Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
6 Capítulo 6 - O Casamento Sagrado
Notas iniciais
Olá pessoal!
Estamos sendo bem pontuais... Todo domingo capítulo... Estamos conseguindo deixar a fic bem adiantada, o que nos permite imaginar e escrever com carinho e cuidado.
A vida de Nanami tem tomado rumos surpreendentes, mas está apenas começando... Nosso gatinho tem que ser forte para enfrentar tudo que ainda virá em sua vida.
Chizuru tem sido cruel... Mas no fundo, ele apenas quer proteger seu irmão... Espero que Nanami possar conquistá-lo e serem bons amigos, o gatinho precisa.
Agradeço a todos o carinho e os comentários... Aos poucos temos respondidos.
Agradeço a todos, e uma ótima semana.
Akai Ito
Capítulo 6 — O Casamento Sagrado
Quando o sol finalmente escondeu-se no horizonte e deu espaço para a esplendida lua, as tochas foram acesas no Vilarejo Akai, o abrasador fogo queimava iluminando o local. Os Lobos se arrumaram com suas melhores vestes e seguiram para embrenhar dentro da floresta, justamente no local sagrado para a tribo.
O círculo sagrado era rodeado por tochas flamejantes, desenhos peculiares escritos nos troncos das árvores que cercavam o ambiente e as copas deixavam um espaço aberto para que os raios lunares tocassem cada local.
Os habitantes de Akai se achavam postos nos lugares de direito, enquanto que sobre o altar sagrado os anciões da tribo se achavam apostos.
A expectativa crescia dentro de todos, em misto de curiosidade e raiva, pois muitos entendiam o sacrifício necessário para o bem de todos, mas era duro aceitar que o amado líder teria que fazer o mesmo.
Um grupo de jovens da orquestra em um canto começaram a tocar seus instrumentos, deixando que a melodia sedutora e suave invadisse acariciando os ouvidos de cada um.
O ancião que outrora ocupava a posição de alfa levantou seguindo até o altar e sem pronunciar uma palavra, ganhou a atenção de todos. O silêncio quebrado unicamente pela canção entoada.
— Assim como essa terra é antiga, o nosso povo vagueia por ela. Somos feitos de batalhas e sangue, luta e coragem, mas acima de tudo, compaixão. Existem guerras e guerras... Aquelas forjadas por bravura e luta e aquelas por ação e tolerância. — Chao disse belas palavras que tocaram a cada um presente. — Nosso povo vem sofrendo pelo ódio que sempre existiu entre as duas raças de Weres... Os Lobos e os Gatos, e chegou o momento de findar com isso. E este acasalamento é o ponta pé inicial. — Disse firme.
Ao fim de suas palavras a música voltou a ser tocada mais forte.
Logo um corredor ladeado de pessoas foi aberto e por ele um grupo de guerreiros desfilou com suas roupas feitas de pele de animal, com pinturas vermelhas e brancas com corpo e postura altiva. No meio dos seis guerreiros, estavam os dois betas e em especial o Alfa. Ken encontrava mais belo do que nunca, e fez muitos suspirarem apaixonados.
Eles seguiram até o círculo, todos os guerreiros tomaram uma extremidade do mesmo e Kensuke colocou-se no meio. Um a um dos guerreiros seguiram até o meio do circulo e passou a lutar com o Alfa. Foi um show de força e destreza.
Corpos moldados por músculos moviam com beleza e força, e todos ficaram maravilhados pela luta que ocorria. Era o ritual sagrado, que antes da cerimonia de acasalamento o noivo deveria mostrar o seu valor, em uma lutar com os melhores guerreiros, teria que lutar pela honra de seu futuro marido, mostrando que era digno de proteger a sua casa.
Mesmo que Kensuke não se casaria com um lobo, a tradição seria preservada.
Quando todos os guerreiros, incluindo os betas, foram derrotados e se ajoelharam em submissão diante do Alfa, a besta de Kensuke uivou para a lua cheia, declarando sua soberania.
Os tambores soaram alegremente, e o Alfa seguiu até o altar em postura de vitória, na espera daquele que se tornaria a sua alma gêmea.
Quando as nuvens moveram permitindo que a lua cheia ficasse totalmente exposta, Kensuke olhou para frente e os seus olhos dourados pousaram sobre aquele que seria seu esposo.
