Akaluri - Parte 2

17 Culminação (FIM)


A manhã daquele dia começara inesperadamente tranquila, para meados de novembro. Não me queria encher de grandes expectativas, mas o céu estava tão limpo que só isso já quase parecia prometer um dia perfeito. O leve aroma de café do pequeno-almoço ainda pairava pelo apartamento. Tinha ido ter com o Yu de manhã, para finalmente partirmos juntos para a nossa tão esperada estadia no sul do país, que a Manaka havia oferecido. Apesar de toda a serenidade daquele momento, não conseguia esconder o quão animada me sentia.

Ao sair do quarto, o Yu murmurava alegremente uma música qualquer, enquanto ajustava as alças da sua mochila. Era impossível não sorrir ao vê-lo assim; já sentia saudades da sua alegria, que se havia quase desvanecido desde os últimos acontecimentos. Ver o Yusuke recuperar-se aos poucos aquecia-me imenso o coração.

- Tens a certeza que não esqueceste de nada? – perguntei, pela terceira vez.

- Hm... — o Yu parou por um momento, pensativo — Sim, está tudo aqui. Não precisas de te preocupar!

Saímos pouco depois, caminhando juntos até à central de autocarros. Assim que chegámos, o lugar já estava bastante movimentado, apesar de ainda ser muito cedo. Pessoas apressadas enchiam aquele local, algumas com malas enormes, cafés na mão e olhares focados nos grandes painéis de horários.

Entretanto, o nosso autocarro começou a aceitar os primeiros passageiros. O Yu segurou a minha mão enquanto passávamos pela porta de entrada. Assim que encontrámos os nossos lugares, afundei-me no assento com um suspiro; eu sabia que ia ser uma longa viagem. Depois do Yusuke colocar as nossas mochilas no compartimento superior, ele sentou-se ao meu lado com um breve sorriso. O autocarro começou a mover-se e a paisagem agitada da cidade ia gradualmente dando lugar a campos verdes que se estendiam por quilômetros. Os edifícios altos e cinzentos foram substituídos por pequenas casas com telhados coloridos, cercadas por árvores cujos ramos balançavam com o vento. Algum tempo mais tarde, ouvi o Yu abrir algum pacote.

- Oh! — disse, pegando numa barrinha que o Yu me entregara — É de quê?

- Iogurte e frutos vermelhos. É bom! Acho que vais gostar.

Não demorei muito a provar aquela pequena barra de cereais e confirmar que era, de facto, deliciosa.

- Para o que é que estás mais ansioso hoje, Yu?

- Para o hotel. — respondeu ele, lançando-me um breve sorriso.

- O hotel? — repeti, curiosa — Não me digas que já tens algo em mente para a nossa chegada!

- Sabes… — ele hesitou por um momento — esta vai ser a nossa primeira noite juntos. Completamente sozinhos, quero dizer... Digamos que tenho pensado muito nisso.

Pisquei os olhos em confusão por uns instantes, até sentir o peso daquela frase pairar entre nós. Num simples instante, um calor subiu pelo meu rosto, fazendo-me desviar o olhar. O Yu riu-se da minha reação, deixando o ar um pouco mais descontraído. De seguida, fechou os olhos e encostou-se no seu assento, pousando a mão por cima da minha. Acabei por fazer o mesmo, encostando a cabeça no seu ombro.

O tempo acabou por passar sem que nos apercebêssemos. O brusco estacionar do autocarro fizera-nos acordar repentinamente, já no nosso destino. Ao sair do veículo, um cheiro a mar cumprimentou-nos de imediato; era um aroma salgado e intenso. Já não visitava o sul do país há alguns anos, mas aquela zona continuava encantadora, com as mesmas ruas de pedras irregulares e casas brancas adornadas com janelas azuis, coisas que eu ainda me lembrava. Em certos aspetos, aquele parecia um lugar que tinha quase parado no tempo, num bom sentido.

Juntos, eu e o Yu caminhámos até o hotel. Era um edifício grande e luxuoso, que se situava numa excelente localização. Enquanto se gabava de ter conseguido um grande desconto na altura da sua reserva, a Manaka já me havia mostrado algumas fotografias do hotel, mas nada se comparava a vê-lo na realidade. Ao abrirmos a porta do nosso quarto, um leve aroma quente de frutos vermelhos convidara-nos a entrar. Notei que a cama estava repleta de pétalas, sendo a origem do cheiro algumas velas acesas, recentemente colocadas como decoração. Dois cisnes brancos feitos de toalhas de banho estavam tranquilamente pousados na cama, quase entrelaçados um no outro. Entre eles, dois pequenos chocolates. Eu e o Yu estávamos inicialmente sem palavras, mas o nosso olhar comunicava tudo: não havia dúvidas que a Manaka tinha falado com o hotel, a pedir aquele favor.

- Wow. — acabei por falar.

- É... — respondeu o Yu — Também não estava à espera.

