Notas iniciais
Hannah: Olá galerinha! Vou contar um segredinho para vocês, os próximos capítulos prometem muito, então não deixem de ler e acompanhar. kkkk. Eu estou megamente ansiosa. Uhh! Aqui fez muito frio, dar uma preguiça. Enfim, espero que curtam o capítulo e agradeço aos comentários, eles nos fazem felizes.
BJS

Capítulo 14 — Gatinho em Fuga

Kensuke seguiu para seu escritório e se trancou.

Nanami apenas ficou olhando para a porta fechada. Era para ele estar acostumado com isso, esperando que algo assim acontecesse com ele... Mas de alguma forma, doeu muito mais do que qualquer outra coisa.

Ter pessoas rindo dele, praticamente toda a aldeia estava lá, olhando com deboche e presenciando a sua humilhação pelas palavras de Chizuru. Mesmo que sentisse tanta vontade de brigar com ele, ou de nunca mais olhar para ele, Nanami entendia como ele se sentia, e isso era o pior.

Chizuru somente queria o melhor para seu irmão. Queria protegê-lo, desejava que Kensuke se casasse com alguém que fosse digno e que todos amassem. Mas o seu esposo era Nanami, apenas um gato qualquer, que cresceu sem nem ao menos ter o que comer todos os dias, ou ter um dia de paz e tranquilidade em sua vida.

Nanami não tinha bons modos, não tinha qualidades, nem mesmo talentos. Ele podia ter feito o seu máximo por tanto tempo, mas ninguém nunca o reconheceu... Sayuri foi o único, tirando seus familiares, que o amou de verdade e cuidou dele.

E pensando assim, Nanami foi para o quarto onde Sayuri estava sendo mantido enquanto se recuperava e se escondia da aldeia por algum tempo. Se os aldeões soubessem dele, talvez não fosse uma boa coisa. Já bastava ter Nanami para atrapalhar em suas vidas, não queria que ninguém tratasse Sayuri mal, ele não merecia.

— Say-chan... — Nanami adentrou o recinto, e encontrou Sayuri rindo enquanto Ryo lhe dizia algo. Isso foi algo que fez Nanami feliz, Sayuri era uma pessoa que sabia se dar bem com todo mundo, isso era uma qualidade de ser um príncipe talvez.

— Eu estarei guardando o quarto. Se precisar de mim, me chame. — Ryo falou com uma leve reverência para Sayuri e então para Nanami, então saiu do quarto, deixando os dois gatinhos à sós.

— Nana-chan... Não me parece bem... Ouvi de Ryo que não passou a noite em casa. Aonde foi? Fiquei tão preocupado com você! — Sayuri se levantou, ele estava praticamente curado de suas feridas, e das emocionais também. Talvez fosse o carinho que Ryo oferecia através de sua amizade para com ele.

— Sayuri-chan, eu... Dormi na casa de Shou... Briguei com Ken-chan... E... E na aldeia... Uuuh... Eles... — Nanami começou a falar, mas sua voz estava embargada, parece que mesmo que estivesse aguentando, agora falando com Sayuri, tudo queria sair de uma vez. Estava cansado, entristecido, seu coração doía tão fortemente no peito como se fosse morrer. — Eles me odeiam... Uuh... Não posso ser esposo... — E soluçava a cada tentativa de dizer algo coerente.

— Oh Nana-chan... Venha aqui. — Sayuri se aproximou e abriu seus braços, recebendo Nanami entre eles como um gatinho carente que era. Beijou-lhe a testa, e o deixou-se derramar em lágrimas no seu ombro. — Pobre Nanami... Você tinha me dito que Kensuke era bom para você... Mas estou vendo que ele não é tudo isso, e sim tem te feito tão triste. — Sayuri apertou os dedos em punhos, louco para chutar a bunda do Alfa desprezível. Ele odiava ver Nanami chorar, seu precioso gatinho não merecia isso.

— E-Ele é bom... Eu que sou ruim, Say-chan... — Nanami choramingou, apertando-lhe melhor no abraço, sentindo o calor gostoso que Sayuri emanava. — Kensuke não merece alguém como eu... Mas o que eu faço?