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Nanami olhava para o céu contemplando a lua. Ela estava tão linda e parecia seduzi-lo. Se normalmente ele era um desastre sobre os pés, olhando para cima não ajudava muito, então pela terceira vez tropeçou e foi segurado pelo cunhado.
— Preste atenção! Por acaso tem os dois pés esquerdos? — Chizuru perguntou raivoso. Ele nunca tinha visto alguém tão desastrado antes. Como ele simplesmente era um príncipe?
— Eu... Desculpe, é que... A lua está cheia. É tão linda! — Nanami disse voltando olhar para a lua. De alguma forma ela o ajudava a ficar calmo naquele momento tão delicado.
— Claro que é cheia, as cerimônias de casamento ocorrem somente na lua cheia, pois assim será abençoada pelos deuses dos lobos. Agora preste atenção, ou chegará a seu casamento mais machucado que está. — Chizuru disse sem muita paciência.
— Eu não... Dá para parar de ser grosseiro? Tudo que fez até agora foi me atacar. Você é muito chato! — Nanami gritou. Realmente estava cansando dos ataques do outro.
Chizuru bufou. — Mostrando as garras gatinho? Esse é o terceiro kimono que veste por que estragou! Tentou fugir e ainda estamos atrasados. Pior que isso, seria esse casamento não sair. — Disse virando sobre os pés e voltando a andar. Seu pai o tinha deixado responsável pelo gato. O lavou, o vestiu e arrumou. Agora devia guiá-lo em um cortejo até o circulo sagrado, e por acaso, estavam atrasados.
Com um desejo imenso de socar o outro, Nanami respirou fundo e voltou a andar alguns passos atrás do lobo, mas dessa vez não olhou para a lua por garantia. Mais alguns minutos e eles chegaram à borda da clareira.
Nanami olhou para o local. Parecia mágico com o calor e sombras que as tochas emitiam, e juntando com a neve branca que cobria todo chão e árvores, parecia como as historias mágicas que sua avó contava para ele quando estava viva.
Por instinto, ele tocou no pingente em forma de coração. Sentiu o calor emanar dele e isso lhe acalmou.
Seguiu andando e tropeçou contra as costas de Chizuri, estava pronto para brigar com ele, mas parou ao ver o combate que acontecia. Ele viu o homem da caverna, e ele lutava contra seis outros ao mesmo tempo.
— Ele... Coitadinho. É injusto Chi-chan. Vão matá-lo... Por que está tendo uma luta no casamento? — Nanami perguntou aflito.
— Não me chame assim. E Chizuru! E você é burro por acaso? É o ritual sagrado. — Chizuru disse revirando os olhos. — O noivo deve lutar contra os melhores guerreiros e vencer, mostra que é forte para cuidar e proteger a sua casa. Mesmo sendo Alfa, tem que fazer...
— Ahh? Eu não entendo... Por que... — Nanami olhou para a arena de novo, e ignorando os chamados do cunhado, seguiu em frente, aproximando-se. As pessoas abriram caminho para ele, até que o loirinho chegou à borda do círculo, justo no momento em que aquele homem derrotou o último guerreiro.
Os lobos uivaram pela vitória do Alfa, mas Nanami não ouviu nada, apenas manteve os olhos naquele homem. Ele era... Tão lindo e poderoso.
— O que faz aqui? — O ancião perguntou o que garantiu que todos olhassem para Nanami.
O gatinho corou fortemente e sentiu-se inquieto com todos olhando para ele.
— Pai desculpa! Ele é teimoso como mula... Tentei pará-lo... — Chizuru começou a justificar, mas parou ao ver o duro olhar de seu pai. Ele agarrou o braço de Nanami, pronto para levá-lo dali, mas o olhar de seu irmão o fez parar.
Kensuke encarou entorpecido à figura diante dele. Seguiu lentamente para perto do "príncipe neko", até que se colocou diante dele e ergueu a mão.
Nanami se encolheu com medo, mas foi surpreendido pelo toque leve na sua mão e a figura que se ajoelhou diante dele. — Eu não... O que está fazendo...
— Pelo sangue de meus antepassados, pela honra de ser o Alfa... Dou a vitória do torneio ao meu futuro esposo. — Ele disse beijando a palma da mão de Nanami.
