Além da fronteira

3 02. O Don de Chicago



Jacob Black


A suspensão macia da Suburban preta amortecia boa parte dos buracos no asfalto molhado de Chicago, mas cada lombada ainda parecia um soco direto no meu abdômen. Tranquei os dentes, mantendo o olhar fixo na janela fumê enquanto a cidade começava a despertar sob o céu cinzento.

Aos trinta e cinco anos, eu já tinha visto sangue e violência o suficiente para saber exatamente a diferença entre uma dor suportável e a morte iminente. E aquela mulher ruiva — Renesmee — tinha me tirado da linha tênue entre as duas coisas.

Sua precisão com o bisturi, a firmeza nos olhos castanhos e a coragem de me peitar na própria sala, com um garoto de três anos no quarto ao lado, não saíam da minha cabeça. Ela não era uma imigrante comum desesperada. Havia uma altivez nela, o porte refinado e a técnica cirúrgica de alguém que viveu uma vida muito diferente antes de ir parar naquele apartamento miserável no setor sul.

O que tornava tudo ainda mais inacreditável era o acaso. Minha entrada naquele prédio foi um ato de puro desespero enquanto eu fugia sangrando pela viela. Foi uma coincidência absurda o destino me jogar justo na porta de uma médica.

— Don? — Sam, meu braço direito e a pessoa em quem eu mais confiava no comando da organização, olhou pelo espelho retrovisor. — Tem certeza de que não prefere ir para a clínica privada ? O doutor já está a postos.

— Não precisa — respondi com a voz grave, a garganta seca. — A garota fez um trabalho impecável. A bala saiu e o sangramento parou. Só preciso de um curativo limpo e do meu escritório.

— Ainda não engoli essa história, Jacob — Sam franziu o cenho. — O emboscada no cais foi armada pela gangue dos Mexicanos. Eles sabiam exatamente onde nossa carga iria desembarcar. Alguém nos vendeu.

— Vamos descobrir quem foi — declarei com a voz fria. — Mas agora o foco é chegar em casa.

Quinze minutos depois, a van cruzou os portões de ferro fundido e subiu a propriedade privada cercada por mata fechada nos arredores de Chicago. A mansão se erguia como uma fortaleza de pedra e vidro, protegida por sistemas de segurança e homens armados patrulhando o perímetro a cada cinquenta metros.

A porta da van foi aberta assim que paramos no pátio interno.

— Jacob! — Leah correu ao meu encontro antes mesmo de eu colocar os pés para fora do veículo. A postura rígida e o olhar afiado de sempre traziam o vinco de preocupação que ela tentava disfarçar com raiva. — Que porra aconteceu lá fora? Seth disse que você foi encurralado na zona portuária!

— Os Mexicanos armaram uma emboscada — murmurei, apoiando a mão na lateral da porta enquanto me colocava de pé devagar. Recusei com um gesto ríspido a mão de Seth, que se aproximara para me segurar. — Eu ando com os meus próprios pés, Seth.

— Deixe ele, Seth — Leah cruzou os braços, os olhos atentos varrendo o meu corpo. — Teimoso como sempre. Você tem trinta e cinco anos na cara, Jacob, não dezoito. Não pode sair por aí agindo como se fosse invencível.

— Mas ele parece invencível — Seth interveio com um sorriso tenso, tentando aliviar o clima enquanto nos acompanhava para dentro da mansão. O garoto era o mais novo da equipe, leal até o osso, mas ainda carregava um otimismo que a maioria de nós já tinha perdido. — Ele tomou um tiro de nove milímetros e voltou andando.

Cruzamos o grande hall de entrada, onde o chão de mármore polido refletia a luz dos lustres.

No topo da escadaria, minha mãe, Sarah, me aguardava. Desde que meu pai nos deixou, era ela quem mantinha a espinha dorsal da nossa família erguida. Sarah não vestia o papel de uma mãe indefesa; trazia nos olhos pretos e na postura altiva a autoridade de quem ajudou a erguer tudo isso e conhecia o custo de cada gota de sangue derramada.

