Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

58 Capítulo 58 – Segredos Revelados


Notas iniciais
Hannah: Olá... Aos poucos estamos caminhando para final. Claro, muitas coisas ainda faltam acontecer... E claro, teremos uma segunda temporada... Então, seguram o coração. Um beijo grande e boa leitura!

Korina olhou para todos com os olhos completamente tomados pela cor de sangue. Seu sorriso era maligno. No momento em que ela se virou e levantou as garras rejuvenescidas para atacar os gatos e Naoki, Kensuke correu em velocidade suprema – tomando a forma de lobo — e pulou sobre ela a derrubando ao chão, ao que abocanhou o seu ombro ferozmente, como uma fera descontrolada.

Todos os lobos vieram sobre ela, porém Korina derrubou todos eles com suas próprias garras e os jogou longe para onde Nanami estava.

A luta estava apenas começando. Embora ela fosse à única que podia lutar, tendo Isamu à beira da morte, contra aquele mar de gatos e lobos, além do grande feiticeiro pantera. Korina estava confiante que agora com o poder excelentíssimo do Oni Tiger dentro dela, poderia vencê-los sem o menor esforço.

Esferas feitas de magia negra e bolas de fogo foram atiradas, e os lobos e gatos tiveram que usar de todas as suas habilidades para se esquivarem dos ataques.

Naoki usava sua magia para erguer uma barreira de proteção em torno dos mais fracos, enquanto os lobos atacavam ferozes.

Kensuke se levantou e correu em sentindo a bruxa, mas esta contra atacou em seu sentido, o atingindo novamente.

Aos poucos, alguns lobos e gatos acabaram feridos, mas nenhum deles estava disposto a desistir da batalha.

Enquanto a luta acontecia, Shou se aproximou de Nanami. Ele elevou a cabeça do gatinho ao seu colo, e rapidamente suas mãos trabalharam em verificar se haviam ferimentos – se caso algum deles era grave. Suspirou aliviado, quando teve certeza que nenhum ponto vital foi atingido.

Abrindo sua maletinha especial, retirou um frasco marrom com desinfectante e algumas bolinhas de algodão. Shou umedeceu o algodão branco e passou a limpar o sangue seco dos ferimentos e arranhões. Principalmente na orelhinha de Nanami, que o fez chiar de dor.

Um som ensurdecedor ecoou ao lado de Shou, lhe assustando, causado por magia negra que atingiu ao seu lado. Seus olhos se arregalaram quando olhou para a batalha. Era claro que a feiticeira estava levando vantagem sobre todos.

Ele abraçou Nanami protetoramente, quando grandes pedras foram arremessadas em seu sentido. Shou fechou os olhos esperando a colisão, mas foi de um enorme alivio porque esta nunca veio. Abrindo os olhos enormes, deparou-se com Kensuke na forma humana diante deles, protegendo ambos.

O Alfa tinha desviado das pedras, mas algumas delas se chocaram contra ele, o ferindo. Ele sabia que se curaria rápido por ser um lobo, porém seu olhar era duro e feroz. Sem virar para trás, indagou:

— Como ele está?

— Os ferimentos são leves... Depois que transformar, irá curar rápido. — Shou o informou.

Naoki enfrentava Korina diretamente, deixando os demais apenas como espectadores. Enquanto todos observavam a luta, Isamu se levantou... Ainda que penosamente, ele se moveu lentamente e sacou uma adaga do meio de suas roupas.

Quando Isamu estava há poucos metros de Kensuke, ele correu para atacar. Porém antes que sua adaga perfurasse o alfa, Kensuke se moveu e segurou o pulso de Isamu.

— Maldito! Merece morrer. É tudo culpa sua... O filho preferido e amado. — Isamu gritou com ódio.

Kensuke o olhou com desprezo e usou sua força para jogá-lo a alguns metros dele, fazendo Isamu cair de bunda no chão.

Naoki saltou e caiu em pé do lado do genro, e os demais guerreiros ficaram em alerta.

Korina – agora bela e mais perigosa – olhou para o feiticeiro e Alfa. Ela aproximou mais deles, sustentando um olhar mortífero.

— Ual... Quem diria, os lobos e gatos lutando juntos. Nem parece que há anos atrás lutaram entre si. — Disse ela em um tom vitorioso.

Naoki deu um passo a frente. Estava pronto para erguer uma barreira de proteção se ela atacasse. Anos atrás foi capaz de selar o Oni dentro de seu filho – mas antes ele estava solto – agora porém, estava hospedado dentro de Korina, então seria muito difícil extraí-lo.

— Sua velha vingativa. Anos atrás foi você que libertou o Oni de seu templo sagrado... Onde estava selado e não corria perigo. Não tem noção do que está fazendo?! — Naoki ditou furioso. Aquela mulher só queria trazer caos para a vida deles, destruir o que tinha pela frente, sem se importar com qualquer coisa.