Acabamos por nos rir um pouco da situação, tirando também algumas fotografias antes que aquela obra de arte fosse eventualmente destruída. De seguida, corri logo para a varanda. A vista era simplesmente deslumbrante... Algumas gaivotas sobrevoavam a praia, com um mar que brilhava em tons de azul, estendendo-se pelo horizonte. O som das ondas era agradável e tinha um efeito quase hipnotizante.

- Que lindo... — comentou o Yu, surgindo atrás de mim.

- Estou tão habituada a ver o rio da nossa cidade, que às vezes até me esqueço do quão bom é ver o mar.

- É, não é? O rio é encantador, mas o mar... é mesmo outra coisa.

Por um breve momento, limitámo-nos a observar a linda paisagem. No entanto, acabei por notar que o Yu segurava algo nas mãos, um pequeno embrulho rosa, decorado com um laço.

- O que tens aí? — questionei.

- É para ti. — disse ele, enquanto estendia a caixa na minha direção — Sei que o teu aniversário já foi no mês passado, mas quis guardar esta surpresa para hoje. Afinal, é o nosso aniversário de seis meses.

Já haviam mesmo passado seis meses desde que começara a namorar com o Yusuke? Mal conseguia acreditar que o tempo estava a passar assim tão rápido...

Devagar, retirei a caixa das suas mãos e abri cuidadosamente o embrulho. Ao desdobrar a peça de roupa, um curto vestido em tons de rosa e de ombros descobertos acabou por se relevar à minha frente. Era o mesmo que eu tinha admirado há uns meses numa loja. Era exatamente como me lembrava: fofo, delicado e com um tecido macio ao toque.

- Yu… Não acredito que te lembraste deste vestido! — exclamei, não conseguindo desviar o olhar de cada pequeno detalhe que notava — É tão lindo! Adorei! Obrigada!

- Como é que me poderia esquecer? Vi como olhaste para ele naquele dia... e acho que este fim de semana é a altura ideal para o usares.

Sem perder mais um segundo, pousei cuidadosamente o vestido por cima da cama. Ainda encantada pela surpresa, corri então para os braços do Yu, que ainda estava na varanda. Sem saber como expressar toda a gratidão que sentia, apertei-o fortemente contra mim, um gesto que ele retribuiu igualmente. Depois de um momento tão especial, senti que também precisava agradecer a outra pessoa querida.

- Vou ligar para a Manaka. — afirmei, caminhando em direção ao telemóvel que deixara na mesinha de cabeceira — Ela merece um agradecimento, não achas?

- Merece, claro. — concordou ele — Diz-lhe que acertou em cheio.

Enquanto me ria da sua expressão satisfeita, procurava o número da Manaka na lista de contactos. O tom de chamada soou apenas duas vezes antes de ouvir a sua voz, como sempre entusiasmada.

- Olá, Akaluri! Então? Já estás no hotel? O que achaste? — perguntou ela, antes mesmo de eu poder cumprimentá-la de volta.

- Sim, já. E... é simplesmente maravilhoso. Obrigada, a sério! O hotel é lindo, a vista é incrível e o quarto está perfeito, honestamente. Nem sei como te agradecer por nos teres dado isto.

- Ora, não precisas de agradecer. E sobre o quarto... bem, digamos que dei umas dicas ao hotel. — comentou ela, por entre risadas — Afinal, vocês merecem algo memorável... Mas espera aí... já foram ao spa? E à piscina interior? Ouvi dizer que são um sonho! Não foi por nada que escolhi esse hotel com o Ichiro!

Olhei para o Yu, que tinha parado de mexer nas mochilas e de repente estava a tentar prestar alguma atenção à conversa, mesmo sem conseguir ouvir o que a Manaka dizia.

- Nós acabámos de chegar! — respondi, rindo — Ainda só vimos o quarto, mas vamos tratar disso ainda hoje!

- Não se esqueçam! Está tudo incluído na estadia! Mas pronto, vou deixar de vos roubar o vosso tempo precioso por enquanto, mas depois quero saber tudo! Vá, divirtam-se muito!

Assim que nos despedimos, o Yu cruzou os braços e acenou a cabeça, como se perguntasse "então?". Ele parecia ter ar de estar pronto para qualquer plano que surgisse.

- Spa e piscina interior, que dizes, Yu? — questionei, pousando o telemóvel.

- Digo que é exatamente isso que precisamos. Vamos lá?

- Sim! — respondi, entusiasmada.

Depois de pegarmos nos robes e chinelos do nosso quarto, seguimos então por entre corredores silenciosos e calmos, onde apenas se ouvia o som discreto dos nossos passos, que pisavam a carpete. Entretanto, um reconhecível aroma de óleos essenciais começava a notar-se à medida que nos aproximávamos da entrada do spa. Nesse momento, fomos cumprimentados por uma senhora na receção, que nos entregou duas toucas escuras. Embora não apreciasse usar touca, eu entendia perfeitamente a necessidade, sobretudo num hotel daquele calibre...

