Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
56 Capítulo 56 – Inicio de Guerra
Notas iniciais
Capítulo 56 – Inicio de Guerra

Seu corpo parecia pesado, como se afundando lentamente. Sugando o ar para seus pulmões, percebeu que até mesmo a simples tarefa de respirar, se tornou um fardo. Ao menos não sentia como se estivesse pegando fogo.
Um suave toque em sua bochecha pareceu trazê-lo de volta daquela floresta escura e fria em que estava. Suas pálpebras tremularam e se abriram revelando as belas íris azuis celestes. Com sua visão embaçada, forçou piscar várias vezes até encontrar o foco, e quando o fez, visualizou o teto branco acima dele. Suspirando difícil, reconheceu que estava em seu quarto, e isso lhe trouxe certa calma.
O carinho continuou agora em seus cabelos, o toque lhe dando conforto e segurança. Com dificuldade, virou a face e se deparou com a suave expressão de Misaki.
O gatinho mais velho parecia diferente, em seus olhos havia tanto amor e segurança, e sua expressão saudosa.
— Mi-Misaki? — Nanami murmurou inseguro. Ele morria de tanta vontade de chamá-lo de pai, porém ele sabia que tinha de ter paciência e esperar por Misaki se lembrar sozinho das coisas.
— Olá pequenino... Está tão bonito... Tão fofo. — Misaki murmurou gentil. Este estava deitado de lado e bem pertinho do filho. — Se sente melhor?
Nanami assentiu enquanto olhava confuso para ele. — Neh... E você está bem? Você tinha perdido a consciência. E os outros? E a vila? Aquele bastardo? — O pequeno jogou a enxurrada de perguntas.
Antes que Misaki respondesse, os gatos de Nanami – Preciosa e Lobo – subiram na cama e se alojaram deitados entre os dois. Nanami sorriu e se virou frente a seu pai, ao que acariciava o pelo de seus animais.
Misaki tomou uma das mãos de Nanami entre as suas. — Eu tive tanto medo... Que nunca mais fosse vê-lo. Era tão pequeno e fofo... Tão desprotegido. Mas Naoki disse que era preciso, para seu futuro...
Nanami arqueou uma sobrancelha. — O que era preciso?
— O Oni que selamos dentro de você... Me perdoe se não fui presente e um bom pai. Mas eu te amava tanto... Era meu bem mais precioso... Porém mesmo dentro do colar, estive contigo. — As lágrimas brilharam nos olhos de Misaki, e ele acabou se sentando. — Eu estive lá... Vi cada dor, cada tristeza e alegria que... Queria esfolar àqueles idiotas que o maltrataram. Me perdoe bebê...
Nanami se sentou assustado. Seus olhos cresceram em largura e seu coração falhou algumas batidas. — Oh Senhor dos gatos... Vo-você... Lembrou?
Misaki assentiu.
— De tudo? — Nanami insistiu.
Com lágrimas manchando sua face, Misaki acenou com a cabeça.
Nanami riu alto de alegria e jogou-se nos braços de seu pai, fazendo ambos caírem deitados no futon, com Nanami por cima. Ele apertou contra seu pai e deixou que as lágrimas igualmente viessem.
— Não creio! Você lembrou... Lembrou-se de mim. — Disse feliz e descontrolado. — Eu te amo tanto... Senti tanto... Mais tanto sua falta!
Misaki rodeou os braços ao redor do corpo pequeno do filho, e encheu sua face de beijinhos. — Desculpa ter demorado a lembrar. Sou um péssimo pai!
Nanami se ergueu para encarar Misaki, sem sair de cima dele. — Nunca foi! Sei que se sacrificou por mim... E cuidou de mim nesses anos todos.
Antes que a ‘emoção’ continuasse entre os dois, a porta do quarto foi aberta e Kensuke com Naoki entraram ofegantes. Os dois suavizaram suas expressões e olharam engraçado para seus amores. Nanami saiu de cima de cima de seu pai envergonhado, ao que se sentou sobre suas pernas.
Misaki se levantou e foi até Naoki, dando lhe um soco em seu peitoral.
— Ai!