— Você está vivo — disse Sarah, descentralizando os braços e descendo os primeiros degraus com passos firmes, a voz grave ressoando pelo hall.

— E com a bala fora do corpo, mãe — respondi, parando no topo dos degraus e segurando o tronco com firmeza.

— Quem cuidou de você? — ela perguntou, avaliando meu rosto pálido e o curativo sob a jaqueta. — Sam disse que você proibiu a equipe de chamar o médico da família.

Evoquei mentalmente o rosto de Renesmee. A lembrança do seu olhar desafiador, mesmo com o pavor estampado na pele alva, causou uma onda estranha de calor no meu peito.

— O acaso me salvou — declarei, encarando Sarah, Sam e Leah. — Quando invadi aquele prédio para não morrer na rua, caí no apartamento de uma médica clandestina. Ela não sabia quem eu era, não tinha nada a ver com o nosso confronto contra os mexicanos, mas salvou a minha vida sem hesitar.

Leah franziu o cenho instantaneamente, a desconfiança aguçada:

— Uma testemunha civil? Jake, você sabe que não podemos deixar pontas soltas. Se descobrirem onde você se escondeu...

— Ninguém sabe que eu entrei naquele prédio — cortei de imediato, em um tom tão baixo e definitivo que fez Leah calar a boca no mesmo instante. — E ninguém vai tocar nela. A partir de hoje, quero dois homens de olho naquele bloco vinte e quatro horas por dia. Se qualquer ameaça pisar naquela rua, vocês liquidam no ato.

Sarah me observou por longos segundos, o olhar atento de mãe captando a mudança sutil na minha postura.

— Ela sabe quem você é, Jacob? — perguntou Sarah.

— Sabe o meu nome — respondi, virando-me na direção do meu escritório. — E eu pretendo descobrir tudo sobre o dela.

•••

A luz forte da luminária do meu quarto faiscava contra o metal dos instrumentos sobre a mesa de apoio. Despido da cintura para cima, eu estava sentado na borda da cama king-size enquanto o Doutor Hankins — um médico de confiança que prestava serviços discretos para a nossa família há anos — ajustava os óculos e examinava o trabalho feito no meu abdômen na madrugada anterior.

— Quem quer que tenha feito essas suturas sabia exatamente o que estava fazendo — comentou o Doutor Hankins, aplicando uma solução antisséptica gelada ao redor do corte. Ele limpou a área com gaze e colocou um curativo cirúrgico novo. — Os pontos estão alinhados, a assepsia foi impecável e a tensão do fio foi perfeita para conter a hemorragia sem rasgar o tecido. Francamente, Don, se não fosse por essa intervenção rápida, você teria entrado em choque hipovolêmico antes de a sua equipe te encontrar.

— Eu sei — murmurei, encarando o espelho em frente. O contorno da cicatriz recente já estava vermelho e inchado, mas o alívio na dor era nítido.

Antes que o médico pudesse recolher o material, a porta dupla do meu quarto foi aberta de golpe, batendo contra a batente com um estalo seco.

— Jacob! Meu Deus! — Bree Uley passou pela entrada sem bater, os saltos altos estalando alto contra o piso de madeira nobre.

Ela trazia os cabelos negros perfeitamente alinhados, vestindo um sobretudo caro de marca e uma expressão de desespero calculado. Bree aparecia na minha casa há meses sempre que queria reforçar seu status. Na cabeça dela, o fato de compartilharmos a mesma cama com frequência e o parentesco distante que ela tinha com a linhagem dos Uley lhe dava o direito automático de agir como a dona da minha mansão.

Eu detestava aquilo. Detestava a audácia, a falta de limites e a falsa preocupação.