Aquele ambiente relaxado fazia-me sentir completamente à vontade, mas ao mesmo tempo ansiosa, pois sabia que estava prestes a ver o Yu numa situação um tanto... diferente. Fui para a área feminina, onde troquei de roupa com rapidez. Vesti o meu fato de banho: um modelo fofo, elegante e em tons de rosa, como esperado. Depois, enrolei o robe novamente à volta do corpo. Ajustei a touca sobre o cabelo e suspirei, dirigindo-me para a saída do balneário, onde o Yu já me esperava. O robe dele estava ligeiramente aberto, revelando os calções pretos que usava e, inevitavelmente, as cicatrizes que marcavam o lado direito do seu torso... Apesar de já saber a origem daquelas queimaduras, vê-las novamente de tão perto fez-me sentir um nó na garganta. Mesmo assim, o Yu parecia alheio à intensidade daquele momento, como sempre com um sorriso descontraído esboçado nos seus lábios.

- Pronta? — perguntou ele, enquanto ajustava a touca no cabelo despenteado.

- Mais do que pronta. — respondi, tentando manter o tom leve, mas o meu olhar não largava o seu peito.

Obviamente, ele acabara por notar. Afinal, o Yu sempre fora atento aos detalhes. No entanto, em vez de fazer algum comentário, simplesmente fechou melhor o robe.

- Não precisas de me olhar assim, Luri... Eu já estou bem, lembra-te disso.

- Eu sei... — murmurei, esforçando-me para apagar qualquer sinal de pena do meu rosto — Só fiquei a pensar... mas não importa agora. Vamos?

Ele acenou a cabeça e estendeu a mão. Eu sabia que ele queria tentar tranquilizar-me e resultou... parcialmente. Fomos então juntos em direção à piscina interior, onde um calor húmido, mas reconfortante, nos envolveu assim que atravessámos a porta. O ambiente à nossa volta quase parecia estar repleto de magia. A sala era ampla, decorada com algumas plantas tropicais. A água brilhava em tons de azul cristalino, refletindo a iluminação acolhedora do teto. Espreguiçadeiras castanhas rodeavam a área da piscina e grandes janelas deixavam entrar alguns raios de luz da tarde, através das traseiras discretas do hotel. Por fim, o som da água que corria numa pequena cascata ecoava pelo espaço, juntamente com uma música relaxante de fundo. Como era novembro, o hotel não estava cheio. Naquele momento, tínhamos o espaço só para nós.

- Que lindo... — murmurei, ainda encantada com o espaço.

Caminhámos até a beira da piscina, onde deixámos os robes dobrados em duas espreguiçadeiras, juntamente com uma toalha para cada um. Foi então que ambos ficámos, por um instante, a observar-nos mutuamente. Era a primeira vez que nos víamos assim. Ele foi o primeiro a quebrar o silêncio.

- O fato de banho fica-te bem. O rosa é mesmo a tua cor; combina muito contigo.

Um pouco embaraçada, não consegui conter um sorriso, desviando depois o olhar para a àgua.

- Obrigada... — respondi, não conseguindo exteriorizar qualquer outra palavra.

- Não precisas de ficar tão nervosa... Vamos lá, antes que te transformes num tomate! — brincou ele.

Depois de admirar uma última vez os arredores, o Yu não esperou mais um segundo. Com um salto ágil, mergulhou na piscina. Ele emergiu novamente a poucos metros de onde eu estava, com um sorriso.

- Não vens? — perguntou ele — A água está ótima!

Descalcei cuidadosamente os chinelos, sentindo nos pés aquele chão de pedra rugoso. Entrei devagar na piscina, através das escadas. À medida que descia os degraus, deixava a água morna envolver o meu corpo, dissipando qualquer desconforto ou ansiedade que sentia. O Yu nadou tranquilamente até mim, com os olhos brilhantes pelo reflexo da luz alaranjada do entardecer; pareciam quase caramelo.

- Tens razão. — falei, deixando que os meus dedos criassem pequenas ondulações pela água — Está mesmo quentinha...

O Yu permaneceu próximo a mim, colocando-se de pé, à minha frente. Ele observava-me por inteiro, com o seu típico olhar calmo, como sempre fazia quando me queria dizer algo importante.

- Luri... — começou ele, num tom sereno — Gosto mesmo destes momentos; quando estamos só nós dois, longe de tudo. Sabe sempre tão bem estar contigo.

- Eu também sinto o mesmo... Parece que o mundo fica mais simples quando estamos assim.

Ele assentiu, como se entendesse exatamente o que eu queria dizer. Não havia necessidade de explicar mais. O Yu respondera-me com um sorriso pequeno, mas especial. De seguida, aproximou-se um pouco mais; o suficiente para que as nossas mãos se tocassem debaixo de água.