O pequeno corou mais forte ainda se era possível, e puxou a mão com tudo. Kensuke ergueu o olhar o encarando intrigado, e viu o gatinho prestes a chorar e segurando a mão com a outra perto do coração.
— Não... — Atropelou com as palavras.
— Estúpido, ele é o alfa e seu futuro marido, tenha respeito. — Chizuru o repreendeu baixinho. Então ele se afastou indo até o altar e pegando o arranjo de flores brancas delicadas. Voltou até o cunhado e com cuidado colocou o arranjo em sua cabeça. — Com esta coroa, nos lhe damos aceitação em nossa matilha, julgamos digno para ser desposado por nosso viril guerreiro que o ganhou. — Disse terminando de ajeitar a coroa e se afastou.
Nanami olhou sem entender nada. “Isso é o ritual? E se fizer algo errado? Por que ninguém me disse como era?”. Ele divagou perdido em seus pensamentos.
Deixou que sua mão fosse tomada novamente pelo Alfa e viu-se sendo levando até o altar, onde eles se colocaram lado-a-lado.
Os olhos de Kensuke capturaram o estremecimento do pequeno gatinho e o medo em seu olhar. Isso o fazia se perguntar se os dois teriam um futuro juntos? Como se eram por natureza inimigos mortais.
Ele analisou como a brisa noturna brincava com os fios platinados, e como as mexas rosas davam um toque todo especial. A face ergueu e os sublimes e puros olhos azuis encontraram com os seus. Havia tanta solidão e medo, que um sentimento novo surgiu dentro do lobo, o desejo de embalar aquele pequeno gatinho e o proteger de todo mal.
— Você é o homem da caverna... Eu não entendo... — Nanami cochichou a fim que somente o belo lobo ouvisse.
— Sou o da caverna e sou o Alfa. Apenas para constar, não traiu seu futuro noivo, pois sou ele. — Kensuke disse encarando os belos olhos azuis, e então virou-se para olhar o ancião que realizava a cerimônia.
Nanami foi guiado por Kensuke para o altar ali preparado, ajoelhando-se frente ao ancião Chao, que olhou para eles com um sorriso escondido.
— Nanami-san tem uma missão muito importante, que para todos deve ser lembrada como o símbolo de união e de paz para o nosso povo. Ele veio de sua terra natal, abandonando sua vida lá e sacrificando suas coisas mais importantes para que pudesse vir e fazer o bem da nossa aldeia. Agora apenas temos que celebrar a conquista e a paz que garantimos para nossa nação de agora em diante. Não haverá mais guerras. — Discursou. O ancião ainda pegou uma pequena caixinha das mãos de uma criança pequena e bem vestida como os outros lobos, e colocou de frente onde Kensuke estava.
Nanami ainda estava tão confuso como podia. Kensuke... Esse nome era tão bonito, mas não tanto quanto a pessoa que o levava, ele mal estava acreditando que não tinha traído seu futuro esposo... Ainda melhor, porque este homem era lindo e havia despertado um calor tão gostoso em seu peito que não soube ao certo o que era.
Kensuke pegou a pequena caixa vermelha com um laço de fita sobre ela e a entregou a Nanami. — Isto é para que mostre a todos o seu posto como meu esposo e cadela Alfa da matilha. Não abra agora, somente amanhã pela manhã. — Nanami assentiu agora muito curioso pelo que havia dentro da caixinha. Até hoje, ele somente havia ganhado presentes de Sayuri, mas este — vindo de Kensuke — o fez se sentir especial.
— Obrigado. — Murmurou corando as bochechas.
Kensuke travou onde estava pela expressão fofa que o gatinho lhe deu. Não sabia que uma criatura como ele possuía tal fofura. Ele teve que limpar a garganta e voltar-se para olhar para o seu pai.
— O Alfa da matilha, Kensuke, aceita Nanami, príncipe da cidade de Masao, lar dos gatos, em matrimônio, para cuidar, zelar por seu bem estar e protegê-lo até o fim de sua vida e além dela? — O Ancião ditou, entregando a Nanami um colar de ouro e acenando para ele que o colocasse em Kensuke.
Nanami fez como pedido, ele o colocou sobre a cabeça de Kensuke e então em seu pescoço. "Ficou bonito".
