Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
23 Capítulo 23 – O sequestro de Nanami
Notas iniciais
Capítulo 23 – O sequestro de Nanami

— Nanami-sama, gostaria de uns pimentões? Então tão verdinhos, tem amarelos, vermelhos, cor de rosa... — Uma senhora chamou a atenção de Nanami que andava com sua cestinha pela feira.
— Cor de rosa? Realmente existem pimentões cor de rosa? — Nanami perguntou curiosamente para a dona.
— Claro, claro. Olhe esses aqui! Tem uma vitamina muito boa, fortifica os músculos! — Ela apertou os músculos flácidos de seus braços gordos. Nanami fez um "Oh" com os lábios.
— Vou levar três deles. — Ele tinha que arriscar em preparar mais um ensopado. Ele ainda cozinha mal, mas aos poucos ele estava diminuindo o quão ruim era sua comida. Logo chegaria no nivel "mais ou menos". Ele estava ansioso por sua melhora.
Ele pagou pelos pimentões cor de rosa. Ainda pensava que aquilo estava errado, ele nunca tinha visto pimentões cor de rosa, mas aqueles definitivamente eram cor de rosa poxa!
Ele comprou ovos, folhas de couve, alguns pêssegos — que Kensuke amava tomar o suco deles — e limões. Caminhando tranquilamente pelo caminho feito na neve que estava meio escassa naquela época do ano. Ele se entretiu vendo a um lado, as crianças brincando perto da escolinha. Minky estava jogando a bola para outro garotinho loiro. Ele achou fofo, ele amava Minky!
Pensou nas crianças... Então se lembrou do Conselho Cegonha. Céus que vergonha. Ele teve suas bochechas coradas e sobrancelhas franzidas. Como sua linda avó havia lhe enganado por tanto tempo? Maldita ingenuidade!
Kensuke era mesmo um marido muito bonzinho para explicar cada detalhe para ele, ainda que lhe pareceu tão assustador. Nanami não estava pronto para ter crianças.
—Nope. — Cruzou os braços sobre o peito e balançou a cabeça. — Nada de bebês, ainda não. — Evitou pensar nessas coisas, parecia muito cedo, e realmente era. Ele tinha somente treze anos e logo estaria fazendo aniversário. Não via a hora de ter a mesma idade de Sayuri!
Apesar de ele estar apto a casar, o que já tinha feito, mas ainda não era tão adulto como Sayuri. Ele queria se sentir lindo como Sayuri era, seu amigo era radiante, fofo e uma coisa sexy que fazia os outros ao redor dele bobos com sua beleza. Nanami pensou que se ele fizesse quatorze anos ele seria tão radiante como seu amigo. Eles iriam brilhar juntos.
— Brilha... Brilha... — Nanami começou a cantar e saltitar, não tinha ninguém vendo mesmo. — Quero brilhar... Brilha... — Mas seus sentidos realmente captaram algo estranho atrás dos arbustos.
Namami travou. Cada músculo do seu corpo travou e ficou tenso. Suas orelhas de neko foram para o alto e sua cauda expichou. Lentamente virou sua cabeça, o medo arrepiando sua espinha. Segundos depois Nanami foi puxado para trás dos arbustos e sua boca coberta com as mãos de alguém.
Ele reagiu instantaneamente e mordeu a mão que lhe cobriu se debatendo e gritando, mas foi preso contra a árvore, para só então ver de quem se tratava o seu sequestrador.
— Vo-Você... Herdeiro?
Nanami estava completamente perplexo por ver o irmão mais velho de Sayuri ali, justo a sua frente. De repente ele sentiu frio... Frio por ver outros de sua terra ali, isso o fez lembrar-se de seu tempo em Masao. O que eram para ser lembranças boas de sua terra, realmente nunca foi.
— Onde ele está?! — Yunsuke gritou segurando fortemente nos braços de Nanami e o sacodindo como uma boneca de pano. — Diga-me onde está meu irmão!
— Yunsuke. — Eiji — o general de Masao — estava logo atrás dele. — Você certamente é o cidadão que foi enviado para o laço entre as duas nações dos lobos e gatos. Sou Eiji, general dos guerreiros em Masao.
Nanami estava tremendo.
— Diga logo! — Yunsuke sacudiu Nanami mais um pouco, o mesmo estava pálido. — Fale!
— E-Eu... Não há nenhuma Sayuri por aqui! — Nanami respondeu.
— Como assim não há? Não minta, eu sinto o cheiro dele por aqui! Traga-o até nós, é uma ordem! — Yunsuke latiu frente ao rosto de Nanami. Ele realmente parecia com ódio, Nanami sentiu seus olhos arderem pela pressão. Ele estava tão feliz há segundos atrás, até cantando e de repente estava encurralado por homens maus!