- Já pensei muitas vezes que não seria fácil encontrar alguém como tu. — afirmou o Yu, entrelaçando os seus dedos nos meus — Fico feliz por termos isto. Sinto que estamos no caminho certo.

Não era algo que eu esperava ouvir assim de repente, mas ele dizia sempre aquele tipo de frases como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ele parecia completamente à vontade, como se estivesse apenas a dizer algo óbvio. De coração acelerado, desviei o olhar por um momento, sentindo o rosto aquecer. Apenas conseguia fixar o olhar nas gotas de água que desciam pelo torso do Yu.

- Também estou feliz... — confessei, rindo um pouco de mim mesma, pelo ligeiro nervosismo — Não sei bem o que dizer...

- Não tens de dizer nada. Só preciso que continues a meu lado, tal como estás.

Havia algo na sua voz que me deixava completamente em paz. O Yu sempre me fizera sentir mais tranquila e presente no momento. Estar com ele era algo incrível.

O som suave da água a correr na pequena cascata da piscina preenchia os breves momentos de silêncio entre nós, acabando por torná-lo confortável, até mesmo acolhedor. Depois de algum tempo a nadar na piscina, seguimos para o jacuzzi, que borbulhava no canto da sala. Assim que nos instalamos, a água quente parecia derreter lentamente qualquer migalha de tensão que ainda restava em mim.

- Confirmo. — comentou o Yu, inclinando-se para trás de olhos fechados — Era mesmo isto que precisávamos. Agora não sei se vou conseguir sair daqui!

- Não precisamos de sair já... — disse, encostando-me um pouco mais a ele.

Consegui notar que ele não esperava aquela resposta, fazendo-o rir de seguida. Aproveitando o momento, deixamos simplesmente que o movimento agitado da água, misturado com o vapor quente do jacuzzi, nos envolvesse por completo na mais pura tranquilidade.

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Saímos do hotel de mãos dadas, atravessando num instante a rua de calçada irregular que nos levava à àrea da praia. A fresca brisa noturna carregava em si o perfume salgado do mar, misturado com aromas tentadores de alguns restaurantes, bares e barraquinhas de comida. A praia estava um pouco animada, mas não caótica. Alguns grupos de pessoas conversavam, enquanto crianças corriam descalças pela areia e as luzes das barracas iluminavam o ambiente com um brilho acolhedor.

Para nos sentarmos, escolhemos uns pufes exteriores instalados na areia pelo restaurante-bar da praia privada do hotel. Entre os assentos, uma vela artificial brilhava pousada na baixa mesa de jantar, perfeita para partilharmos uma comida mais casual. Os guarda-sóis que costumam oferecer cobertura àquela zona estavam fechados, não pela falta de sol, mas pelo espetáculo que se iria anunciar pouco depois. Para a melhor visibilidade possível, havíamos escolhido o lugar mais próximo à àgua, onde podíamos claramente notar o céu estrelado daquela noite e ouvir o som das ondas noturnas rebentar.

- Que tal dividirmos uma pizza? — sugeriu o Yu, pousando o cardápio.

- Perfeito!

Eu e o Yu tínhamo-nos arranjado para a ocasião especial. Eu tinha decidido estrear o meu novo vestido rosa, juntamente com uma leve maquilhagem, alguns acessórios e o cabelo arranjado com ondas ligeiras, que havia feito depois do banho. O Yu vestia umas calças ligeiramente mais clássicas do que o costume, juntamente com uma camisa preta de manga comprida. Ao chegar à praia, ambos tínhamos descalçado as nossas meias e sapatos mais delicados, para não os sujarmos na areia.

Optámos por uma pizza margherita; simples mas deliciosa. Enquanto esperávamos, o Yu pegou nos copos de piña colada que pedíramos enquanto esperávamos pelo prato principal.

- Isto é muito para mim! — exclamei, evitando segurar o copo que ele estendia na minha direção — Eu apenas disse que ia provar, não beber uma inteira.

- Está melhor assim? — perguntou ele, num ligeiro tom de gozo, após passar maior parte da minha bebida para o seu copo.

Apesar de eu não gostar de bebidas alcóolicas, o Yu tinha insistido que provasse pelo menos a piña colada, dizendo que tinha "quase a certeza” que eu ia gostar daquela. Embora um pouco desconfiada, eu confiava nas suas escolhas, então acabei por aceitar. Depois de agarrar o meu copo, o Yu brindou comigo:

- Parabéns a nós. — afirmou ele — E parabéns à tua primeira bebida alcóolica desde a tua maior idade! Se não gostares, prometo que nunca mais insisto contigo para provares novas bebidas.

- Acho bem. — respondi, na brincadeira.

- Então? — interrogou ele, depois de eu beber um simples gole — O que achas?

- Bem... é melhor do que esperava, confesso. — comentei, tentando esconder o quanto ele acertara em cheio na bebida — Mas nada supera uma simples bebida normal.