— Eu o aceito, para que esteja ao meu lado pela eternidade. — Enfim, o Alfa ditou olhando nos olhos de Nanami. O mesmo ainda tão envergonhado como quando chegou ali na cerimônia.
— Nanami, da cidade de Masao, príncipe menor dos gatos. Aceita ter Kensuke como seu marido, para apoiá-lo, cuidá-lo e amá-lo por toda a vida e além dela? — O ancião perguntou a Nanami dessa vez e o menor ainda que desconcertado, e com voz trêmula, falou:
— A-Aceito. — Nanami sentiu-se ainda mais envergonhado. Ele pensou que Kensuke fosse querer colocar um colar como o dele em Nanami, mas não aconteceu. Logo que terminaram, a euforia foi total. O povo daquela aldeia toda se transformou em sua forma de lobo, na maioria lobos negros, e eles se colocaram a uivar para a lua cheia e brilhante daquela magnífica noite.
Nanami não sabia ao certo o que viria a seguir, ele estava sentindo sua ansiedade se elevar a níveis extremos, além de estar envergonhado em meio aqueles muitos lobos em suas formas animais agora. Afinal, ele era apenas um gatinho em meio de muitos caninos, com certeza ficaria assustado.
Nanami comeu mais um bolinho, que era incrível. Estes doces de casamento eram maravilhosos. Ele nunca tinha provado nada igual e seu estômago trovejou por mais... Pena que ele estava muito fraco para comer mais do que dois bolinhos.
A festa rolava solta, alguns dos convidados ainda estavam em sua forma de lobo, principalmente as crianças que brincavam alegremente. Outros dançavam o baile da música com sinfonia gostosa, os cânticos mais animados, divertidos. E Nanami descobriu que gostava de música. Ele sentiu seu bumbum remexer para levar seu quadril de acordo com a música, mas ele parou bem ali. Não iria se infiltrar em um povo que provavelmente iria empurrá-lo para fora da roda.
Ao menos ele podia se deliciar com o cheiro da comida. Será que eles iriam lhe dar comida de graça agora que havia se casado com o temido Alfa da matilha? Nanami esperava que sim. Afinal, ele dependia das pessoas agora, até que encontrasse um meio de trabalhar. Esperava que alguém lhe desse um emprego de meio período no mínimo, e mesmo que Nanami fosse muito fraco, ele aceitaria qualquer trabalho.
Ele se encolheu quando sentiu algumas pessoas se aproximarem dele. Tirando as crianças, todos pareciam muito grandes perto dele. Até aqueles com sua mesma idade. Não estava acostumado com pessoas tão grandes, já que os gatos praticamente eram baixinhos por natureza. Ainda detinham aqueles muito grandes, mas dependia muito da raça.
— Olá. — Alguém muito perto dele o cumprimentou. Nanami olhou para cima e viu um rapaz muito bonito. Longas madeixas negras contornando a bela face, olhos expressivos, além de uma feição bela e delicada. Ele era magro, esquio, ainda parecia muito sensual de onde o via.
Timidamente ele respondeu. — Olá.
— Parabéns pelo seu casamento. Estou feliz que Kensuke tenha conseguido um noivo tão fofo como você. — Disse com um sorriso brilhante, Nanami foi conquistado por este sorriso. Ele amava pessoas sorridentes, elas sempre eram as mais simpáticas. — A propósito, eu sou Maiko. Muito prazer.
— Ah, eu sou Nanami. Bom te conhecer. — Nanami sorriu para ele, tentando o seu melhor sorriso para seu primeiro amigo na matilha. Talvez, os lobos fossem diferentes dos gatos. Afinal nenhum deles sabia de quem ele era filho na verdade.
É mesmo! Se ninguém sabia de sua verdadeira origem, ele era praticamente Sayuri, então talvez as pessoas fossem gostar dele ali.
Nanami estava aberto a amizades, muitas e muitas delas.
— Eu já sabia o seu nome, na verdade todos aqui sabem. — Maiko falou rindo. — Você mal chegou e já é muito popular. Ouço falar em você o tempo todo. Sabe que alguns vão contra o matrimônio, mas acredito que todos preferem que seja assim. Afinal ninguém mais quer guerra, e todos esperam que a prosperidade volte para nossa tribo. O inverno predominou neste lugar desde as perdas da última Grande Guerra. Nosso povo acredita, que se o casamento do Alfa for feliz, a primavera virá, e as flores irão florescer neste lugar.