Korina gargalhou. — Ele sempre foi meu. Eu trabalhei muito para rastreá-lo, matar os malditos monges que o guardavam seguro e ainda quebrar o selo de sua sepultura. — Ela falou estreitando os olhos para o mago. — Mas eu fui tola em achar que poderia absorvê-lo em sua forma mais feroz, sem controle. Contudo, ficaria feliz se tivesse destruído Masao e Akai naquela epoca. Mas não... Seu mago fajuto, tinha que ter estragado tudo. — A bruxa ergueu as garras e lançou uma sequência de esferas de magia negra contra Naoki, contudo esse conseguiu bloqueá-las facilmente.

— Sua maldade não tem limite, velha ranheta. — Naoki a provocou de volta. Precisava ganhar tempo para conjurar a magia de extração do Oni.

Korina aproximou-se mais deles, mas sempre mantendo uma distância segura para o seu próprio bem. — Nada adiantou. O selou dentro de um menino fraco que jamais conheceria ou controlaria a grandeza do Oni Tiger. — Ela disse olhando para um Nanami inconsciente nos braços de Shou. Kensuke colocou-se mais a frente do gatinho. O protegeria a qualquer custo. – Ok! Confesso que me deu trabalho... Mas enfim.

— Já chega Korina! — Uma voz conhecida se fez presente, ganhando a atenção e surpresa de todos. — Chega de tanto ódio e maldade. Eu sou o culpado, não eles.

— Pai!? — Kensuke estava espantado. Ele não entendia porque seu pai estava ali justo naquele momento. A ordem era tê-lo na caverna junto com Chizuru.

A expressão de Korina tornou-se sombria, mas no segundo seguinte um sorriso soberbo surgiu. — O que foi Chao? Veio ver aquilo que tanto desprezou? Agora sou bela e forte novamente.

Chao negou com a cabeça. — Sua beleza é apenas exterior... Um espelho ilusório, por que sua alma é podre. Ainda não acredito que um dia deixei me iludir contigo.

— Pai...? — Kensuke realmente não estava entendendo nada.

— Não contou ao seu filho o lixo que é? Que tudo isso que está acontecendo é na verdade culpa sua? — Korina provocou com um olhar superior.

Chao olhou para o filho penosamente. — Eu era jovem... E rebelde. Não queria ser aquilo que meus pais almejavam tanto, e sempre fugia da vila para visitar outras grandes cidades e ir a festas... Foi onde conheci uma mulher que me chamou atenção, que me fez apaixonar. — Ele começou a contar, ganhando a atenção de todos. — Como era de se esperar, a paixão foi avassaladora... Porém... Uma noite descobri que ela era uma feiticeira que ceifava vidas inocentes, para aumentar o seu poder de magia negra. Não o que eu acreditava que ela era. A temi, e nunca mais fui encontrá-la. Nesse meio tempo, meus pais arranjaram um casamento para mim... E mesmo estando contra no começo, acabei me apaixonando verdadeiramente, e esqueci-me da amante do passado, ao que dei importância a minha amada família. — Contou, encarando Korina.

— Seu velho nojento... Me usou e jogou fora! — Ela gritou quando seu temperamento subiu.

Kensuke olhava incrédulo para o seu pai. Aquilo não podia ser verdade. O pai que tanto se espelhava e amava, não podia ser a raiz do problema. — Mas...

— Anos depois, Korina apareceu e queria que eu fugisse com ela... Mas não poderia deixar meu esposo e filhos que eu tanto amava. Ela tinha me dito que havia engravidado, então me dispus a conhecer meu filho. — Chao continuou. Ele olhava para Isamu, que ainda estava sentado no chão, segurando o braço decepado e acompanhava a história com dor em seus olhos. — Disse que o criaria, e embora tenha sido difícil, meu esposo já tinha aceitado criá-lo como nosso. Mas... Sua velha rabugenta... Seu ódio e vaidade foi maior. Disse que aceitaria, e marcamos de nos encontrar no dia seguinte, porem naquela mesma noite conjurou uma maldição sobre Akai. Amaldiçoou-nos em um inverno sem fim... Também que todas mulheres falecessem... E quando a procurei para resgatar meu filho de suas mãos nojentas, ela me mostrou um corpo sem vida de uma criança.

— Mentira! Você não me quis. Me considerou um bastardo e nunca quis saber de mim! — Isamu gritou. Ele se levantou com dificuldade, devido ao fato de que estava sangrando, e encarou seu velho pai e mãe.

Chao negou com a cabeça. — Não sei o que ela lhe disse... Como alimentou o seu ódio por anos. Mas o que digo é verdade. Korina me deu um corpo infantil sem vida para ser sepultado, e me disse que o matou. Eu o enterrei entre os nossos ancestrais. Porem o mantive em segredo. — Chao deu um passo sentido a Isamu. — Se soubesse que na verdade estava vivo... O teria procurado.

— Pai, isso é verdade? — Kensuke indagou com magoa e dor em seus olhos. Parecia tal surreal a história que ele contou, mas ao mesmo tempo fazia sentido.