O Yu riu baixinho, afastando uma madeixa de cabelo que o vento insistia em colar ao seu rosto. Antes que a conversa continuasse, fomos interrompidos pelo servente, que nos trouxera atenciosamente uma manta. O Yusuke convidou-me a partilhar o seu pufe com ele, colocando a manta por cima de nós. Passado algum tempo, ouviu-se o som de uma música animada. As primeiras explosões de cor iluminaram o horizonte, anunciando o início do espetáculo de fogos de artifício. O Yu ajeitou-se nas costas do pufe, puxando-me delicadamente para me encostar ainda mais ao seu peito, enquanto olhávamos o céu.

Quando a pizza chegou, fomos partilhando-a sem pressa, encantados pelas formas e cores vibrantes que os fogos desenhavam na escuridão do céu. Virei-me para olhá-lo, mas notei que ele já olhava na minha direção. Os seus olhos brilhavam com o reflexo das luzes do céu, fazendo-me lembrar da roda gigante, no primeiro dia em que nos havíamos conhecido, quando acontecera exatamente o mesmo cenário.

- Estás linda, Luri. — falou ele, ao meu ouvido — essa roupa combina perfeitamente com o teu anel.

- Anel? — confusa, estendi as mãos à minha frente, observando-as. Não foi difícil notar que um anel tinha aparecido do nada no meu anelar direito — Como é que...

- Tinha mais esta prenda escondida para te dar hoje. — interrompeu o Yu — Gostas?

- É mesmo lindo... Obrigada, Yu. Não estava mesmo à espera...

Ainda incrédula pelo magnífico anel que ele me oferecera, não conseguia para de revirar a minha mão, olhando para aquele objeto com a maior atenção. Era um anel dourado e repleto de pequenos cristais brancos. Uma linda pedra rosada em formato de flor decorava o seu centro.

- Ainda temos muito pela frente, mas espero passar os próximos tempos assim, contigo.

- Isso é algum tipo de pedido de casamento indireto? — questionei, rindo.

- Talvez seja; talvez não... Quem sabe? — respondeu ele, acompanhando o meu riso.

Ele estendeu a mão para segurar a minha, observando também o anel no meu dedo, por alguns instantes. Com a maior naturalidade do mundo, ele acabara por entrelaçar os seus dedos nos meus, fazendo-nos pousar novamente os nossos braços na manta. Quando os fogos eventualmente terminaram, seguiram-se aplausos e alguns murmúrios ao nosso redor. Ficámos ali por alguns minutos, deixando o momento acalmar, como se não quiséssemos que aquele dia tão perfeito acabasse realmente.

De repente, o Yu decidiu levantar-se, estendendo a mão para me ajudar a erguer de seguida. Ele sugeriu passearmos um pouco pela praia, antes de voltarmos para o quarto. Cada um segurando o seu calçado, deixávamos os nossos pés descalços afundarem-se na areia fresca da noite. A vila estava ainda mais silenciosa naquele momento, com a maioria das pessoas já a caminho da saída. Voltámos depois para o hotel por um caminho mais longo, atravessando ruas estreitas que pareciam ainda mais mágicas à luz da noite, em conjunto com algumas decorações coloridas e luminosas, preparadas para as épocas festivas de dezembro.

Quando chegámos ao quarto, o Yu insistiu em preparar um chá antes de nos deitarmos. Como sempre, ele tinha o seu típico ritual antes de dormir: ferver água, medir a quantidade certa de folhas e deixar tudo no ponto perfeito, para o melhor chá possível. Enquanto isso, eu esperava-o na varanda, já vestida de pijama, mas enroscada na manta vermelha que o Yusuke trouxera consigo de casa.

- Aqui tens. — disse Yu, colocando uma chávena na mesa à minha frente.

Agradeci, aceitando a chávena e soprando o vapor do chá, assim que a recebera. Sentámo-nos juntos, lado a lado, partilhando aquele silêncio confortável da noite, que só existia com ele presente.

- O dia foi como esperavas, Yu?

- Foi até melhor do que esperava... e tu? Também gostaste?

- Claro! Eu adorei... Diverti-me imenso contigo e também pude descansar. Soube-me mesmo bem.

- Fico contente.

Partilhamos o chá durante mais uns momentos, ainda observando a linda vista daquela varanda. Realmente, o dia tinha sido extraordinário. Não eram precisas palavras para sentirmos o calor daquele momento tão especial, enquanto revisitávamos memórias do dia que acabara de passar. Entretanto, voltamos para dentro do quarto, prontos para nos instalarmos por baixo dos lençóis. Apagamos maior parte das luzes, deixando apenas ligadas as luzes amareladas da parte de trás da cabeceira da cama.

