Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
31 Capítulo 31 – Chegada à Vila de Masao
Notas iniciais
Capítulo 31 – Chegada à Vila de Masao
Shou provou na ponta da colher de pau o caldo do guisado, e sorriu satisfeito com o tempero. Ele desligou o fogo e tampou a panela. Agora estava tudo pronto, só tinha que dar banho em seu filhote e esperar Yamato chegar.
Com um doce sorriso nos lábios, ele seguiu para a sala e sentiu seu coração aquecer ao comtemplar seu lindo bebê brincando. — Mi-chan, para o banho!
O pequeno lobinho olhou para o pai com os olhos pidões. Ele estava sentando no chão da sala e brincava com os carrinhos de madeira que Yamato tinha feito para ele. — Mas... Estou brincando.
— Depois brincará mais. Vá tomar banho primeiro. O jantar está pronto... Ande logo. — Shou disse firme. Ele amava o filho, mas sabia que tinha momentos que tinha de ser firme.
Minky fez um bico com os lábios, porém obedeceu. Ele levantou e seguiu com a cauda entre as pernas para o banheiro. — E lave atrás dessas orelhas, mocinho. Quero você limpinho e cheiroso. — O curandeiro ditou. Ele se orgulhava tanto de seu filho. Minky era alegre, esperto e muito inteligente. Nem parecia que tinha apenas cinco anos.
Shou começou a recolher os brinquedos do filho e guardá-los na caixa designada, na posição de parte superior do corpo inclinada para baixo a as nádegas empinadas. Tão entretido no que fazia, não escutou quando alguém entrou e aproximou-se dele.
Ele gritou quando duas mãos fortes agarraram seus quadris e a dureza esfregou entre suas nádegas perfeitas, ainda que escondidas pelo tecido de kimono.
— O que...?! — Ele lutou para se afastar, mas os braços o puxaram e rodearam seu corpo pequeno calorosamente.
— Calma bebê... Sou eu! Desculpe assustá-lo, mas estava em uma pose tão sexy. — A voz rouca de Yamato causou arrepios em todo corpo de Shou, e igualmente o fez relaxar contra o forte corpo.
— Ya-Yamato... Seu imbecil... — Shou gritou, ele virou entre os braços do noivo e deu-lhe alguns tapas no ombro dele, nada realmente forte. — Me assustou! Não faça mais isso.
Mas foi uma fina risada que chamou sua atenção. Soltando-se dos braços de Yamato, Shou virou-se para a porta e encontrou uma figura fofa e loirinha. Ele podia jurar que era uma versão de Nanami, porém um pouco mais adulta. Isso o assustou um pouco. — Quem...?
Yamato coçou a nuca e adiantou-se para fazer as apresentações. — Esse é Myra... Bem, o nome que Nanami deu para ele. É o jovem que lhe falei que o alfa encontrou na floresta. Como Kensuke teve que viajar a Masao... Pediu para que cuidássemos dele, se puder verificá-lo também. Não tem problema, neh amorzinho?! — Yamato disse todo cuidadoso, pois a casa ainda era de Shou e devia respeitar a opinião dele.
O curandeiro estalou os dedos pensativos. Não deixou de analisar o quanto aquele Were Neko era bonito e adorável... E possivelmente puro... Coisa que ele próprio não era. Não pode evitar que uma centelha de ciúmes crescesse dentro de si. Ele não queria perder Yamato... Para ninguém. Sabia o quanto o pantera era bonito e viril... Muitos na Vila já o cobiçavam, mas ter um adversário dentro de casa era desleal. Contudo, fora Kensuke que pediu. O amigo que sempre o ajudou. Não podia simplesmente recusar.
— Er... Oi! — Myra disse sem jeito. — Não quero atrapalhar... Eu posso ficar...
Shou não entendeu, mas algo o fez sentir compaixão por aquele loirinho em meio ao ciúme. — Não! Pode ficar aqui. Não tem problema. Sou Shou! Curandeiro da Vila. — O lobinho adiantou e estendeu a mão para Myra. — Muito prazer.
— Ah... Prazer. — Porém Myra não aceitou o aperto de mão, não, ele puxou Shou para um braço forte. — Você é tão fofo e lindo! Nanami disse que é muito gentil e legal, além de um ótimo médico. Estou horando por ficar na sua casa.
