– Você está a horas dirigindo, não acha melhor pararmos não?

– Você que está fugindo de algo, eu não, acha mesmo melhor pararmos?

– Sim, eu acho.

– Vamos dormir na floresta, eu não tenho dinheiro para pagar hotel ou algo do tipo.

– E porque na floresta?

– Porque é o lugar menos improvável de nos encontrarem.- ele sussurrou algo como "idiota" bem baixinho.

– O que você disse?

– Nada, está ficando louca?

De nada adiantava discutir com o Jace, e já havia me convencido disso a um tempo.

– Bem vou parar aqui, já está tarde, e não quero dormir no volante.- Ele olhou para mim e percebeu que eu estava meio desligada olhando através da janela para as árvores que balançavam com o vento.- Diana? Diana!

– O que houve Jace?

– Você...você não escutou...ah esquece.

Eu estava pensando na minha casa, na minha mãe, e no Dean...Dean, como eu sentia sua falta, falta do seu cheiro e de seus olhos que toda vez que eu olhava algo em mim ardia como...fogo.

– O que você está pensando?

– Em...bem, não importa.

– No Dean? Sinceramente aquele cara é um otário, como você gost...

– Cala a boca Jace, eu cresci com ele e desde que me entendo por gente eu o amo.

– É, mas ele fica se pegando com aquelas oferecidas do seu colégio.

– VOCÊ! SEU....

Saí do carro e fui para debaixo de uma árvore me sentei, envolvendo minhas pernas com meus braços, abaixei a cabeça e respirei fundo. Torcia para que Jace não viesse atrás de mim, para que ele ficasse naquele maldito carro e dormisse ali mesmo.

– Diana! Diana eu...- Jace olhava para mim do banco de motorista com a cabeça apoiada em sua mão esquerda. Ele saiu do carro indo em minha direção, me levantei e andei rapidamente para que ele não me alcançasse.

– Não quero ficar perto de você Jace.

– Mas eu preciso te proteger.

– Você já fez isso demais.

Jace correu para me alcançar e não adiantou eu ter tentado mante-lo longe, ele acabou me alcançado e agarrado meu braço.

– Eu...não fiz por mal.

– Claro que não você nunca faz.

Jace olhou para mim com tristeza, e tocou suavemente meu rosto, com a outra mão ele afastou uma mecha de meus olhos.

– Eu nunca quis te fazer sofrer, e se um dia eu fizer...me desculpe.

– O quer dizer com isso?

Jace pareceu não ter me ouvido, ele se aproximava cada vez mais de mim.

– Você mexe comigo.

Algo em mim parecia ter mudado quando ele falou isso, e cada vez que se aproximava meu coração batia mais forte. Até que seus lábios estavam um centímetro dos meus. Virei o rosto e me afastei dele, eu não podia...não amando o Dean.

– Desculpe.- Andei distante o suficiente para não olhar para ele, ou sentir sua respiração perto de mim.

– É ele não é? Isso é...ridículo.

Não dei ouvidos ao que Jace dizia. Me deitei na grama, perto de uma árvore, rezando para que o sono chegasse, eu não conseguiria dormir com tudo que havia acontecido naquele dia e...naquela hora.

Olhei para trás, Jace olhava para o nada, em pé, com os braços cruzados, seus cabelos de um vermelho puxado para o laranja, balançavam violentamente com o vento, as vezes me lembrava fogo, a cor não era igual, mas as vezes lembrava.

Lutei contra a vontade de abraça-lo, Jace era um garoto que as vezes parecia precisar apenas de um abraço e mais nada, ele era sozinho e solitário, não parecia confiar em ninguém nunca. E seja lá o que ele estava sentindo por mim, eu havia o magoado muito.

Me sentei de novo, com as costas apoiada na árvore, me senti culpada por te-lo causado isso. Me levantei e fui em sua direção, quando eu ia toca-lo, ele disse:

– Não acha que está tarde demais para ficar acordada?- Ainda permanecia de costas a mim.

– Queria saber se estava bem.

– Sempre estou Diana, não é porque você recusou um simples beijo que eu vou morrer do coração. Até porque eu não estou apaixonado por você.

– Claro, idiotice minha me preocupar com você.

– Realmente.

Idiota, idiota, idiota. Jace era muito egoísta e arrogante. Porque eu ainda me preocupava com ele.

– Você é um...

Jace virou para olhar para mim, agora curioso.

– Um o que? Diga.

– Esqueça, não vou perder meu tempo com você.

