Akireru Kurai
27 Pimenta malagueta
Notas iniciais
~ LUCY POV'S ON ~
Acordei com o celular tocando. Droga! Quem estava me ligando a essa hora? Olhei para o relógio e percebi que já era meio dia. A noite de ontem tinha sido longa, qual é? Eu precisava dormir!
~ FLASHBACK ON ~
– Ué cadê a Levy? – Perguntei ao encerrar o beijo.
– O Gajeel também não está. – Disse Natsu percebendo a falta do moreno.
– Será que devíamos ir procurá-los? – Perguntei preocupada.
– Deixa eles! Aposto que estão se divertindo mais que esses dois aqui. – Disse Natsu apontando com a cabeça para Erza e Jellal que estavam praticamente se engolindo O.O
– A-acho melhor deixarmos os dois a sós. – Respondi olhando espantada para a cena.
– Vamos. – Disse ele me arrastando.
– Mas e a conta?
– Eles pagam... – Falou Natsu saindo de fininho.
Andamos alguns minutos pela praça de mãos dadas conversando apenas sobre coisas banais, até que Natsu teve uma brilhante ideia:
– Nee Lucy, o que acha de darmos uma volta?
– Nós já não estamos dando? – Perguntei irônica.
– Não assim... Vou buscar meu carro! – Disse ele me arrastando.
– Espera Natsu! Carro? Pra onde quer ir? – Perguntei confusa. O que ele pretendia?
– Sei lá. Vamos apenas sair por aí. – Disse ele dando de ombros sem ao menos olhar para trás. Pra quê tanta pressa?
– Natsu, eu não quero ver meu pai ainda... – Falei o parando. Natsu estava sem carro o que significava que ele iria até sua casa, onde por acaso ficava ao lado da casa do meu pai.
– Ele provavelmente não estará lá. – Falou voltando a me arrastar.
– Mas Natsu já está escurecendo. – Disse olhando para o céu, onde pequenas estrelas começavam a surgir.
– A noite é uma criança baby. – Falou Natsu com uma voz sexy piscando para mim. Não pude contestar depois disso, por isso resolvi o seguir.
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– Me espere aqui. Vou lá dentro buscar meu bebê. – Disse Natsu me deixando do lado de fora da mansão.
Não pude deixar de olhar para a mansão ao lado. Tudo parecia continuar igual. Provavelmente Virgo-chan, há essa hora, estaria preparando um delicioso bolo de laranja. Sentia saudades dela. Era como se fosse minha mãe, sempre cuidando de mim. E papai? Como será que estaria?
– Papai. – Sussurrei seu nome. E como se correspondendo a esses pensamentos, avistei-o olhando distraidamente para o céu do outro lado da rua. Por que ele estava ali? Papai mal saía de seu escritório e quando resolvia colocar a cara na rua era sempre de carro.
– Lucy? – Disse ele avistando-me. – LUCYYYY!! – Gritou correndo em minha direção. Droga! Não podia falar com ele. Não agora. De repente Natsu saiu com seu carro da garagem, parando para eu poder entrar. Entrei rapidamente e deixei para trás meu pai gritando meu nome.
– Lucy tudo bem? – Perguntou Natsu desviando o olhar da estrada.
– Claro. E por que não estaria? – Perguntei dando um de meus melhores sorrisos.
– Me responda você. Por que está chorando? – Perguntou voltando a atenção para o volante.
Passei a mão no meu rosto e percebi que lágrimas caiam solitárias e descontroladas. Voltei a olhar pela janela onde pequenos pingos de chuva caiam. Doía falar sobre meu pai então, resolvi permanecer calada. Natsu também não tocou mais no assunto e seguimos para algum lugar em silêncio.
– Natsu pra onde estamos indo? – Perguntei quando ele saiu da pista e entrou em uma pequena estrada de terra minutos depois.
– A um lugar especial que eu... – Disse Natsu parando logo a seguir junto com o carro.
– Natsu o que houve? – Perguntei espantada.
– Ou ou... – Disse ele tentando sair com o carro, mas sem sucesso.
– Ou ou? Não me diga que...
– É. Acho que a lama atolou o carro. – Disse ele sem graça.
– Vai lá e desatola. – Falei autoritária. Já não bastava o que aconteceu com meu pai tinha que acontecer isso, AINDA MAIS A NOITE?! Ele apenas suspirou e saiu do carro tentando empurrá-lo.
– Lucy! Não consigo sozinho, dá pra me ajudar? – Gritou ele do lado de fora.
