Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
47 Capítulo 47 – Conversas sérias
Notas iniciais
Os olhos de Maiko ficaram arregalados. — Não… Não creio… Por acaso você disse Megume?
— Sim, por quê? Por acaso você conhece algum Megume? — Perguntou Naoki curioso. Assim como todos os outros olharam para o antigo prisioneiro.
Maiko tentou responder, contanto nada saiu por entre seus lábios. Seus olhos cresceram como bolas de gude e lágrimas se reuniram e então jorraram por seu rosto até o queixo. Maiko tremeu completamente quando a visão de um lindo garoto de longos cabelos brancos como a neve apareceu na entrada da caverna.
Ele tentou se mover em sentido ao seu amado, mas seu coração parecia tê-lo paralisado, porque nenhum dedo seu foi capaz de mexer. Toda a dor que sofreu parecia explodir em seu peito. Toda a agonia que passou obedecendo àquela bruxa na ‘esperança’ que salvaria seu amado... O medo do que estava acontecendo com ele e finalmente a ideia que Megume havia morrido... Acumulou de tal forma dentro dele que o fez se debulhar em lágrimas. Maiko chorou como uma criança em busca do colo de sua mãe.
— Ma-Maiko? Maiko! — Megume gritou extremamente feliz. A raposinha largou a cesta com frutas silvestre que havia colhido há pouco, e correu em sentido a seu amado. Quando venceu a distância entre eles, seus finos braços rodearam o corpo do lobo e sua face apoiou-se contra peitoral de Maiko. — Finalmente... Eu senti tanto sua falta. Achei que nunca mais lhe veria.
Os demais encaravam a cena em um misto de surpresa e alegria. Kensuke não podia acreditar que no final era verdade. Forçou-se acreditar em Nanami, mas ainda tinha um pedacinho de incerteza de que o tal ‘Megume’ existia.
Sayuri era toda empolgação. Já tinha declarado que Maiko e Megume juntos eram incrivelmente belos.
Naoki não podia largar seu filhote, ele detinha Nanami em frente ao seu corpo enquanto seus braços o rodeavam com carinho.
Os demais acompanhavam o reencontro com grandes sorrisos.
Finalmente Maiko pareceu despertar de sua total descrença. Seus braços se moveram e rodearam o pequeno corpo de Megume. Sua face afundou entre as cabeleiras brancas da raposa.
— Realmente… É real... Você está vivo! Vivo… Aqui na minha frente, em meus braços... — Maiko estava completamente emocionado. Ele afastou Megume a poucos centímetros de seu corpo e encarou a face juvenil e os traços delicados. — Minha pequena raposinha está viva! — Comemorou.
Incapaz de se conter por mais tempo, Maiko levou uma das mãos à bela face de Megume e a outra envolveu em sua cintura. Seus rostos aproximaram-se e os olhares se mantinham fixos. As bochechas de Megume coraram profundamente, mas esse não se afastou.
Os demais ao se tocarem da situação, circularam. Key e Naoki foram pegar suas coisas para ir até Akai. E Sayuri, Chizuru e Nanami foram para fora da caverna tomar algum ar, enquanto Seiji, Ryo, Yamato e Kensuke seguiram logo atrás.
O casal, recebendo melhor privacidade, finalmente quebrou toda distância. Iniciando com um doce roçar de lábios, como se testasse o sabor, a maciez e o calor um do outro. E aos poucos os lábios foram se pressionando e se acariciando.
Maiko puxou melhor o corpo do outro para mais perto e sua língua lambeu a costura da boca deliciosa de Megume, pedindo por passagem. Megume suspirou em meio ao beijo e entreabriu os lábios permitindo que a audaciosa língua de Maiko penetrasse sua cavidade úmida.
Os dois se perderam em seu pequeno mundo. Eles permaneceram por algum tempo apenas sentindo um ao outro, trocando beijos e carinhos.
— Eu não creio... Que estou aqui em seus braços. — Megume sussurrou quando o beijo foi quebrado. Ele abraçou novamente Maiko. — Aquela maldita bruxa... Achei que ia morrer...
— Não... Não... Ela nunca mais irá tocá-lo! — Maiko afirmou.
Ele acariciou a face de Megume novamente. Inclinou-se para frente e beijou a ponta do nariz de Megume. — Me perdoe... Eu fiz tanta coisa errada...