Shou corou diante dos elogios daquele desconhecido. — Ah. Obrigado! Venha... Entre... Vou mostrar o quarto de hospedes... — Disse encaminhando Myra pela casa, porém esqueceu naquele momento de um detalhe... O fato que na casa tinha somente três quartos: O seu, o de Minky e o que Yamato ficava – justo de hóspedes.
Yamato sorriu para os dois observando seguirem juntos, e somente quando saíram de seu campo de visão, a sua expressão tornou-se séria. Estava acontecendo coisas ultimamente que o deixava com dor de cabeça.
Primeiro, as memórias que havia perdido há muito tempo voltaram, e com elas fatos importantes... Como o ponto que Nanami era seu sobrinho. Mas justo quando pretendia contar a verdade com o Alfa... Descobre aquele loiro. Ainda estava confuso e incerto. Pois ele deveria estar morto, porém a seu ver, parecia bem vivo. Por isso não disse nada ainda. Precisava avaliar a situação, descobrir se ‘Myra’ fora mandando por alguém, se era impostor ou o verdadeiro.
— Eu vou descobrir a verdade! — Yamato murmurou para si mesmo.
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— Será que aconteceu algo? Não estão demorando demais, papai? — Shuichi perguntou pela quinta vez ao seu pai. Ele não podia evitar, estava realmente muito nervoso. Ainda não podia acreditar que logo veria seus dois amados irmãos. Um, seu amante e outro, seu irmão bebê. Estava morrendo de saudade de ambos.
O Imperador suspirou e tomou a mão do filho entre as suas. — Shuichi, calma... Eles estão em tempo, logo chegarão aqui. Apenas mantenha a calma, ou o mandarei de volta para o quarto.
Shuichi fez um bico com os lábios e acenou com a cabeça. Eles haviam recebido aquela manhã a mensagem através de uma águia, que uma caravana de Akai estava vindo visitar Masao, e que entre eles estavam os príncipes Yunsuke e Sayuri. A felicidade foi plena. O Imperador ordenou que preparassem os quartos, uma festa e além de enfeitar toda cidade. Além de receber seus amados filhos, ele queria que os lobos se sentissem bem vindos. Era oportunidade de ‘verdadeira’ paz... Como Yunsuke ditou na mensagem.
Uma comitiva achava em frente à escadaria do palácio oriental. Soldados encontravam alinhados com suas bandeiras. Serviçais em uma fileira impecável, enquanto a família real se achava aos pés da escada, atrás estavam Roan e os conselheiros. Mas de todos havia apenas um que detinha uma expressão desgostosa, e mesmo que tentasse disfarçar, ainda era possível perceber quem o reparasse bem. Hachiro não estava nada feliz com aquela situação. Sua mente já trabalhava planos para eliminar a possiblidade daquele ‘tratado’ de paz.
Shuichi olhou para trás e encarou seu melhor amigo. Este sorriu engraçado, fazendo o príncipe rir. Shuichi negou com a cabeça e voltou olhar para frente, somente para segurar a respiração.
Ele visualizou a carruagem parar em frente ao castelo. Os seus olhos mantiveram-se firmes em um único ponto, justo em seu amor. Yunsuke estava mais lindo do que nunca.
O príncipe herdeiro desceu da carruagem ao lado do general, e enquanto este seguia para abrir a porta da carruagem, o príncipe aproximou-se de sua família. Yunsuke inclinou para frente fazendo a devida reverência ao imperador e pai, mas quando ergueu o corpo, sorriu docemente para o amado. — Shu-chan... — Ele murmurou. Não resistindo e sem importar com o que os demais achariam, Yunsuke quebrou a distância entre ele e Shuichi, e abraçou calorosamente seu amante. — Senti tanto sua falta!
Shuichi não pode segurar as lágrimas, no entanto elas não eram de tristeza e sim de alegria. Ele o abraçou com toda força seu amante. Afundando o rosto no peito forte de Yunsuke. — Nu-nunca mais me deixe... Idiota. — Shuichi resmungou baixinho. Ele se afastou do outro e deu-lhe um soco em seu estômago, mas nada realmente forte.
— Deixem a cena de carinho para quando estiveram no quarto! — Sayuri ditou firme, mas logo sorriu. O gracioso príncipe estava pouco à frente da sua família, e tinha ao seu lado um grande lobo.
