia conforto e nervosismo a Beth. Todas as vezes em que estavam juntos, ela se sentia perdida sobre o que fazer. Era como se voltasse a ser uma menina sem qualquer experiência no amor. Mas, ao mesmo tempo, Beth se sentia encorajada a se arriscar e segura para tentar algo novo.

Durante as duas horas de show, Daryl se manteve atento a apresentação de Beth, nem notando o tempo passar. Estava se divertindo com as músicas escolhidas e a voz da garota era bastante angelical.

Ao fim, Beth se despede do público com muitos aplausos e elogios pelo show divertido que aconteceu, fazendo questão de correr para o camarim, para trocar de roupa e reencontrar o professor. A casa estava cheia e todos haviam aproveitado bastante as apresentações, então, ela estava bastante feliz.

Temendo que o professor acabasse indo embora, Beth se apressa em se arrumar. Para o seu desespero, a gerente da confeitaria fez questão de barrar a garota no camarim, para agradecer e comentar sobre o show. A cantora estava feliz em saber que a confeitaria recebeu tantos elogios por causa dela, mas se sentia inquieta.

Notando que Beth estava com pressa, Rachel realiza o pagamento prometido a cantora e a obrigar a prometer que voltaria a cantar na próxima semana na confeitaria, já que ela tinha certeza de que eles teriam um lucro ainda maior com a presença da bela garota.

Beth agradece e retorna para o salão da confeitaria, olhando em volta, em busca do professor, que para a sua felicidade, continuava sentado na mesa onde estava durante a apresentação.

A garota sorri e respira fundo algumas vezes, antes de se aproximar a passos cautelosos. Ela observa Daryl saborear uma xícara de chá com uma expressão distraída e uma postura que atraia a atenção de muitas mulheres que se encontravam na confeitaria.

— Professor Daryl — Beth cumprimenta o homem, chamando sua atenção.

— Olá, Beth — responde o homem, colocando a xícara de volta ao pires. Ele a observa e faz sinal para que ela se sentasse. — Sua apresentação foi magnifica. Parabéns. Você canta muito bem e tem uma excelente presença de palco.

— Obrigada. Fico muito feliz que tenha gostado, professor.

A loira sorri envergonhada e se senta na cadeira de frente para o professor, assim como ele havia orientado. Estava feliz por ter recebido o elogio.

— Eu jamais imaginei encontrar o senhor em um lugar como esse — comenta Beth, encarando-o com curiosidade. — Eu não sabia que você gostava de doces, professor.

— É um segredo meu — confessa o homem, dando um sorriso discreto.

— Oh, certo. Manterei essa informação em sigilo — responde a jovem, dando um bonito sorriso, que faz Daryl se perder na beleza de sua face por alguns instantes. — Professor? Tem algo em meu rosto?

— Não. Não tem nada em seu rosto — responde, desviando o olhar, envergonhado por ter se encantado pela beleza de Beth. — Você está com fome? Por que não pede algo para me acompanhar? Ou você prefere algo salgado?

— Não. Eu amo doces também. Principalmente os dessa confeitaria — garante Beth, fazendo sinal para que Hannah fosse anotar seu pedido. — Eu venho aqui toda semana. É a minha cafeteria preferida da cidade.

— Oi, Beth. Você quer pedir alguma coisa? — pergunta a garçonete, encarando a cantora com um simpático sorriso.

— Waffles e um café americano médio, por favor — pede Beth. Ela já conhecia todo o cardápio, por isso, nem mesmo precisava olhar para saber o que queria.

— Certo — avisa Hannah, anotando o pedido da garota em um papel. — Eu já trago o seu pedido.

— Obrigada — agradece Beth, observando a garçonete sair.

Ela então volta observar o professor e percebe que mais uma vez é alvo do olhar intenso do homem, que a deixa completamente desestabilizada, mas não de um jeito ruim. Gostava da forma como se sentia especial ao ter os bonitos e calorosos olhos do homem sobre si.