Sayuri engoliu apertado, olhando para os olhos cheios de lágrimas de Nanami. Dor inundou-o pela situação de seu pequeno. A vontade que tinha era de envolvê-lo em algodão e guardá-lo bem protegido do mundo. Nanami era o que não merecia tudo isso, ele era inocente.

— Nanami. — A porta deslizou e Kensuke apareceu. Seu rosto empalideceu ao ver o pequeno gato branco, abraçando ao ruivo. Sayuri sentiu um frio passar pela espinha pelo olhar de morte que Kensuke lhe deu, mas mesmo assim, Nanami não quis se afastar. — Nanami, venha comigo. Nós precisamos ter uma conversa. — Kensuke pediu com a voz baixa, mas ainda sim rosnando por trás dela.

Mesmo que o Alfa fosse malditamente assustador naquela hora, Sayuri não estava disposto a entregar Nanami. Dessa vez ele o protegeria com sua vida e não deixaria que este brutamonte machucasse seu melhor amigo.

— Nanami não irá! Eu não vou deixar você machucá-lo! — Sayuri vociferou, arreganhando as suas presas. Isso era um ato completamente desrespeitoso para com uma autoridade tão importante como Kensuke, mas Sayuri estava ciente e ele iria contra isso, afinal ele cresceu como um príncipe honrado.

Apesar de ele não ter nenhum conhecimento sobre batalhas ou alguma luta.

— Sayuri-san! — Ryo entrou pela porta e agarrou Kensuke antes que este avançasse sobre o ruivinho. — É melhor deixar Nanami ir com ele. É seu esposo e o Alfa tem direito de tê-lo. — Apesar de Ryo ter dito com dificuldade visto que Kensuke estava rosnando bravamente contra Sayuri, o mesmo fez um biquinho.

— Eu vou. — Nanami se afastou e sorriu tristemente para Sayuri. Por mais que o mesmo quisesse agarrar Nanami e levá-lo com ele, sabia que Nanami já sentia algo especial pelo homem grosseiro que estava rosnando.

— Te-Tem certeza? — Ele mesmo estava tremendo.

— Uh, sim. Eu vou falar com ele e depois eu voltarei para você. — Nanami deu-lhe um beijinho na bochecha e isso pareceu enfurecer ao nível máximo Kensuke. Foi por sorte que Nanami empurrou Sayuri de volta para o futon, antes que o Alfa fosse para cima dele.

Kensuke tinha se largado de Ryo, puxou Nanami pela mão, fazendo-o grunhir de dor, e correu com ele para fora e para o escritório.

— Você não vai. — Ryo abraçou Sayuri como forma de impedi-lo de ir atrás de Nanami. — Kensuke pode ser muito perigoso para nós dois, mas ele nunca iria bater em Nanami. Por favor, me entenda. — Ryo falou suavemente e acariciou uma das orelhas de neko de Sayuri. O mesmo ronronou por um momento e se deu por vencido.

— Estou preocupado... — Isso não tinha como não estar.

-oo0oo-

— Ken-chan...

Kensuke mais uma vez se viu bufando. Ele tinha mil razões para estar assim, e Nanami lhe chamando dessa forma não estava ajudando.

Havia passado a noite inteira pensando na forma como o tratou na noite passada e como deixou Nanami chorando na cozinha. E pior foi que Nanami tivera que dormir fora de casa... O que as pessoas pensariam sobre isso? O que o seu povo pensava sobre seu esposo dormindo na casa de outro?

Kensuke tinha tido demais... Ainda mais agora vendo a relação que Nanami tinha com este gato ruivo ousado, ainda tinha lhe desafiado. Isso era uma desonra, Kensuke tinha que matá-lo por isso.

— Passei a noite preocupado com você! Ainda teve que dormir fora de casa e nem me avisou aonde. Pensei que algo tinha lhe acontecido, te procurei por todos os lugares... — Tirando a casa de Shou, que ele não pensou que Nanami correria para lá. — Sabe o quanto isso é desonroso para mim? Sabe o que as pessoas devem estar pensando neste momento?

— E-Eu... — Nanami teve suas orelhas e calda para baixo, tremendo onde estava, mas com um olhar de quem queria poder explicar. — Mas ontem... Você... — Ele não conseguia dizer.

