Akumu
1 Prólogo
Notas iniciais
PRÓLOGO
Olhando através da janela do carro, a chuva parecia calma. Os olhos esmeraldas fechavam-se com desgosto. Era a última vez que veria aquela cidade, a última vez que veria seus amigos e, enfim, a última vez de tudo.
— Pare com essa cara de choro, Sakura. — Sua mãe resmungou, enquanto procurava alguma estação de rádio que estivesse dando notícias. — Não é como se fosse morrer.
— Vocês não entendem. — Ela resmungou, enquanto observava os dois, que pouco pareciam se importar do estado emocional dela. — Eu tinha amigos, eu era a mais inteligente do colégio, faz ideia de quantos anos eu demorei para que eu fosse reconhecida lá?!
— Que dramática. — Mebuki arrumou os fios loiros e voltou-se para sua filha, que mantinha uma cara emburrada e quase chorando. — Fará novos amigos, quem sabe ainda melhores? E talvez um namorado!
— Eu não quero novos amigos! Quero os meus antigos amigos. — E então, cairiam algumas lágrimas do rosto frágil, que logo se encolheu no banco de trás do carro. — Por favor, me deixem morar com alguém...
— Chega, filha. — Seu pai reclamou, dando um leve suspiro. — Está parecendo uma criança, falando essas coisas! Ou por acaso voltou há ter dez anos?
— Isso mesmo, obedeça a seu pai.
Os cabelos róseos foram acariciados por sua mãe, que sorria.
— Vai ficar tudo bem, acredite em mim.
— Durma um pouco. — Seu pai falou, concentrado na estrada. — Quem sabe você refresca um pouco sua mente.
Os olhos foram fechados, ela estava realmente exausta. Não havia dormido na noite anterior por conta da mudança. Com os olhos fechados, tudo ficou tão escuro, que parecia a primeira vez que fechava os olhos.
E então, Sakura dormiu.
Tudo estava escuro, não havia um resquício de luz naquele local que ela nem sabia onde era tentava apalpar qualquer objeto que tivesse a sua volta, porém não teve sucesso. O máximo que encontrou foi a parede.
Foi então que ouviu um barulho, quase umgrunhido. Passos ecoaram naquele local vazio, e logo ela sentirá quealgo se aproximava lentamente, e então, deu um grito.
Ela havia sentido o próprio mal tocando nela.
— Chegamos, filha. — Sua mãe a chacoalhara. — Bem vinda a nossa nova casa!
A breve chuva calma que tinha no começo da viagem, havia se tornado uma forte tempestade e praticamente tinha o potencial de um furacão. Sakura tremeu e tocou em sua própria mão, checando se estava tudo bem.
Adolescentes e adultos passavam nas ruas as pressas por conta da tempestade. Um loiro que falava alto a chamou atenção, em companhia com um moreno que parecia ignorar quase tudo que o amigo falava.
Sakura desceu do carro, e trocou olhares com todos que estavam passando por ali, principalmente pelos dois que estava observando.
— Ei, ei. Quem é aquela ali? — O loiro perguntou para o moreno, em um sussurro onde o outro adolescente sequer deu resposta. — Bonita... Parece que chegou alguém interessante.
O moreno sentiu algo o domar, porém somente na sua mente. Só ouviu-se o eco de uma voz fraca e de certo modo, sombria que sussurrava lentamente cada palavra:
Eu te achei
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