– Desculpe fofo, mas foi ideia sua vir até aqui. Além do mais, você não faria uma dama como eu empurrar o carro certo? – Perguntei irônica o olhando pela janela.
– Dama? Você? – Perguntou ele gargalhando como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.
– Do que está rindo idiota? – Perguntei saindo do carro e colocando as mãos na cintura.
– Desculpe Lucy, mas você está mais pra uma barraqueira do que pra uma dama. – Falou ele se segurando para não rir.
– Quem você está chamando de barraqueira? – Disse me aproximando dele.
Quando Natsu percebeu que eu não estava com boas intenções começou a correr, mas isso não durou muito tempo já que ele acabou levando um belo escorregão e caiu de cara na lama. Tentei abafar o riso com a mão, mas não foi possível e acabei caindo na gargalhada.
– Está achando isso engraçado é? – Falou o rosado sorrindo marotamente com o rosto todo sujo.
– Natsu, por favor... – Pedi vendo ele se aproximar com um punhado de lama na mão.
– Você que pediu fofa. – Disse ele a jogando de forma certeira no meu rosto.
– SEU IDIOTA! – Gritei pegando outro punhado de lama e arremessando contra o cabeça de purpurina.
– Agora definitivamente você vai me ajudar a empurrar esse carro! – Disse ele correndo atrás de mim.
Fugi desesperada e entrei no carro (no banco de trás) tentando fechar a porta, mas Natsu foi rápido e sentou em cima de mim, fazendo-me ficar embaixo dele.
– Natsu sai de cima! – Disse tentando empurrá-lo em vão.
– Agora você me paga! – Disse sorrindo maliciosamente.
Ele prendeu minhas mãos no topo da minha cabeça, fechou a porta atrás de si e voltou a me encarar.
– Natsu me larga... – Choraminguei o fazendo se aproximar mais.
– Sei que você quer isso tanto quanto eu Hiyoko. – Sussurrou em meu ouvido causando-me um arrepio.
Fechei meus olhos ao sentir suas mãos passeando pelo meu corpo. Ele deu leve mordidinhas no meu pescoço coberto de lama e passou para o meu queixo. Segurei seus cabelos com força e uni nossos lábios o beijando intensamente, sentindo sua língua vasculhar cada canto da minha boca.
Será que este é o momento certo? Será que realmente estou pronta? Natsu encerrou o beijo e me encarou, seus olhos ardiam em desejo. Ele ia voltar a me beijar, mas ele acabou sendo interrompido por batidas na porta do carro.
– Argh! Numa hora dessas? Por que nunca conseguimos Frank? – Choramingou Natsu para o amiguinho me fazendo corar.
As batidas continuaram. Ele pulou para o banco da frente e abriu a janela que estava incrivelmente embaçada.
– Desculpe meu jovem. Mas o que faz aqui a essa hora da noite? – Perguntou o policial apontando a lanterna para o rosto de Natsu e depois para o resto do carro.
– Meu carro atolou e eu e minha garota resolvemos aproveitar. – Disse o idiota na maior cara de pau.
– Seu guarda não é nada disso. O carro atolou e decidimos esperar pelo guincho. Então ficamos aqui ouvindo música. – Falei extremamente corada inventando uma desculpa.
– Mas o rádio não está ligado. Poupe-me senhorita! Pra fora os dois! – Mandou o guarda bigodudo.
Saímos do carro sem discutir. Natsu explicou a história com detalhes fazendo o policial nos dar uma bela de uma bronca por nos enfiarmos no meio do nada, a noite, e ainda estarmos fazendo coisas inapropriadas para menores de dezoito anos. O bigodudo nos ajudou a empurrar o carro e Natsu me levou pra casa sem dizer uma só palavra.
~ FLASHBACK OFF ~
Olhei para o celular e vi no visor : “Levy”
– Alô? – Perguntei
– Lu-chan? Finalmente! Que demora! Te acordei ? – Perguntou minha amiga do outro lado da linha.
– Nãaaao Levy! Eu estava em coma e você acabou de me salvar. – Respondi irônica
– Xiii... Já percebi que você está de mau humor. E a tonta aqui querendo contar as novidades. É assim que você trata sua amiga que sempre te deu apoio? – Dramatizou Levy.
– Ok. Conte-me o que aconteceu ontem? – Disse gargalhando. Levy era sempre tão dramática, mas fazer o que ela é minha melhor amiga...
– Não por telefone. Me encontre no centro da cidade AGORA! Vamos às compras! – Disse Levy mandona.
