Notas iniciais
Olá, leitores!
Primeiramente, gostaríamos de nos desculpar pela considerável demora, temos que admitir que é um tanto difícil escrever em dupla, considerando a distância.
Mas não abandonamos a história, e nem pretendemos! Continuaremos firmes e fortes até o último capítulo!
Boa leitura!!!

Andrea abriu a porta tão repentinamente que fez Amy se assustar, fazendo-a dar um pequeno pulo para trás. O rosto da tia se iluminou em um largo sorriso de boas-vindas ao rever a sobrinha, agora com 18 anos. Elas não se viam desde o aniversário de 16 anos de Amy, que havia crescido um bocado desde então.

Deixando sua mala de lado temporariamente, Amy deu um passo a frente para abraçar sua tia, cuja felicidade estava estampada no rosto. A mais jovem também partilhava do mesmo sorriso, pois desde criança, considerava Andrea sua tia favorita. Fora ela, também, que lhe permitira o primeiro contato com Astronomia, e que desde então não deixara de incentivá-la a seguir em frente.

Sim, Astronomia. Futuro que escolhera para si, faculdade a qual pretendia cursar até o fim, área em que pretendia trabalhar para o resto de sua vida. Astronomia se tornara sua paixão, desde seu primeiro contato com um telescópio de verdade até os dias de hoje, os sentimentos de Amy não mudaram.

A tia mandou-a entrar, e chamou a filha para dar as boas-vindas à prima. Ashley chegou segundos depois, e, assim como fizera a mãe, abraçou Amy calorosamente e sorriu-lhe, demostrando sua hospitalidade.

Ashley Ghez tinha mesma idade que Amy, e sempre gostara muito das visitas de sua prima. Seu largo sorriso fazia dela mais bonita, iluminando seu rosto fino e jovial. Seus cabelos loiros sempre bem cuidados caiam em cachos perfeitos, indo até a altura de seus ombros. Ashley sempre ouvia elogios do quanto era bonita, o que a fazia abrir outro sorriso, coisa fácil de ver em seu rosto, e fazia seus olhos verdes escuro ganharem um brilho característico, que lembrava os de desenhos animados.

_ Entre, Amy, vamos para a sala de estar. _ sugeriu a tia, caminhando para a sala.

A casa de Andrea era grande e bem arrumada. Ela sempre tivera bom gosto para decorações, na opinião de Amy. A casa era localizada num dos bairros residenciais daquela cidade, numa rua bem arborizada e calma. O barulho típico de cidade grande não importunava ninguém por ali. A casa se dividia em dois andares, sendo que os quartos ficavam em cima, e a cozinha, salas e escritório, em baixo. Passando com sua mala por um dos corredores, Amy avistou a porta do escritório de sua tia no final do mesmo, aberta. Dentro estava a desordem de sempre, exatamente como ela se lembrava.

Parada no corredor, Amy não conseguiu segurar um sorriso; recordava-se do dia em que primeiro soubera o que era um telescópio.

Ouvindo mais um dos chamados de sua tia, já na sala de estar, ela se apressou em deixar suas lembranças para trás, e retornar ao presente.

Tão logo Amy chegou ao aposento, Andrea foi lhe perguntando uma série de coisas, referentes à hospedagem da garota em sua casa. Em alguns minutos, sua mala foi levada para o andar superior por Ashley, e as duas anfitriãs deram espaço para ela se organizar.

Quando Amy terminou de desfazer sua mala, ela caminhou para a pequena varanda que havia em seu quarto, por trás de largas portas de vidro. Na varanda cabiam no máximo duas pessoas; era pequena, e ainda havia uma cadeira almofadada em um dos cantos. Lá em baixo, via-se o gramado do jardim dos fundos, pitando de prateado pelo luar. A amurada da varanda era de madeira tingida de branco, e refletia a luz da lua.

Amy apagou a luz do quarto ao entrar na varanda; queria admirar o céu, razão pela qual viajara para a casa de sua tia. A faculdade ficava a pouco tempo de carro dali, e trazia justamente a disciplina que Amy queria cursar.