— Não Maiko... Eu imagino que ela tenha lhe obrigado. Não é sua culpa. — Megume falou negando com a cabeça.
Mas a pequena bolha deles foi estourada quando a voz de Naoki soou pela caverna, criando ecos. — Me perdoem por interromper, sei que é um momento importante. Mas, vamos? Podem se curtir melhor depois que chegarmos à Akai! Quero rever meu lindo Misaki e paparicar meu Nanami! — O feiticeiro falou de forma brincalhona e sorridente.
Enquanto isso, fora da caverna, haviam mais emoções.
Sayuri estava conversando com Nanami e Chizuru sobre o ocorrido, como tudo sucedeu, quando seus olhos se arregalaram ao ver uma certa figura aparecer por detrás de algumas árvores e se aproximar. Afastando de seus amigos, dando alguns passos à frente, sentiu seu coração pulsar como louco. — Pa-Papai?! — Ele gritou exasperado. O ruivinho não podia acreditar que seu pai estava na floresta as margens de Akai. Sua mente entrou em conflito, pensando que talvez seu pai estaria ali para levá-lo de volta a Masao. Que resolveria findar o ‘tratado’ de paz. — O que... Faz aqui?
— Say-chan?! Sayuri. — Yoshikazu indagou reconhecendo seu filho imediatamente com um semblante surpreso. Ele seguiu em passos longos e apressados para perto de seu filho e o puxou para seus braços fortes rodeando o corpo gracioso. Em seguida depositou muitos beijos no topo da cabeça ruiva. — O que faz aqui? Na verdade o que todos fazem aqui...?
Logo o grupo se formou, mas coube a Sayuri contar tudo que tinha acontecido com eles e os motivos de todos estarem ali.
— Uau! Aqui realmente as coisas nunca ficam chatas. — Yoshikazu sorriu. Havia desfeito do abraço do filho, mas ainda o mantinha perto.
— Mas pai... O senhor não me disse ainda o que faz aqui. Aconteceu algo em Masao? — Sayuri perguntou curioso e certamente preocupado.
O Imperador ergueu o olhar, e seus olhos se depararam com os de Naoki, que sorriu de volta para ele. — Bem… Aconteceu que no último cio dos gatos... Eu e... Eiji... Meio que nós… — Yoshikazu estava começando a se enrubescer.
Os olhos de Sayuri se arregalaram para então começar com os pulinhos. — Meu Deus, eu não creio! Até que enfim tomou atitude papai! Que tudo de bom! Sempre quis os dois juntos. — Sayuri festejou, como um desejo que acabara de realizar. Tão imensamente feliz. Não podia negar que já fantasiou seu pai e o general juntinhos antes. Mas ao ver expressão triste de seu pai, parou com sua festa e indagou: — O que aconteceu?
— Na verdade eu não sei... Quando acordei no dia seguinte, Eiji havia desaparecido. Eu dei meu cargo de imperador temporariamente à Yunsuke, então saí em busca de Eiji. Contudo, tudo o que consegui foi ser atacado por bandidos em meio ao caminho. — Yoshi contou meio resumidamente.
Puro medo se apossou de Sayuri. — Mas... Você está bem?!
— Sim, estou. Tive sorte, pois Naoki me salvou. E acabei ficando com eles enquanto me recuperava. — Falou o Imperador. — Mas nenhum sinal de Eiji! Eu tenho medo que algo de ruim possa ter acontecido com ele.
Foi quando Kensuke se aproximou. — Er... Desculpe interromper, mas essa pergunta eu tenho certeza de que posso responder. — Falou ganhando total atenção de Yoshikazu e Sayuri. — Alguns dias atrás, Yamato encontrou o general na floresta à borda de Akai! Desde então, está hospedado na casa de nosso curandeiro.
Os olhos de Yoshikazu se arregalaram. Como o mundo poderia ser tão pequeno, parecia mesmo uma piada que todos os que fugiam de Masao, acabavam parando em Akai. De alguma forma, todos estavam interligados. — Ele... Ele está bem?
— Sim! Bem... Andou passando um pouco mal ultimamente, mas meu noivo, Shou, tem cuidado bem dele. Se for conosco para Akai, poderá encontrar-se com ele. — Yamato respondeu.