Yunsuke e Shuichi se separaram, mas foi o imperador que agiu primeiro. Sem importar com formalidades ou em dar algum exemplo, ele correu até o filho mais novo e o tomou em seus braços.
Um grunhido fez presente, mas Sayuri deu um tapinha na cabeça do lobo para acalmá-lo. — Neh, papai... Senti tanta saudade! — Sayuri choramingou, ainda abraçado ao seu pai. — Mas preciso... Respirar...
— Pai, solte-o. Vai matá-lo por falta de ar. — Yunsuke disse dando tapinhas nas costas de seu pai.
O imperador separou-se de Sayuri a contragosto. Sua grande mão acariciou a face do filho com carinho. — Meu menino... Doce menino. Senti tanto sua falta. Quase morri de saudade e preocupação. Por que fez isso Sayuri?
Sayuri fungou segurando as lágrimas. — Eu também senti saudades papai... Muita... Mas... Você tirou meu melhor amigo, tiver que ir atrás dele. — Sayuri falou convicto. Ele deu um passo para trás e ficou ao lado de Ryo – na forma de lobo – e tocou a cabeça do noivo.
— Seu melhor...? — O imperador perguntou sem entender, até que viu a figura do Alfa ou Imperador dos Lobos, e ao lado do mesmo, o filho do traidor da Cidade de Masao e justamente de seu ex-melhor amigo. — Você...
— Eu e Nanami somos amigos desde criança. Mantive isso escondido de todos para que não me proibisse. E quando descobri o que fez... Fui atrás dele. Fui salvo por este lobo dos bandidos que me atacaram. — Disse indicando Ryo. — E então levado a Vila de Akai!
O Imperador suspirou. — Precisamos conversar sobre sua conduta Sayuri!
— Precisamos conversar sobre várias coisas Rei dos Gatos. — Kensuke disse com a voz firme. Ele andou com Nanami ao seu lado até ficar em frente ao Imperador dos gatos.
Yoshikazu se moveu para ficar de frente ao Alfa dos Lobos. Ele não mostrou medo diante da figura perigosa, mas nem mostrou ódio ou raiva. Ele inclinou-se em reverência, tomando todos em surpresa. — Quero agradecer por cuidar e proteger meu filho. Sayuri é precioso para mim e jamais poderia viver, se algo acontecesse com ele.
— Não fiz nada! Ele é melhor amigo do meu esposo, óbvio que seria bem tratado. — Kensuke respondeu com polidez.
Yoshikazu endireitou o corpo e encarou o pequeno gatinho loiro. Não pode impedir a vergonha. Ele quis salvar seu filho, que lhe era precioso, mas não tinha o direito de mandar aquele menino ao sacrifício. Filho do homem que um dia foi seu confidente e melhor amigo. Sem dizer nada, desviou a face e encarou Kensuke novamente. — Sejam bem-vindos a Masao! Espero que a estadia aqui seja proveitosa e podemos criar laços verdadeiros de paz finalmente.
— Assim espero! — Kensuke respondeu com um sorriso.
— Ficamos felizes que o matrimônio deu certo. — Hachiro comentou com um falso sorriso quando avançou para ficar à frente do Rei dos Lobos.
Nanami se mostrava aflito e com medo. Ele manteve-se segurando o braço de Kensuke e bem perto dele. Evitou encarar a todos, principalmente o nojento do conselheiro. Aquele homem lhe dava calafrios.
Kensuke percebeu a reação de seu esposo e olhou duramente para o conselheiro. — Não graças a você. — Disse sem rodeios. Ele jamais ficaria sendo gentil ou amaciando ego de ninguém, ser falso não era algo que apreciava.
— Er... — Hachiro gaguejou tropeçando um passo para trás.
— Chega! — O imperador ditou firme. — Sigam-me, irei mostrar seus aposentos. Acredito que depois de uma viagem tão longa desejem um banho e descanso. Já mandei preparar os quartos, e mais tarde teremos um jantar. — O imperador falou educadamente. Ele percebeu que o Lobo queria arrancar a garganta de seu conselheiro.
— Obrigado pela hospitalidade! — Kensuke sorriu.
O imperador pessoalmente encaminhou todos para o interior do castelo. Enquanto Yunsuke acompanhou seu amado ao quarto do mesmo, no que Sayuri fugiu para o próprio quarto, e Ryo foi atribuido a um quarto, e o casal real de Akai outro.