– Tá tá. Te vejo lá.
Desliguei o telefone e fui me arrumar para o tal encontro. Eu definitivamente teria que colocar muuita maquiagem para esconder as olheiras que marcavam meus olhos. Natsu não havia saído da minha cabeça um minuto sequer. Suspirei pesadamente e desci as escadas rumando para o centro de Magnólia. Quem sabe comprar algumas coisinhas não me faria sentir melhor?
~ LUCY POV'S OFF ~
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Lucy, Levy e Erza andavam tranquilamente pela cidade carregando bolsas e mais bolsas de lojas simples de Magnólia. Já estavam cansadas e decidiram parar em uma lanchonete para comer algo.
– Compramos coisas e mais coisas, conversamos, mais até agora ainda estou sem saber o que aconteceu com vocês ontem. – Disse Lucy sorrindo maliciosa para as duas meninas coradas em sua frente.
– Eu e Gajeel estamos namorando! – Levy foi a primeira a dizer levantando a mão e mostrando uma pequena aliança prata em seu dedo anelar.
– NÃO CREIO! VOCÊ E O GAJEEL? PARABÉNS LEVY! – Disse Lucy alegremente abraçando a amiga.
– Mas ele já te deu um anel? Como assim?! Vocês ficaram pela primeira vez ontem, certo? – Perguntou Erza admirada. Esperava que ela e Gajeel fossem se entender, mas nunca imaginara que a amiga já estaria de compromisso sério.
– Bem mais ou menos... – Sorriu Levy maliciosa. – Na verdade, quase nos beijamos em sua casa pouco antes da apresentação do trabalho de Romeu e Julieta.
– SABIA! – Gritou Lucy. – Eu sabia que aquela implicância toda entre vocês era amor. – Disse a loira vitoriosa.
– E como aconteceu? – Perguntou Erza curiosa.
– Nós estávamos na casa dele para fazermos o tal trabalho. Rolou um clima fomos nos aproximando e nos aproximando e...
– E...? – Perguntou Lucy na expectativa.
– E que eu fiquei nervosa, me afastei e fui pra casa. – Completou ela desanimada.
– Pensei que já gostasse dele naquela época. – Disse Erza erguendo uma sobrancelha.
– E gostava, mas parecia tão impossível e eu estava tão nervosa... Me arrependi amargamente por não tê-lo beijado que jurei que da próxima vez que eu tivesse outra oportunidade iria me atirar em cima dele.
– E você fez isso ontem? – Perguntou Erza espantada.
– Quase... Por que tanta surpresa? Não era eu quem estava praticamente fazendo sexo com Jellal na sorveteria. – Alfinetou Levy fazendo a ruiva corar.
– E-eu... – Disse Erza gaguejando sem parar.
– É mesmo Scarlet... Como foi que você e Jellal se acertaram? Onde estava à dona: “Não preciso de homens”? – Perguntou Lucy com os olhos semicerrados e com um sorriso maroto.
– Jellal é só uma diversão ok? Eu descobri que não preciso ficar realmente afastada dos homens. Como eles podem me machucar se serei eu que estarei os usando? – Disse Erza como se fosse um plano infalível.
– Erza isso é cruel. Os homens também têm sentimentos. – Disse Levy balançando a cabeça negativamente. Ela entendia que a atitude da ruiva era apenas para evitar se machucar, mas o que ela estava fazendo era errado.
– Eles não têm não! Vocês sabem o quanto aquele idiota do amigo do Hibiki me machucou! – Disse Erza exaltada.
– Quem? O Ren Akatsuki do colégio Blue Pegasus? – Perguntou Levy tentando se lembrar. – Qual é Erza?! Isso faz muito tempo! Jellal não é como ele!
– Como você pode saber? Todos os homens são iguais! Por isso não mudarei minha opinião, quer você querendo ou não. – Disse a ruiva brava.
– Ok. Você que sabe, mas não venha chorar depois. – Falou a azulada acabando com o assunto.
– E você Lucy? Por que está tão calada? – Perguntou Levy mudando de assunto.
– Eu? Não não. Só pensando. – Disse a loira voltando a Terra.
– Seus pensamentos têm nome e sobrenome não é? – Perguntou Erza sorrindo maliciosa.
– Argh! Natsu está me tirando do chão! – Falou Lucy assanhando os cabelos.
– Pensei que estivesse indo bem com ele. – Estranhou Erza.
– É justamente por isso! Ontem quase demos um segundo passo e não sei se estou realmente pronta. – Falou a loira corada.