— Socorr...! Ugh! — Nanami foi para gritar, mas Yunsuke novamente colocou as mãos sobre a boca do pequeno neko, impedindo-o. E sim, tomou outra mordida.
Nanami escapou dos braços dele e foi encurralado quando Eiji lhe abraçou pelas costas. Ele ia gritar, mas fora interrompido novamente.
— Por favor, não grite! — Eiji falou com jeito. Ele somente segurou Nanami, mas não usou violência, já Yunsuke era mais esquentadinho. Mas não o julgava, afinal estava muito preocupado com seu irmão, agora que tinha certeza de que o mesmo estava por aqui. — Por favor, precisamos ao menos falar com Sayuri... Pode nos trazer ele? Não queremos entrar na Aldeia dos lobos, isso pode ser perigoso.
Nanami olhou com grandes olhos para Eiji quando se virou.
— Mas não é perigoso. Os lobos são pessoas muito gentis. Tratam-me muito bem e a Sayuri também. — Foi sincero.
Eiji torceu uma sobrancelha, assim como Yunsuke fez a maior careta.
— Só pode estar brincando! Lobos são bestas! Me admiro que não esteja morto ainda, devem estar te engordando para comê-lo em um ensopado depois!
Os olhos de Nanami quase saltaram. Ele olhou para seu corpo. Realmente estava gordo assim? Bem, ele tinha ganhado alguns quilinhos depois que Kensuke passou a alimentá-lo com o melhor.
— Isso não é verdade! — Nanami grunhiu para Yunsuke, o que era tamanha falta de educação com o futuro Imperador de Masao. Eiji deu-lhe um beliscão.
— Onde estão os seus modos, gatinho?
Nanami olhou para ele vencido e envergonhado. — Somente não permito que falem mal dos lobos.
–oo0oo-
O clima na tenda do conselho era tenso. Encontravam-se presentes o Alfa Kensuke, o Beta Ryo, Ancião e os três conselheiros. O tema era delicado e precisava ser avaliado com calma. A população de lobos queria o responsável pelo envenenamento do Alfa.
As informações se espalhavam rapidamente. Todos sabiam do envenenamento de Kensuke, que fora através de comida, da qual quem fez fora Sayuri, e igualmente que fora graças a Nanami que o Alfa curara.
Obviamente, o gatinho ganhou fama e todos que antes olhavam para ele desconfiado, agora confiavam e desejava o bem. Contudo, não se poderia dizer a mesma coisa de Sayuri, pois todos o queriam expulso.
— Nós temos que ser firmes. Os membros desejam esse gato expulso. Já aceitamos Nanami-sama, por que é o príncipe e consorte do alfa, mas o outro... — Um dos conselheiros ditou.
Kensuke olhava para todos e sentia o clima ficar tenso. Como Alfa, precisava usar de sabedoria. Ele em seu coração sabia que Sayuri jamais teria tentado envenená-lo, não quando isso afetaria a Nanami.
— Ele não fez isso! — Ryo grunhiu. O beta estava com todas as garras afiadas para proteger Sayuri.
Todos encontravam-se sentados em circulo, sendo que Kensuke ocupava o assento mais alto.
— Quem mais poderia ser? Ele fez a comida.
— Mas se fosse a comida, todos estariam envenenados. Todos comemos a mesma comida. E outra, foi o Alfa que preparou o prato, não teria como colocar o veneno somente no prato dele. — Ryo ditou como advogado capaz. Ele daria tudo por si para proteger Sayuri, não iria permitir que ninguém culpasse o gatinho.
— Isso é verdade. Possivelmente podem ter colocado veneno em outra coisa. — Kensuke ponderou. — Não acho que Sayuri seja o culpado, mas isso não elimina que temos de investigar. Ryo, colocarei você na responsabilidade de averiguar a situação e encontrar o culpado! Mas analisará tanto Sayuri e Yamato, são os dois estranhos na vila.
Todos concordaram com manear das cabeças.
O ancião grunhiu, ganhando atenção de todos.
— Sim, meu pai! — Kensuke disse respeitosamente.
— Mesmo que o gato Sayuri não seja culpado, precisamos decidir seu futuro. Ele fugiu de sua vila para vir ficar com Nanami-sama... Eu acredito que será motivo de guerra dos gatos. Ele tem que retornar aos seus. — Ele falou com imensa sabedoria que cabia somente a ele.
Ryo fechou as duas mãos em punhos. Ele entendia o que seu alfa e ancião falavam, e até concordava em certo ponto com eles, mas o fato era que não queria se afastar de Sayuri. A menor ideia que nunca mais veria o ruivinho rasgava seu coração em pedaços.
— É que...