Nanami entrou timidamente no quarto. Ele analisou cada detalhe. Não podia evitar sentir-se deslocado e uma sensação ruim. Em todos os anos em que viveu em Masao, jamais entrou no castelo ou ao menos chegou perto. Em anos de opressão naquele Vilarejo, não tinha como sentir-se bem.
— O que foi gatinho? — Kensuke perguntou quando ambos se encontravam à sós. Ele massageou os ombros de Nanami com as grandes mãos.
— Er... Me desculpa... Apenas... Não me sinto bem aqui! É estranho. Mas juro, vou me comportar. — Nanami disse virando-se para ficar de frente ao marido. Seus olhos se encontravam marejados por lágrimas não derramadas.
Ver a expressão do esposinho, partiu o coração de Kensuke. Ele acariciou docemente a face do loirinho e encheu-o de beijos. — Não fique assim bebê... Juro que não ficaremos muito tempo aqui e em todo momento estarei contigo!
— S-Sim! Neh Ken-chan… Mais tarde… Queria ir onde morava antes... Tem algumas coisas que gostaria de pegar. — Nanami falou sem jeito. Não queria que Kensuke fosse, pois sabia que ficaria envergonhado de levar o lobo aonde morou antes, pois a casa era tão simples.
Kensuke sorriu gentil. — Irei contigo! Vou adorar conhecer um pouco de como era sua vida aqui. Mas… Que tal um banho agora? — Nanami estremeceu.
Mas então a expressão de Nanami suavizou e as preocupações deixaram sua mente. — Sim! Um banho quentinho e juntinho. — Nanami disse saltitante. Ele deu um gritinho quando Kensuke o tomou nos braços, sem dificuldade, e seguiu para a porta que deduziu ser o banheiro.
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A porta do quarto abriu-se em um estrondo e, o casal entrou. Ambos tão colados como se quisessem se fundir. Shuichi estava tão agarrado a Yunsuke como se o impedindo de fugir para algum lugar. Beijos e mais beijos molhados eram dados em Yunsuke deixando-o sem fôlego, o próprio rosto dele estava corando.
— Calma... Calma Shu-chan! — Yunsuke segurou Shuichi pelos ombros e o empurrou um pouco mais afastado. — Calma, o que deu em você? Mal... Nem me deixou respirar! — Yunsuke o repreendeu ofegante, mas suas mãos não deixaram os ombros de seu irmão.
— E-Eu... Não consigo me conter! — Shuichi exclamou exasperado. Ele se empurrou para frente novamente em intenção de tomar Yunsuke novamente, mas o mesmo o manteve firme no lugar.
Yunsuke, com as sobrancelhas franzidas, olhou profundamente nos olhos de Shuichi. Ele os viu como costumava ser, tão bonitos e brilhantes, uma cor clara e que o refletia tão bem. Yunsuke sentiu seu coração abrandar e se abrir para o amor que sentia por Shuichi.
Ele sorriu e o trouxe para seus braços, alisando suas costas e o abraçando-o ternamente. A saudade falava mais alto, foram tantos dias sem tê-lo assim, tão pertinho, sentir seu cheiro e o calor de seu corpo contra o dele. Mas algo lhe chamou a atenção e cortou seus pensamentos. Um soluço rompeu de seu amado e então as lágrimas quentes molharam seu ombro.
— Amor... Porque está chorando? — Yunsuke o abraçou mais apertado, ciente de ter cuidado com o ventre avantajado de Shuichi. — Algo aconteceu?
— Uh... Yun... Te amo! — Shuichi declarou-se entre soluços, porém Yunsuke sabia que tinha mais na história. — Me perdoe, eu... Eu só queria sair um pouco... Tanto tédio sem você...
O príncipe herdeiro não estava entendo o que seu amado irmão estava lhe dizendo, porém ele suspirou e manteve a calma, puxando para a cama a fim de uma conversa. Embora seu corpo estivesse implorando para ter Shuichi submisso a ele gemendo de prazer, ele precisava dar o tempo e a atenção que o mesmo precisava, afinal ele era um tipo de homem atencioso.
— Me conte o que está errado.
— Você vai ficar chateado comigo. — Shuichi olhou para os olhos de Yunsuke, mas rapidamente os desviou para as suas mãos nas de seu amado.
