Além De Rubi
14 Capítulo 14
2 dias se passaram
Estava em casa, sozinha, como de costume. Caminhava de um lado para o outro, com a mão sobre minha enorme barriga, tentando escolher o nome da bebe, mas nem um me vinha a cabeça. Der repente sinto uma pontada forte em meu útero, e um líquido quente escorre por minhas pernas. Certamente a bolsa havia estourado.
Corri com dificuldade até o telefone e disquei o numero de Alessandro, que demorou a atender.
- Alô? — Disse ele.
- Alessandro — gemi com mais uma pontada.
- Rubi? O que está acontecendo? — Indagou, totalmente preocupado.
- Alessandro, me ajuda — Supliquei, me deitando no sofá — A bolsa estourou.
- O que? Fique calma, Rubi. Estou indo — Afirmou, desligando o telefone.
A dor era insuportável. Pontadas apareciam a todo segundo, e me faziam contorcer. Lágrimas escorriam por meu rosto, e finalizavam em meus seios, que por sinal, já estavam cheios de colostro. Minha visão estava turva e meu corpo cansado de se movimentar. Relaxei por algum tempo e apaguei.
~Alessandro narrando
A ambulância se aproximava da residência de Rubi, quando chegamos, abri a porta e imediatamente entrei em sua casa. Ela estava atirada no sofá, sua face e seu cabelo estavam molhados de suor, e seu vestido, molhado pelo liquido da bolsa.
Peguei-a no colo com a ajuda dos enfermeiros, colocando-a na maca. O veículo saiu disparado pelas ruas da cidade, demonstrando que alguém não estava bem. Chegamos ao hospital, e Rubi foi encaminhada para a sala cirúrgica. A acompanhava segurando firmemente sua mão.
- Teremos que fazer uma cesariana — Anunciou Josh enquanto outro médico a anestesiava. Abriram seu ventre, mas havia muito sangue no mesmo. Retiraram minha filha tão pequenina, que não expôs seu choro.
- Vamos anjo, respire! — Dizia uma enfermeira a ela.
- O que está acontecendo Alessandro? Por que ela não respira? — Indagou Rubi. Sua voz não passava de sussurros. Ela sorriu quando o chorinho ecoou pela sala.
- Aqui está sua filha Rubi — Falou a enfermeira, apresentando-nos o bebê mais lindo que já vi.
- Olá Aurora Cardenas — Olhei para Rubi sem acreditar no quanto o nome dado a nossa filha era lindo. Aurora significava Deusa da manhã, mas no caso dela, será a Deusa da manhã, da tarde e da noite.
- Olha só Alessandro, ganhamos o mais perfeito presente — Falou ela. Sua voz estava fraca. A enfermeira afastou Aurora, levando-a para a incubadora.
- A pressão doutor! — Gritou uma das enfermeiras. O aperto de Rubi foi suavizando e seus olhos revirando. Um barulho irritante invadiu a sala e todos enlouqueceram.
- TIREM-NO DAQUI — Gritou Josh.
- RUBI? Não pode me deixar!- Gritei, agarrando-a, sem resposta de um sequer movimento. Dois enfermeiros me arrastaram para fora da sala.
~Narrador
Rubi estava branca e sua pele, gelada. Seus olhos estavam abertos, mas já não reviravam. O doutor imediatamente pediu os desfibriladores, que foram pegos por um enfermeiro.
- Pronto?! — Indagou apavorado, sendo respondido com o aceno de cabeça do enfermeiro. O corpo de Rubi sacudiu quando o médico empurrou o aparelho contra seu peito.
Os níveis de seus batimentos aumentaram instantaneamente, mas logo voltaram a baixar. Assim, seguiu os desfibriladores, sendo pressionados contra o seu peitoral, o nivelamento aumentando ligeiramente, sua respiração alternando entre ficar mais fraca e mais forte. Esta mesma ação foi realizada por exatas sete vezes, até que o eletrocardiógrafo voltou a transmitir bips. A equipe médica deu um suspiro de alívio.
Enquanto isso, Alessandro se encontrava em desespero. Ele estava sentado no chão de sua sala, com os cotovelos sob os joelhos e as mãos tampando seu perfil.
- Alessandro, o que aconteceu? — Indagou Marcos, se aproximando do amigo.
- Ela se foi... Rubi me deixou — Respondeu ele, aos prantos.
- O que? — Perguntou, deixando a sala as pressas.
Ele vagou alarmado por todos os corredores do hospital Boa Ventura e chegando próximo a sala cirúrgica se deparou com cinco enfermeiros e Josh deixando-a.
- O que aconteceu? — Indagou.
- Rubi teve uma hemorragia grave, sua pressão subiu demais e ela teve início de eclampse. Por pouco não a perdemos — Ao ouvir aquilo, Alessandro, que seguia até a sala perguntou:
- Como ela está?
- Contemos a hemorragia, ela sofreu uma parada cardíaca Alessandro, mas a trouxemos de volta. Rubi voltou — Afirmou Josh, dando dois tapas no seu ombro — Ela está sedada.
- Obrigada — Agradeceu Alessandro, dando um leve e alivioso sorriso.
~Rubi narrando
Senti minhas pálpebras pesadas, era como se estivesse dormindo há dias, abri os olhos com certa dificuldade, minha boca estava seca. Olhei em volta e não havia ninguém, tentei levantar, mas senti uma mão em meu peito.
- Não pode fazer força, Rubi — Respirei aliviada ao ouvir aquela voz.
- Alessandro?
Continua {...}
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