Chao olhou para seu filho Alfa. — É verdade. Juro! Sempre vivi com esse pecado sobre meus ombros. Com a dor do filho que perdi... E de como não era merecedor de meus dois outros filhos. Mas vi você e Chizuru se tornarem lobos decentes e corajosos...

Kensuke fechou as mãos em punhos.

Korina gargalhou fora do comum. — Seu velho imprestável. Por que após tantos anos vem nos contar essa história ridícula? Redimir desses erros? Então morra em paz... Sim! Eu apenas o usei porque queria um tolo para me ajudar a libertar o Oni Wolf… O demônio dos lobos. Mas você se apaixonou. Seu filho não tinha o sangue lobo forte o suficiente, e não era capaz de quebrar o selo. — Ela contou soberba. — Mas colocar a maldição em Akai custou minha juventude e parte do meu poder, por isso precisei do Oni Tiger por tanto tempo...

— Sua vaca! — Isamu gritou de ódio. Ele sofreu por tantos anos, sentindo-se ser desprezado e renegado, tudo para alimentar o egoísmo daquela mulher. Sua vida poderia ter sido diferente se tivesse sido criado por seu pai. Teria tido amor, irmãos e amigos. Uma família de verdade, como em seus sonhos.

Korina olhou-o zombando. — Ah, por favor... Sempre foi tão fraco e inútil. Nunca soube fazer nada por conta própria, sempre dependendo dos meus poderes.

— Eu te odeio... Quero que morra da pior forma... — Isamu rosnou entre os dentes.

Korina bufou e ergueu sua mão direita. Mesmo diante de todos os maltratos de sua mãe, Isamu não podia acreditar que ela pretendia matá-lo.

Ele não se moveu, mas manteve-se firme, pronto para finalmente morrer por seus pecados. Porem antes que a magia negra se chocasse contra seu corpo, sentiu braços fortes rodeá-lo. Isamu então abriu os olhos, e o que viu, o surpreendeu mais do que qualquer coisa.

O ancião Chao diante dele, recebendo o ataque em seu lugar.

Seus olhos marejaram em descrença, e seu braço inteiro segurou o corpo do idoso contra ele. Pelo choque, ambos caíram deitados no chão.

— Pai! Não... — Kensuke gritou imóvel com olhos arregalados, enquanto Korina gargalhava loucamente. Todos os lobos e gatos ali presentes, ficaram chocados e horrorizados com a cena.

Isamu segurou o corpo fraco contra ele. — Por quê?! Eu estava pronto para morrer pelos meus erros... — Ele murmurou com as lágrimas lavando sua face.

Chao ergueu a mão e tocou o rosto de seu filho. — Estou ciente das maldades que fez, mas é também um vitima como todos nós somos. Uma vitima alimentada por anos pelo ódio e crueldade. Acima de todos, merece uma segunda chance. Esse foi apenas o meu único gesto por seu perdão, meu filho.

Isamu não segurava mais as lágrimas, que seguiam desenfreadas pelo rosto.

— Pai... Meu único pai... Me perdoe... Eu fui mau... Mereço morrer. — Isamu se lamentou choroso.

Kensuke se aproximou ainda chocado e ajudou a sustentar o corpo de seu pai. — Pai... O que você fez...?

Chao olhou para ele, respirando com dificuldade. — Eu tenho orgulho de ti... Tornou-se um Alfa justo e corajoso. Cuide de seu irmão... E valorize o companheiro maravilhoso que tem. Os dois serão muitos felizes e terão lindos filhos no futuro. — Ele ditou sabiamente. Então tossiu e sangue jorrou de sua boca denunciando seu fim próximo. — Diga a Chizuru que o amo, e lamento muito que não estarei em seu casamento.

— Pai... — Kensuke se inclinou e beijou a testa de seu pai, para então encarar Isamu. Não sentia como se aquele cara fosse seu irmão mais velho.

Chao olhou para Isamu. — Aproveite a segunda chance que lhe dei... E corrija sua vida. Trilhe um novo caminho honesto. — Ditou, e retornou seu olhar para Kensuke. — Não o mate...

— Pai...

— Prometa-me!? — Chao pediu pela última vez.

Kensuke assentiu e segurou as lágrimas quando seu pai fechou os olhos de uma vez e sua respiração parou. Isamu segurou o corpo inerte e chorou pela vida que perdeu se fosse criado por seu pai verdadeiro.

Kensuke ergueu seu olhar borrado quando uma mão pequena e macia tocou em seu ombro, para encontrou o olhar de Nanami. Ele se levantou e segurou a mão de seu irmão, olhando para Korina.

A bruxa aplaudiu com um sorriso satisfatório. — Lindo! Cena totalmente comovente. Mas agora, chegou a hora da morte de todos vocês. Finalmente varrerei Akai e Masao do mapa.

Kensuke colocou Nanami para trás dele, Yamato colocou-se na frente do curandeiro, e Naoki adiantou alguns passos. Todos os lobos e gatos se colocaram em posição de luta, nenhum deles estava ainda desistindo.