Olhando para o céu, apoiada na amurada, a garota apreciou a beleza que estudaria pelos próximos anos e que conviveria pelo resto de sua vida. Conseguiu identificar com facilidade as constelações que conseguia avistar, entretanto, a visibilidade na cidade era deveras menor do que a do campo, embora o céu estivesse limpo.

_ Amy?

Da varanda, ela se sobressaltou ao ouvir a voz da tia. Nem sequer prestara atenção na porta sendo aberta atrás de si.

_ Ah, você está aí fora... Quase não notei com as luzes apagadas.

_ O luar é o suficiente aqui fora. _ ela se justificou.

_ Já desfez suas malas? Quando estiver pronta, o jantar está na mesa.

_ Vou descer agora mesmo. _ ela respondeu.

A tia e a sobrinha desceram juntas, e encontraram com Ashley à mesa de jantar.

Tão logo estavam sentadas e servidas, Andrea iniciou o assunto que a intrigava desde que soubera da vinda de Amy para sua casa.

_ Amy, qual faculdade pretende cursar, mesmo? – ela tinha suas dúvidas quanto à resposta definitiva da sobrinha.

_ Astronomia. – ela respondeu de pronto. _ Pensei que soubesse, tia. Nunca havia lhe dito?

_ Já havia mencionado, mas não sabia que era algo realmente definitivo. _ Andrea respondeu, se animando ao saber da escolha da sobrinha. _ Astronomia... Isso foi influência minha ou estou sendo presunçosa ao afirmar isso?

_ De modo algum. _ Amy respondeu, com um sorriso ao relembrar de dez anos atrás. _ Afinal, foi você mesma quem primeiro me mostrou um telescópio.

Amy notou que Ashley estava quieta demais no assunto. Não era do feitio dela guardar ideias para si.

_ Verdade, como fui me esquecer disso? _ a tia respondeu. _ Imaginei que fosse apenas um interesse seu, nada de mais sério...

_ Eu realmente quero cursar Astronomia; já decidi isso há algum tempo, embora não lhe tenha comunicado. Comecei a me interessar cada vez mais para o assunto, e, já que eu tinha facilidade em aprender o necessário…

_ Bem, me agrada muito saber que é realmente o que quer para si, Amy. Com certeza vai se dar bem... _Dizia a tia, enquanto apreciava a macarronada à sua frente _ Quero que saiba que pode contar com minha ajuda quando precisar.

_ Obrigada, tia, é muito bom saber disso.

_ Astronomia é uma ótima carreira para se seguir, embora tenha que se dedicar muito.

_ Tenho consciência disso, me lembro de quanto tempo você passava no escritório, não é mesmo, Ashley?

_ É verdade. _ Ela comentou, apenas.

_ Agora o escritório está liberado a qualquer hora que queira, Amy. _
Andrea comentou rindo. _ E você deveria saber que Ashley também vai entrar no mesmo curso! Não é uma boa notícia?

Amy sorriu para a prima, mas esta não correspondeu. Ao invés disso, se preocupou em corrigir mãe:

_ Não tenho certeza disso. É uma possibilidade. _ Amy constatou que devia ser este o motivo pelo qual estivera tão quieta. A mãe parecia mais animada em saber na possibilidade da filha entrar numa faculdade de Astronomia do que ela própria. Ashley parecia infeliz com a ideia, e Amy não fazia ideia do por que.

_ Porém adoraria cursar uma faculdade com você. _ Acrescentou a prima, desculpando-se pela rudeza de antes.

-_Apenas mais um motivo para você entrar para Astronomia, Ashley.

_ Eu já disse que vou pensar, mãe.

_ Qual seria a outra possibilidade além disso? – Amy perguntou, genuinamente curiosa. _ Ou possibilidades?

Ashley, mais uma vez, admitiu o tom sério que usara para falar com a mãe anteriormente:

_ Ballet.