— Como você me deixa saber disso pelos homens do portão? — Bree se aproximou a passos rápidos, tentando tocar meu ombro com as mãos perfeitamente feitas. — Eu quase tive um ataque quando me disseram que você chegou esfaqueado... ou baleado! O que aconteceu?

Recuei o ombro antes que os dedos dela me tocassem, o olhar congelando na mesma hora.

— Doutor Hankins, obrigado — disse ao médico, sem desviar os olhos de Bree. — Pode ir.

— Qualquer sinal de febre me avise, Black. Bom dia, Bree — Hankins assentiu, recolheu sua maleta com a serenidade habitual e saiu do quarto, fechando a porta com firmeza atrás de si.

O silêncio que se instalou no cômodo ficou denso. Olhei para Bree, sentindo uma irritação fria subir pela minha garganta.

— Quem te deu permissão para subir ao meu quarto sem bater, Bree? — perguntei, a voz vindo grave, baixa e perigosa.

Ela piscou, pega de surpresa pelo tom, mas tentou se recompor, cruzando os braços com uma postura possessiva.

— Como assim, permissão? Jacob, eu sou sua mulher! Você levou um tiro na rua e esperava que eu ficasse no meu apartamento fingindo que nada aconteceu? Eu tenho o direito e a obrigação de estar aqui e cuidar de você!

Dei um passo à frente, ajustando a camisa preta limpa sobre o peito e cobrindo a ferida, sem pressa. A diferença de altura entre nós dois tornou minha presença ainda mais ostensiva.

— Você não é minha mulher — declarei, pausadamente, encarando-a no fundo dos olhos. — Você é uma mulher que eu como de vez em quando. Não confunda a minha cama com a minha vida, e muito menos com a minha casa.

O rosto de Bree perdeu a cor por um segundo. A vaidade dela estalou como vidro fino.

— Você não pode falar assim comigo! Depois de tudo o que os Uley fazem pela sua família...

— O que os Uley fazem é o trabalho pelo qual são muito bem pagos — cortei, a voz dura como aço. — Sarah manda nesta casa. Eu mando nos negócios. E a sua presença aqui é um privilégio que eu posso revogar no segundo em que você esquecer o seu lugar.

Ela trincou os dentes, os olhos faiscando de raiva contida e humilhação. Bree estava acostumada a ter os homens da cidade aos seus pés, mas comigo a regra sempre fora clara: limites imutáveis.

— Quem cuidou de você ontem à noite, Jacob? — perguntou ela, a voz carregada de desconfiança súbita. — Seth deixou escapar que você não foi para a clínica. Quem tirou essa bala?

Em vez de responder, caminhei até a porta e a abri totalmente, indicando o corredor.

— Saia do meu quarto, Bree.

Ela me encarou por mais alguns segundos, tentando decifrar o que havia por trás do meu silêncio, antes de ajeitar o sobretudo com brutalidade e passar por mim.

— Isso não vai ficar assim — sussurrou ela antes de descer as escadas com passos pesados.

Fechei a porta e encostei as costas na madeira, soltando um suspiro pesado. Minha mente, que deveria estar focada na ameaça dos Mexicanos ou no controle do meu território, desviou-se instantaneamente do veneno de Bree para a imagem da mulher ruiva no apartamento simples do setor sul.


Renesmee



O cheiro de café recém-passado tentava disfarçar a umidade que teimava em se infiltrar pelas paredes do apartamento. Aos vinte e oito anos, eu nunca imaginei que minha vida se resumiria a contar moedas, olhar por cima do ombro a cada passo e esconder a mulher e a profissional que um dia fui.

— Mais uma colherada pelo ursinho, Mateo — pedi com carinho, ajoelhando-me ao lado da pequena cadeira de madeira.