Korina olhou superiormente e iniciou o conjurar de um novo feitiço.

Nanami saiu detrás de Kensuke e deu alguns passos à frente, Kensuke tentou agarrá-lo de volta, mas Nanami desvencilhou dele.

— Nanami!? — Kensuke o chamou, mas foi ignorado.

Naoki tentou usar seus feitiços para trazer Nanami de volta, mas de nada fez efeito.

— Filho, não... — Misaki implorou, mas antes que chegasse em Nanami, Naoki o segurou pela cintura. — Me solte Nao-chan!

Korina lhe rendeu atenção. Ela não negou seu espanto que o gatinho ainda estivesse vivo. A extração era perigosa, e normalmente o hospedeiro morria.

O firme e duro olhar de Nanami a fez recuar um passo. — Se afaste, gato imundo. — Ela ordenou, erguendo suas garras para atacar Nanami.

O loirinho ainda mantinha a faceta séria, tão diferente do usual. Sem se importar com o perigo, Nanami ergueu sua mão para o alto e ditou: — Venha!

Ninguém pareceu entender nada.

— O menino pirou? — Roan sussurrou para Yunsuke, que lhe deu uma cotovelada.

— Não tem medo mesmo, hein pirralho. — Korina tentou intimidar Nanami, mas a verdade era que ela estava tentando disfarçar o incômodo que sentia.

— Nanami! — Kensuke chamou pelo esposo novamente, mas quando se moveu para ele, Naoki o impediu. — Ele está correndo perigo!

O feiticeiro olhou para ele seriamente, como se soubesse o que seu filho fazia. — Tudo ficará bem, confie em Nanami!

— Venha... Tiger. — Nanami chamou.

— Seu gato asqueroso! — Korina gritou quando entendeu o que o gato estava querendo com ela, forçou então sua magia em forma esférica na palma da mão. Contudo antes mesmo que pudesse lançar o poder, uma aura branca e reluzente rodeou seus pés e seu poder se extinguiu. — O quê... O que você fez?! — Ela gritou em surpresa.

Assim como ela fez com Nanami, o espírito do Oni parecia estar sendo arrancado de seu corpo… Mas dessa vez pela própria vontade dele e não contra, se materealizando como fumaça desenhada no ar. — Não... Volte para mim... Não... — Ela implorou, girou e moveu os braços freneticamente como fosse agarrar o Oni Tiger de volta.

— Volte para mim! — Nanami sussurrou docemente para o espírito.

Quando o Oni saiu totalmente de Korina, ao invés de hospedar-se novamente no corpo de Nanami, ele pousou na frente do gatinho confortavelmente – como uma nevoa branca em forma de um tigre siberiano adulto e gigantesco.

— Não... Retorne! — Ela implorou desesperada. Mas de repente, sua beleza e juventude começaram a murchar. Sua pele tornou-se pálida e esverdeada, as rugas e manchas a cobriam, e seus cabelos negros tornaram-se grisalhos e caíam aos montes. Lentamente, suas forças foram roubadas, mas ao invés de simplesmente voltar a ser velha... Seu corpo murchou tanto ao ponto de que começou a se esfarelar como pó.

Em segundos, no lugar que outrora estava a bruxa, restou somente um montinho de poeira.

Naoki se aproximou rapidamente e conjurou um feitiço flamejante, colocando fogo naquele pó, o fazendo desaparecer totalmente.

Nanami olhava tudo descrente, ainda não acreditando que fora ele quem destruiu a bruxa. Mas pareceu acordar de seus devaneios, quando um par de braços como os seus, rodearam seu corpo frágil. Girou então para descobrir que era seu pai Misaki, que chorava aliviado por tê-lo bem.

— Nunca mais me assuste assim! Não posso perdê-lo, Nana-chan. — Pediu Misaki chorando.

Nanami sentiu outro baque, quando mais dois braços fortes os rodearam. Olhou somente para encontrar seu pai Naoki. Este tinha lagrimas em seus olhos. — Meus lindos amores... Nunca mais quero perdê-los.

— Jamais. — Nanami o respondeu aliviado. Após todo o choro e muitos beijos, eles se separaram, então Nanami olhou para a forma enevoada do Oni. — Pai... Como faço ele retornar a mim?

Naoki coçou a nuca. — Não acho que ele queira retornar... Mas não pode ser nevoa também. — Ele posicionou Nanami em frente ao espírito e falou: — Feche os olhos e o imagine.

— Imaginar como? — Nanami perguntou ingenuamente.

— Como quiser. — Naoki sugeriu.

Nanami olhou para à nevoa do Oni, completamente mansa, e fechou os olhos. Quando voltou a abri-los, deparou-se com uma criança. Um menino que tinha os cabelos loiros tão claros que os confundia com o branco, lisos até abaixo dos ombros. A pele alva, que destacava as bochechas fofinhas avermelhadas e os olhos azuis céu. Quem o olhasse, diria que era quase uma versão mirim de Nanami.