— Isso é por não me contar ou me fazer lembrar das coisas! — Disse, novamente dando lhe um soco. — E isso é por demorar tanto a voltar.
Naoki esfregou o peito gemendo. — Amor, não tive culpa. — Mas parou de falar e arregalou os olhos. — Você recordou?
— Claro que sim! Você mesmo disse que quando os poderes de Nanami despertassem parcialmente, minhas memórias voltariam, como parte da magia. Porém te conhecendo bem, deve ter se esquecido disso. — Falou terminando com um bico.
Naoki não resistiu mais e abraçou bem apertado ao seu amado, enchendo a face de Misaki de beijinhos. — Oh, meu doce. Eu senti tanto a sua falta... Seu gatinho manhoso e mandão. Adoro você doce, mas todo mandão é mais fofo ainda.
Nanami olhou para cena, divertido. Era fofo ver seus pais juntinhos, Ele ofegou quando sentiu um toque em sua cabeça, e ergueu o olhar. Sorriu para seu marido, e deixou ser tomado por seus braços fortes.
— Meu docinho, está se sentido melhor?
Nanami assentiu. — Um pouco cansado apenas.
— Me deu um grande susto. Não faça mais isso. — Kensuke o repreendeu levemente e beijou a face de Nanami.
Em resposta, o gatinho esfregou seu rosto contra o peito forte do marido. — Neh, como estão todos? E a vila?
Kensuke suspirou. — Graças a sua ajuda, tudo está bem agora... Tivemos feridos, mas nada de grave. Já a vila... Bem, totalmente destruída. Acho que somente nossa casa está de pé por causa da magia de seu pai.
Nanami suspirou. — Tudo vai ficar bem. Bens materiais podem ser substituídos. Mas tenho medo que eles voltem. Isamu falou algo sobre uma bruxa… Possivelmente aquela que está atrás de mim.
Kensuke olhou para Naoki, que tinha seu esposo nos braços e olhava preocupado.
— Vamos resolver isso. Mas o quero em segurança. Ela o quer... E isso eu não permitirei jamais. — Naoki decretou. Não se sacrificou e lutou tanto, para deixar aquela asquerosa tocar em seu bebê.
Nanami assentiu, mas corou quando seu estômago rosnou alto. — Acho que estou com fome.
Misaki bateu as mãos juntas. — Deixe comigo! Vou preparar algo bem saboroso para o meu bebê. Venha me ajudar Nao-chan! — Ditou alegre, ao que arrastou Naoki com ele para fora do quarto.
Nanami olhou divertido para a cena. — Meus pais são fofos juntos.
— Sim, são realmente. — Kensuke o apertou em seus braços. — Que tal um banho para aliviar o seu cansaço?
Nanami corou imaginando o que não devia. Amava o carinho de Kensuke. Ele acenou com a cabeça e estendeu os braços para o Alfa, para que este lhe carregasse.
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Seiji sentiu todo o seu corpo gritar de dor, mas ainda maior do que sua dor física, era seu medo interno. Segundo um dos sentinelas, na noite anterior, Akai foi atacada. Mas depois que tudo parou, não houve noticias. O sentinela tinha saído para ajudar na luta, e ninguém mais retornou.
Seiji temia que Akai houvesse padecido, e todos que eram tão queridos, mortos.
Por horas gritou, mas ninguém veio. Agora sua garganta estava ferida pelo esforço de suas cordas vocais, e seu corpo cansado por causa da prata nas correntes.
Quando seus olhos pesaram, ele estava pronto para cair no esquecimento do sono, porém um som de porta rangendo o fez despertar. O Beta ergueu a cabeça e ficou atento. Os passos se tornaram presentes, e não demorou em que Ryo – acompanhado de um dos executores – entrassem em seu campo de visão.
Seiji tentou se mover, mas as correntes o impediram. Olhou fixamente para aquele que considerava um dos seus melhores amigos.
— Ryo... Por favor... Me diga a verdade... O que aconteceu? E Chizuru onde está? Precisam me deixar vê-lo. Por favor... — Implorou sem vergonha ou medo.