— Você por acaso sabe o que é ser um Alfa? Quais são as minhas responsabilidades sobre manter a matilha? Não é fácil, eu tenho muitos problemas e ainda tive que aturar este casamento. Eu fui paciente com você, eu esperei você estar pronto para nosso acasalamento... Mas você estava fugindo de mim. Agora todos pensam que eu não fui homem o suficiente para acasalar com você e marcá-lo como meu. — Kensuke estava rugindo a esta altura. Nanami estava segurando tão forte como podia suas lágrimas, mas algumas já escapavam e molhavam sua bochecha.

— Ma-Mas eu... — Nanami engoliu em seco e olhou para o chão, temendo olhar para os olhos furiosos de Kensuke. — Eu não sei acasalar... E-Eu nem sei como é...

Kensuke apoiou suas mãos na mesa, ainda de pé, e suspirou pesadamente.

— Foi um erro esse casamento. Eu te dei todas as chances, mas você é incapaz de ser esposo de um Alfa. Não sabe ajudar em nada, praticamente inútil... Irei conversar com o ancião mais tarde e arranjar uma solução para isso.

— Você vai... — Nanami estava tão pálido, ele parecia que iria desmaiar. Kensuke olhou para ele e sentiu como uma espada atravessando seu peito fora a fora. — Vai me abandonar? Me mandar de volta, Ken-chan? — As grossas lágrimas já banhavam o lindo rosto de Nanami.

Kensuke sentiu seu coração partir ao ver Nanami correr para fora do escritório.

— Nanami! — Ele estava prestes a ir, mas quando a realidade bateu a frente dele. Kensuke caiu de joelhos, quando compreendeu o que estava lhe deixando tão confuso.

Ele deixaria Nanami ir? Ele o abandonaria?

Imagens de Nanami sorrindo para ele e rindo enquanto lhe chama pelo apelido vieram à mente. "Ken-chan".

— O que eu fiz?

-oo0oo-

As lágrimas nublavam a sua visão dificultando mais ainda a sua jornada. Se normalmente ele era um desastre sobre os pés, com esse empecilho, tornava uma ameaça a própria vida, mas isso não iria impedi-lo.

Com o coração em pedaços e uma dor profunda em sua alma, o Were Neko seguiu adiante, ignorando o frio que cortava sua delicada pele ou as lágrimas que borravam sua visão.

Sua mente era bombardeada por todas as palavras cruéis que ouviram em toda sua vida.

“Você é um inútil...”

“Filho de um traidor... Deveria morrer”.

“É um amaldiçoado... Morra...”

“Fiquei longe dele, pode pegar sua burrice...”

Essas eram apenas algumas das quais acostumou ouvir desde criança. Quando pequeno tinha sua doce avô, uma mulher guerreira que ignorou a todos e criou o neto, o filho de traidores... Mas a morte bateu a porta, e quando sua avó foi levada ao paraíso, Nanami se viu novamente sozinho no fundo. Sinceramente achou que morreria, mas sua vida triste foi iluminada por Sayuri. O belo e gentil príncipe que não ligou para que os outros falassem e quis conhecer o verdadeiro Nanami. Sayuri era a luz de sua vida, o único que importava consigo... E por ele aceitou tal sacrifício...

“Não posso mais...”, Nanami pensou. Ele estava cansado de lutar, ignorar as duras palavras das pessoas e todo ódio... Depois de Sayuri, ele realmente achou que seu marido seria gentil... Que Ken-chan...

— Estúpido! Não faz nada certo... Tinha que estragar isso... — Gritou consigo mesmo. Seu pequeno pé agarrou no tecido do kimono e sua queda foi inevitável. O loirinho gemeu de dor. Olhou para suas mãos feridas, o tamanco quebrado e o belo tecido rasgado.

Ele limpou as lágrimas com barra da manga do kimono rosa, e depois rasgou parte da barra inferior, assim não agarraria mais. Infelizmente a veste era grande demais para seu pequeno corpo, mas ao rasgar, resolveria o problema. Tirando os tamancos, e ficando somente com a meia-branca que ia até metade de suas coxas e agora com o kimono até os joelhos, Nanami levantou. Ele olhou para a Vila de cima da planície. Havia seguido o caminho traseiro da casa do Alfa, assim não toparia com ninguém.

