Akatsuki
3 Capítulo 2 - O dever
Notas iniciais
Nós nos sentamos de frente para a praia. A maioria dos casais já fugiram, me deixando com tempo de sobra. Eu tinha guardado uma cesta de piquenique perto da estátua de Vênus, feito por um dos nossos ex-alunos. Estendi a toalha que guardei dentro da cesta, na grama. Convidei Ralos a se sentar. O coitado esta todo constrangido. Mal consegue olhar para mim. Mas no final consegui convencer ele a se sentar perto de mim. Como não tomei café da manhã, levei café, sanduíches e bolinhos de arroz para o piquenique.
– Então – comecei – Você quer me explicar porque achou que te convidei para um encontro?
Ele enrubesceu. Cena imperdível. Se eu tivesse levado minha câmara…
– Não quer falar? Sabe, se você tivesse me pedido para sair, vestido assim, talvez eu teria aceitado.
Ralos ficou vermelho como uma tomate. Mas vi um lampejo de esperança passar por seu rosto. Será que ele se apaixonou por mim?
–Não vai falar nada mesmo? Por mim tudo bem. Até é melhor, porque tudo que vou precisar de você agora são seus ouvidos.
– A 3a Guerra Mundial aconteceu por causa de um vírus. Você sabe qual é?
– É o Doom, né?
– Não idiota, é o “My Doom“. Na época, a Coreia do Norte estava ameaçando os Estados Unidos com bombas nucleares. Por ser um país pequeno e também subdesenvolvido ninguém deu importância ao Ditador, Kim Jong-un. Algumas providências foram tomadas mas foras isso, nada. Pena, porque terroristas tomaram conta do sistema lançador de mísseis. O “My Doom“ criou um “backdoor“, assim os terroristas tinham total controle do lançamento. Não se sabe porque ou quem fez isso mas, eles selaram o nosso destino. Os mísseis foram ativados com o destino para China. Ela, não acreditando que a Coreia a atacou, acusou o Japão e os Estados Unidos. Mas os hackers também tinham acesso a outros mísseis. Foi uma confusão danada. Eles ativaram todos os mísseis com destinos aparentemente randómicos. As áreas mais afetadas foram a Inglaterra, os Estados Unidos, as duas Coreias, o México, praticamente o Oriente Médio inteiro etc. Os únicos que conseguiram se salvar foram a França, Itália, Japão, Suiça, Brasil, e o Canadá. Uma pequena parte da China ainda resta intocada pelas radiações. A Alemanha teve que enfrentar uma guerra civil. Tiveram baixas gigantescas. Os separatistas também se utilizaram da técninca “terra arrasada“.
– Terra arrasada? O que fizeram?
– Os separatistas queimaram todas as plantações, casa,enveneraram a água etc. Para resumir, tudo que poderia ser útil para o exército inimigo foi destruído ou queimado.
–Tudo!? – perguntou Ralos incrédulo. O idiota devia prestar mais atenção na aula – Mas como os civis se alimentaram? E o exército?
– Não se alimentaram, nenhum deles. Por isso também foi chamado de a “Guerra da fome“. Se você somar a isso o fato das radiações serem levadas da Inglaterra para a o restante da Europa por meio do vento, é possível imaginar o quão difícil a situação era. As plantações não floresciam, e os que não morreram pela guerra, morreram por causa do câncer causado pela radiação.
– Chocado? – perguntei a ele – Sabe o Brasil também sofreu baixas. O nordeste e o Sudeste foram bombardeados, matando toda a população. Após o ataque, perderam também o contato com o sul. Suspeitamos que um ataque EMP aconteceu nas redondezas. Quando mandaram tropas de investigação, o contato caiu logo após algumas horas entrando na região.
– Sim eu sei. Foi terrível. Antes de vir aqui, eu morava nas redondezas de Brasília. Me lembro de algumas mutações horríveis que tive que ver. Meu pai era médico e tratava deles. Ainda posso ouvir os gritos deles a noite.
Pelo visto a lembrança ainda é muito dolorosa.
– Japão tentou fazer contato com os páises restantes. Demorou um ano para que os páises restantes se encontrarem. Decidiram recriar a ONU. Ela foi retirada 6 meses depois.