Ryo olhou para ele penalizado. Indicou para o executor abrir a cela, e eles entraram na mesma. O segundo beta ocupou-se em abrir os cadeados das correntes e segurou o corpo mole de Seiji quando este tropeçou para cair no chão imundo.
— Hora de irmos para casa. E deus dos lobos... Precisa tomar um banho urgente! Você fede. — Ryo anunciou torcendo o nariz.
Seiji se forçou a olhar para o amigo, sem entender nada. — C-Como? Onde está Chizuru?
— Vá devagar! Realmente fomos atacados... Por incêndios criminosos, ogros malditos... Tudo pelo bastardo do Isamu. Inclusive tentou sequestrar Nanami. — Ryo contou com pesar. Ele e o executor ajudaram a colocar Seiji em seus pés, e apoiando-o, o levou para fora dali.
Seiji moveu desesperado, mas por pouco não caiu. — E todos os outros? Chizuru? — Seu coração trovejou temeroso.
— Acalme-se... Ok! Akai está totalmente destruída... Mas por sorte todos estão bem. E Chizuru também. — Ryo o acalmou. — Agora vamos levá-lo a ser limpo e ao médico... Depois o alfa falará contigo.
Seiji engoliu seco.
Ele queria tanto ver seu noivo, explicar para ele que não tinha feito nada do que estava sendo acusado.
Com certa dificuldade – já que Seiji pesava – eles o levaram para fora da prisão, mais precisamente para a casa do Alfa. Seiji ficou tão espantado com o que viu... Ao caos em que vila se encontrava. Seu coração doeu e se sentiu a ponto de chorar. Ele amava aquele vilarejo e vê-lo assim arruinado, doía muito.
Com certa dificuldade, conseguiram alcançar à casa do Alfa, mas quando subiram a varanda, se depararam com Sayuri e Chizuru. O ruivinho segurava a mão de Chizuru, dando lhe forças.
Seiji sentiu seus olhos arderem por tanta alegria ao ver seu lindo noivo, são e salvo. — Chizu...
Mas antes que terminasse de falar, Chizuru correu ao seu sentido. Todos temeram qual seria a reação do lobinho branco, mas este abraçou o noivo pelos ombros bem apertado e aninhou sua face contra o peitoral forte e nu de Seiji.
— Me perdoe... Eu acreditei naquele traidor... E nem lhe dei a chance de se explicar... Perdoe-me. — Ele murmurou com sua voz trêmula para que apenas seu noivo escutasse, enquanto rios de lágrimas revertiam sua face.
Seiji firmou-se em seus pés e dispensou a ajuda dos outros dois lobos. Seus braços rodearam o pequeno corpo de Chizuru, e depositou um doce beijo no topo de sua cabeça.
— Não se culpe, meu amor. Para você, que praticamente viu “a mim” beijando outro ninshin. A culpa de verdade é daquele asno do Isamu... E ele pagará por tudo que fez de mau a nós e a nossa vila. — Seiji falou convicto e nervoso, ao que apertou mais seus braços ao redor de Chizuru.
— Que tal irmos para dentro? Não confio ficarmos aqui fora. — Sayuri ofereceu depois de um tempinho, já estando ao lado de Ryo e sendo protegido pelos braços fortes ao redor de seus ombros magros.
Chizuru se afastou e rodeou um braço de Seiji em seu ombro, dando lhe ao menos um pouco amparo. Um dos executores caminhou perto o suficiente para no caso do beta tropeçar e Chizuru não conseguir segurá-lo. Eles entraram na casa de Kensuke, e levaram Seiji para um dos quartos de hóspedes a fim ser tratado devidamente.
— Chizu, por que não vai com Say preparar algum lanche para nós? Temos que ajeitar as coisas para podermos ir ao acampamento na caverna. — Ryo orientou.
Chizuru fez um bico. A verdade era que queria ficar ao lado do noivo, ajudá-lo a se tratar, mas mesmo que havia perdido a virgindade antes do casamento, não podia ter tal liberdade. Precisava acertar as coisas o quanto antes.
Seiji segurou um risinho. — Meu anjo... Vá com Sayuri!