A garota sorri ao lembrar que na primeira vez que viu o professor, pensou que ele era muito exigente e arrogante, devido a postura fria que ele fazia questão de exibir para os alunos na universidade, mas quanto mais convive com ele, Beth tem a certeza de que ele é uma pessoa muito calorosa e descontraída. E quanto mais ela aprende, mais curiosa ela se sente para descobrir mais sobre ele.

— Você sempre canta nessa confeitaria? — questiona Daryl, quebrando o silêncio estranho que havia entre os dois. Ele já sabia a resposta, mas ainda assim, queria algum assunto para conversar com a garota.

— Não. Essa foi a primeira vez. A Black Rose é quem geralmente se apresenta, mas houve um imprevisto e a Rachel, que é gerente daqui e sabia que eu cantava, pediu para que eu me apresentasse no lugar deles hoje — responde Beth, sorrindo.

— Parece que eu tive muita sorte — comenta o professor, atraindo a curiosidade de Beth. — Eu escolhi vir justamente no dia em que você se apresentaria. Foi uma excelente surpresa.

— Obrigada — fala a loira, envergonhada pelo lindo sorriso que recebia de Daryl. — Mas você também teve a sorte de escolher o dia que eles começaram a decoração de Dia dos Namorados na confeitaria. Essa é a época do ano que aqui fica mais bonito.

Daryl olha em volta e nota que de fato havia muitos elementos que remetiam ao Dia dos Namorados. Ele assente e volta a beber seu chá, pensativo.

— Geralmente, não gosto muito das decorações dessa data, mas realmente ficou muito bonito — comenta Daryl e logo ele nota o olhar questionador de Beth.

— Por que não gosta da decoração de Dia dos Namorados? — questiona e ele dá de ombros.

— Meu aniversário é no Dia dos Namorados, então meus primos e irmãos sempre faziam questão de usar as decorações femininas para me provocar. Por causa disso, acabei ficando um pouco incomodado com as decorações — revela o professor, surpreendendo Beth. — É bobagem.

— Não é bobagem. Qualquer um ficaria incomodado com um tipo de decoração se usassem isso para te menosprezar justamente em seu aniversário — responde Beth com seriedade. — Mas, o seu aniversário é em uma data muito bonita.

— É mesmo? — indaga Daryl, surpreso. Ninguém nunca havia elogiado a sua data de aniversário.

— Sim. É super-romântica — garante a garota, dando um sorriso radiante.

— Obrigado.

Daryl sorri e volta sua atenção para a torta de chocolate em seu prato, enquanto Hannah aparece mais uma vez com o pedido de Beth. Eles passam a comer em silêncio, enquanto cada um se encontrava com a mente perdida em pensamentos.

— Ah, eu estou lendo o último livro que você fez a crítica — relembra Beth, pegando o livro que estava em sua bolsa. — Eu estou gostando bastante do livro, mas confesso que estou tendo um pouco de dificuldade de entender uma parte do livro.

Daryl se surpreende ao reconhecer “Reparação”. Era um de seus livros favoritos e ele finalmente teve a chance de fazer uma crítica sobre ele. O homem sorri e encara a garota com expectativas.

— Qual parte você não está entendendo? — pergunta o professor, observando Beth abrir o livro. Ela hesita e Daryl parece entender o que se passa em sua mente. — Você não vai me atrapalhar em nada, se é isso que está te incomodando. Esse livro é um dos meus preferidos, mas eu tenho consciência de que ele é um dos mais difíceis do autor.

— Certo — concorda Beth, afastando seu prato para mostrar o livro. — Essa aqui. A parte onde está escrito “me mande um poema de Auden sobre a morte de Yeats”. Não consegui entender o que poder ser aquele poema, então marquei aqui para me lembrar de procurar mais tarde. Acho que é um poema enviado para o Robbie, mas o Auden realmente escreveu um poema sobre a morte do Yeats?

— Sim. O nome desse poema é “Em Memória de W.B. Yeats” — concorda Daryl, observando surpreso que o livro de Beth estava cheio de anotações e post-it.