Yunsuke acariciou as mãos de Shuichi nas suas, levemente passando o polegar entre os dedos.
— Chateado? Você fez algo de errado Shuichi? — Yunsuke franziu novamente as sobrancelhas, olhando fixamente para o príncipe gemeo, porém o mesmo estava ainda a ponderar sobre como lhe contar o ocorrido. — Diga-me, não deve esconder nada de mim. Sou seu irmão, aquele que te ama mais que tudo, e em breve serei seu marido também.
Shuichi olhou-o imediatamente e engoliu em seco.
— Eu... Eu... Pensei que papai havia te contado. Bem, foi há um pouco mais de uma semana... Estava muito entediado e resolvi dar uma saída pela cidade...
— Você saiu sem nenhuma escolta não é? — Yunsuke falou entre os dentes, se contendo para não ter uma discussão.
— Sim, e eu... Eu fui vítima de um acidente. — Shuichi abriu seu kimono, mostrando seu abdômen ainda todo enfaixado.
Yunsuke estava com olhos arregalados e completamente surpresos ao ver aquilo. Imediamente suas mãos foram parar em Shuichi, o verificando. Retirando a parte de cima de seu kimono e olhando para cada cantinho dele. Shuichi não protestou, apenas soluçou chorando mais uma vez. Yunsuke então viu, que ele tinha visto seu irmão chorar muito mais do que na infância.
— Shu-chan... — Yunsuke reparou em como Shuichi estava parecendo tão frágil, estava muito mais magro do que costumava ser, e seu copo havia deixado de ser tonificado para de transformar em uma coisa delicada e formosa. — Tudo bem, meu amor. Não foi culpa sua... Embora eu ainda queira saber como esse acidente aconteceu. Alguém o machucou?
— Não! Não foi isso! — Shuichi se virou rapidamente, seus olhos ainda inundados em lágrimas. Estava parecendo um bebê chorão. Tão diferente do típico Shuichi com quem Yunsuke conviveu toda a sua vida. — Eu estava vendo alguns tecidos em uma tenda... Então, veio um cavalo sem controle e acabou me atingindo. Quase perdi nosso bebê. — E na última frase ele se desmoronou em lágrimas.
— Oh Shu-chan. — Yunsuke envolveu seus braços em torno de seu amado e beijou suavemente o topo de sua cabeça. — Não fique assim, como disse, foi apenas um acidente e não há culpados nessa história. — Embora Yunsuke não engoliu essa história.
Shuichi assentiu, um pouco mais aliviado.
— Você não está bravo comigo? Eu não deveria ter saído sem escolta... Corri muito risco, mas graças ao Deus dos gatos, estou bem. Já sarei, mas papai ainda cisma de que devo enfaixar o abdômen.
Shuichi riu, porém ainda um pouco triste de saber sobre o que seu amado tivera que passar, e ele não estiveram lá para protegê-lo, quando isso era o seu dever. Suas mãos repousaram suavemente sobre o estômago avatajado de Shuichi, ainda pequeno, porém já dava para ver que seu bebê estava se formando normalmente.
— Deveria ter me avisado. Porque não me disseram nada enquanto estava na Vila dos lobos? — Era um fato, ele deveria ter sabido de algo assim, ele teria viajado no mesmo momento de volta para a Vila dos gatos.
— Uh... Não queria atrapalhar sua viagem, e eu estava bem. Fiquei de cama alguns dias por causa do bebê, mas a lesão foi leve. Só me sinto um pouco dolorido às vezes. — Shuichi explicou.
Yunsuke ficou em silêncio, engolindo mais uma vez a vontade de discutir. Só que mais forte do que isso foi o amor que estava tão grande em seu peito, brotando em ondas. Além do corpo de Shuichi ter mudado tanto neste pouco tempo em que ele esteve fora, seu amado parecia tão diferente em questão piscicológica. Ainda inseguro e... Tão sensível. Yunsuke adorou isso, embora ele não diria nada agora.
— O que foi? — Shuichi enxugou seus olhos, seu nariz ainda um pouco vermelho desde que ele tinha chorado tanto.
— Apenas estou aproveitando o tempo para te olhar. É tão bonito... — Yunsuke falou apaixonado.
— Nós somos gêmeos, seu metido. — Shuichi riu, ao que ajeitou seu kimono em seus braços, pronto para fechá-lo, porém Yunsuke impediu suas mãos de prosseguir.