Aproximamo-nos um do outro, aquecendo-nos através de alguns gestos de carinho. Era estranho, mas parecia que o sono nunca mais nos alcançava. Estava tudo tão calmo que parecia que o tempo tinha parado subitamente. O silêncio da noite envolvia-nos de tal forma, que era quase como se ele estivesse a transportar-nos para uma dimensão paralela. De repente, já não me lembrava de onde estava. Apenas conseguia sentir a presença do Yu, cada vez mais próximo a mim. Nenhuma palavra conseguira expressar a facilidade com a qual o meu corpo se tornava sensível ao toque das pontas dos seus dedos, que passavam suavemente pela lateral do meu torso, da minha anca, da minha coxa... enquanto os seus lábios pousavam vezes sem conta no meu pescoço, que aquecia cada vez mais. A minha respiração pesava.

- Podemos experimentar uma coisa? — perguntou o Yu, quase num sussurro.

- O quê?

Sem responder à minha questão, ele apenas se transformara ao meu lado. O calor fizera com que o Yu acabasse por retirar o seu casaco e, de seguida, as suas calças, atirando a roupa para o chão ao nosso lado. Ao mesmo tempo, ele colocara-se por cima de mim, soltando um breve suspiro, com as asas entreabertas. Os seus olhos fixavam os meus, revelando uma expressão que nunca antes tinha visto no seu rosto. Era uma expressão intensa e impaciente, mas que ao mesmo tempo misturava estranhamente alguma calma. Não demorou muito para que eu me transformasse também. Ele aproximou-se novamente do meu corpo, continuando de forma mais vigorosa o que antes já fazia. Enquanto o seu cotovelo esquerdo se apoiava na cama, a sua mão acariciava uma das minhas orelhas de gato. Ao mesmo tempo, a sua mão direta segurava no meu peito, por baixo do meu vestido. Gradualmente, o seu joelho subira um pouco, encontrando-se à minha roupa interior. Comecei a perder o controlo da minha voz e deixava escapar pequenos sons perto do seu ouvido, o que apenas fazia o Yusuke entender que eu não queria que ele parasse; muito pelo contrário. Era incrível como estar transformada me fazia sentir tudo aquilo de forma ainda mais intensa... Era completamente diferente do costume. Enquanto enrolava os meus braços e cauda à sua volta, eu apertava-o ainda mais contra mim, perguntando-me se ele se sentira igual na sua forma de anjo.

Começamos então a beijar-nos interminávelmente; beijos que sentia serem muito diferentes de todos os que já havíamos trocado antes. Formavam-se ligeiros fios de saliva sempre que precisávamos de nos separar um breve instante, para recuperar fôlego. Assim que um de nós parava por um momento, o outro puxava para continuar. Por entre aqueles gestos, as minhas peças de roupa foram igualmente aparecendo espalhadas pelo chão, assim como as poucas que ainda restavam no Yu. Era a primeira vez que o sentia assim, contra mim, o corpo inteiro, pele com pele... sem qualquer tipo de barreira entre nós, sem qualquer espaço ou tecido que nos separasse.

- Posso...? — murmurou ele suavemente no meu ouvido, cessando qualquer movimento.

- Sim... — respondi, de voz enfraquecida.

Lentamente, a única distância que sobrava entre nós começava a dissipar-se. As minhas pernas tremiam ligeiramente, encostadas ao torso do Yu, que me beijava calmamente a clavícula. Ele parou por um instante ao ouvir o meu gemido, deixando-me recuperar o fôlego por uns instantes, assim que o sentira por inteiro dentro de mim, pela primeira vez.

- Estás bem? — perguntou ele, ao meu ouvido.

- Estou... — respondi, embora com alguma dificuldade — Podes continuar...

Antes de proceder, o Yusuke beijou-me os lábios gentilmente. Fazia-me feliz sentir que ele estava a ter o maior cuidado para que eu me sentisse o melhor possível com tudo aquilo. Por outro lado, talvez o facto de ser também a sua primeira vez fizera com que o seu nervosismo o fizesse ter maior precaução ainda. Aos poucos, ele voltara a movimentar-se, inicialmente devagar. À medida que aquilo se ia tornando mais natural para ambos, sentia o Yu acelerar gradualmente, aumentando também a sua força contra mim. Entretanto, não eram só os sons da minha voz que ecoavam pelo silêncio do quarto de hotel. Ouvia-se um ligeiro ranger da cama, no mesmo ritmo que os nossos corpos quentes e suados se encontravam. Os sons que acabavam também por escapar por entre os lábios do Yu apenas me faziam querê-lo ainda mais naquele instante. Já não conseguia mais formar qualquer tipo de pensamento, nem sentir qualquer tipo de insegurança, nervosismo ou desconforto. Sentia-me com a mente nas nuvens mais distantes; sentia-me simultâneamente fora de mim e completamente envolvida no momento. Sentia que o resto do mundo simplesmente não existia mais.