_ Ainda com essa ideia de Ballet? _Andrea disse, de súbito, antes mesmo que a filha pudesse continuar a resposta.

_ Eu sempre tive essa ideia, mãe, e não larguei dela.

_ Seria uma bela carreira, mas tão diferente de Astronomia... – comentou Amy, incerta se deveria falar algo ou não: as ideias de mãe e filha pareciam, além de contrárias, resultar em discussões.

_ Ashley sabe Astronomia, então porque gastar essa habilidade com Ballet?

_ Eu tenho habilidade no Ballet. Até me sinto mais feliz ao me imaginar bailarina do que astrônoma. Além de tudo, quem tem que decidir qual carreira eu vou seguir sou eu mesma, não acha? Por favor, não insista no assunto. _Ela pediu, delicadamente.

_ Só estou lhe alertando para pensar bem, Ashley. Muitas pessoas que tem vontade de cursar Astronomia não podem, por diversos motivos… Desperdiçar oportunidades quando se tem uma é tolice.

_ Assim como muitas pessoas que tem vontade de cursar ballet não podem, mãe. Muitas delas justamente por terem seu talento renegado…

_ Ninguém está renegando seu talento, Ashley! Basta! Este não é um assunto para ser discutido agora. _Andrea disse, em um tom de quem põe fim à conversa.

Na manhã seguinte, Amy tomou o lugar no sofá ao lado de Ashley, enquanto esta zapeava despreocupadamente entre os canais da TV a cabo. Era cedo na manhã de domingo, e Amy ainda não vira nenhum sinal de Andrea pela casa. Já era seu segundo dia ali, e Amy aderira à rotina das duas moradoras.

Não se esquecendo da polêmica gerada pelo curso de faculdade que Ashley iria cursar, na noite em que chegara, Amy, a despeito de sua curiosidade de saber do interesse da prima em Ballet, temia causar o mal humor ou mais oposições entre mãe e filha caso ousasse dirigir uma pergunta a respeito disso. No entanto, gostaria de saber em que momento a prima passara a se interessar por tal coisa, e mais, gostaria de vê-la dançando. Astronomia e Ballet eram áreas completamente distintas.

_ Ashley. _ Amy a chamou, fazendo-a virar o rosto. _ Quando foi que você começou a se interessar por Ballet, se me permite perguntar? Sua mãe não pareceu tão alegre ao comentar esse assunto na outra noite.

_ É verdade, minha mãe quer tanto que eu vá fazer Astronomia que acaba reprimindo qualquer outro desejo meu. _ Ashley suspirou. _ Mas, respondendo sua pergunta, foi há tempos atrás... Eu era criança, e se lembro-me bem você ainda vinha periodicamente para cá.

_ É mesmo? Não me recordo de você mencionando qualquer coisa sobre Ballet...

- Ah, eu comecei na escola. Devia ter pouco mais de dez anos. Isso foi há tempos atrás... _ ela soltou outro suspiro, ainda zapeando pelos canais, parando apenas por alguns segundos em qualquer coisa que captasse sua atenção. _ Sempre achei algo tão gracioso. Tão belo. Mas acho que qualquer um acha belo aquilo pelo qual se fascina e porventura venha a ter como profissão.

_ Para Andrea não deve ser diferente, seguindo sua lógica. _ comentou Amy, com o olhar fixo na troca de canais.

_ E para você?

_ Para mim? – a pergunta pegou-a de surpresa. Sabia a resposta, é claro. _ Bem, o que você acabou de falar sobre o Ballet descreve perfeitamente Astronomia para mim. É algo belo. Algo lindo de ver, de se estudar... Realmente fascinante.

Ashley permaneceu quieta, refletindo por alguns segundos.

_ É fascinante, concordo. _Ela disse, no entanto parou por aí.

_ Mas...? – Amy perguntou, sentindo que havia algo mais que ela gostaria de acrescentar.