Chizuru assentiu com a cabeça. Na verdade estava com medo que Seiji fosse querer terminar o noivado com ele, pois como se casaria, se nunca acreditou no noivo em primeiro lugar?
— Ei! — Seiji puxou a face de Chizuru pelo queixo. — Não faça essa carinha triste. Estou aqui e não vou a lugar algum. Eu te amo e logo que essa confusão toda passar, iremos nos casar, está bem? Nada vai nos impedir. — Jurou docemente.
Chizuru sorriu mais confiante dessa vez. Ficando na ponta dos pés, selou um pequeno beijo nos lábios de Seiji, antes de deixar o quarto com Sayuri.
Seiji suspirou apaixonado.
Ryo o ajudou a ir ao banheiro, desfazer do resto das roupas em farrapos e encher a grande banheira tradicional com água quente. Após seu cuidadoso banho, se vestiu com um roupão branco, e esperou quieto enquanto Shou o avaliava e aplicava o medicamento certo em seus ferimentos.
Quando o curandeiro terminou, Yamato estava lá para ajudá-lo a se levantar. A pantera estava toda cuidadosa com seu esposo, Shou, que ainda se recuperava do último ataque.
— Agora precisa descansar. Coma algo e durma um pouco. Seu corpo precisa de descanso suficiente para recuperar-se. — Shou o orientou.
Seiji assentiu. — Obrigado doc... — Bocejou. Seu corpo ainda gritava pela dor de seus ferimentos. Iria demorar um pouco até que seu DNA lobo agisse para curá-lo sozinho.
Quando Yamato e Shou saíram, Kensuke entrou.
Seiji suspirou temeroso ao seu Alfa. Agora vinha fogo! Mesmo que desvendaram que na verdade não fora ele quem traiu e humilhou Chizuru em toda vila, ainda sim foi ele quem tomou a honra de Chizuru, e Kensuke era impiedoso quando se referia ao seu irmãozinho.
Kensuke manteve-se de pé, com uma expressão dura na face.
— Não vai falar nada? — Seiji perguntou cauteloso. Não tinha porque temer a fúria de Kensuke, o conhecia bem, apenas temia perder Chizuru.
— Primeiro... Eu quero arrancar o seu couro por ousar tocar em meu precioso irmão antes do casamento. Sabe muito bem como nosso povo é legal à tradição, e Chizuru sempre sonhou com tudo perfeito... Mas você tirou isso dele. — Kensuke o repreendeu friamente.
Seiji não ousou dizer nada, apenas escutou.
— Ele merecia o melhor... — Kensuke fechou os punhos. — Vai pagar por isso! Casará o mais rápido possível com ele, e viverá para honrar e consertar o seu erro. — Ditou, sem aceitar ser contrariado.
— Não o assuste, Ken-chan! — A voz de Nanami de repente cortou a tensão do quarto. O gatinho entrou no recinto trajando um lindo kimono de algodão rosa. Sua cor favorita. Ao que rodeou seus braços no de Kensuke e sorriu para Seiji. — É bom tê-lo aqui de volta, Sei-chan! Recupere-se logo!
— Obrigado Cadela Alfa! — Seiji sorriu de volta, humilde. Somente Nanami para amansar a fera que havia no Alfa. O tinha praticamente ao redor de seus dedinhos finos.
— Nanami não atrapalhe. Estou tentando ser o Alfa durão aqui! — Kensuke resmungou, mas então suavizou sua expressão para o amado.
Nanami deu lhe uma cotovelada.
— Ok! Estava chegando lá. Isamu assumiu a culpa por tudo... Por isso, peço desculpas por acusá-lo sem um julgamento certo. Você entende, que se não fosse por ele ter confessado os crimes, teria sido prova o suficiente para mantê-lo aprisionado no mínimo. E me perdoe pelos maltrato que recebeu na prisão. — Terminou suas falas com pesar.
Seiji olhou-o espantado. Sabia como devia estar sendo difícil para o Alfa e amigo pedir desculpas. Podia apostar que Nanami o obrigara a fazer.