Mateo abriu a boca devagar, aceitando o mingau com um sorriso preguiçoso de quem ainda não tinha despertado por completo. Olhar para o rosto do meu filho de três anos era a minha única fonte de força. Ele era a razão de eu ter tido a coragem de cruzar a fronteira na calada da noite, deixando para trás o pesadelo de um casamento abusivo no México e uma vida controlada pelo medo.

Duas batidas leves na porta me fizeram congelar por meio segundo, um reflexo automático que a noite anterior só fizera piorar.

— Sou eu, Nessie! — a voz suave e animada veio do corredor.

Soltei o ar, aliviada. Destranquei a porta e abri espaço para Alice passar.

Alice era a única pessoa em Chicago que eu podia chamar de amiga. Vizinha do andar de cima, ela também era imigrante e tinha uma energia vibrante que parecia imune ao clima cinzento da cidade. Mesmo sem saber os detalhes profundos do meu passado, Alice percebera minha vulnerabilidade desde o primeiro dia e se ofereceu para cuidar de Mateo durante as manhãs em que eu trabalhava.

— Bom dia, meu anjo! — Alice se abaixou instantaneamente, fazendo uma careta engraçada para Mateo, que gargalhou alto. Em seguida, ela se levantou e olhou para mim, franzindo a testa com preocupação. — Nessie, você está com umas olheiras enormes. Aconteceu alguma coisa à noite?

— A tempestade foi forte... Mateo demorou a dormir — menti, sentindo uma pontada de culpa. A imagem do sangue de Jacob Black espalhado pelo meu piso ainda estava viva na minha mente, assim como a cicatriz que deixei em seu abdômen. — Obrigada por vir, Alice. Deixei o lanche dele pronto na geladeira.

— Pode ir descansada. Nós vamos brincar bastante — respondeu ela com um sorriso acolhedor, pegando Mateo no colo. — Ah, e tome cuidado no caminho. Vi dois homens estranhos parados perto da esquina, em um carro escuro. Não pareciam fiscais, mas você sabe como é... todo cuidado é pouco.

Meu coração deu um salto no peito.

— Vou tomar cuidado — garanti, vestindo meu casaco surrado e dando um beijo carinhoso na bochecha macia de Mateo. — Volto até a hora do almoço, meu amor.

Saí do prédio tentando manter a cabeça baixa. Passei pela esquina e notei, pelo canto do olho, a van preta com vidros fumê estacionada do outro lado da rua. Não olhei diretamente. Ajustei o cachecol e apressei os passos em direção ao meu trabalho.

A lanchonete ficava a quatro blocos dali, bem em frente a um grande canteiro de obras de um novo arranha-céu no centro comercial. Não era o melhor emprego do mundo — longe disso. O cheiro de gordura impregnava as roupas, a chapa quente deixava o ambiente abafado e o ritmo era insano durante o horário do café da manhã.

Para completar, os clientes eram, em sua maioria, os próprios operários da construção e homens que passavam pela região. E, sendo uma mulher ruiva de vinte e oito anos trabalhando sem documentos, eu me tornava um alvo fácil para gracejos indesejados. Muitos clientes passavam dos limites, soltando piadas de mau gosto ou tentando toques desrespeitosos ao receber o troco. Eu engolia o orgulho, mantinha a postura fria e me esquivava como podia.

Apesar de tudo, o dono da lanchonete pagava em dinheiro vivo no final de cada semana. Um valor razoavelmente bom para quem não podia apresentar um número de Seguro Social ou uma licença médica válida nos Estados Unidos.

— Mais dois cafés pretos e dois sanduíches de bacon, Nessie! — gritou o dono atrás do balcão.

— Saindo! — respondi em inglês claro, embora mantendo o sotaque discreto.

Peguei a bandeja de alumínio e caminhei até uma das mesas altas perto da janela. Enquanto servia as xícaras, senti o olhar pesado de dois homens uniformizados sobre mim.

— Ei, ruiva — um deles sorriu, inclinando-se na minha direção com um olhar invasivo. — Você não quer entregar esse café lá em casa mais tarde? Garanto que pago o triplo do gorjeta.