— Sayuri será um melhor marido... Ele é perfeito, como Ken-chan deseja de um esposo... Assim, cuidará bem dele. Não sou importante aqui! — Disse bufando. Doeu seu coração pensar que não era necessário. Queria realmente ser o esposo que o Alfa precisava.

Dando as costas para o Vilarejo dos lobos, o loirinho voltou a correr. Seus pequenos pés gelaram diante da neve abaixo deles, mas isso não o faria parar. O branco sem fim, a maldição caída sobre os Lobos, que viveriam para sempre no inverno eterno, que decorava tudo, seria o pior vilão de Nanami em sua fuga.

Nanami seguiu até a entrada da floresta de pinheiros, com as suas árvores altas e cobertas pela neve branca, a entrada para o perigo. Mergulhado em sua dor, não se atentou ao que poderia enfrentar, apenas seguiu em frente.

Mas alguém o viu entrar ali, um espião à espreita, mas ao invés de preocupar-se, esse apenas deixou o sorriso vitorioso surgir em sua face e moveu os lábios: — Que seja comido pelas feras... Gato burro!

Contudo, Nanami não viu ou ouviu tal pessoal, e muito menos se atentou para os perigos que aquela floresta trazia. O gatinho seguiu pela trilha entre as altas árvores, entre tropeços e galhos que trataram de arranhar sua pálida pele.

Não demorou em que sua respiração ficasse afoita e seu coração batesse ritmado. Mesmo acostumado a trabalhos duros e correr para executar os trabalhos na cidade dos Gatos, Nanami ainda se cansava fácil.

Apos – o que pareceu – horas correndo sem rumo certo, suas pernas finalmente cederam e diante do próprio peso, seu corpo se curvou e caiu ajoelhado no chão.

Nanami colocou a mão no peito enquanto buscava com rouquidão o ar para os seus pulmões. Seu pequeno corpo movia, e aos poucos, a medida que acalmava o sangue da agitação, o frio começava a fazer seu corpo eriçar.

Ele olhou para seu outrora lindo kimono. Era rosa. Sua cor preferida. Tão lindo. — Oh não... Eu sujei o kimono... — Disse pegando as pontas rasgadas. O lindo e florido kimono encontrava sujo e rasgado. Isso fez seus olhos arderem novamente.

Então reparou na sua meia-branca toda rasgada e suja de vermelho, seu próprio sangue, devido às feridas causadas pelos galhos e pedras. Os pés feridos, onde o tecido delicado da meia foi incapaz de proteger, tal como os braços e mãos machucadas.

Nanami fechou os olhos e gritou com toda sua força. — KEN-CHAN SEU IDIOTA!

O silêncio da floresta foi cortado. Passaram cantando ao longe e o vento soprou fazendo o fio platinado dos cabelos de Nanami dançar.

Não demorou e o som de um galho quebrando chegou aos ouvidos de Nanami, fazendo seu corpo estremecer de medo. Ele olhou ao redor, finalmente dando-se conta que o sol sumia no horizonte e os flocos de neve começavam a cair, anunciando uma tempestade.

Os olhos azuis tremularam de medo. Os finos braços rodearam o seu próprio corpo e lentamente levantou do chão. Um berro animalesco ecoou, fazendo as aves voarem e o vento cantar mais ainda.

— Eu... N-não... Kensuke... — Nanami chamou pelo marido. Somente agora se deu conta de sua burrice. Ele havia fugido do Vilarejo Ôkami sem se importar com os perigosos, mesmo quando Chizuru avisou que a floresta era perigosa, ou depois de tudo que Sayuri passou.

O berro monstruoso voltou a ecoar, e Nanami tremeu. Suas pernas fraquejaram e dobraram querendo o fazer cair, mas ele lutou para ficar de pé. — Eu preciso... — Murmurou. Queria voltar para o Vilarejo, para a casa quentinha do Alfa, para o seu marido. Mas era noite e não sabia o caminho de volta. — Não posso ficar... Preciso me esconder! — Disse para si mesmo. — Movam-se! — Ordenou as suas pernas. Ignorando a dor e cansaço, o loirinho, voltou a correr em busca de um abrigo, qualquer que fosse, desde que o mantivesse seguro.