_ Mas não tanto quanto Ballet. _ Ashley parou em um canal que mais chamou sua atenção, e dessa vez não passou para o próximo. Nele exibia-se uma bailarina, sozinha num palco, tendo como plano de fundo uma calma música clássica. A luz de um holofote residia por sobre ela, seguindo-a por onde quer que dançasse no local. Era seu momento sozinha ali; seu momento de executar os passos bem ensaiados com perfeição, e encantar a cada um na plateia. Era jovem, e com certeza continuaria na mesma profissão por quanto tempo ainda pudesse fazê-la.

Encarando Ashley, Amy notou um brilho em seus olhos, que definitivamente ia muito além do reflexo do televisor.

_ Ashley, tem certeza de que essa dúvida é sua?

A prima encarou-a.

_ Astronomia é fascinante. Mas não é algo que eu queira para minha vida… É algo que minha mãe quer para minha vida. _Ela confessou.

Na noite seguinte, Amy, a convite de Andrea, seguira com a mesma para a faculdade, onde a tia atualmente comandava seus estudos. Ela, assim como a sobrinha, estivera muito ansiosa para mostrar o que viera desenvolvendo para Amy, e tinha quase certeza do quanto ela adoraria.

Quando Amy chegou ao local, acompanhada por Andrea, olhava a tudo com intriga e admiração. Já de longe pudera avistar a cúpula, e não via a hora de estar dentro do local. O escritório da tia era amplo e bem iluminado, e caracteristicamente desarrumado. No entanto, Amy tinha a sensação de que era apenas para ela aquela bagunça: a tia parecia saber onde tudo ficava com precisão, e nunca perdia tempo procurando por qualquer coisa que fosse.

Ambas então deixaram o local e seguiram para a cúpula mais próxima.

Ao contrário do que Amy esperava, não havia apenas um telescópio no local, mas três. O menor deles era bem fino, parecia ser feito de inox, estava apoiado em um tripé, apontado para leste.

À sua direita, havia outro telescópio, bem mais largo que o anterior. Este era totalmente preto, e estava apontado para o sentido oposto. Entretanto, quem olhasse através de sua lente conseguiria ver apenas a parede da cúpula.

No lado oposto do escritório, havia outro, ainda maior. Este era mais largo do qualquer outro telescópio ali, e estava apontado totalmente para cima. A abertura da cúpula estava à frente deste, levando Amy a constatar que este estava sendo utilizado, ou, pelo menos, havia sido utilizado por último.

_ Thor. _Andrea se aproximara de Amy.

_ Perdão? _A sobrinha perguntou, não entendo o que a tia dissera.

_ O nome deste telescópio é Thor. _ Ela repetiu, rindo. _ Todo telescópio tem que ter um nome, não é?

_ Tem?

_ Bem… Não. Mas é um costume meu.

_ Ah, ótimo. _ Disse Amy, sorridente. _ Thor é muito bonito.

_ Eu sei! _ Exclamou Andrea, se aproximando do telescópio e observando o céu através de sua lente _ É o telescópio mais potente desta cúpula. Ele tem quarenta polegadas, é equatorial, refletor, motorizado e com câmera digital embutida. _Ela informou _ Você sabe o que estas palavras querem dizer, Amy?

_ Sim! Quer dizer que este telescópio é simplesmente… melhor que o meu.

A tia riu, e disse-lhe:

_ Não se acanhe, pode observar tudo o que quiser.

_ Obrigada. _Ela então se inclinou de modo que alcançasse a lente do telescópio, e então teve a mais bela visão da noite. Lá estava ela: Arcturus, a esplendida alfa da constelação de Pastor. Seu brilho magnifico deixou Amy boquiaberta por alguns segundos, e, lembrando-se que não deveria tocar no telescópio, ela afastou-se. Não queria atrapalhar a pesquisa da tia, como fizera quando criança.

_Este aqui _Andrea disse, apontando para o menor telescópio _ Chama-se Soren. Como você pode notar, é o menor. Setenta e seis milímetros de abertura. Costumo observar a lua com este, que não é tão potente. Ele também é refletor. Para ser honesta, prefiro os refletores… Não que não goste de refratores, mas, concordemos…

_ Os refletores são melhores. _ Amy completou.