Yoshikazu sentiu seu coração pulsar bravamente em seu peito. Seu Eiji! Finalmente sabia onde encontrá-lo. Tão perto. Ah se depois de dar um forte abraço em seu amor, lhe daria umas boas palmadas na bunda perfeita dele.
— Podemos ir? — O Imperador perguntou sem esconder sua euforia.
— O Imperador até parece como Minky quando ganha um doce. Mega feliz. — Nanami comentou, o que contribuiu para que todos rissem abertamente.
Kensuke ficou ao lado de Nanami. — Vamos sim Imperador Yoshikazu, apenas esperando os novos membros de Akai arrumarem suas coisas. — Kensuke disse, e suas palavras encheram o coração de Nanami de alegria, em saber que seu amado receberia seu pai Naoki na vila, assim como os demais.
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Shou olhava pela janela da sala de sua casa, em direção à entrada da Vila. Seus nervos estavam aflorados e o medo rasgava sua alma. A espera era uma verdadeira vilã. Yamato havia saído com o grupo de buscas atrás dos arteiros que haviam aprontados de novo... E isso apenas fazia sua tensão aumentar. Medo que Chizuru, Sayuri e Nanami se machucassem, ou que Yamato se ferisse. Somente poderia ficar calmo quando todos estivessem de volta e bem.
Shou não havia contado a Eiji e seu filho sobre a situação, pois não queria preocupa-los, contudo suas ações levantavam suspeitas.
Minky havia ido brincar no quarto e Eiji estava sentado no sofá encarando o curandeiro.
— O que foi? É algo que eu possa ajudar? — O ex-general perguntou. Aquela família havia o acolhido tão bem e era sempre gentil, realmente gostaria de ajudá-los em tudo que pudesse. Talvez Yamato e Shou tivessem brigado. Um conselho seu poderia ajudar.
— É que... Eles não voltam. — Shou falou sem perceber, ao que levou as mãos a boca.
— Quem? — Eiji perguntou arqueando uma sobrancelha.
O curandeiro suspirou, porém quando abriu a boca para contar, se deu conta de seu vacilo, e rapidamente fechou a boca bem comprimida. Negando com a cabeça.
Eiji se levantou e aproximou-se de Shou. — Não precisa me contar se não deseja, basta saber que estou aqui se precisar de ajuda. — Eiji disse com um sorriso cálido.
Shou encarou o mais velho. — É que...
Mas antes mesmo que concluísse sua frase, um barulho chamou a atenção de ambos que procuraram ver do que se tratava pela janela. Alguns cidadãos lobos pareciam agitados e se agrupando, e foi quando Shou visualizou o grupo entrando na Vila e entre eles, o seu amor.
— Yamato! — Gritou feliz. Ele saiu sem dizer nada para Eiji e correu para fora. Ignorando as pessoas no caminho, ainda mais quem lhe dava um olhar de desprezo. Correu o mais rápido que podia até sua pantera e se jogou em seus braços.
— Oh! Pelo visto alguém sentiu muito minha falta. — Yamato falou brincalhão, retribuindo o abraço carinhosamente.
Shou corou, se dando conta de que muitos olhavam para ele. Socou de leve o peitoral de seu noivo. — Bobo! Estava preocupado. Ocorreu tudo bem? Alguem se feriu? — Shou perguntou, olhando para os demais procurando alguém que precisasse de seus cuidados médicos. O que viu fora alguns rostos novos.
— Não. Todos estão bem. Nenhum perigo. Agora vamos para casa que preciso mimar alguém. — Yamato sorriu provocador. A verdade era que queria conversar com seu irmão, mas apostava que esse preferia encontrar com seu amado e mimar muito seu filhote antes.
Shou corou ainda mais forte ao ver seus pais ao longe e ciente do desprezo deles apenas com seus olhares, acabou por abaixar a face acenando para Yamato. A pantera ergueu o rosto de Shou pelo queixo e encarou seus lindos olhos. — Nunca se envergonhe por essas pessoas invejosas. Vamos! — Disse envolvendo Shou pelo ombro e o levou de volta para casa.
Eles viram Kensuke se afastar com Nanami, Naoki e o tal Key, enquanto Maiko levava seu Megume para a casa de seus pais. Seiji acompanhou Chizuru à casa do ancião, no que Sayuri e Ryo ficaram ao lado de um homem que ele não fazia ideia de quem era.