-oo0oo-

Algumas horas antes

— Aquele gato estúpido! É tudo culpa dele... — Chizuru reclamava enquanto retornava para casa. Sem muita paciência empurrou o portão da bela casa, mas sem prestar atenção à sua frente, bateu contra algo. Seu delicado corpo não foi sustentado por seus pés e seguiu a fim de cair no chão, mas foi salvo por braços fortes.

— Ou! Cuidado príncipe. — A rouca voz chegou aos seus ouvidos, e ao reconhecer o dono dela, suas bochechas coraram fortemente.

— Se-Se-Se... Seiji? O que faz...? — Chizuru perguntou. Sua voz falhou, e isso fez sua vergonha aumentar. Sempre buscava parecer forte e determinado, mas bastava sentir a fragrância daquele lobo, e tudo em sua volta desmoronava. O Beta de seu irmão sabia realmente fazer seu mundo virar de cabeça para baixo.

Seiji sorriu docemente, fazendo todo o corpo de Chizuru aquecer e o ar faltar em seus pulmões. — Estava conversando algo sério com o ancião... Pedindo um conselho! — Seiji disse.

Chizuru desviou a face quando a sentiu perto demais do Beta. Sentiu a quentura de seu rosto, e isso o irritou um pouco. Desde pequeno apreendeu que era um Ninshin, e que se tornaria esposo de outro macho, logo, não devia corar facilmente. Diferente dos Gatos, os Lobos não havia fêmeas... Era uma espécie somente de Lobos machos, e por isso a mãe natureza os deram os especiais – Os Ninshins – os Lobos que poderia procriar, ou seja, gerar outra vida, e Chizuru era um desses.

— Os dois não acham inapropriados ficarem nessa posição em frente à casa? — A voz do ancião chegou ao ouvido dos jovens, e ambos deram conta da posição comprometedora.

— E... Eu... — Chizuru corou de vergonha e raiva. Com agilidade empurrou Seiji, fazendo o grande Lobo cair de bunda no chão, ao que afastou com o horror pintado em seus olhos. — Seu pervertido... Estúpido! Eu... Sou puro e me guardarei para meu noivo... Não me toque! — Gritou furioso.

— Chizuru! — Seu pai o chamou.

— Sim, pai! — Disse fazendo uma reverência. Ele não queria envergonhar o seu pai e o nome de sua família. — Me perdoe!

— Acredito que o Alfa o colocou de castigo, assim vá para dentro... Mas antes peça desculpas ao seu noivo por empurrá-lo. — O ancião ditou.

— Noi-noivo? — Chizuru indagou sem entender. Ele olhou abismado para Seiji. — Ahn? O que? — Gritou.

Seiji levantou e coçou sem jeito sua nuca. — Bem... Eu acabei de perdir ao ancião sua mão em casamento, e ele disse que tudo bem... Se você me aceitar. Me aceita Chiruzu-sama!? — Seiji perguntou.

— Eu... Não.. Sim... Sou... — Chizuru gaguejou. Sua face ardeu em tom escarlate e seu coração pulsou forte. — Ahah... — Gritou desesperado e saiu correndo para dentro de casa.

— Bem, acho que temos outro casamento a organizar. — O ancião ditou seguindo para casa.

Seiji ficou sem entender muito bem, olhando para o caminho que seu ‘noivo’ fez. Ele amava a Chizuru desde sempre, mas antes o moreninho era muito novo para si, mas não agora... O faria seu esposo.

— Acho que foi um sim! — Deu os ombros. Ele seguiu a fim de realizar as suas obrigações como Beta. Obviamente louco para contar aos seus amigos a novidade.

-oo0oo-

Sayuri saiu de seu quarto determinado. Não poderia deixar mais que Nanami pagasse por algo que ele não era culpado. Não deixaria mais seu amigo sofrer, sendo que Sayuri estava tão bem... Ele diria, contaria ao Alfa a verdade e tomaria as responsabilidades por toda esta confusão.

Isso poderia acarretar em seu aprisionamento ou em sua morte, mas ele faria. Se fosse para acabar com este sofrimento que seu loirinho estava passando. Ele faria o que fosse possível e impossível por ele.

Ryo havia saído para verificar o território ao redor da casa, e esta foi à chance de que Sayuri se movesse até onde o Alfa era suposto estar.

