Além da escuridão.
6 Capítulo 6
Finalmente chegamos na minha casa, Jace estacionou o carro bem na frente da porta. Eu saí batendo a porta do seu carro, e correndo para a porta, Jace logo atrás de mim disse:
–Isso tudo é felicidade por estar em casa?
–Não, eu só quero ir pro meu quarto e capotar na cama, sabe a noite foi difícil, estou exausta.
–Diana, olha pra mim.-disse Jace, com aqueles olhos verdes fixados em mim.
–O que?
–Ele me empurrou delicadamente me deixando de costas pra porta, se aproximou e disse no meu ouvido:
–Eu sempre vou estar próximo de você, não importa onde, não pense que se livrou tão fácil de mim.
–É...eu preciso entrar Jace, obrigada por...tudo.
Quando dei as costas pra ele, abrindo a porta, ele pegou meu braço e me encostou novamente na porta, ele beijou a minha testa e se foi. O que ele estava tentando fazer? Eu não tinha a menor ideia, Jace era estranho demais, mas eu gostava disso. O observei até ele entrar no carro, e me virei pra porta para abri-la.
Entrei na casa, e vi tudo apagado, quando acendi a luz, quase gritei, havia um homem, que parecia ter seus 25 anos, sentado na mesa de jantar, olhando para mim. Fiquei sem reação, até ele dizer.
–Olha ela aí, já estava demorando querida, há tempos estou lhe esperando.
–Quem é você?- disse, minha voz falhou, o que me fez parecer uma idiota.
–Bem meu nome é Gunner, eu estava lhe procurando a muito tempo, e finalmente te achei.- o homem abriu um sorriso irônico, ele era belo, mas isso não o deixava menos assustador.
–E o que você quer de mim?- eu estava me segurando para não parecer assustada.
–Oh! Não se assuste Diana, ouvi dizer por essa cidade, que havia uma garota muito poderosa, tão poderosa que não conseguia controlar suas habilidades aos dezesseis anos, apenas os mais poderosos chegam a tal ponto.
Não se assustar? Como era possível? Ele sabia meu nome, aliás, quem naquela cidade não sabia mais?
–Você com certeza deve ter se confundido, eu consigo controlar muito bem minhas habilidades.
–Ah consegue? então por favor demonstre, eu adoraria ver.
–Olha aqui, eu não conheço você, não sei como diabos conseguiu entrar na minha casa, e eu não preciso provar nada a você.- era quase impossível não chorar naquela situação, mas eu fazia o máximo.
–Minha querida, não tema, eu consigo sentir seu medo daqui, eu apenas quero ajudar você.
–Quer me ajudar? Então sai da minha casa.
–Querida você não deve falar assim comigo, ou...
–Ou o que? Você não pode me ameaçar na minha casa.
Gunner se levantou da cadeira, e em um piscar de olhos ele apareceu na minha frente, me empurrando contra a parede, seus olhos eram castanhos, mas havia um vazio nele, como se aquele homem tivesse nascido pra não sentir remorso de nada que faria.
–Garota eu não estou aqui pra brincar, sabe eu até tentei ser gentil, eu vou ser bem breve, sabe esse seu poder? Bem, quando alguém nasce com ele, não é pra ser desperdiçado em alguém tão fraco, você entendeu o que eu quis dizer né? Okay, meu amor, eu quero ele pra mim, e quero que você o desenvolva, o expanda até ele ficar indestrutível. E quando isso acontecer, eu virei te buscar, e então a diversão vai começar. Você me entendeu?
–En-entendi.
–Ótimo! Acho que meu trabalho aqui já terminou. Eu quero que não demore muito pra fazer esse favorzinho pra mim querida, e não tente fazer nenhuma besteira, porque eu tenho olhos por ai.
–Certo, eu entendi- falei olhando para o chão, e com os olhos cheios d'água.
–Acho que está na hora de ir embora.- ele disse sorrindo e abrindo a porta, partindo.