Mas Shou viu os olhos arregalados de Eiji na porta de sua casa enquanto encarava o desconhecido. O curandeiro pensou em perguntar se ele o conhecia, contudo Yamato negou com a cabeça e o levou para dentro.
Eiji não desviou os olhos do Imperador, nem mesmo quando Yamato e Shou passaram ao seu lado. Tinha que ser muito azar. Por que de todos os lugares, Yoshikazu tinha que aparecer justo ali?
Sentiu ganas de fugir correndo, porém suas pernas simplesmente tremulavam. Ficou paralisado observando aquele lindo homem de longe, observando-o aproximar mais e mais de onde estava.
Quando Yoshi parou a poucos centímetros dele, finalmente soltou o ar de seus pulmões.
— Majestade... O que faz aqui? — Eiji indagou com a voz falha.
— Pai! — Mas foi Sayuri que o cortou, interrompendo.
Yoshi ergueu a mão para o filho parar. — Está tudo bem Sayuri. Eu e Eiji temos muito o que conversar. Vá descansar com seu marido. — Disse sem nunca retirar os seus olhos de Eiji.
Sayuri olhou preocupado, mas se assustou quando sentiu sua mão ser tocada. Olhou para Ryo que sorriu e acenou com a cabeça. Sayuri ainda queria insistir, porém no final acabou cedendo. Ele acenou um ‘tchau’ para seu pai e Eiji, então seguiu com Ryo para casa – ou melhor – para a casa do Alfa, já que moravam com ele.
Yoshi ergueu a mão e viu Eiji fechar os olhos com medo – como se fosse receber um soco –, mas o que recebeu foi uma sutil carícia. Seus olhos abriram lentamente, e o ar ficou preso em seus pulmões. Não podia mais aguentar, e as lágrimas vieram com força. Elas debulharam de seus olhos e traçaram caminho por sua face.
— O que foi? — Yoshi perguntou com medo.
— Não... Eu não posso. Não me odeie... Por favor... — Eiji disse negando com a cabeça. A menor possibilidade de que o seu grande amor estivesse ali para dizer que não o suportava ou que o odiava, partia sua alma.
Yoshi sentiu a culpa crescer dentro dele, porque permitiu que Eiji ficasse tão inseguro ao ponto que considerasse que o odiava. — não... Não estou aqui por isso.
— Não!? — Eiji indagou confuso.
Yoshi estava abismado. Não havia nem sombra do general corajoso, valente e destemido. O que via em sua frente era um ninshin delicado e frágil, que carecia de cuidados. Talvez por anos Eiji vivesse debaixo de uma máscara de mentiras, fingido ser quem não era... Precisando de libertação.
— Não! Eu o amo... Sempre o amei por tanto tempo, mas meus pais e minha posição não permitiam me declarar. Por anos sofri por tratá-lo somente como general e amigo... Escondendo tudo o que sentia. — Contou com todo seu coração.
Eiji abriu a boca, mas nenhum som saiu. Em todos seus sonhos jamais imaginou aquele momento um dia se tornaria real.
— Eu sei... Isso não justifica meu medo. Devia ter deixado tudo de lado e ter me declarado... Lutado por meu amor... Mas no fim, acabou que esposa faleceu em meio a guerra, e tinha três crianças pequenas e uma cidade em decadência... Mas agora... Agora...
— Eu quero você. — Eiji concluiu por si próprio.
Yoshi suspirou desde o fundo de seus pulmões em alívio. Não podendo mais resistir, ele quebrou a distância e puxou Eiji para seus braços. Sua boca procurou pela de seu amado, e um beijo cálido e carregado de saudade começou a ser compartilhado. Não se importando com nada, nem ninguém. Tudo que importava de verdade era o que sentiam... A saudade que apertava em seus corações.
— Eu não posso mais... — Eiji murmurou em meio ao beijo, ofegante. — Fingir... Ou ignorar... Se não for... Não quero mais nada... — Murmurou incerto, sentindo os braços de Yoshikazu contornarem com mais força seu corpo. Sentir-se em meio aqueles braços fortes era como um sonho.