— Eu... Eu entendo, Kensuke. Você acreditou nas provas em que viu e tinha o dever de proteger seu irmão. Sou grato que colocou Chizuru acima de tudo... E desculpas aceitas. — Seiji respondeu. — Eu gostaria de manter minha posição de beta, se possível.
Kensuke suspirou aliviado. — Claro... O cargo é seu. O merece! Descanse e depois conversaremos mais. — Concluiu. Ele puxou Nanami pela mão para fora do quarto. O gatinho ficou sorrindo todo orgulhoso para o marido e deu um último tchauzinho para Seiji.
Seiji sorriu aliviado, ao que se deitou com cuidado, pois suas costas ainda ardiam. A tristeza voltou ao seu olhar. Pelo que observou, a sua amada vila estava em ruínas. Porém por grande sorte, todos se encontravam bem. Iria trabalhar duro para reconstruir tudo o que perderam.
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Kensuke se sentou em sua poltrona de seu escritório, e Nanami se sentou em seu colo, aninhando-se contra ele.
— Eu te conheço, grande Alfa mau… Está tão preocupado. — Nanami comentou, olhando para cima do rosto imparcial de Kensuke. —Vamos resolver essa situação juntos… Ficarei ao seu lado o tempo inteiro.
Sorrindo para seu gatinho, Kensuke o abraçou mais apertado. — Obrigado, meu anjo.
Aquele havia sido um dia de caos total em Akai. A noite estava fria, mas nada melhor do que um aquecedor gostoso, chamado Nanami. Abraçar ele era um conforto.
— Me preocupo de como vamos reconstruir tudo de novo. Esta vila estava indo tão bem… Crescendo tão grande para se tornar uma cidade como Masao. Mas agora… — Agora eles estavam em um situação difícil. Sem lugar para morar e com o intenso risco de serem atacados novamente. — Bebê… Tenho que ir verificar as coisas ao redor e me certificar da segurança. Sei que Ryo e Yamato estão dando o melhor deles, porém, como Alfa, é meu dever zelar pela segurança de todos. — E ele precisava de um tempo também para esfriar a cabeça e pensar no que fazer.
Depois de beijos e abraços, Kensuke saiu de seu escritório, deixando Nanami com Sayuri na sala de estar, e caminhando para fora à procura de Ryo.
Seu beta conversava com alguns aldeões que vieram em busca de informações, de respostas sobre como continuar suas vidas depois da tragédia. Kensuke respirou fundo e foi até eles.Mas antes mesmo que chegasse a atravessar a varanda, Naoki apareceu bem a sua frente e ambos trombaram um com o outro.
— Ouc, Naoki!
— A-Alfa! — Naoki se desculpou rapidamente e depois se recompôs. — Me reuni em Masao… Eles ofereceram um terreno para acamparmos com algumas construções vazias. O que acha?
— Humm. — Kensuke coçou seu queixo pensando, assistindo Ryo se despedir das pessoas. — Nossos ninshins e crianças estão seguros na caverna sagrada?
— Sim, senhor. — Naoki respondeu formalmente. Kensuke colocou as mãos nos quadris e suspirou.
— Então… Vamos esperar por esta noite e ver o que acontece. Dependendo do clima amanhã, levaremos todos a esse lugar em Masao.
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Não faltava muito para a lua estar completamente alinhada em meio ao céu. Era minguante, porém ainda sim brilhava no céu e iluminava parcialmente a vila de Akai. Ou melhor, dizendo, os destroços da vila de Akai Ito.
Nanami olhou por uma janela no andar superior, observando sua amada vila destruída, segurando suas lágrimas. Embora sua casa e a de Sayuri não foram alvos, e por estarem um pouco mais afastadas, se achavam intactas. Nanami assistiu os aldeões preparando barracas próximas a sua casa. Na maioria solitária, por seus ninshins e crianças estarem seguros na caverna sagrada.
Sentiu-se curioso por essa tal caverna, mas de nada serviu, porque sua curiosidade estava bem presa dentro dele. Não se arriscaria, quando sabia que tudo isso estava acontecendo por sua causa. Aquela era sua família, sofrendo as consequências de ter adotado um gatinho solitário.