– Porquê? – perguntou Ralos curioso.
– Ineficiente. Ela não tomou muita iniciativa. Os membros só se importaram consigo mesmos, não auxiliando os outros. Por meio de protestos populares, Specula fora criada aqui no Arquipélago da Fênix. Originalmente ela foi dado aos alemãos sobreviventes que ganharam abrigo na Suiça. Mas pelo sucesso da povoação da ilha, ela se tornou capital de Specula.
– Capital? Specula é um país? Pensei que fosse uma união.
– Muitas pessoas pensam isso, mas na realidade ela é a cidade/país sede da união de Specula.
– Ehhhh… Ah certo, entendi.
Idiota. Será que ele pensa mesmo que eu acreditei que ele entendeu? Só há um modo de saber.
– Me diga a relação do governante de Specula, com a união?
– Ele representa Specula no conselho, defendendo seus interesses. Mas na realidade ele é o líder da união e seu primeiro dever é garantir o redesenvolvimento.
Então existe mesmo algo como um cérebro na cachola dele. De algum modo ele tinha que ter entrado na escola.
– Mas isso é algo realmente difícil. Atualmente conseguiram impulsionar a criação de empresas para acelerar o avanço tecnológico. Mas de que adianta se não existem pessoas para a criação de novas tecnologias? É por essa e outras razões que existe a WS. Os alunos aqui serão os próximos ídolos do mundo. Daqui nascerão os próximos líderes, os próximos médicos, os próximos cientistas, os próximos empresários etc. Agora você entende o porque da grande importância dos alunos da WS. Nós somos a esperança.
– Mesmo sem nós, o mundo se redesenvolveria daqui a algumas dezenas de anos – retrucou Ralos — Nós não somos tão importantes assim como você fala. Estamos só acelerando o processo.
– Nunca prestou atenção na política, né? – perguntei a ele — Bem como John Locke disse: “ O governo é o povo“. Como você acha que a população esta se sentindo? Ter que sofrer com as mutações, com as doenças, com a fome. Além de viver com o medo de que os bandos de ladrões os ataquem e roubam o pouco que tem. Enquanto os políticos ficam atrás de barricadas e muros, desfrutando da segurança e do luxo.
– Se nós não existíssemos, o povo derrubaria o governo atual, e nós viveríamos uma segunda era das trevas. Talvez os seres humanos até fossem extintos. É como dizem, nós somos os nossos próprios lobos. Por isso somos a esperança.
Me virei para ele e o encarei e o nos olhos.
– Você não entende a sua importância! Mesmo que o ano escolar ainda não tenha começado, a única coisa que com que se importa é pregar peças e correr atrás de garotas. Isto é mais do que um simples ano escolar! O futuro da própria humanidade esta nas nossas mãos! Se nós falharmos aqui, falhamos com todos. Falhamos com as nossas famílias, com os nossoas amigos, com todos que nós conhecemos e conheceremos.
– Por isso, encare o seu futuro. Se achava que depois de entrar em uma casa, tudo ficaria fácil, enganou-se. Agora vem a verdeira provação! Se tem caráter e força o sufeciente para achar Amaterasu, continuar aqui, e mostrar ao mundo porque você chegou até aqui!
Gritei as últimas palavras na cara dele. Acho que fui mais rude do que o planejado mas, ele precisava ouvir a verdade. Eu tinha que forçar ele a começar a se mover. Odeio fazer isso, mas é preciso. Para seu bem. Assim que acabei de falar, vi seus olhos lacrimejando e ele se levantou e saiu correndo em direção aos dormitórios com um grito. Suspirei, espero ter causado a reação certa nele. Mais tarde mando ele se apresentar a um dos nossos psicólogos. Realmente odeio fazer isso mas, como presidenta, os alunos me vêem como a sua ídolo, seu exemplo. Eu sou a âncora deles. Tenho que me esforçar mais ainda. Não posso decepcioná-los. As vezes tenho a impressão de que o que faço, não é o sufeciente, mas tem que ser. Eu tenho um dever com a minha família e com o mundo. Todos esperam muito de mim. Prometi a mim mesmo de tornar esse mundo melhor, mesmo que eu tenha que me sacrificar, eu farei que precisa ser feito. Por Rios...
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