— Nunca pediria isso! Eu o quero... E nada, nem ninguém irá nos atrapalhar. Eu queria ter dito isso quando acordei, mas você tinha ido. — Yoshi falou. — Eu transferi a coroa para Yunsuke… Ainda que temporariamente, será definitivo quando voltarmos. Claro, o ajudarei, mas quero mesmo me concentrar em você, meus três filhos e neto.
— Quatro. — Eiji falou timidamente.
— Como? — O Imperador não entendeu. Tinha certeza que tinha contado os números de seus filhos corretamente.
Eiji sorriu. Ele tomou a mão de Yoshi levando para seu ventre. — Aqui... Está o seu quarto filho... Nosso filho!
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Aquele foi um dia de muitos acontecimentos, pensou Maiko. Um dia especial.
Até uma hora atrás estava imaginando como seria sua captura e em seguida sua morte. Provavelmente imediata, desde que ele tinha fugido da prisão.
Mas de tão ruim que estava sua situação, de repente ele teve tudo o que mais deseja, talvez até o impossível de repente aconteceu. Como um milagre.
— Então quer dizer que aquele grupo de gatos e lobos o ajudou a me encontrar? — Megume perguntou com olhos curiosos enquanto eles caminhavam em direção à casa dos pais de Maiko.
— Hum, na verdade não foi bem assim… — Procurou as palavras certas para explicá-lo. — Foi como uma coincidência. Tudo aconteceu de uma só vez. — Ele parou em meio ao caminho e puxou Megume para um canto, evitando o contato visual dos outros cidadãos. Todos estavam olhando para Maiko como se ele fosse um criminoso. O que bem… Maiko entendia o por que. Ele tinha sido mesmo alguém ruim.
— Coincidência?
— Sim. Pelo que Sayuri me contou, Nanami, o esposo de nosso Alfa, aquele gatinho branco sabe? Eles tiveram uma briga de casal. Ele não concordava com as leis de que iriam me enforcar.
— Te enforcar? — Megume ofegou, as cores deixando seu rosto.
— Sim… Se acalme, ainda não terminei. — Maiko deu leves tapinhas nos ombros da raposa. Megume olhava para ele com grandes olhos cor de fogo. — Eu tive que fazer tantas coisas ruins… Realmente ruins a mandado da bruxa. Por isso, os lobos queriam minha cabeça. Eu não pensei vez alguma se valeria ou não a pena tudo o que estava fazendo, principalmente prejudicar Nanami… Porém ele, ao invés de sucumbir ao ódio contra mim, acreditou quando lhe contei sobre minha situação… O quanto estava desesperado para tê-lo comigo Megume.
O pequeno garoto olhou para o peito de Maiko. Ele era quase da altura de Nanami se comparasse. Seus dedos trêmulos enroscaram no obi simples e composto que adornava a cintura do lobo mais velho.
— Você… Chegou a matar? — Perguntou com receio.
Maiko suspirou. — Não, mas quase o fiz.
— Você… Me queria tanto a ponto de matar alguém? — Megume ergueu a face, olhando diretamente nos orbes brilhantes de Maiko.
Maiko pensou por um minuto, mas só tinha uma resposta a dar.
— Sim. Por você, eu faria qualquer coisa. — Disse em um sussurro. Os olhos de Megume brilharam em emoções contidas, ele mordeu seu próprio lábio inferior.
— Eu… Eu tenho algo para te contar. — Talvez mostrar. — Vo-Você pode não me querer mais quando souber…
Maiko viu dor e incerteza em meio ao mar de emoções nos grandes olhos de Megume. Seu coração já pulsando como louco, brecou em ansiedade extrema. Algo bom não estava por vir. Ele sabia… Sabia que Megume nas mãos daquele monstro, jamais sairia ileso.
— Naoki… Ele me salvou. Tive muita sorte… Ele cuidou de mim, por isso posso até mesmo andar e dar passeios agora. — Com a voz tão trêmula, Maiko percebeu como Megume estava medroso. Seria algo assim tão grande? Mas sorte a sua que ele ainda se colocava disposto a dizê-lo tão de primeira. — Eu… Não queria dizer… Mas… Se não fizer, será pior você me deixar depois. Agora eu entenderia só que mais tarde seria cruel e…
— Megume. — Maiko tocou o seu queixo e ergueu de volta o rostinho para ele, vendo lágrimas se reunindo em seus olhos, seu rosto empalidecendo como se por dentro ele estivesse em pânico. — É sobre estar naquele lugar? Eles machucaram você?