Ele me agarrou me puxando para perto de seu rosto, e ficou ali por uns 10 minutos, baixei o rosto percebendo que estava ficando vermelha, ele levantou pelo queixo, e tocou meus lábios com o polegar. Não fugi, fiquei ali, até porque ele ainda me segurava fortemente pelo braço. Ele se aproximava de momentos em momentos até que mais uma vez, fiquei centímetros dele, seu hálito batia em meu rosto, como se estivesse me puxando para mais perto dele, ali estava eu de novo naquele momento com ele. Ele soltou meu braço colocando as duas mãos em meu rosto, e me beijando, cada vez mais intenso, ele desceu uma de suas mãos, até minhas costas tentando puxar o flash, seu peitoral estava colado em mim, e eu podia sentir todos os seus músculos contra meu peito, sua respiração ficando de pouco em pouco mais acelerada, coloquei a mão em seu peito, quando ele puxou meu flash até metade de minhas costas. Me afastei o suficiente para olhar para ele, Jace estava tonto com tudo aquilo, e eu também, mas logo voltei a mim.

– Jace...

– Perdão, eu não...queria te assustar, indo rápido demais.

– Não é isso. É que...

– Você quer saber o que eu sinto por você?

– Bem, isso foi muito confuso para mim.

– E isso importa?

– Como?

– Importa se eu sinto algo por você ou não? Podemos apenas curtir como fizemos agora.

– Você o que? Você o que Jace? Sinceramente, eu quero que você vá embora.

– Pra sua infelicidade eu vou ficar aqui, e não vou a lugar algum. Eu estou aqui pra te proteger com ou contra a sua permissão.

– O que você tá tentando provar com isso? Que pode dormir comigo quando bem entender? Você nunca mais vai tocar em mim, seu...seu idiota!

– Basicamente foi isso, ah qual é! Você me acha atraente o suficiente para deixar eu te beijar dessa forma.

Comecei a chorar, não consegui parar, porque ele tinha que ser tão repugnante daquela maneira? e ainda tentando dizer que eu era uma meretriz, Jace havia passado de todos os limites. Ele olhava para mim sem nenhuma expressão, se virando de costas para olhar para o nada como estava fazendo antes.

Corri para longe dele, o mais longe que consegui, cai na grama chorando e olhando para o céu, de forma que tudo ficava embaçado, até que tudo ao meu redor foi pegando fogo, mais uma vez, eu estava começando a me acostumar com a ideia de que todas as vezes em que eu ficasse com raiva ou algo do tipo tudo ia começar a pegar fogo. Jace estava gritando por mim, provavelmente o fogo havia chegado até o outro lado em que ele estava, eu não dava a mínima, queria apenas sumir. Ou deixar que aquilo me consumisse por completo, eu podia sentir em meu sangue o fogo, cada célula do meu corpo queimando, mas não machucava, eu sentia como pequenos beliscões em todo o meu corpo, mas não passava disso. Meus olhos começaram a pesar, e eu acabei adormecendo, atrás pude ver o fogo desaparecendo aos poucos, e Jace gritando por mim.

Acordei no outro dia dentro do carro no banco de passageiro ao lado de Jace, ele estava dirigindo com os olhos focados na estrada de areia que ainda passávamos, não ousei abrir a boca para falar com ele, apenas me virei para a janela, depois de quase uma hora chegamos em uma lanchonete, ele saiu do carro e perguntou o que eu queria comer, eu não o respondi, sem paciência Jace entrou na lanchonete. Aproveitei e saí do carro, deixei minha bolsa no banco de trás mesmo, para que eu ia precisar? Mas com Jace eu não ficava mais um minuto. Ele deveria ter passado umas duas horas na lanchonete, porque enquanto corria pela estrada, não via um carro sequer atrás de mim. Até que parei, fiquei paralisada e não conseguia mover um músculo sequer.

Gunner estava bem na minha frente, parado com um sorriso maligno no rosto, ele vestia um traje social totalmente preto, e olhava para mim fixamente.

– Ora, ora, olha só o que eu achei aqui. Uma princesinha fugindo. Já lhe disseram que desobedecer é errado Diana?

Ele esperava que eu dissesse algo, mas permaneci calada.

– O que houve? Ficou muda? Precisa de ajuda para falar querida?

– Não senhor.

– Assim está melhor.

– O que o senhor faz por aqui?

– Bem, eu soube que você fez algo imprudente, fugiu de sua casa, deixando todas as pessoas que mais ama desprotegidos.

– Eu não fugi, queria apenas me distanciar de tudo por um momento.

– Por quase três dias Diana? Não acha um exagero?

– De maneira alguma.

– Você fez o que eu pedi?