— Ohhh, que fofo! — Nanami soltou um gritinho de felicidade quando correu até o Oni e o tomou em seus braços. Apertou suas faces juntas e o encheu de beijinhos. — Neh, Ken-chan... — Procurou com os olhos o marido. — Podemos ficar com ele?

Kensuke não muito bem, suspirou indiferente. — Ele é um Oni e não um gato para adotar.

Nanami fechou sua expressão. — Não escute o que papai Alfa falou, ele é mau. Nos iremos amá-lo muito e cuidaremos de você. — Disse ao pequeno em seus braços. Quem diria que um poderoso Oni, se tornaria com essa aparência de uma criança de quatro anos. A cauda branca com listras negras sacudia no ar, quando o tigrezinho olhou para o Alfa.

Kensuke suspirou vencido. — Estou indo a remar na sua bunda depois. — Alertou, para então abraçar Nanami e o filhote junto, depois inclinou para o seu esposo e se apossou de sua boca em um beijo carregado de amor e carinho.

Shou, com ajuda de Yamato, tratou rapidamente dos feridos mais gravemente, enquanto Naoki aproximou-se de Isamu. Ele estancou o sangramento de seu braço decapitado e os demais ferimentos.

— Valorize a segunda chance que a vida lhe deu. Recomendo ir para bem longe de Akai e Masao, pois mesmo que ancião deu a vida dele pela sua, não será bem-vindo aqui tão cedo. — Naoki o aconselhou.

Isamu acenou com a cabeça e levantou em silêncio. Ele olhou pela última vez para o corpo sem vida de seu pai e então girou sobre os pés, andando para longe do que foi um campo de batalha, seguindo para onde quer que a vida o levasse. Desejava poder se esquecer do passado. Sua maléfica mãe e as maldades que fez. Além de realmente valorizar a vida que seu pai perdeu por ele.

–oo0oo-

Nanami chegou a sua casa acompanhado de Shou ao que carregava o garotinho nu em seu colo, sendo o mesmo leve ainda mais que uma criança comum. Mas o clima não estava tão alegre ou de vitória, como era para ser. Não depois de eles terem perdido alguém tão importante para eles. O Antigo Alfa.

O pouco que Nanami conheceu do Ancião, foi o suficiente para gostar dele. E quando alguém assim morria, certamente faziam todos sentirem seus corações vazios, doloridos e prestes a chorar pela dor da perda.

Kensuke e os outros guerreiros iriam levar o corpo do ancião para ser sepultado na caverna sagrada.

— Provavelmente será no fim do dia. Antes disso, todos iremos nos despedir do corpo e orar pela alma dele. — Shou explicou a Nanami.

O gatinho se encolheu ao pensar que teria de ir ao enterro. Ele tinha se sentido chocado o bastante depois de seu surto ao ver Tiger se transfomar em um menino, para então descobrir que o Ancião realmente estava morto. Imaginava como Kensuke devia estar abalado, chateado, até mesmo chorando de tristeza.

Só de pensar nisso, fazia o coração de Nanami doer terrivelmente no peito.

— É tão triste…

— Sim, é… Vai ser principalmente para Chizuru quando ele vê o seu pai morto.

Os olhos de Nanami se arregalaram. Ele não queria nem imaginar a cena. O garotinho em seus braços choramingou e abraçou Nanami mais apertado. O gatinho sorriu tristemente, que embora uma alma se foi, surgiu uma nova. E ele sabia que jamais se acostumaria com o fato de que o pequeno Oni Tiger, era aquele de voz grave em seus pensamentos, que foi parte de seu corpo desde que nasceu.

— Ele gostou mesmo de você. — Shou forçou algum senso de humor. — Eu… Não consegui salvar as roupas de Minky com o incêndio. — Ele havia perdido boa parte da casa, visto que várias de suas poções se tornaram inflamáveis no fogo. — Teremos que arranjar algo seu para ele se cobrir até conseguirmos roupas novas. Improvisar.

— Sim… — Nanami assentiu, triste com a dura realidade em que se encontravam agora.

Algumas horas mais tarde, todos os cidadãos de Akai, além daqueles de Masao que vieram para a batalha, se reuniram em frente à caverna sagrada, para o ritual de sepultamento do Ancião Chao.

Nanami se colocou ao lado de Kensuke, enquanto a cerimônia dos sacerdotes do antigo templo de Akai, faziam suas rezas e prestavam depoimento da vida passada de Chao. Olhou para Kensuke que estava sério e abatido. Seu marido não havia lhe dirigido a palava há horas, mas Nanami jamais iria forçá-lo, porque Kensuke merecia um tempo, ainda mais depois de ter perdido o seu pai.

O mais triste foi ver Chizuru chorar tanto enquanto se agarrava a Seiji. Ele parecia inconformado, como se não quisesse acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo. Ele não queria admitir que houvesse perdido seu pai.