Caí no chão de joelhos, e chorei como uma criança que estava perdida de seus pais, o que havia acontecido aqui? Aquele homem era louco, eu precisava sair daquela cidade o mais rápido possível, sim, eu precisava fazer isso, mesmo que eu precisasse deixar minha mãe, e o Dean, mesmo que eu precisasse deixar tudo que eu amava. Corri em direção as escadas, indo depressa ao meu quarto, peguei uma bolsa e comecei a pegar roupas e tudo o que eu precisava para sobreviver, eu sabia que minha mãe estava dormindo, então ela não acordaria por nada no mundo.
Desci as escadas peguei algumas comidas, e antes de ir embora, decidi deixar uma carta pra minha mãe. Peguei uma folhinha uma caneta e escrevi:
"Querida e amada mãe, me desculpe por esses anos não ser uma filha perfeita, desculpe por ter te chateado algumas vezes com nossas brigas bobas. Mas eu sempre vou te amar, sempre com todo o meu coração, diga ao Dean que eu o amo, e quero a sua felicidade mais que tudo. Vou precisar ir tá bom? Não venha atrás de mim, é pra segurança de todos, eu não posso te contar o que está havendo, mas quando tudo está bem, eu voltarei.
Te amo, Diana."
Eu me senti mal por fazer aquilo com ela, Mary sempre foi uma boa mãe, e com certeza ia enlouquecer ao ver aquela carta.
Peguei minhas coisas e quando abri a porta, Dean estava lá, deuses o que ele estava fazendo na minha casa, aquela hora? Eram onze e meia da noite, o que alguém faria a essa hora na casa de uma pessoa? Ele viu meu rosto vermelho, e minha maquiagem toda borrada por conta do choro, viu a mala, e olhou com uma cara que parecia ser raiva pra mim, perguntando:
–O que você está fazendo?
–Dean, sai daqui tá bom? ele me agarrou pelo braço e me arrastou pra dentro da casa, esperando que eu o explicasse o que estava acontecendo.
Ele logo viu a carta que eu havia deixado em cima da mesa, ele leu, suspirou e olhou pra mim.
–Você vai embora? Assim? Sem falar comigo, ou com a sua mãe? O que você acha que está fazendo, você tá louca?
–Não é assim, tão fácil, eu preciso ir Dean, tá bom? Eu não posso explicar o que é.-fui até a porta.
Ele me segurou e me jogou no sofá. Dean parecia estar ficando louco, ele olhou pra mim e começou a gritar:
–O que não é facil?! Você é louca! Queria sair de casa sem avisar a ninguém. Primeiro aparece na festa com aquele desconhecido, e agora quer sair de casa? O que deu em você? Você está se drogando ou o que?
–PARA! PARA!-fui até ele, eu estava chorando, na verdade eu não havia parado de chorar desde que ele havia lido a carta e me questionado sobre tudo.- Me desculpa, me desculpa,-falei o abraçando.-Eu preciso fazer isso por vocês, Jace não tem nada a ver com isso, eu vou explicar um dia, mais eu preciso te proteger.
Ele me afastou o suficiente para que pudesse olhar em meus olhos.
–Diana, eu não sei o que fazer, eu tenho que te proteger, o que te apavora? Me diz por favor.
De repente fiz algo que pensei que nunca faria na minha vida, o beijei, finalmente eu criei coragem, eu não o veria mais, e eu precisava fazer aquilo, ele me empurrou até a parede, e retribuiu o beijo, segurou firme na minha cintura o puxando para perto dele, ele foi descendo beijando o meu pescoço e retornando a beijar minha boca. O afastei e disse:
–Eu te amo Dean, eu sempre te amei, tá bom? Mas eu preciso fazer isso. E preciso que guarde segredo.
–Eu vou guardar, eu...eu- ele olhava pra mim, ele não sabia o que dizer, e nem sabia o que havia acontecido direito naquele momento.
–Não importa Dean, eu preciso ir- Fui até a porta, indo embora.
Não sabia pra onde eu ia, ou o que eu ia fazer, mas eu precisava por eles, seguir em frente.
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