Chegando a frente de seu escritório, ele suspirou, orou mentalmente às divindades que abençoassem Nanami e que o ajudasse naquele momento, porque ele certamente precisaria saber explicar as coisas.

Sayuri bateu a porta, mas não esperou uma resposta e entrou. Kensuke estava sentado sobre as pernas em meio a sala e parecia refletir enquanto olhava para um ponto qualquer. Seja lá o que tivesse acontecido, ele era o culpado e maltratou seu Nanami!

— Você! — Kensuke rosnou. As suas narinas dilataram quando o cheiro de Sayuri chegou até ele. — O que você...?

Sayuri o impediu acenando as mãos na frente dele. Kensuke estava bufando, mas acatou.

— Tenho algo muito importante a dizer-lhe Alfa. Eu sinto muito por isto, mas há tempos devia saber. — Sayuri deu um passo e então ajoelhou se prostrando frente ao Alfa. Este era um ato submisso e humilhante para um príncipe.

Kensuke apenas ficou a observá-lo. — Diga logo e vá embora. — Ordenou com sua voz seca, fria e vazia.

Sayuri não tinha visto esse lado dele, na verdade mal o conhecia, mas não viu nada que fosse bom nele. A não ser que era um lindo lobo, mas não o interessava realmente.

— Eu e Nanami somos melhores amigos, o conheço desde um longo tempo e tenho um carinho muito especial por ele, Alfa. Espero que me entenda... Ou que ao menos possa entendê-lo... Mas Nanami sacrificou sua vida por mim, ele não é um príncipe, nunca foi. Na verdade era para eu estar em seu lugar e casar-me contigo, porém meu pai achou melhor me guardar e entregou Nanami em meu lugar em um ato injusto. — Sayuri começou a soluçar, sua fraqueza veio ao pensar em todo o sofrimento que o loirinho tivera que passar em seu lugar. E que possivelmente podia criar uma guerra a partir disso, mas ele precisava fazer as coisas certas, se fosse para se entregar, ele faria.

O sacrifício por espontânea vontade era um ato muito nobre e demonstrou a Sayuri, que o coração de Nanami era tão valioso quanto qualquer tesouro neste mundo. Ele demonstrou o quanto o amava, que o queria bem e em segurança, enquanto Nanami se jogou para os lobos.

Kensuke olhou para ele com grandes olhos, mas então abrandou vendo o gato ruivo em prantos. Ele sentiu-se decepcionar, mas não foi tão grande quanto esperava... Pois de alguma forma ele sabia que Nanami nunca foi um príncipe.

Foi absurdo julgá-lo tanto enquanto o pequeno apenas estava se esforçando e dando o seu melhor para lhe agradar. Nanami não fez tão bem como alguém treinado faria, mas Kensuke não levou em consideração seu esforço, nem mesmo as lágrimas que ele derramou por sua causa.

Seus olhos arderam, mas Kensuke era o alfa e não poderia chorar frente ao outro na sala.

— Nana-chan é conhecido em nossa cidade como o filho do traidor do nosso povo, ele foi criado por sua avó e há alguns anos ela faleceu. Desde então ele esteve por conta própria. Um menino de apenas 13 anos. Todos em Masao o odeiam sem motivo, o esnobam e zombam dele, apenas eu pude conhecê-lo realmente... E descobri o quanto Nanami é precioso, o quão especial ele é...

— Ele é seu amante? Por que diabos foi-se sacrificar em seu lugar? — Kensuke gritou.

— Porque eu sou o único que o ama de verdade, o único que lhe deu afeto quando Nanami tivera que conviver em meio ao ódio e ao desprezo. — Sayuri enxugou suas lágrimas, mas estas voltavam a cair. — As feridas e marcas em seu corpo foram da crueldade dos moradores, Nanami foi apedrejado e apanhou muitas vezes... Ele passava fome... Por isso mal podia se curar.

E então o mundo inteiro de Kensuke caiu.

Suas lembranças retornaram com as imagens do corpo de Nanami, as marcas e feridas que mal cicatrizavam e às vezes em que Kensuke o magoou e amaldiçoou este casamento.