Nanami abaixou seus olhos depois de olhar uma última vez para o caixão cercado por flores silvestres. Assistiu com pesar quando o mesmo foi colocado com imenso cuidado dentro do túmulo que os próprios sacerdotes cavaram. Um olhar para Kensuke fez o coração de Nanami gelar. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, porém ele parecia duro o bastante para não querer derramá-las.

Aquele foi um momento de dor. Muitos choraram a perda de um ente querido, um homem que já foi um líder algum dia, um homem que fez seus filhos felizes, mas também decepcionados. Kensuke e Chizuru podiam perdoar o fato de ele os ter escondido tal segredo a vida toda, mas agora já era tarde demais para dizer qualquer coisa.

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Era tarde da noite. Nanami havia tomado um banho e vestia uma yukata de calor, quando Sayuri entrou cauteloso no quarto.

— Eu… Eu sinto muito por seu sogro, Nana-chan. Foi uma fatalidade.

— Hum, sim. Obrigado. — Nanami tentava inutilmente amarrar o obi atrás dele, mas obteve a ajuda de Sayuri para terminar de se arrumar.

— E… Então, o que fará com ele? — Apontou para a pequenina versão de um Nanami de quatro anos. O pequenino estava obedientemente sentado no futon, vestido com uma camada de kimono de Nanami, que a propósito ficou enorme nele. Batia seus pezinhos no colchão enquanto olhava curioso para os outros dois ninshins maiores.

— Uh… Vou ficar com ele para mim. — Nanami disse simplesmente.

— Não é tão fácil assim Nanami. — Sayuri comentou, corando as bochechas quando o Oni olhou para ele curiosamente. — Ele é um Oni… Não uma criança comum. Além do mais, como vai cuidar dele tendo apenas quatorze anos?

Os olhos de Nanami se estreitaram. — Da mesma forma que você completará quinze em alguns dias e poderá ter filhotes!

O rosto de Sayuri empalideceu e ele começou a gaguejar coisas sem sentido. — N-Não… Eu… Nada a ver isso…

Nanami teve que rir. — Eu adoraria ter um sobrinho ruivinho bem bonitinho… — Nanami cantarolou e riu mais ainda em como o rosto de Sayuri ficou vermelho tomate.

— Eu não acho que vai acontecer tão cedo… Não sei como funciona o cio quando se trata de gatos e lobos juntos. E… Pense bem Nanami. Como os filhotes iriam nascer? Gatos ou lobos? Ou talvez uma mistura? — Essa era uma pergunta que pegou Nanami.

— Eu nem mesmo fui um pai direito… Não é justo eu já me tornar avô. — Misaki apareceu de repente no recinto, o que assustou ambos, menos a criança que já o tinha visto. — E essa coisinha linda aqui? — Ele foi para abraçar o pequeno garotinho e o mesmo olhou para Nanami pedindo socorro. — Ele não fala? Que nome daremos a ele?

Nanami sorriu. — Ele é só um menino… Acho que está com vergonha de falar. — Ele olhou para Sayuri interrogativo. — Dar o nome de Tiger não combina muito com ele, não?

— De maneira nenhuma. — Sayuri sabia de todas as coisas. Cruzando os braços sobre o peito. — Deve dar a ele um nome fofo… Talvez um apelido que combine com ele. Algo como Chan… Chin… Cho… — Sayuri levou o indicador ao queixo, pensativo.

— Chi… — Nanami pensou também. Ele olhou fixamente para o garotinho sendo amassado nos braços de Misaki, com o mesmo se esfregando manhosamente.

— Ele cheira a bebê! Owwwnt! — Misaki estava tendo um ataque de fofuras. Papai, controle-se!

— Já sei! Vou chamá-lo de Chiba! O que acham? — Nanami olhou esperançoso para seu pai e melhor amigo. Ambos olharam para ele e arquearam uma sobrancelha. — O que foi? — Amuou.

— Chiba! — O garotinho gritou sua emoção, pulando dos braços de Misaki e arrancando suas roupas fora, para peladinho, abraçar Nanami em sua perna. — Chiba!

— Ual, ele gostou do nome que você deu, meu filho. — Misaki sorriu e depois torceu o nariz. — Mas por que ele tirou as roupas?

— Deve ser uma coisa de Oni. Andar pelado. — Sayuri zombou. Recolhendo a roupinha do chão e voltando até Chiba, envolvendo o tecido sobre ele. O garoto era tão manso que se afastou de Nanami e deixou ser vestido novamente com um choramingar. — Aqui, devemos estar vestidos, bebê.

Nanami se abaixou na altura do menininho e olhou nos olhos dele. — Pai, será que ele entende como os outros garotos?

Chiba olhava curioso entre eles.

Misaki olhou bem para Chiba e sorriu. — Eu não sei querido. Ele é um Oni, sabe-se lá o que esperar que ele seja no futuro. Bem, vamos ver. — Misaki afagou os cabelos da criança, o que a fez sorrir brilhantemente com caninos e tudo para Nanami. — Vou pedir a Shou para examiná-lo certinho.

— Hum. — Nanami tocou a bochecha rosada da criança e sorriu. — Sim, vamos falar com Shou.