Repentinamente, senti o meu interior envolvido por completo num calor que surgira do Yu. Uma mistura de líquidos escorria por entre nós, enquanto tentávamos recuperar a nossa respiração. Sem dizer qualquer palavra, nós apenas cruzávamos um olhar prolongado. Tudo ao meu redor parecia desfocado, como se as lágrimas que preenchiam os meus olhos tivessem distorcido a realidade. Pouco depois, o Yusuke deixou-se cair para o lado, soltando um grande suspiro enquanto se destransformava.

- Também acabaste? — perguntou ele com toda a calma, como se estivesse preparado a continuar.

- Sim... — respondi enquanto me destransformava, um pouco nervosa por voltar ao "mundo real".

- Ainda bem... — falou o Yu, cerrando os olhos por um instante.

Depois de um simples momento em silêncio, ele levantara-se num pânico de todo o tamanho.

- Espera.

- O que foi?

- Eu fiz aquilo sem pensar... Tu tomas... alguma medicação?

- Sim, tomo. — respondi, rindo — Pensei que sabias.

- Acho que sabia; mas só queria ter a certeza... Desculpa, fui meio repentino. Devia ter confirmado contigo antes.

- Não te preocupes... — disse, passando a mão pelo seu braço — Está tudo bem.

- Queres ir comigo tomar um duche, Luri? Estou todo pegajoso...

- Sim, quero. Também estou a precisar...

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De volta na cama pela segunda vez, apaguei última luz que sobrava, deixando o quarto mergulhar na completa escuridão. Finalmente, já sentia os meus olhos pesar como duas pedras. Antes de adormecer, o braço do Yu passou por cima de mim, fazendo com que ele me abraçasse carinhosamente por trás.

- Boa noite, Luri — murmurou ele, já com a voz alterada pelo sono — Obrigado por hoje. Amo-te.

- Eu também te amo. Obrigada por hoje também... Boa noite, Yu.

Na manhã seguinte, acordei relativamente cedo. Quis deixar o Yu descansar mais um pouco enquanto fazia a minha rotina de higiene matinal, com o som do mar a embalar-me. Pronta para começar o meu dia, decidi ir para a varanda e respirar um pouco de ar puro, antes de ir acordar o Yu. Depois da última noite, aquele ar fresco matinal envolvia-me numa paz inexplicável. Foi então que senti a presença do Seishou.

- Bom dia, Akaluri. — cumprimentou ele.

- Olá, Seishou... — respondi — O que fazes aqui?

- Acho que já deves saber a resposta. — brincou ele — Eu apenas apareço quando estás pronta para mais um desejo, mesmo que ainda não o saibas de forma consciente.

O meu último desejo? Seria mesmo verdade que já me encontrava pronta a pedi-lo? Era uma decisão extremamente díficil de fazer... O que haveria de pedir para que não desperdiçasse aquela última oportunidade?

De repente, parecia que o ar carregava um peso descomunal, como se o próprio mundo estivesse à espera do que eu ia dizer. O Seishou continuava ali simplesmente, impossível de ignorar a sua presença. Enquanto a ansiedade me consumia gradualmente, decidi fechar os olhos por um momento. Era altura de me concentrar em mim, naquilo que eu mais queria, no peso e nas consequências que o meu desejo poderia potencialmente provocar. Tantas noites haviam passado comigo a refletir sobre o meu último desejo, questionando-me se era realmente o caminho certo... mas, no fundo, eu sabia que não havia outra escolha. Estranhamente, eu sentia como se fosse, de certa forma, algo que estava destinada a fazer.

- Seishou. — comecei, com voz firme — Sei que talvez possa ser muito, mas o meu desejo final é a paz.

- A paz? — repetiu ele — Isso é muito vago...

- Deixa-me explicar... — continuei — Com o meu último desejo, eu quero que os conflitos entre os seres humanos e os seres mágicos se resolvam, assim como os seres entre ambas as espécies. Quero um mundo onde não haja mais ódio, perseguição ou rivalidades entre os seres; um mundo onde as diferenças sejam aceites e onde todos possam prosperar juntos mutuamente.

- Isso é muito ambicioso. Lembra-te que o mundo nunca poderá ser perfeito e haverá sempre conflitos...

- Eu sei... Eu não quero um mundo perfeito; aliás, nem acho que isso seja algum dia possível. No entanto, gostava de eventualmente ver o mundo melhorar nesse sentido. Um mundo imperfeito, mas onde reina o respeito e a paz, assim como a vontade de concertar os erros do passado e evitar os do futuro. Entendes?

- Entendo, sim. — ele inclinou a cabeça, como se estivesse a considerar as minhas palavras — Não deixa de ser um desejo muito grande, Akaluri. Não é impossível, mas o que pedes requer tempo. Não é algo que possa ser resolvido num estalar de dedos. A paz que procuras é complexa e precisa de ser construída, não imposta. Ela deve crescer naturalmente, passo a passo, para que seja verdadeira e duradoura.