Nanami não era príncipe, não era culpado, era somente um inocente que foi jogado para ele sem mesmo uma escolha. Alguém que deu sua vida para proteger seu único amigo e poder assim, conviver com uma espécie inimiga.

Isso representava tanto para Kensuke... Seu coração abrandou, ele precisava falar com Nanami. Ouvir da boca dele se era verdade o que Sayuri lhe contava.

— Aonde vai? — Sayuri se levantou quando Kensuke se encaminhou para a porta.

— Não vá contar a ninguém sobre isto. É um segredo, e até que eu decida o que farei, não ouse revelar nada a ninguém. — Kensuke latiu sua ordem e saiu.

Precisava encontrá-lo... Tirar a limpo essa história e resolver de uma vez por todas essa confusão dentro dele. Kensuke sentia a todo o momento como se fosse explodir, ele precisa de respostas, precisava se encontrar.

Kensuke correu para fora e os corredores, procurando a cada centímetro da casa, aonde Nanami poderia estar. Quando o procurou nos cômodos exteriores, Ryo correu para ele com Seiji ao seu enlaço.

— Alfa! — Ryo estava ofegante quando chegou, e visivelmente preocupado.

— O que foi?! Estou procurando por Nanami, mas não posso encontrá-lo...

— É sobre Nanami-sama, Alfa! Ele fugiu do Vilarejo, alguns moradores o viram correr para a floresta! — Seiji tomou a frente contando.

Kensuke sentiu vir à mudança próxima, mas ele precisava ter cuidado e procurar por Nanami. Mesmo que fizessem algumas horas desde sua discussão, Nanami não poderia ter ido longe... Não fora do que era seu território...

Segundos depois Ryo lhe trouxe uma bolsa que diria ter o que precisasse para cuidar de Nanami caso o encontrasse ferido ou com frio. Estava ficando cada vez mais gélido e o céu escurecia logo uma tempestade de neve viria e isso era o que preocupada mais Kensuke.

As buscas começaram. Kensuke não pode rastrear o cheiro de Nanami da vila, por causa do vento gélido que mudava de posição de tempo em tempo. Seus betas foram separados e com sentinelas para procurar Nanami, mas alguns grupos saíram por caminhos diferentes e combinaram de retornar até o nascer do sol.

A ordem era precisa: Nanami estava em primeiro lugar e precisava voltar seguro.

Kensuke, por vontade própria, decidiu ir sozinho e fez o seu máximo por algum cheiro. Sorte sua que um tempo após sua corrida, conseguiu encontrar um rastro do cheiro perfumado do pequeno gatinho.

Mais a frente estava um pedaço rasgado do kimono cor de rosa que ele usava... Kensuke se amaldiçoou e rosnou quando seus olhos viravam chamas flamejantes e seus caninos apontaram. Mas ele se acalmou, percebendo que não havia outro cheiro por ali, senão Nanami. Então porque ele havia rasgado seu kimono?

Rezou para que fosse um tombo ou tropeço que o fizera rasgar, porque se algo ou alguém o tivesse pego, Kensuke iria rasgá-lo em quantos pedaços fossem possíveis. Não tinha dúvida disso.

Um rugido lhe assustou quando estava longe o suficiente de sua vila e quase nos limites de seu território. A tempestade estava cada vez mais forte e violenta, o vento chicoteando seus cabelos e sua calda. Ainda sim, Kensuke deu tudo de si para que pudesse farejar.

O cheiro de Nanami estava fraco, pouco, mas era algo. Ele estava por aqui. O rugido animalesco e estrondoso voltou a ocorrer, o coração de Kensuke pesava. Ele sentiu o perigo, sentiu que algo provavelmente não estava bem.

Nanami...

Continua!!

Notas finais
Miky-san:
Espero que tenham gostado do capítulo *--* caprichamos-q
Como Hannah disse, temos surpresinha para os próximos capítulos, estou empolgada!
Obrigada a cada um por comentar, está sendo de grande ajuda para nós e claro, nos deixa mega felizes o/
Espero que tenham gostado do desenho que fiz do Maiko, tentei algo sensual e foi isso que saiu kkkkkk Aqui está o link do desenho:
http://miky-san.blogspot.com.br/2013/10/akai-ito-maiko-personagem.html
Obrigada por ler também ♥ Até o próximo domingo!