— Ei… Não fique assim. — Sayuri abraçou Nanami por trás, envolvendo seus braços em torno da cintura dele. — Nada disso é sua culpa, Nana-chan.
— Uh… Claro que é! — Nanami caiu em lágrimas, se virou no abraço, e afundou seu rosto no ombro de Sayuri, abraçando-o como se toda a vida dependesse daquele abraço. — Todos perderam suas casas… Porque querem esse maldito Oni em mim.
Sayuri afagou as costas de Nanami e apenas segurou-o até se acalmar um pouco, pelo menos.
— Não é culpa sua. Ninguém mais sabia desse Oni em você… Ele mal se manifestou. Não fez mal a ninguém. O problema não é você… Há de quem dizer que é! É daquele maldito Isamu, capacho de alguém que quer muito o poder que você tem!
Nanami não ergueu a face, apenas permaneceu ali, absorvendo o consolo de seu melhor amigo.
— Sayuri… Você é tão bonzinho… O gato mais amável do mundo. — Choramingou.
Sayuri torceu os lábios e corou as bochechas, feliz. — Eu sei… Você sempre será meu bebê.
— Não sou um bebê! — Nanami resmungou, se aninhando melhor em Sayuri.
A porta do quarto deslizou aberta e Chizuru entrou com uma bandeja. O cheiro do chá de ervas quentinho acalmou Nanami e o fez desejar um lanchinho.
— Trouxe pão caseiro e chá de erva doce. — Chizuru anunciou depois de deslizar a porta fechada e colocar a bandeja sobre o futon, se sentando. Ele tomou as xícaras e encheu com a bebida quente.
— Oh! Como adivinhou que eu estava com fome? — Sayuri brincou, arrastando Nanami para se sentarem no futon e passar a degustar.
— Você falou com Seiji, Chizuru? — Perguntou Nanami a Chizuru.
— Uh… Seiji? — Chizuru perguntou com um ponto de interrogação sobre a cabeça. De repente lembrando-se de algo. — Claro! Claro… Falei com ele mais cedo.
Sayuri ergueu uma sobrancelha, mas continuou o assunto: — Nos diga como foi! Você o perdoou? Vão se casar? Seiji está bravo com você por não ter acreditado nele? Eu te disse, ele era inocente o tempo todo!
Nanami engasgou com o pão, tossindo terrivelmente e Sayuri bateu em suas costas. Quando ele se acalmou, acrescentou:
— E Isamu… Muita cara de pau o que ele fez! — Gritou raivoso. — Odeio! Tudo o que ele fez, ele vai pagar em dobro! — Profetizou para si mesmo. Mas Chizuru fez uma expressão estranha, quase como um sorriso para os dois.
Sayuri e Nanami se entre olharam sorrindo como bobos, não entendendo da alegria do lobo branco.
— Acho que não preciso me preocupar em dizer nada. — Começou, tendo Sayuri e Nanami torcendo as sobrancelhas para entendê-lo. A voz de Chizuru mudou, se tornando grossa e rouca, aos poucos sua aparência se transformando em outro homem. Era Isamu, sorrindo diabolicamente para eles.
Quando Nanami e Sayuri se moveram para levantar, as mãos nojentas e duras como garras de um monstro, se agarraram em seus cabelos, os puxando em pé. Ambos gritaram com o susto e com a dor em seus couros cabeludos.
— Me solta! Ken…! — Nanami gritou. Ele viu Sayuri sendo jogado com brutalidade no futon e unhas asquerosas passaram a se mover na pele de sua face, ameaçando perfurá-lo.
Nanami engoliu em seco quando aquelas unhas alcançaram o seu pescoço, como laminas, tirando um filete do sangue doce de Nanami.
— Olhe só Isamu, é assim que se deve fazer. — A voz enferrujada de Korina veio detrás de Nanami e o fez tremer. — Eu o tive tão fácil… Com minha magia eu surpreendo a mim mesma. — Ela ergueu mais difícil a cabelo de Nanami o fazendo gritar.
— Nanami! — Sayuri gritou e Isamu o pegou pelos cabelos dessa vez o empurrando de cara contra o chão e montando seus quadris, o imobilizando.