Megume assentiu, fechando firmemente seus olhos e lágrimas escorrendo em seu rosto.
Maiko suspirou. Ele puxou seu Megume para um forte abraço, sendo alarmado por um guincho quando Megume gemeu. Rapidamente ele se afastou.
— Onde está ferido? O que dói meu amor? — Maiko perguntou com carinho, vendo Megume choramingar e apontar para cada parte de seu corpo. — Sério? Tudo dói? — Ele assentiu, soluçando demais para dizer algo. — Você foi… Por acaso, eles abusaram “daquela forma” de você?
Megume assentiu novamente.
O coração de Maiko afundou. Foi tão indescritível o que ele sentiu, parecia como se um vulcão iria explodir dentro dele. Porque seu rosto e corpo se avermelharam de raiva, e seu semblante ficou sombrio, assim como seus dentes rangiam por tanto cerrar a mandíbula apertada.
Porém tudo se dissipou quando Megume o abraçou, forte e possessivo indo além de qualquer dor que sentia. Maiko não podia pensar em ódio quando seu amado estava ali para ele, precisando tanto de seu carinho e atenção. E isso seria ainda pouco do que ele pensava em fazer pelo pequeno.
— Eu cuidarei de você bebê… Ninguém nunca mais tocará em você, além de mim. Será minha família, minha vida de agora em diante. Nada te acontecerá, porque eu irei protegê-lo. — Maiko disse firme, segurando os ombros de Megume. — Eu quero também que me prometa nunca sair de meu lado.
— Sim… Obrigado Maiko-chan. — Megume sorriu fracamente. Sua face não podia demonstrar total felicidade, mas ele sentia, sentia muito a alegria tremenda dentro dele por poder estar finalmente com seu companheiro, e finalmente poder curtí-lo.
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— Um filho? — Um filho meu Deus.
Yoshikazu, o Imperador de Masao, tão grande, forte e temido. Agora estava tendo uma crise de choro.
— Por que você fugiu? Por que me deixou seu idiota?! Por acaso você não sabe dos riscos de sair por ai grávido? E se alguém te pegasse em meio ao caminho? Ou uma onça… Um crocodilo! Meu Deus dos gatos, onde estava com a cabeça?! — O Imperador estava agarrando Eiji pelos ombros e o sacudindo de um lado para o outro com lágrimas nos olhos.
— Y-Yo-Yoshii! Pare com isso, me deixará enjoado! — Eiji se afastou das mãos dele massageando aonde foi seu agarre. — Eu sinto muito… Mas realmente não tive como pensar em nada. Eu tinha que estar longe, achei que tudo tinha sido um erro, que não daria certo… Que me rejeitaria. Não poderia suportar…
— Pare. Você não sabe… Nem ao menos percebe? Eu sempre te amei tanto. — Yoshikazu se aproximou novamente e tomou Eiji em um abraço. Ele sabia bem que tinha olhares vindos de uma certa janela em um canto. Era Minky vendo toda a cena e ele podia sentir Shou lhe dar uns cascudos a cada minuto.
— Pare de ser todo sentimental. Está pior do que eu. — Eiji enxugou suas lágrimas e empurrou Yoshikazu. — Maldição, fazia tempo desde que chorei em frente a alguém. — O que as máscaras poderiam fazer. Nada fácil ser um ninshin, se fazer de forte e corajoso para imitar um general. Bem, ele não negava que tinha sido um muito bom, mas não era para si.
Yoshikazu sorriu, suas lágrimas cessando e ele apertou as bochechas de Eiji em suas mãos.
— Não creio! Nunca me senti tão feliz em toda minha vida! — Nem mesmo quando sua esposa tinha anunciado a gravidez de gêmeos. Não havia sido tão incrivelmente feliz como saber que seu verdadeiro amado estava esperando uma criança.
Yoshi amava seus filhos de todo o coração, mas não negava como especial parecia agora. Como se ele tivesse começado de novo.
— Majestade. Eiji. Eu preparei um chá e um lanchinho… Bem nada muito incrível, mas podemos conversar em minha sala de estar. É mais cômodo… — Shou chegou à porta todo envergonhado. Devia ser por ter um Imperador tão importante bem em sua humilde casa.