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Quando o sol nasceu, depois da noite em que ninguém dormiu, além das crianças. O povo de Akai se agrupou, e acompanhados do exército de Masao, foram escoltados rumo ao acampamento, na divisa entre os dois territórios.

Akai tinha um espaço de terra que tomava toda uma floresta, embora a Aldeia tivesse sido pequena. O motivo disso foi desde a Grande Guerra, em que mais da metade de seus moradores foram dizimados.

Mas havia um detalhe que Nanami ou seus mais íntimos não contaram a ninguém. De que esse Oni Tiger, era aquele responsável pela morte de tantas pessoas. Se os outros soubessem que ele foi “a terrível besta” que atacou durante a guerra, completamente descontrolada, iriam querer destruir Chiba. E Nanami jamais permitiria isso. E quem tinha visto o Oni se transformar no garoto, estava avisado para manter sigilo. Ou seja, esquecer totalmente deste detalhe.

Durou praticamente a manhã inteira para que chegassem ao local do acampamento. Foi como Yunsuke descreveu para eles, alguns silos de guardar cereais dos campos, mas não utilizados, dois grandes casarões de madeira antiga, totalmente desabitada, poços de água, um chafariz ao centro e alguns pequenos chalés mais ao sul. A floresta ao redor era bonita, com grandes copas de árvore que faziam sombra, porém o mato estava alto e o local precisava de uma limpeza.

— Desculpe estar assim… — Yunsuke acenou para o local. — Mas não tivemos tempo de limpar para recebê-los. Sinto muito. — Ele reverenciou à Kensuke, e o mesmo sorriu ao que cruzou os braços.

— Não há problema. Já fez muito por nós, nos abrigando aqui depois que perdemos tudo. — Kensuke levou em conta que se as duas tribos não tivessem um acordo de paz, seria a deixa perfeita para Masao destruir Akai. Ou seja, dizimar a população dos lobos negros. — Será temporário. Ainda veremos se iremos reconstruir Akai no mesmo local, ou se encontraremos um lugar melhor para morar.

Yunsuke sorriu. — Sabe que podem ficar o tempo que quiserem. Você e sua matilha podem usufruir de nossa cidade o quanto precisarem. Estamos de portas abertas para os lobos, e todos lá já se encontram avisados. — Ele acenou para os lobos. — Se qualquer um deles precisar de ajuda extra, me informe. Providenciarei imediatamente. — Eles apertaram as mãos. — Sinto muito pela sua perda, Alfa.

O sorriso de Kensuke vacilou. — Obrigado, Yunsuke. Que os deuses abençoem o seu reinado. — Eles se despediram, então os gatos voltaram para a cidade de Masao, enquanto Kensuke ficou ali parado, olhando para seu povo vasculhando o lugar, alguns se transformando em lobos para cheirar e marcar território, já que aqui pertencia aos gatos, embora ninguém morasse naquele local.

Porém embora seus lobos estivessem prontos para acampar, já se preparando para cortar a grama e limpar a sujeira. Kensuke só queria saber de se jogar em algum poço e morrer lentamente. Seu humor era assim, sombrio, melancólico, revoltado. Não sabia se ao menos Nanami poderia ajudá-lo. Na verdade, queria apenas ficar sozinho.

— Eu vou… Hum, preciso de algum tempo. Poderiam assumir as coisas por aqui? — Pediu suavemente aos seus dois betas, Ryo e Seiji. Os mesmos assentiram, olhando entre eles.

Kensuke foi para um canto mais reservado, longe o suficiente de ser visto, onde a brisa e a sombra eram maravilhosas para ao menos, aliviar um pouco da dor. Ele sabia que tinha sido seguido, seu olfato era espetacular.

Um cheiro doce era trazido pela brisa denunciando que Nanami estava próximo, porém não a vista. Kensuke queria dizer a ele para deixá-lo sozinho, mas não achava que conseguiria recusar a companhia de seu pequeno companheiro.

— Eu sei que está ai… — Kensuke se sentou de encontro com um tronco e olhou para suas mãos.

Nanami saiu detrás de uma árvore e veio lentamente para perto dele. — Deixei Chiba com Sayuri… Ele não quer estar longe de mim.

— Que bom que ele gosta de você… — Kensuke sorriu tristemente para Nanami. — Ele viveu mais de uma década sendo parte do seu corpo. É natural ele não querer deixá-lo para nada.

Nanami sorriu um pouco sem jeito e se sentou ao lado de Kensuke, com suas pernas cruzadas. — Eu hum. — Não sabia o que dizer. — Vai ficar tudo bem.

O Alfa não sorriu ou disse qualquer coisa, apenas continuou olhando para suas mãos.

Pela primeira vez Nanami o viu sem reação, sem ter o que lhe dizer de volta, qualquer resposta para ele. Era a primeira vez em que o viu triste, de verdade. Não nervoso ou bravo, mas verdadeiramente triste.