Nanami ficou tocado pelas palavras de seu novo amigo. Ali mesmo ele as tomou como importantes e decidiu se aprofundar mais da história daquele povo.
Ele podia ser um simples gato, mas ele acreditava na felicidade, ele sempre teve esperanças, mesmo que sua vida tenha sido uma droga. Como todos os momentos que Sayuri ia lhe visitar. O tom de voz serena de seu melhor amigo, até os mínimos sorrisos e como ele ficava lindo quando sorria.
Coisas simples e bonitas que eram um marco em seu coração, como os pequenos miados finos e baixinhos de seu casal de gatinhos filhotes. Ah como ele sentia falta de tudo isso. Até mesmo de uma pequena árvore perto de sua antiga casa.
Por enquanto ele não tinha um lugar para chamar de seu. Isso o fazia se sentir perdido.
— Eu darei o meu melhor! — Foi o que pode respondê-lo. Nanami queria falar mais, só que tinha medo de assustar seu novo amigo. Afinal ele era uma matraca.
— Tenho certeza que sim. Pode contar comigo sempre que precisar, pequeno gatinho. — Lhe fez um afago momentâneo em seus cabelos loiros. — Eu vou indo falar com meus amigos. Até outro dia! — E ele saiu acenando.
Nanami acenou de volta e em seguida tocou no mesmo lugar que recebeu o afago. Droga, ele era tão carente de carinho que um mínimo gesto como este o fazia derreter.
Oh não, Nanami encolheu-se novamente onde estava solitário perto das mesas com petiscos, quando viu Chizuru vindo em sua direção. Ele não estava com uma cara muito boa.
— Kensuke está lhe esperando ha um bom tempo já, porque ainda está aqui? —Vociferou para ele assim que chegou, puxando o seu braço para fora. Nanami engoliu um gemido, pois ele ainda estava ferido desde sua queda da colina mais cedo. — Venha, vou te levar até ele.
Eles passaram em meio à multidão, Nanami trombando em muitos e tendo olhares de desaprovação, mesmo que ele se desculpasse em seguida.
— Eu ainda não acredito que esse casamento aconteceu. Você sabe, eu sou o irmão do Alfa, não poderia ir contra o casamento, além de que foi meu pai que decidiu isso. — Chizuru bufou, parecendo mais nervoso do que costumava ser. Nanami tentou ignorar como ele parecia odiá-lo, mas era tão doloroso que era quase impossível.
— É para o bem da matilha. — Nanami ditou por fim, cansado. — Você não devia se intrometer nisso.
Chizuru parou, olhando para trás e para Nanami com olhos faiscantes, Nanami engoliu em seco. Ele sabia que seria muito repreendido pelo cunhado, isso o fez encolher novamente.
— Eu posso me intrometer até onde eu quiser. Afinal, meu pai teve que me dar o brilhantismo cargo de cuidador de gatinhos! — Ele rosnou mais perto do rosto de Nanami. — Eu tenho pena do meu irmão, dó porque ele teve que ficar com um maldito gato sem modos, mal-educado, que não sabe nem mesmo se equilibrar nas suas sandálias de madeira. E ainda por cima, que me faz passar vergonha por onde passa.
Nanami segurou tão forte o nó em sua garganta, que ele não conseguiu ser forte o suficiente para olhar para Chizuru frente a frente como sempre fazia. Seus olhos foram aos seus pés, ao grande kimono que arrastava pelo chão. Sentindo-se tão humilhado como nunca antes.
Chizuru engoliu em seco. Ele sabia que tinha exagerado, mas o estresse somente tinha aumentado com tudo que ele teve que suportar aquele dia. Seu avô o havia chamado de canto logo depois da cerimônia, e pedido a ele que cuidasse do príncipe neko enquanto Kensuke estivesse ocupado. Ele seria praticamente um empregadinho de um gato inferior! Isso era o cúmulo e estava doendo muito para aceitar!
— Eu... Eu sinto muito Chizu-chan. — Nanami disse com a voz embargada pela vontade de chorar. Mas ele ergueu seu rosto, engoliu o choro e segurou as lágrimas. Ele estava acostumado não é mesmo? Não tinha porque chorar na frente de ninguém. Ele sabia ser forte!