— Claro, obrigado por hospedar Eiji por esses dias. — Yoshikzu sorriu agradecido, entrando na humilde casa e admirando a decoração dos lobos. Era diferente dos gatos, que costumavam acumular muitas coisas coloridas e tudo o que chamava a atenção. Mas a casa de Shou era distinta. Chão de madeira brilhante, móveis todos talhados a mão. Enfeites que consistiam em estátuas de lobos pequenas, cortinas claras com janelas grandes. Plantinhas por toda a parte e porta retratos sobre a estante.
Yoshikazu se assustou quando quase tropeçou em uma criança. Ele ofegou quando viu o pequeno garotinho que era pura semelhança com o curandeiro.
— Pai, quem é esse? — O pequeno olhou de Shou e apontou para o gato enorme.
— Esse é o Rei de Masao. — Shou teve que rir quado o queixo de seu filho caiu.
Minky olhou para Yoshi com olhos enormes e uma boca aberta.
— Você é grande como Kensuke!
— Eu sou um tremendo gato. — Yoshi sorriu e então se abaixou na altura de Minky. — E você deve ser Minky? Sayuri me contou sobre todos que ele amava. Ele me contou que você é um grande amigo de Nanami.
— Uh, sim!! Sou o melhor amigo dele! — Minky sorriu amplamente. Por alguma razão inexplicável de uma criança, ele explodiu em fumacinha brilhante e se transformou em um pequeno filhote de lobo. Cheirando Yoshi por todos os lados.
— Minky, se comporte. —Shou repreendeu seu filhote que se sentou sobre as patas traseiras e choramingou.
O Imperador não se lembrava da última vez que viu um lobo, ainda mais um filhote em sua forma animal. Ele gostou, era diferente, e o fez pensar como seria seu neto quando Sayuri tivesse um filho.
Oh meu Deus, filho… Ele estaria tendo um filho em breve! O quão bom seria isso?
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Nanami estava seguindo Kensuke de volta para casa. O silêncio predominava entre eles, o que não era uma boa coisa. Nanami sabia que seu Ken-chan provavelmente estava com raiva.
Naoki parecia animado, olhando ao redor se familiarizando com o ambiente.
Bem, para Nanami era um pouco estranho ter seu pai agora ali com ele. Mesmo que seu coração já o amasse em tão pouco tempo juntos, Naoki ainda era como um estranho.
Nanami teria que se acostumar com ele, conhecê-lo aos poucos. O que ele sabia sobre seus pais? Somente o básico que uma avó poderia lhe contar.
Misaki apareceu na porta da casa despreocupado, despenteado, e mordendo uma maçã. Ele viu Naoki e imediatamente ficou suspreso, tão ansioso que andava de um lado para o outro.
— Misaki! — Naoki gritou, todo alegre e disparou uma corrida, para tomar Misaki em seus braços e levantá-lo para o alto como uma criança. — Meu Misaki! Finalmente… Finalmente posso tê-lo em meus braços. — Ele o abraçou forte e apertado. E apesar de estar gostoso e amando aquele abraço, o loirinho permanecia super confuso.
— Na-Naoki-san… O que faz aqui?
Ah, tinha aquele problema de memória, então não era um super reencontro.
Naoki se afastou, mas as mãos de Misaki estavam serpenteando em seu peito. Uh, isso era o Misaki verdadeiro.
— Não há lembranças ainda bebê? — Naoki perguntou preocupado. Já era para ele se lembrar de tudo. Fora um bom tempo desde o fim do feitiço. — De quem eu sou, ou de quem ele é?
Misaki olhou para onde Naoki apontou, Nanami estava entrando em casa, então desapareceu com Kensuke dentro.
— O que há com eles? — Misaki perguntou a ninguém em particular. Mas Sayuri respondeu antes de entrar.
— Eu acho que eles não estão em uma boa situação. — Sayuri comentou, se referindo a briga de casal. E bem, ele sabia que Kensuke nunca deixaria Nanami, porém poderia castigá-lo.
— Nós precisamos reparar essa cabecinha. — Naoki deu um pequeno cascudo na testa de Misaki.
— Ai! Como assim reparar?
— Eu sou um mago. Quando nos conhecemos no passado, eu era apenas um iniciante e já sabia tanta coisa… Mas em todos estes anos, me tornei tão grande quanto pode imaginar. Tudo por nossa família.