- Eu entendo. — assenti, já esperando aquela resposta — Mesmo que leve décadas, mesmo que nunca veja o resultado completo em vida, quero que este seja o meu desejo final.

Não sentia mais dúvidas sobre o que precisava de pedir naquele momento. Afinal, nunca havia sido uma questão de rapidez, mas sim de impacto. Eu sabia que uma mudança tão grande precisava de acontecer numa escala de tempo realística, para ser algo real e sustentável.

- Mas há mais. — falou o Seishou, num tom mais sério — Esse teu desejo, pelo seu tamanho, exige também um sacrifício. Nada desse calibre no equilíbrio do universo é concedido sem algo em troca. Para que este mundo que desejas se torne eventualmente realidade, precisas de renunciar a algo valioso para ti.

- O que preciso de renunciar? — perguntei, sentido as palavras do Seishou caírem pesadamente em mim.

Como ele sempre fazia, o Seishou apenas olhou para mim, provavelmente já sabendo a resposta. O meu coração apertava ao perceber o que tinha de ser feito em troca. Eu sabia qual era a parte que considerava mais preciosa em mim, a parte que me definia, que me tornava especial e que, paradoxalmente, havia sido também muitas vezes o motivo do meu sofrimento... Era a minha identidade como um ser híbrido; a ligação ao meu lado mágico, uma parte importante da minha essência.

Depois de passar uns momentos a tentar conformar-me com aquela ideia, acabei por respirar fundo.

- Escolho sacrificar a minha identidade mágica. — afirmei, sentindo o meu coração apertado, afundando-se numa tristeza que nunca antes sentira — Em troca do meu desejo, condiciono-me a viver o resto dos meus dias apenas como uma humana normal.

Aquelas palavras pareciam tornar o ar ainda mais pesado, como se todo o universo estivesse a ponderar a gravidade daquela decisão. O Seishou inclinou a cabeça novamente e, pela primeira vez, vi um pequeno vestígio de uma expressão diferente no seu rosto; algo que parecia quase... tristeza.

- É um sacrifício digno. A tua forma como híbrido faz parte de ti, Akaluri. Ao renunciá-la, tornar-te-ás completamente humana, com todas as limitações e fragilidades que isso implica.

- Eu sei disso... — assenti, lutando contra o nó que se formava na minha garganta — Mas acredito que seja o mais correto a fazer. Não posso pedir paz se eu mesma não estiver disposta a fazer a minha parte... Se este é o preço para um futuro melhor, então eu aceito.

- O processo começará depois de pedires o teu desejo. — falou o Seishou — Apesar de já não ser possível te transformares mais depois de o pedires, as tuas características intrínsecas como ser híbrido serão dissipadas lentamente, para que a transição não seja tão repentina para ti. A partir de hoje, o desejo que pedires começará a germinar, mas levará décadas, talvez séculos, até que o mundo que imaginas tome forma por completo. Mesmo assim, o teu sacrifício será a semente que permitirá que isso aconteça eventualmente.

Lentamente, o Seishou aproximava-se de mim, como se aquela decisão também fora difícil para ele. Nas minhas mãos, apareceu novamente a mesma estrela da última vez, que segurei com cuidado. Fechei os olhos, deixando que a sua energia me envolvesse. Aquele desejo era o mais difícil que havia pedido, então não era tão fácil fazer as palavras saírem, mas acabei por conseguir eventualmente. Senti um calor estranho percorrer o meu corpo, como se uma parte de mim estivesse a ser retirada. Não era doloroso, mas sentia um certo vazio. Quando abri os olhos novamente, o Seishou já não estava lá, nem a estrela. O sol já havia nascido completamente, banhando a paisagem numa luz reconfortante. Toquei no meu peito, sentindo o coração bater. Eu sabia que ainda era eu, mas, ao mesmo tempo, sentia-me alguém diferente. Pensei na Hyuna, na sua dor por estar afastada da mãe. Pensei na esperança de que, um dia, elas se pudessem talvez reconectar, depois de tudo. Era por ela, por mim, por todos como nós... Eu tinha feito a escolha certa.

- Luri? — ouvi a voz do Yu chamar-me — Estás na varanda? Está tudo bem?

De repente, deixei escapar um ligeiro sorriso por entre as lágrimas. Eu realmente amava o Yusuke. Sabia que, pelo menos com ele, tudo iria eventualmente correr bem. Naquele momento, mais do que nunca, ele havia-se tornado na minha maior força e motivação para o resto dos meus dias.

- Estou bem, Yu. — respondi, limpando as lágrimas do rosto — Vamos começar o dia.

E assim, dei finalmente o primeiro passo no meu novo caminho. A partir dali, apenas humana, mas com a alma repleta de propósito e o coração firme naquilo que sempre acreditei. O futuro ainda era um mistério para mim, mas sabia que cada próximo dia seria guiado pela certeza de que estava a caminhar para um mundo melhor, com o qual sempre havia sonhado.

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