— Uuuh! — Chizuru gemeu de raiva, sentindo uma estranha dor em seu peito de arrependimento. Não entendia muito sobre isso, mas preferiu ignorar. — Vamos lá.
Nanami foi levado para além da festa e em direção à floresta. Estava fazendo cada vez mais frio conforme o tempo passava naquela noite. Agora havia mais nuvens no céu, provavelmente iria nevar antes do amanhecer.
Foi como Chizuru falou, Kensuke estava encostado em uma árvore de braços cruzados, apenas esperando por Nanami.
— Desculpe a demora Ken, Nanami não parava de comer. — Chizuru falou. Nanami se perguntou se dois bolinhos eram muita coisa, de repente se sentiu envergonhado sob o olhar do Alfa lobo.
— Tudo bem, eu o levo a partir daqui. Obrigado. — Kensuke sorriu para o seu irmão e Nanami ainda olhava para o chão. — Vamos lá? — Ofereceu sua mão para o menor, e mesmo que acanhado, Nanami aceitou, sendo levado por Kensuke em meio à floresta.
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O pequeno corpo sobre o espaçoso leito moveu-se inquieto. Sua mente vagava por um universo surreal, a terra dos sonhos. Ele se deixava levar. Seu inconsciente sabia que era um sonho, mas de alguma forma, sentia que era real.
Sorriu ao ver seu amado amigo. Nanami estava tão lindo. O kimono que vestia era de uma seda pura e os detalhes tão delicados e perfeitos... Nanami literalmente parecia um príncipe, e o desejo de Sayuri devorá-lo somente aumentou.
O pequeno gatinho estava seguindo alguém desconhecido. Parece em uma terra de gelo, pois tudo era branco em meio à floresta... Viu que Nanami tropeçava algumas vezes, apesar do kimono lindo, ele era muito grande para ele. Sabia que o amigo era um desastre ambulante sobre os pés, e o kimono grande, não ajudava.
Sayuri remexeu no leito, e sua mente vagou novamente. Viu Nanami respirar fundo e voltou a andar alguns passos atrás do belo jovem, mas sempre olhava para a lua por garantia. Mais alguns minutos e eles chegaram à borda da clareira.
Nanami olhou para o local. Parecia mágico com o calor e sombras que as tochas emitiam, e juntando com a neve branca que cobria todo chão e árvore.
Reparou que havia muitas pessoas no local... Pessoas belas, mas de alguma forma, estranhas. Não parecia Weres gatos.
— Na-nami... — Sayuri murmurou o nome do amigo. Algo em seu interior temeu, de alguma forma sentia que precisava salvar o amigo.
De repente a situação modificou um pouco. Nanami estava em uma espécie de altar ajoelhando ao lado de um homem grande e robusto. Não dava para ver as feições dele muito bem, mas certamente era lindo.
Havia um senhor que falava algo.
O Ancião ditou, entregando a Nanami um colar de ouro e acenando para ele que o colocasse no homem ao lado dele, e Nanami fez como pedido, ele o colocou sobre a cabeça do lindo homem e então em seu pescoço. "Ficou bonito".
Foi quando entendeu o que o misterioso homem ditou: — Eu o aceito, para que esteja ao meu lado pela eternidade.
— N-não... Nanami é meu... Não pode... — Sayuri resmungou. Queria acordar, mas era incapaz de tal feito.
O ancião voltou a falar, e entendeu perfeitamente o que dizia: — Nanami, da cidade de Masao, príncipe menor dos gatos. Aceita ter Kensuke como seu marido, para apoiá-lo, cuidá-lo e amá-lo por toda a vida e além dela? — O ancião perguntou a Nanami dessa vez, o menor ainda que desconcertado e com voz trêmula, falou:
— A-Aceito. — Nanami disse. Reparou nas bochechas coradas e a timidez do pequeno gatinho.
— Não! — Sayuri gritou sentando-se na cama. Sua testa estava úmida pelo suor que faziam os cabelos ruivos grudarem na pele. Sua respiração entrecortava, tanto que seu peito subia e descia pela busca de oxigênio. — Isso... Eu quero meu Nanami de voltar! — Disse revoltado.
Não podendo mais esperar, Sayuri deixou o medo de lado e resolveu perdir ajuda ao seu pai. Ele era o imperador, deveria conseguir solucionar tudo.