Senti o estômago revirar. Em Monterrey, com meu jaleco branco e meu título de médica, homens como aquele jamais ousariam erguer a voz para mim. Mas ali, eu era apenas invisível.

— O café está servido. Se precisarem de mais alguma coisa, me chamem no balcão — respondi com a voz fria e profissional, dando um passo para trás antes que ele pudesse tentar pegar na minha mão.

Voltei para trás do balcão, limpando a bancada com força extra para canalizar a raiva e a humilhação. Olhei através do vidro da lanchonete para a rua movimentada. Chicago continuava fria e impiedosa, mas enquanto eu tivesse mãos para trabalhar e Mateo para proteger, não deixaria nada me derrubar.

O movimento na lanchonete atingiu o pico perto das dez da manhã. O ar estava denso com o cheiro de óleo queimado, café expresso e o ruído alto das conversas dos operários que faziam uma pausa no canteiro de obras em frente.

Limpei o suor frio da testa com as costas do pulso enquanto equilibrava uma bandeja pesada. Eu estava exausta, mas a promessa de levar o dinheiro do dia para casa me mantinha em pé.

— Ei, bonita! Onde está o meu pedido? — chamou uma voz rouca vinda do canto mais escuro do estabelecimento.

Tratava-se de um homem alto, de ombros largos e cara fechada, vestindo um colete de obra sujo de poeira. Ele já estava na sua terceira xícara de café e não tirava os olhos de mim desde que entrei no turno.

— Já estou levando, senhor — respondi, tentando manter o tom mais neutro e distante possível.

Caminhei até a mesa dele e pousei o prato com o sanduíche. Quando me virei para sair, senti um aperto bruto no meu pulso. Os dedos grossos e calejados do homem se fecharam em volta da minha pele com tanta força que soltei um arfar contido.

— Calma aí, ruivinha. Ninguém te ensinou que no atendimento ao cliente a gente dá um sorriso? — ele zombou, puxando meu braço de surpresa com uma força desmedida.

Perdi o equilíbrio. Antes que pudesse me apoiar na mesa, fui arrastada contra o peito dele, caindo diretamente em seu colo. Risadas abafadas e gracejos ecoaram das mesas vizinhas.

— Me solta! — ordenei, o pavor e a indignação explodindo no meu peito. Tentei me empurrar contra os ombros dele, mas ele me segurou pela cintura, me prendendo com facilidade.

— Qual é, mexicana? Sei que você gosta de um agrado — ele sussurrou perto do meu ouvido, o hálito quente de café rançoso me causando náuseas. — Fica quietinha que eu te dou uma gorjeta bem gorda no final.

— Eu disse para me soltar! — gritei, desferindo um tapa contra o rosto dele.

O estalo do tapa fez a lanchonete silenciar por um segundo. O rosto do homem ficou vermelho de raiva. Os olhos dele faiscaram e sua mão se ergueu, fechada em um punho, pronta para revidar. Instintivamente, encolhi os ombros e fechei os olhos, esperando pelo golpe.

O impacto nunca veio.

Em vez disso, o som seco e horrendo de um osso se partindo ecoou pelo ambiente, seguido por um urro ensurdecedor de dor.

Abri os olhos em choque.

Jacob Black estava de pé ao meu lado. Sua mão enorme segurava o braço do operário em um ângulo completamente não natural, torcendo o pulso do homem com uma facilidade assustadora. A aura de perigo que emanava de Jacob preencheu cada centímetro da lanchonete, sufocando o ar.

Logo atrás dele mais três homens de terno escuro bloqueavam a porta de entrada. As risadas dos outros clientes morreram instantaneamente.

— Se você voltar a encostar um único dedo nela — a voz de Jacob veio em um sussurro grave, frio e absolutamente mortal —, eu garanto que você nunca mais vai usar essa mão na sua vida.