Os dedos de Yunsuke gentilmente deslizaram para dentro da yukata que Shuichi vestia, tocando um de seus mamilos e o fazendo se arrepiar. Aproximando-se, seus lábios foram para o pescoço do gêmeo menor, sua respiração como uma carícia enquanto seus lábios degustavam da pele acetinada de seu noivo.
— Yun... Eu senti tanto a sua falta.
Yunsuke terminou com os beijos para olhar nos olhos de Shuichi, se perguntando como alguém poderia ser tão adorável. Era toda essa coisa de amor.
— Eu também senti... Eu te amo. — E dito isso ele viu um sorriso se formar nos lábios de Shuichi, e o mesmo corar suas bochechas. Sua mão ainda estava no peito dele, gentilmente tocando por dentro de suas vestes.
A forma como Shuichi olhava para ele, como sorria, era toda uma saudade reprimida que agora de esvaía. Era um alívio que finalmente eles estavam tendo. Yunsuke adorou aquele pequeno momento em que eles se declararam um ao outro e enquanto Shuichi alisava aonde eram possíveis às mãos de Yunsuke estavam em seu rosto.
Um beijo iniciou-se lentamente, que logo se tranformou em fome, necessidade, e eles rolaram na cama, fazendo amor por toda a noite, ou melhor, até onde Shuichi aguentou, ele acabou desmaiando de amor.
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Nanami acordou muito atordoado. Era muito sono para um único gatinho, mas aquela cama estava muito boa e macia.
Depois de seus olhos encontrarem o foco, ele percebeu que estava em sua forma de gato e dormindo sobre um lobo negro enorme debaixo dele. Seu nariz rapidamente reconheceu o rico cheiro de Kensuke.
Humm, Ken-chan cheira tão bem...
Nanami se remexeu onde estava sentindo os pelos fofos de Kensuke embrulharem como uma almofada fofinha. Não pode evitar que suas pequenas garras afiadas contraíssem e ele arranhou a tal "almofada de pelos", os olhos de Kensuke outrora fechados, se abriram arregalados e um rosnado retumbou de seu peito.
Caindo para o lado da cama, em menos de um segundo versão lobo Kensuke estava sobre ele com sua língua de fora como um grande cachorro louco para brincar. Nanami soltou um pequeno miado e ficou de barriga para cima esperando Kensuke acariciá-lo, e assim ele o fez.
O focinho de Kensuke foi direto para o pescoço de Nanami, seus dentes brincando de mordê-lo, Nanami era bem gordinho no pescoço, até formava dobrinhas, e Kensuke adorou como a forma animal de Nanami.
Descendo em mordidinhas e rosnados, Kensuke ficou maravilhado em como alto era o ronronar de Nanami, ele de verdade estava adorando. Brincalhão, ele afundou seu focinho entre as patas traseiras de Nanami, rosnando enquanto Nanami começou a soltar miados desesperados.
Kensuke teve que rir interiormente, segundos depois ele se tornou a versão meia lua, seu corpo forte e nu com suas orelhas e cauda de lobo. Nanami voltou a sua forma meio humana, assim como Kensuke, mas com seu corpo brilhando vermelho.
— Você não pode Ken-chan!
— O que eu não posso? — Kensuke rolou divertido para o lado de Nanami e se apoiou em um braço.
— Em nossas formas animais... Isso, isso é praticamente impossível! Você ia me matar... — Nanami fez um bico enorme, se reparasse bem, também parecia impossível eles terem sexo em sua forma meio humana, visto como Nanami era pequeno comparado com o grande Kensuke.
— Do que está falando? Só estava brincando. — Kensuke poderou sobre tentar daquela forma, mas ele rapidamente descartou, praticamente mataria Nanami com seu tamanho. — Mas não seria impossível o meu lobo e você em meia lua... Sabe? É bem possível se você ceder...
Kensuke arregalou os olhos quando percebeu que Nanami corou sete tons de vermelho e olhou para qualquer lugar no quarto menos para ele. Ah, fala sério!
— Não pode ser, você já pensou nisso Nanami? — Kensuke considerando sorrindo. Ele segurou o gatinho pelos ombros e sacudiu-o até que Nanami saiu de seu topor.