— Fique quieto, gato maldito! — Ele gritou entre grunhidos de seu lobo.
— Se você colaborar, pequeno gatinho branco… — Começou a dizer Korina. — Vamos deixar o ruivo em paz e não iremos atacar a vila. Há uma legião inteira de ogros da montanha, que ainda não jantaram… Esperando apenas eu dar-lhes um sinal para atacar contra o resto do que sobrou de vocês… Mas dessa vez, não deixarei ninguém viver. — Ela falou contra a orelha peluda de Nanami. O mesmo se encolheu e assentiu, trêmulo.
— Não, Nanami! Não vá com ela! — Sayuri gritou, sendo socado na cabeça por Isamu que o xingou de nomes horrendos.
— Cale a boca! — Korina gritou. — Você vai comigo, entendeu gatinho? — Havia um tom de loucura em sua voz. — Vai fazer silêncio e eu vou te levar comigo para um lugar legal… Seja bom, que eu serei boa com você. — Sua voz de vovó, não enganava a malícia que havia na velha.
— Não dê… Ouvidos… A ela… — Sayuri resmungou quando foi atingido novamente na cabeça e sentiu sangrar. O gatinho ruivo desmaiou com um último golpe desferido com algo de metal.
Isamu usou o cabo de um punhal.
— Sayuri! — Nanami se moveu nos braços da bruxa, mas a mesma apertou seu pescoço bruscamente, puxando fortemente seus cabelos com a outra mão.
— Quieto! — A bruxa mordeu a orelha de Nanami o fazendo gritar, quando soltou, sangue escorria de seus dentes ponte agudos. Nanami enfim ficou quieto, seu coração a mil e pura tristeza brotando dentro dele. Talvez este fosse o seu destino, ser devorado por um bruxa louca, para salvar sua família e aqueles que amavam.
Uma nevoa negra brotou em torno deles, até que Korina levou Nanami para longe com sua magia.
Isamu os viu escapar e escutou passos apressados pelo corredor, desesperados.
— Uh, esses malditos lobos devem ter ouvido os gritos.
A porta deslizou aberta bruscamente, com Yamato entrando afobado e assustado com a imagem. Sayuri estava caído ao chão e choramingava. Ryo que veio logo atrás dele, correu para seu ninshin, o socorrendo em desespero.
— O que houve aqui…? — Yamato observou o bule de chá caído e derramado chá de ervas sobre o futon. Xícaras quebradas e as janelas arreganhadas com a brisa forte da noite entrando e esvoaçando as cortinas.
— Sayuri… Por favor, me responda! — Ryo sacudiu Sayuri cautelosamente temendo haver feridas maiores ou ele ter quebrado algum osso. Quando Sayuri se sentou atordoado, ele teve todo o cuidado do mundo com ele. —Você está bem?
— S-Sim… Nanami! Levaram-no! — Explodiu de repente em desespero. Ryo o abraçou confortando-o, mas Sayuri o empurrou e correu para fora do quarto. Sem entender, Ryo deu um olhar a Yamato, confuso e saiu em busca de seu esposo.
Yamato olhou uma última vez no quarto, ainda farejando o cheiro de Sayuri, como se ele ainda estivesse aqui. Mas ignorou, se encaminhando para a porta apressado, porém um barulho o surpreendeu, algo como um grande gemido fino. Ele precisava correr para avisar Kensuke, mas depois de ter ouvido isso, ele não pode ignorar.
Todas as portas do guarda roupa foram abertas e não havia nada de anormal lá, até que ouviu novamente o barulho e descobriu que provinha do único armário trancado. Ele forçou aberto, mas o tranco era bastante resistente, até que em um golpe de força maior, arrancou fora a fechadura, e desesperado ele abriu a porta do armário vendo o Sayuri verdadeiro olhando para ele com alívio.
— Oh, graças a Deus! — Sayuri exclamou, mas gemeu de dor, abaixando a cabeça. Yamato não perdeu a mancha de sangue em seus cabelos na parte de trás quando ele abaixou.