Misaki balançou a cabeça sem compreender, ele apenas não entendia porque às vezes as pessoas pareciam falar e códigos com ele.
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— Aqui estamos. Agora podemos ter uma conversa sem que ninguém se intrometa. — Kensuke se sentou à cama com um grande suspiro. Nanami ainda estava parado na porta. — Você me assustou hoje… De novo me fez sentir como se fosse perdê-lo. Consegue imaginar como difícil é para mim quando você foge?
Nanami assentiu e se aproximou.
— Sinto tanto Ken-chan. — Mas em seguida olhou-o desafiante. — Mas dessa vez, eu não pretendia. Mas foi sua culpa! Não quis me ouvir, seu mau. — Resmungou.
Kensuke olhou para ele vacilante, ele engoliu em seco para o que iria dizer.
— Nanami… Me desculpe. Sei que fui um idiota por não querer ouvi-lo. Você não é mais uma criança, você está crescendo… Eu sou um Alfa grande, velho e possessivo, quando alguém o machuca, meu principal desejo é matá-lo.
Nanami entendeu e estendeu um sorriso carinhoso.
— Eu desculpo você… Mas com uma condição. — Sentou-se ao lado do Alfa.
— Condição? Qual?
— Que me ouça quando te falar sobre o que meu coração sente. Ele nunca erra.
Kensuke ponderou. Ele podia ouvir, embora não precisava acreditar em tudo. Responsabilidade vinha acima.
Mas Nanami esteve certo de alguma maneira. Kensuke o puxou perto e o abraçou. Afundando seu rosto em seu ombro e sentindo seu corpo quente contra o seu.
Como um ser tão pequeno poderia se tornar assim tão valioso?
Se Nanami fosse encontrado ferido ou morto, Kensuke tinha certeza que sua matilha ficaria sem um Alfa também.
— Ken-chan, você está um pouco estranho… — Nanami olhou bem para o rosto de Kensuke, depois de ter se mudado da cama para seu colo. — Me escondendo algo?
Kensuke rosnou de brincadeira e assoprou contra o pescoço de Nanami, fazendo-o eriçar completamente. Nanami bateu nele e ele riu em compensação.
— Na verdade, tenho algo para te contar. Pode ser bom ou ruim, vai depender do que acha.
Uh, isso deixou Nanami curioso.
— E o que é Ken-chan?
— Bem, deixe-me ver como explicarei isso. — Ficou pensativo. — Todo ano há uma fase da lua cheia em que ela se torna vermelha por um fenômeno natural, devido a posição da lua bem no centro do céu. Para muitas espécies, a lua de sangue faz muito efeito sobre suas espécies… Mas algumas não influenciam em praticamente nada, como nos gatos.
— E… O que faz com os lobos?
— É o nosso período fértil. Quando nós acasalamos até mesmo contra nossa vontade, mas pela força de nossa espécie.
A boca de Nanami fez um “Oh”.
— E nessa fase, eu meio que… Uh, como posso dizer? Terei que me transformar ou em minha forma animal ou em minha terceira forma. Um lobisomem, para ser mais preciso. — Kensuke explicou. — Além disso, no mesmo período acontece o cio dos ninshins, por isso será um grande evento que nunca perdemos.
Nanami estava com olhos arregalados.
— Quer dizer que… Uh… Sério?
Kensuke se perguntou o que tinha na cabeça de Nanami. — Sim, acontece em nossas outras formas. É uma bagunça. Mas sempre emocionante… Na maioria das vezes saímos para a floresta.
Nanami olhou para Kensuke e seu rosto ficou quente e vermelho. — Nossa Ken-chan… Será como daquela vez?
Kensuke olhou bem para o gatinho. — O que? Da vez em que você passou por essa fase? Uh… Não sei, mas tentarei ser gentil, embora costumava ser bem selvagem.
Nanami teve que rir, mesmo com vergonha. Ele se apegou a Kensuke o abraçando e sendo abraçado de volta. Sentindo o carinho de seu marido contra ele. De repente Nanami estava ansioso, nervoso e apreensivo. Mas ao mesmo tempo desejando por essa fase, que chegasse logo, porque queria muito conhecer os outros lados de Kensuke. Ele duvidava que um dia Kensuke pudesse machucá-lo.
Continua...
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