– Não tive a oportunidade ainda senhor.

– Não? Me parece que você teve bastante tempo.

– Aconteceram umas coisas nos últimos dias.

– Ah certamente, eu soube que você teve problemas com um dos meus empregados.

– Ele...ele...

– Tentou tirar sua pureza? Ah sim eu soube, bem sempre digo para eles ficarem quietinhos e terem classe, mas alguns não conseguem se segurar sabe como é. Até porque quem não ficaria com uma menina tão bonita como você Diana?

– Ah sim, claro.

– Você me aborreceu muito, e se não quiser que algo de muito grave aconteça com sua mãe, acho melhor cooperar.

– Claro, claro eu vou. Não faça nada com ela por favor, eu lhe imploro.

– Não farei se me ajudar.

– Eu vou, eu vou.- Estava desesperada, quando olhei de volta, Gunner havia desaparecido.

– Deuses, o que eu faço?

– Começando a não fugir de mim quando eu estiver comprando comida para nós dois.

Olhei para trás, Jace novamente, ele tinha mania de aparecer e desaparecer quando bem entendia. Mas ele estava sem o carro, como havia chegado tão rápido ali? Não sabia se ele havia visto ou escutado tudo o que havia acontecido, mas também não perguntei, porque provavelmente não havia.

– Vá embora Jace, estou cheia de você.

– Eu sei, as pessoas as vezes se esgotam de mim por ser tão belo.

– Tenho certeza que não é por isso.

– Ah qual é Diana, você está chateada por ontem ainda? Pensei que havia superado.

– Claro, é fácil esquecer quando alguém basicamente lhe chama de prostituta.

– Você é muito dramática.

– Ótimo, vá embora.

– Quer saber? Cansei mesmo de você, vamos, entre no carro.

Jace me puxou até o outro lado da rua, me enfiando dentro do carro, entrando e rapidamente trancando as portas.

– O que você acha que está fazendo?!

– Eu sei de tudo, sei que pessoas estão atrás de você, por esse maldito poder, que de longe não me impressiona.

– Você...VOCÊ SABE DE TUDO?

– Sim, eu sei, e não grite comigo. Eles querem você pra completar o ciclo, com todos os setes poderes juntos vão poder governar todo o mundo, e assim criar uma nova raça que possuirá os sete poderes, os híbridos, só que você com o azar que tem, possui a fonte principal de tudo isso, o fogo, por isso não consegue controla-lo por ele ser tão grandioso, e por você, Diana, não ter sido preparada de forma distinta de todas as outras pessoas. Mas pra conseguir esse poder "tão sonhado" eles precisam matar você e tomar a sua essência.

– Como...como...- Eu havia engasgado com minhas palavras.

– Você nasceu pra isso Diana.

– Não, não, deixa eu sair, DEIXA EU SAIR JACE, EU QUERO SAIR!

Comecei a chorar, não podia ser verdade, não podia, eu não ia morrer por um poder idiota como aquele, e não nasci apenas para ser sacrificada no final.

– Diana, DIANA! CALMA, calma!

– Como você pode me pedir calma seu idiota?

– Você acha que só chorar resolve algo?

– Espera...pra saber de tudo isso...você...você.- Caiu a ficha, Jace estava atrás de mim como eles, só podia ser, não tinha outra explicação. Comecei a bater na janela, procurando por uma saída, gritando e chorando como uma louca.

– Diana...eu sinto muito. Eu não...sabia que ia ser assim.

– Deixa eu sair Jace por favor, eu lhe imploro.

Jace suspirou como sempre fazia, e começou a esmurrar o volante. fez isso por meia hora, até que parou e sem olhar para mim abriu as portas do carro.

Saí desesperadamente do carro, Jace continuou lá parado em seu carro, andei, andei, andei até que não aguentando mais cai no chão de joelhos, fiquei lá até que escurecesse de novo, Jace provavelmente estava lá atrás me observando em seu carro. Não ligava mais, tinha medo dele claro, mas o que podia fazer? fiquei ali, pensando e repensando em tudo o que ele havia me dito, imaginando até onde isso ia parar.

Jace se aproximou de mim, e eu logo caí para trás com medo que ele me tocasse.

– Saia! Sai daqui!

– Você está enlouquecendo Diana, precisa...precisa descansar, eu posso te levar para algum lugar seguro.

– Não Jace...não.

Jace não deu ouvidos, ele me levantou e me carregou em seus braços até seu carro novamente, eu não tinha forças pra mexer nem mais um músculo, e nunca, nunca conseguiria vence-lo.

– Jace....eu....eu te odei...- E desmaiei.