— Não! Definitivamente não! — Nanami cruzou os braços e fez aquele biquinho novamente. As orelhas de Kensuke caíram, ele quase se sentiu feliz. Ele sabia que estava exagerando, mas o que custava tentar de vez em quando?
Uma hora depois Nanami estava lutando para amarrar o obi de seu kimono atrás de sua cintura, ele fez, e ficou uma droga. Kensuke havia terminado de se arrumar, ainda com seus longos cabelos negros soltos em cascatas por seus ombros e costas.
— Ah, venha aqui gatinho. — Ele segurou Nanami no lugar e desfez o nó mal feito de Nanami, e transformou-o em um lindo laço borboleta. Nanami sorriu com todos os dentes sentindo-se bonito com aquelas vestes. Não era um dos kimonos que Chizuru costumava comprar para ele, este era um dos kimonos que Sayuri lhe deu de presente. Um dos empregados do castelo trouxe há pouco anunciando que era um presente do pequeno príncipe de Masao.
— Está lindo, Nana. — Kensuke cruzou os braços e olhou de cima a baixo em Nanami. Ele estava com água na boca de novo, como se pudesse devorar Nanami a todo o momento. Opa, ele não era um lobo mau.
— Obrigado Ken-chan. — Nanami sorriu com todos os dentes. Logo ele decaiu pensativo. — Você tem certeza que quer ir comigo lá? Não precisava se preocupar, posso chamar alguém para ir comigo... Pena que Sayuri está ocupado com as preparações do casamento, senão iria com ele.
— Eu vou. — Kensuke falou firme. — Não sei por qual motivo não quer que eu vá, mas por isso mesmo, agora que eu vou! — Franzindo as sobrancelhas. Nanami fez um bico para ele e saiu do quarto nervoso. Kensuke achou a coisa mais fofa quando seu esposinho ficava bravo com sua teimosia, porém ele nunca diria nada para não gerar mais intriga, ou ele diria?
— Sabia que você fica a coisa mais fofa quando está bravo comigo? — Kensuke sussurrou na orelha direita de Nanami, o mesmo se virou para ele indignado e corado até o pescoço.
— Seu... Seu!
— Seu lobo amado. — Kensuke acrescentou e fez Nanami pisar firme e ir para longe dele.
— Você não deveria vir... — Ele choramingou com as orelhas baixas, finamente se rendendo. — Vai odiar a minha casa.
Kensuke agarrou Nanami pela cintura, ambos já no fim do corredor. — Não diga isso, não sei se vou gostar, porém aquela não é mais sua casa bebê. Agora sua casa está em Akai, esqueceu? — E como Nanami sempre o surpreendia, ele o viu dar um sorriso tão meigo, que fez o coração de Kensuke se derreter ali mesmo.
Isso era o amor. Kensuke estava louco de amores por Nanami.
Eles caminharam juntos, embora Nanami parecesse como se quisesse se esconder debaixo da saia de seu kimono, porém Kensuke nem mesmo estava se importando com todos aqueles olhares dos cidadãos de Masao.
E pensando que seria apedrejado, já que seu povo de sua aldeia contava histórias desde pequeno para ele de que o povo de Masao era cruel e sem coração, as pessoas estavam loucas para vender para ele e chamá-lo para comer em suas tendas. Mas Kensuke recusou tudo, talvez na volta ele fizesse uma compra para Nanami.
Com sua audição aguçada ele ouvia as pessoas falarem sobre "o filho do traidor está de volta", mas em seus rostos não havia ódio, apenas em alguns, grande maioria estava mais curiosa.
Kensuke andou tal qual ele era, alguns guardas do castelo o seguiam para escolta pelo bairro, até que o casal chegou ao local onde Nanami parou e imediatamente lágrimas encheram seus olhos.
— Este lugar... — Kensuke olhou para o pequeno barracão que provavelmente não caberia ele dentro.
— Esta foi minha casa por toda minha infância. — Nanami declarou envergonhado, ele parecia como se não fosse digno de olhar para Kensuke. As lembranças imediatamente assolaram em sua mente, Nanami então correu para dentro da pequena casa feita de madeira, aos pedaços. Provavelmente não havia reparo algum que pudesse modificar aquele lugar, ela somente podia ser demolida.
Kensuke suspirou e resolveu "tentar" entrar atrás de Nanami. Ele sabia que era doloroso para seu gatinho, mas a vida dele era outra agora e ele precisava aceitar isso.
Continua...
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