— Sayuri! — Yamato se ajoelhou, socorrendo o garoto. Ele não pensou em tantos cuidados, porque se Sayuri falso estava correndo por ai, seria um grande perigo.
— Salve Nanami… Ele foi levado pela bruxa!
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Ryo correu até estar na varanda de casa. Olhava atentamente para todos os lados, procurando por Sayuri. Mas nenhum sinal de que caminho ele escolheu para fugir.
— Alfa, por acaso você viu Sayuri? — Ryo perguntou em desespero para seu líder. Seus olhos cresceram com o próprio olhar de Kensuke confuso. Ele então se lembrou das palavras de Sayuri e ponderou sobre a imagem que encontrou no quarto do Alfa. — Nanami! Levaram ele! E Sayuri fugiu, desapareceu!
Os olhos de Kensuke se arregalaram instantaneamente e sua expressão de desespero foi cômica. O Alfa segurou Ryo pelos ombros o sacudindo violentamente.
— Como ele foi levado?! Que maldições deixaram isso acontecer?! A casa está sendo protegida, não está? — Kensuke olhou ao redor, vendo Naoki correr até eles, igualmente aflito.
— Minha magia... Algo está bloqueando minha barreira de proteção. Não consigo ativá-la mais! — Naoki parecia abalado, mas totalmente confuso. Sua magia era fortíssima, mas havia algum truque esperto para tê-lo bloqueado dessa forma.
— Como isso aconteceu?! — Kensuke voltou a gritar para Ryo.
Ryo olhava temeroso para o Alfa, o mesmo já detinha seus caninos alongados e seu olhar era monstruoso de ódio.
— Diga-me Ryo!
— A-Alfa... — Ryo engoliu em seco. — E-Eu escutei gritos vindos de seu quarto. Então eu e Yamato fomos verificar... Nanami havia desaparecido. Sayuri estava ferido, mas correu quando fui tocá-lo... E...
Kensuke empurrou Ryo de perto, batendo em sua própria testa em decepção consigo mesmo. Havia falhado com certeza em proteger a todos... Agora, falhado em proteger o verdadeiro alvo deles. Seu esposo, aquele que mais amava no mundo inteiro.
— Estamos sob ataque. — Ele anunciou em voz baixa. — Onde está Sayuri? — Indagou a todos que já se reuniam perto deles depois de escutaram os gritos.
Yamato correu para fora com Sayuri apoiado contra ele.
— Sayuri! — Ryo gritou de alívio puro ao vê-lo, e correu para lhe socorrer.
— Sayuri estava dentro do armário... — Ele falou baixo para Ryo quando o mesmo se aproximou. Ryo olhou para ele e captou a mensagem. — Direi ao Alfa. Cuide de Sayuri, mas fique esperto. Isamu está entre nós.
Ryo assentiu e levou Sayuri para a sala de estar, que já estava rodeada por sentinelas, a fim de vasculharem a casa para ver se encontravam algo útil que poderiam lhes servir.
Yamato chegou até o Alfa que não parava quieto, resmungando e grunhindo de indignação, e segurou seu braço para mantê-lo firme.
— O que é isso, Yamato?!
— Isamu está disfarçado entre nós. — Ele falou entre os dentes para que ninguém pudesse ler seus lábios. Sua voz baixa, foi suficiente para Kensuke captar e entender a mensagem. Os olhos surpresos dele disseram isso.
— Me ajude a encontrá-lo. — Kensuke respondeu da mesma forma. — Reúnam todos os sentinelas e executores. Mantenham-se em alerta. — Orientou os guardas. A maioria dos que estavam acampando próximo estavam ajudando na guarda depois dos ataques.
Kensuke respirou profundo quando seu coração trovejou no peito. A situação tinha estado de pior a se tornar um verdadeiro mar de azar. Ele jurava que estava seguro dependendo da magia de Naoki... Mas se alguém tinha sido esperto o bastante para bloquear uma barreira de defesa como aquela, e ainda ter a ousadia de entrar em sua casa sem ninguém perceber e roubar seu Nanami... Eles não estavam lidando com um inimigo comum. Eles estavam verdadeiramente em guerra.
Continua...
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