_ Já este aqui _ ela disse, apontando para o outro telescópio _ É um refrator. Cento e cinquenta milímetros, e chama-se Fritz. Ando observando Vega com ele. Conhece Vega, Amy?

_ A alfa de Lira, sim.

A tia sorriu-lhe. Estava admirada e feliz ao constatar que a sobrinha possuía algum conhecimento.

_ Tem alguma estrela que seja sua preferida?

_ Para ser honesta, tenho uma admiração especial por Sirius.

Andrea sorriu, e, neste momento, um homem adentrou a cúpula. Ao observá-lo atentamente, Amy notou que não era tão velho quanto imaginava. Na verdade parecia ser pouco mais velho do que ela própria, e talvez ainda estivesse cursando a faculdade. Seus cabelos eram curtos e de uma tonalidade incomum de vermelho. Os olhos acinzentados focaram imediatamente na garota, expressando uma clara curiosidade quanto a sua identidade. Apoiado na ponta do nariz estava seus óculos de aro fino, discretos, mas necessários. À medida que o rapaz se aproximava, Amy pôde que era ao menos um palmo mais alto que ela, e que trajava uma camisa social branca junto com jeans, algo extremamente casual.

Notando que não apresentara Amy a ele, a tia se apressou em introduzi-los.

_ Amy, este é meu ajudante aqui, que ainda cursa a faculdade de Astronomia, Thomas Wood. Thomas, esta é Amy, minha sobrinha.

Dando um passo a frente, Thomas estendeu sua mão para Amy, que ainda estava apoiava suas mãos no telescópio.

_ Olá, Amy. Como vai?

_ Bem, obrigada. E o senhor? _ Ela disse, apertando a mão dele em resposta. Achou o aperto extremamente gentil para ele, embora sua mão fosse envolvente.

_ Você… _ Ele corrigiu, sorrindo _ Vou bem, obrigado. E vou te confessar uma coisa, Amy… Não há como olhar para o céu e não notar Sirius, o esplendido! Essa estrela realmente chama mais atenção. Você não é a única a preferi-lo, acredite… Também é a minha preferida.

Amy sorriu ao ouvir tal afirmação.

_ Ótimo, já temos uma coisa em comum.

_ De fato. Bem, seja bem-vinda. Pretende trabalhar com a gente?

_ Oh, se tiver oportunidade… Começo na faculdade esse semestre. _ Amy explicou, com uma ponta de orgulho por poder afirmar isso a um quase desconhecido.

_ Andrea, você me traz uma novata! _ disse ele, em claro tom de brincadeira. Diante o rubor causado em Amy, continuou a falar: _ Aposto que vai ser uma boa astrônoma. Afinal, tem a quem puxar.

_ Obrigada, Thomas. _ ela agradeceu, um pouco mais à vontade.

_ Ela vai, com certeza. _ disse a tia, andando de um lado a outro.

Ao ser convidada a participar das atividades de observação daquela noite, Amy aceitou na mesma hora. As horas se sucederam rapidamente enquanto ela observava o céu, e Amy podia, com toda certeza, chamar de diversão o que estava tendo, além de inigualavelmente interessante. Vez ou outra se juntava a Thomas, e o observava ou recebia explicações dele.

_ Thomas, Amy, vou sair por alguns minutos... Volto em breve. _ Andrea disse repentinamente, saindo antes que algum dos dois pudesse dizer algo.

Quando a porta fechou, Thomas comentou displicentemente:

_ Ah, não ligue para ela, faz isso toda hora.

Amy riu do comentário, mas depois admitiu um tom sério.

_ Eu admiro muito o trabalho dela.

_ Somos dois então.

O silêncio durou apenas alguns segundos.

_ Thomas, como você veio trabalhar aqui? _ ela perguntou, curiosa.

_ Na verdade não é bem trabalho; eu não recebo muito por ficar aqui. Sabe, o curso ainda não está completo, então não sou profissional de verdade.