O adorável príncipe levantou de seu futon e ajeitou seu pijama. Tomou um roupão do gancho e cobriu-se. A noite estava bem fria, e precisava manter-se quentinho. Respirando fundo, Sayuri saiu do quarto.
O ruivinho seguiu com cuidado, visto que era de madrugada e os corredores do castelo se encontravam bastante escuros. Sayuri sentiu o seu coração ainda em galopes ritmados, simbolizando o quanto aquele sonho mexeu com ele. Em seu íntimo sabia que Nanami precisava dele, e a todo custo precisava encontrar o seu precioso amigo.
Ele seguiu lentamente para o quarto de seu pai. Ao chegar à porta, empurrou a mesma – visto que era de correr – mas ao olhar o futon, não havia sinal de seu pai. Não era segredo que o imperador muitas vezes ficava até bem tarde trabalhando, assim mais que depressa seguiu para o escritório dele. Precisava falar com ele urgentemente.
A cada passo que dava, algo dentro de Sayuri gritava para voltar, que acabaria se arrependendo, contudo não poderia deixar seu amigo desaparecido. Amava Nanami como irmão... e jamais viraria as costas para ele.
Quando finalmente chegou ao escritório de seu pai, Sayuri ergueu a mão para bater na porta, mas duas vozes o interromperam. Ele imediatamente as identificou sendo de seu pai e o conselheiro Hachiro.
“O que estão fazendo acordados tão tarde em reunião?”, Sayuri perguntou para si mesmo, mas sabia que não receberia resposta. Por instinto, ele acabou aproximando da porta e colocando a orelha bem pertinho da madeira para ouvir melhor.
— Será que ele está vivo? Não sei, Hachiro. Ele era uma criança... Deuses, mais novo que meu Sayuri! — O imperador ditou em lamento.
— Majestade, não se lamente por isso. Não esqueça que essa criança é o filho do traidor, aquele que virou as costas para o Senhor, que causou muita destruição, e que nessa Guerra, sua esposa – a rainha – faleceu. — A voz de Hachiro soou, e fez com que o medo apregoasse até a alma de Sayuri. Ele não gostava desse homem, ele inspirava medo e terror.
Levado pelo medo, suas orelhas cor de abóbora e a calda longa surgiu. O belo rabo serpenteou pelo ar, e as orelhas felpudas ajudaram escutar melhor a conversar que ocorria. Não precisava ser um gênio para saber que falava sobre seu Nanami.
— Eu... Sei! Mas não me torne melhor com o que fiz, o que fizemos. — Yoshikazu ditou desanimado.
“O que eles fizeram?” Sayuri se perguntou.
— Fizemos a coisa certa. O Povo ficaria muito triste se sacrificássemos o príncipe. Sayuri-oji-sama é a alma de Masao. Pensar o quanto Shuichi e Yusuke sofreriam com isso? — A cobra maligna do conselheiro ditou.
— Eu sei, concordo que faria tudo para salvar meu menininho. Pensar que Sayuri se casaria com o Alfa dos lobos faz meu coração sangrar... Mas não posso deixar de pensar o que aqueles monstros fizeram com o menino... — O imperador disse desanimado. — Qual era o nome dele?
— Acho que Nanami! Não se preocupe meu Senhor, ninguém sentirá fala dele. — Hachiro disse.
Ao ouvir tal afirmação, o coração de Sayuri parou de pulsar algumas batidas e seus olhos arregalaram. Ele não queria acreditar no que ouviu. Se havia entendido bem, seu pai e o conselheiro colocando Nanami – seu lindo Nanami – em seu lugar e enviado para ser morto pelos lobos.
“Não... Meu Nanami não...” — Sayuri gritou em pensamento. Sem vontade de continuar ouvindo aquela conversa, ele saiu correndo. “Me espere Nana-chan, eu vou salvá-lo!”, Pensou enquanto corria. Mesmo sendo tão frágil, ele salvaria seu precioso amigo, mas antes, precisava se equipar, por isso, seguiu de volta ao seu quarto. Nada o impediria.
Continua...
Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo! *--* Próximo domingo tem mais!
Aqui está o link do desenho para quem não conseguiu ver: http://miky-san.blogspot.com.br/2013/08/akai-ito-chizuru-personagem.html
Obrigada por ler ♥
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