Além da Coragem - Livro 1
27 Capítulo 27
Notas iniciais
A casa de Libra:
Chegando à sétima casa nos deparamos com um imenso bloco de gelo no caminho. Era o esquife onde Camus aprisionara Hyoga. Vendo aquilo, só pude pensar nas duras palavras que dissera antes: \"Hyoga, como pude dizer aquilo? Esse gelo, que nenhum ataque de seus amigos consegue destruir, só pode ter sido feito pelo nosso mestre, Camus de Aquário. Você não foi capaz de lutar contra seu próprio mestre, não é? Eu também não seria. Me perdoe...\".
\"Por que? Por que falo o que não quero quando as coisas ficam difíceis? Por que falo essas coisas sem pensar? Será que estou tentando esconder alguma coisa? De mim mesma? Mas por que eu esconderia algo de mim mesma? Sempre que ajo desse jeito, acabo com esse profundo arrependimento...\". Meu coração doía, pensei que nunca mais veria o sorriso ou ouviria a voz de Hyoga, e isso me causava uma imensa vontade de cair em prantos, um desespero que me consumia por dentro.
Uma pequena vibração chega a nós, vinda do esquife. Hyoga ainda estava vivo, mas não tínhamos idéia de como tirá-lo de lá. Eu não dizia uma palavra, permaneci de punhos serrados, olhando para o rosto de meu amigo, que estava perto da morte, sem que eu pudesse fazer nada. Shun me observava discretamente, sabia o quanto eu estava agitada embora tentasse conter meus sentimentos. Não sei que habilidade era essa, mas ele sabia exatamente como me sentia, talvez por isso nos tornamos tão amigos depois.
O chão emana brilho, é uma luz dourada que vem de baixo do piso, de onde surge a armadura de ouro de Libra.
- Mas como? – diz Seiya – porque essa armadura apareceu aqui?
- É a armadura do meu mestre – responde Shiryu – ele a mandou para salvarmos Hyoga. Muito obrigado, Mestre Ancião!
A armadura de Libra é aquela vestida pelo Cavaleiro com maior senso de justiça, ela leva seis tipos de armas, todas aos pares, o que quer dizer que há uma para cada Cavaleiro de ouro. Elas são a barra dupla, a barra tripla, o escudo, a tonfá, o tridente e a espada. Atena não gosta de armas, pois elas seriam uma forma injusta de se chegar à vitória, portanto seus Cavaleiros devem lutar apenas com seus corpos, de forma correta e honrada. Mas quando o Cavaleiro de Libra julga que elas sejam necessárias, então as armas são distribuídas entre os Cavaleiros.
Shiryu deve escolher a arma certa para destruir o esquife sem machucar Hyoga, o que me deixava ainda mais apreensiva do que já estava. Mas me aliviei quando, usando a espada, ele transforma em pedaços o bloco de gelo, sem causar um arranhão no Cisne. Hyoga está quase morto, alguém teria de cuidar dele, mas o tempo é curto. Shun então se oferece para ficar. Seiya e Shiryu seguem para Escorpião, enquanto eu ainda fico para trás.
- O que houve, por que não os segue? – pergunta Shun.
- Sabe Andrômeda, você é o mais sensível dos Cavaleiros, por isso percebeu algo a meu respeito, tenho que deixar isso com Hyoga,vai protegê-lo.
Coloquei no pulso de Hyoga o amuleto do Tigre. Ao vê-lo brilhar em minha mão, Shun logo o reconhece, e percebe quem eu era, mas desapareci no caminho para a casa seguinte, antes que ele pudesse fazer qualquer pergunta.
Continua...
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