– Quem me dera se o Gajeel fosse assim rápido. – Sorriu Levy pervertida. – Olha Lucy, você não tem que pensar! É só sentir. Se você o ama e realmente confia nele, não tem por que ter dúvidas.
–Você acha? – Perguntou a menina insegura.
– É claro. Sexo não é algo do outro mundo se você o ama, vá em frente. – Disse a azulada de forma madura.
– Onde você aprende tudo isso? – Perguntou a loira rindo.
– Nos livros onde mais. Você realmente acha que eu só leio sobre mundos encantados e fadas? – Perguntou Levy marota fazendo Lucy rir.
– Mas e se ele não gostar de mim? Quero dizer, é minha primeira vez e ele provavelmente já deve ter feito com outras garotas antes. Não quero decepcioná-lo. – Falou a loira apreensiva.
– Vamos a um lugar. – Falou Levy arrastando as duas.
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– Sex shop pimenta malagueta? – Perguntou Lucy abismada vendo o nome da loja.
– Para gays, homens e quem senta? – Continuou Erza lendo o slogan da tal sex shop.
– EU NÃO ENTRO NESSE LUGAR DE JEITO NENHUM! – Gritou Lucy alterada se virando para ir embora.
– Você quer perder para as outras mocréias que Natsu já pegou? – Perguntou Levy a segurando.
– Não, mas eu também não quero entrar aí! – Choramingou a loira.
– Olha, só vamos comprar algumas lingeries e damos o fora. – Falou a azulada calmamente.
As três entraram no local completamente coradas. Nem Levy poderia imaginar que ali haviam coisas tão... tão... criativas?
– O que é isso? – Erza perguntou segurando um objeto.
– É um pênis de ponta dupla para lésbicas. – Falou uma vendedora simpática.
– Ewwwwww! – Gritou Erza derrubando o objeto no chão. Não que ela tivesse algo contra homossexuais, mas aquilo parecia ser demais para ela. – A-acho que vou esperar lá fora. – Disse a ruiva saindo.
– Posso ajudar? – Perguntou a vendedora rindo da inocência da menina.
– Queremos ver lingeries. – Disse Levy animada. – As mais sexys que existirem!
– N-não pre-precisa ser tão sexy! – Exclamou Lucy envergonhada. Levy a fazia passar por cada uma.
– Já entendi. Algo sexy e ao mesmo tempo anjinho? – Perguntou a vendedora calmamente. Dava para notar que as meninas nunca haviam entrado em lugar como aquele, teria que ter muita paciência.
– Pode ser. – Falou Levy ponderando a pergunta.
– Tenho a coisa certa para vocês! – Falou a vendedora animada procurando entre as várias peças íntimas que ali existiam.
– Não é para mim! É para ela! – Falou Levy corada apontando para Lucy.
– Obrigada Levy. – Disse a loira irônica. Quando as coisas se tratavam da azulada, aí ela resolvia ficar corada, mas quando o problema era de Lucy era muito fácil empurrá-la para um sex shop.
– O que acha desse? – Perguntou a vendedora mostrando um modelo branco com uma abertura visivelmente transparente na frente.
– Algo mais sutil, por favor. – Disse Lucy corada e ao mesmo tempo apavorada.
– Esse? – Perguntou a mulher mostrando um modelo de calcinha azul claro belíssimo. Lucy havia adorado, porém quando a vendedora mostrou o lado de trás, ela quase caiu dura. Havia apenas uma pequena e finíssima tira azul, que deixaria a mostra praticamente tudo.
– Não. – Falou Lucy balançando as mãos na frente de seu corpo em ato de negação.
– Me desculpe querida é que a maioria das mulheres querem algo mais ousado. E que tal este? – Perguntou a mulher apontando para uma lingerie rosa bebê com detalhes de renda e desenhos de delicadas flores pretas no busto. Era perfeito!
– Ela vai levar esse! – Falou Levy admirando a peça.
– E você não vai querer nada? – Perguntou a vendedora amigavelmente.
– Não, me desculpe. – Falou a azulada sem graça.
Lucy pagou pela peça e as duas saíram encontrando uma Erza pensativa sentada na calçada.
– O que está fazendo Scarlet? – Perguntou Lucy rindo da cara de desligada da ruiva.
– Como elas usam aquilo? – Perguntou Erza fazendo as duas amigas caírem na gargalhada.
As três deixaram o local e seguiram para casa. Agora que Lucy estava preparada, era só partir para a guerra!
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