_ Do mesmo jeito, já deve estar quase formado...

_ Verdade. _ ele confirmou. _ Não vejo a hora de verdadeiramente trabalhar com isso...

_ E eu estou apenas começando. _ disse Amy, com um suspiro, pensando em todo o trabalho que teria pela frente.

_ Não se preocupe, você nem vai reparar quanto tempo vai ficar presa no mesmo problema de física, no mesmo trabalho pra entregar no dia seguinte... _ ele respondeu com um sorriso irônico.

_ Muito obrigada pelo apoio moral. – ela respondeu e retribuiu o sorriso. _ Agora sei que vou ter um ótimo tempo aqui.

_ Agora de verdade, não se preocupe, você vai ter um bom tempo aqui. _ ele disse, assumindo um tom sério. _ Além do mais, sua tia é astrônoma, e não é qualquer uma, então o que você está temendo?

Amy sorriu, respondendo:

_ Realmente. Talvez isso seja de alguma ajuda. Mas se você chegou até aqui também já é algo incrível.

_ Nem tanto. _ Disse ele, um tanto modesto. _ Acredite, você vai se espantar com a quantidade de gente que poderia ser capaz de alguma coisa aqui, mas não quer nada com a vida. Eu me considero uma exceção, e acho que por isso estou aqui.

_ E conseguiu permanecer aqui. _ Amy falou, apoiando o corpo na bancada _ Não se desmereça tanto.

Ele inclinou a cabeça, ponderando por alguns segundos, depois confirmou.

_ É, eu geralmente me desmereço um pouco, sim. _ ele disse. _ Não deveria, eu sei... Mas sou assim. E você parece bastante do tipo que não gosta de ver gente assim.

_ Supondo que isso tenha sido um elogio, obrigada. _ ela respondeu, incerta.

_ Foi gentil da sua parte, o que disse. _ ele completou, para confirmar.

_ Então realmente obrigada. _ ela falou, sorrindo. _ Mas não creio que esteja certo quanto ao que disse antes. Não é que eu não goste de gente assim, eu só prefiro vê-los reconhecendo a si mesmos.

_ É uma parte importante do trabalho, isso é inegável. _ Thomas parara de prestar atenção no que estivera fazendo, e ao invés disso, conversava com Amy, sentado em uma cadeira rolante próxima. _ Mas, como pode ver, não é meu forte. _ Ele se reclinou na cadeira, e escolheu trocar um pouco o assunto _ Foi influência de sua tia esse seu interesse por Astronomia?

_ Como sabe? _ ela perguntou, suspeitando que Andrea a tivesse mencionado para Thomas. _ Foi mesmo influência dela. Eu primeiro vi um telescópio quando criança, passei a me interessar... Na verdade, foi um pouco diferente...

Sorrindo, e se perguntando por que estava contando aquela história para Thomas, Amy entrou na narrativa de quando ainda era criança, e havia mexido, inocentemente, no telescópio de Andrea, bagunçando suas coordenadas. A história causou risos por parte de Thomas, pois comicamente retratava como Amy fora ingênua naquele dia. Ela acompanhou-o nas risadas, rindo de si própria. A partir daí, os dois entraram na troca de histórias de infância, hora cômicas, hora um tanto preocupantes, mas no geral, histórias de infância. Os papéis e os instrumentos astronômicos residiam em seus devidos lugares, parados, e não tendo atenção por nenhum dos dois presentes na sala.

Quando Andrea retornou, Amy e Thomas ainda continuavam trocando ideias, o assunto fluindo naturalmente. Percebendo que Andrea retornava, Thomas fez uma piada qualquer no assunto em que atualmente estavam, e logo voltou sua atenção para os estudos, como se nunca tivessem se desviado desse mesmo assunto. Amy gostara da companhia do jovem, e esperava que tornasse a vê-lo outra vez, sem estarem limitados ao foco do trabalho ali.

Notas finais
E então? Gostaram? Não se esqueçam de deixar sua opinião nos reviews... Até o próximo capítulo!