“Ela poderia simplesmente ler esse livro por prazer, mas está realmente levando a sério o entendimento dele. É incrível como ela dar o máximo de si em tudo o que vai fazer”, pensa Daryl, encarando a aluna com orgulho.

— Sobre o que é esse poema? — indaga Beth com curiosidade.

— Como o título dá a entender, é uma recordação da morte de Yeats — explica Daryl, aproximando mais a sua cadeira para enxergar melhor o livro. — Eu deduzo que a razão pela qual esse poema é mencionado é por causa do verso que diz “no deserto do teu peito, uma fonte cura ao leito”. Provavelmente, era o que ele queria dizer para o Robbie. Como a palavra “fonte” tem um valor especial para os protagonistas, ela também pode soar como uma metáfora.

— Ah, entendo — murmura Beth, dando um sorriso encantador, enquanto encara o homem.

— O que foi? — questiona Daryl, curioso para o significado do sorriso sonhador no rosto da garota.

— Você sabia disso, não é mesmo, professor? — questiona Beth, deixando o homem confuso. — Tem algumas garotas que frequentam as suas aulas apenas para ouvir a sua voz melodiosa, enquanto declama os poemas ingleses.

— É mesmo? — indaga o homem, encarando os bonitos olhos de Beth.

— Sim. Seu tom e a sua voz são muito agradáveis — confessa Beth, correspondendo ao olhar do homem.

Daryl sorri e sente seu ego acariciado pela forma sincera com a qual ela falava. Ao mesmo tempo, o professor se sentia hipnotizado pela beleza de Beth, com seu rosto tão próximo de si. Inevitavelmente, seus olhos recaem sobre os lábios rosados da garota, que parecia tão atrativos para ele.

Beth se dá conta do que tinha falado e sente seu rosto esquentar.

“O que foi que eu acabei de dizer? E... ele está com o rosto tão perto”, pensa Beth, tão hipnotizada quanto Daryl. Por isso, mesmo envergonhada pela proximidade, a garota não se afasta.

Ao notar que o professor também observava sua boca, Beth sente o ar faltar em seus pulmões. Com a mente completamente nublada pelo desejo e ignorando completamente a razão, a garota toma a atitude de aproximar seu rosto de Daryl, que também se aproxima ao ver que Beth parecia compartilhar do seu mesmo desejo.

No entanto, no momento em que seus lábios se encontrariam, o celular de Beth passa a tocar, assustando o casal, que imediatamente se afasta, atordoado com a interrupção inesperada.

Beth tenta se recompor, mas no fundo, sentia-se extremamente frustrada pela interrupção. Daryl não estava muito diferente. Odiava com todas as suas forças a pessoa que havia ligado no pior momento possível.

Ao encara o nome Jimmy McCune brilhava na tela, Beth encara o professor, hesitante se deveria atender a ligação. Daryl a observa por alguns instantes e consegue perceber a preocupação da garota sobre a situação.

— Sinta-se à vontade para atender ao seu celular — responde o professor, bebendo um pouco de seu chá. Estava sendo difícil fingir que ele não estava abalado pelo quase beijo. — Não se preocupe comigo.

— Então, me dê licença por um momento — fala Beth e no mesmo instante, seu celular vibra diversas vezes, deixando a garota ainda mais desconfortável.

— É o Jimmy McCune, certo? — supõe Daryl, soando mais mal-humorado do que realmente gostaria.

O professor torcia para que a garota não tivesse notado seu descontentamento por pensar em Jimmy incomodando a garota. Já se sentia estranho em relação ao rapaz, mas depois de ter sido interrompido por sua ligação, seu desgosto pelo ex-aluno se tornava ainda mais intenso.

— Ah, como você sabia? — questiona Beth, surpresa.

— Apenas tive um pressentimento — responde o homem, levantando-se. — Eu vou ao banheiro. Fique à vontade.

E soando muito mais apressado do que deveria, Daryl segue para o banheiro, deixando uma Beth atordoada para trás. Eles ainda não sabiam como reagir, mas um quase beijo havia acontecido e eles sabiam que depois disso, nada voltaria a ser como era antes.