Ele somente abraçou Kensuke de lado e o cheirou. — Estou aqui com você.

Kensuke envolveu os braços em torno dele e suspirou.

— Eu sei. Obrigado.

–oo0oo-

Era noitinha quando todos se recolheram para o acampamento. Foi um dia trabalhoso, além de não terem dormido na noite passada devido aos ataques e toda a comoção, eles tiveram de passar o dia se ajudando a fazer daquele lugar, habitável. Cortando a grama para baixo, limpando o máximo que podiam de dentro das residencias e chalés, além de conseguir água potável do poço para utilizar mais tarde.

Não haviam móveis em qualquer das casas, mas os lobos improvisaram com fogueiras espalhadas. Cada família preparando o seu jantar e se aquecendo enquanto aquela região fazia mais frio.

Ryo conseguiu um pouco de ensopado feito em uma panela e trouxe colocando sobre a toalha de piquenique. Estava claro por toda parte, visto que cada fogueira reluzia. Sayuri estava tendo uma batalha com o pequeno Chiba.

— Ei, o que estão fazendo? — Ryo perguntou surpreso em como Sayuri tentava segurar Chiba e o mesmo queria escorregar de seus braços.

— Ele quer ir atrás de Nanami. Mas Nanami quer ficar a sós com Kensuke, só que Chiba não entende isso! — Sayuri explicou com dificuldade, visto que menino choramingava e resmungava tentando sair dos braços de Sayuri.

— Ele deve ser mesmo muito apegado a Nanami. — Ryo riu um pouco e então se sentou ao lado de Sayuri. — Será que você não tem jeito com crianças?

O olhar de Sayuri para Ryo foi cômico. — Como pode me dizer uma coisa dessas?!

O sorriso de Ryo caiu. — Oh, desculpe. Só estava brincando.

— É claro que eu tenho jeito com crianças! — Sayuri resmungou para ele com um enorme beicinho. — Chiba me ama muito! Não é Chiba? — Perguntou com um sorriso para o garotinho que olhou-o muito aborrecido e desferiu uma mordida dolorosa no braço de Sayuri. O mesmo gritou desesperado, ao que Chiba aproveitou para escapar e correu para a floresta, caindo em algum momento, mas levantando, recuperando e voltando a correr. — Ele mordeu meu braço!

— Você está bem? — Ryo olhou para a ferida de Sayuri. Não sangrava, foi na verdade um susto. As bochechas de Ryo se encheram e ele não resistiu em cair na gargalhada. — Não acredito! Você é hilário Say-chan.

As bochechas de Sayuri se encheram, porém foi de aborrecimento. — Seu chato! — Ele cruzou os braços e se levantou. — Agora quem vai atrás dele? Eu desisto!

Ryo se levantou e beijou o rosto de Sayuri. — Não fique zangado. Eu vou atrás dele para você.

— É bom mesmo. — Sayuri olhou bem nos olhos de Ryo. — Porque você sempre parece tão bonzinho? Você não é tão bonzinho assim.

Ryo ergueu uma sobrancelha. Essa ele não tinha entendido. — Eu pareço bonzinho?

As bochechas de Sayuri coraram, portanto isso era uma coisa boa. — Vá atrás dele antes que ele se perca. Eu vou comer antes que morra de fome.

Ryo sorriu, beijou Sayuri mais uma vez antes de correr em direção aonde o garotinho tinha ido. Ele deixou a transformação o pegar. Seria mais fácil assim farejá-lo.

Em breve seu gatinho ruivo faria quinze anos, algumas semanas apenas. Lamentava que eles não estivessem em sua amada vila para comemorar, porém ele daria um jeito de fazer o momento bem especial. Talvez levá-lo para um passeio, uma pequena festa e um presente espetacular. E claro, deixá-lo muito satisfeito. Tinha que se preparar. Quinze anos era a idade perfeita para um ninshin engravidar, seja gato ou lobo. Ele tinha que ter cuidado, não sabia quais eram os planos de Sayuri quanto a ter filhos.

Quando o aroma de Chiba ficou forte o suficiente para ter certeza de sua localização, Ryo viu o garotinho parado em frente de onde estava Nanami e Kensuke, o casal dormia tranquilamente, um ao lado do outro. Ryo ficou de longe assistindo enquanto a criança estava parada, apenas observando o casal. Se perguntava o que se passava na cabeça dela.

Chiba parecia ter chorado, porque usou a manga do kimono largo para enxugar o rosto. Porém em seguida a atenção de Ryo foi completamente fisgada quando o ar em torno de Chiba rodopiou e nevoa o tomou até que um grande tigre siberiano surgisse. O Oni gigantesco rodeou o casal e se deitou em torno deles. Ryo então compreendeu que assim seria mais quente e confortável para Kensuke e Nanami dormirem em torno dele.

Com um sorriso e um suspiro de alívio, Ryo deixou o local para retornar ao seu Sayuri.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos! *-* Obrigada por ler Akai! Espero que tenham gostado do capítulo kkkk Até a próxima! Beijinhos