— Existe algum meio de reverter isso? — Kensuke indagou antes dele. — Nanami é muito ligado a Sayuri, e sei que ficaria arrazado sem o amigo! — Ele realmente pensava nesse ponto, seu marido se sentia sozinho às vezes, mesmo que começasse a ser aceito pelos lobos, era bom ter um amigo de confiança. Claro, se importava o quanto isso magoaria seu amigo, se o Were gato fosse embora.
O ancião olhou para todos em suspense, e suspirou fundo. — Tem uma forma. As leis são claras, um ser de outra raça poderá permanecer e viver em nossa matilha, somente se tiver forte ligação com um dos nossos. Ou seja, através do matrimônio.
— Quer dizer... Sayuri tem de ser casado com um lobo? — Ryo perguntou. Seu coração bateu fortemente em expectativa. Ele não sabia se Sayuri iria querer se casar com ele, mas era uma chance, e ele amaria usar dela.
— Sim! — Disse o ancião.
Kensuke se virou encarando o amigo, e um pequeno sorriso surgiu em sua face, como se lê-se seus pensamentos.
— Eu... Casarei-me com ele, claro, se ele aceitar. — Ryo disse altivo, mas antes que qualquer outro lobo presente no conselho pudesse alegar algo, um lobo jovem entrou.
Ele deveria ter em torno de seus 12 anos, as roupas sujas possivelmente por que estava brincando, no que arfava profundamente.
— Como ousa entrar assim? — Um dos conselheiros ditou furioso. A reunião sempre era sagrada, e todos sabiam que não poderiam entrar de qualquer forma.
O jovem lobo ajoelhou-se envergonhado, e disse respeitosamente ao Alfa: — Me desculpa... É que... Eu trago um recado urgente.
Todos ficaram em alerta, mas somente Kensuke tomou a palavra: — Fale!
O jovem estendeu para o líder um pequeno pedaço de papel dobrado, e não disse mais nada. Confuso, Kensuke pegou e abriu, começando a ler.
Alfa Lobo!
Tem em posse algo que nos pertence e isso nos deu direito de pegar algo seu. Se não deseja que o seu esposo saia ferido, traga na planície do norte até o pôr do sol, o gato Sayuri. Não queremos guerra, apenas realizar a troca.
General Eiji!
Kensuke fechou as mãos em punhos e a raiva brilhou em seus olhos. Seu lobo remexeu dentro de si, pronto para sair e caçar aqueles que ousaram colocar as mãos asquerosas em seu esposo.
Seus olhos negros tornaram-se âmbar e os caninos surgiram.
— O que aconteceu Alfa? — Ryo perguntou cauteloso. Ele conhecia Kensuke o suficiente para saber que tinha de ser cuidadoso com ele, pois ele era perigoso as vezes.
— Os malditos gatos. Eles sequestraram Nanami, e querem usá-lo como moeda de troca. — Disse com voz grossa. A raiva e ódio transbordavam facilmente dele.
O seu pai olhou-o preocupado. — O que querem? — Ele já sabia da resposta, mas preferiu conferir.
— Sayuri! Vá buscá-lo, Ryo! — Kensuke ordenou.
O beta negou com a cabeça e recuou alguns passos. — Não... Ken...
— Agora! — Kensuke grunhiu. Naquele momento não era sabio contestá-lo.
Ryo abriu a boca para reclamar, mas antes que qualquer som proferisse, a porta da tenda foi aberta revelando um aflito Sayuri.
— É verdade o que dizem na vila? O General Eiji raptou Nana-chan? — Seus grandes olhos encontravam-se úmidos por lágrimas que ameaçavam cair.
Ryo diminuiu a distância e gentilmente colheu as lágrimas dos cantos dos olhos do gato. — Não chore! Ele ficará bem!
— O que eles querem? — Sayuri perguntou firme. Não queria se deixar levar pelo carinho do Beta Lobo, pois sabia que seria mais difícil tomar a decisão para salvar seu precioso amigo.
A expressão de Kensuke não suavizou em momento algum. — Eles querem fazer a troca. Você por Nanami!
— Ok! — Sayuri sussurrou. Não queria deixar a Vila dos Lobos. Queria ficar perto de Nanami, e ali tinha Ryo e os outros que tinham crescido dentro de seu coração.
— Nada de ‘ok’... — Ryo disse. Havia mágoa em sua voz. A ideia que Sayuri iria sem lutar ou retrucar o feriu, pois queria que o ruivinho desejasse ficar com ele, como igualmente queria.
Sayuri olhou para os pequenos pés. — É... É minha culpa! Eu sei, o General não é mau e jamais machucaria Nanami, mas... Ele igualmente obedece às ordens de meu pai... E esse não vai mudar de ideia em me ter de volta. — Sua vóz era embargada por um choro contido.
— Por que o Imperador mandaria o General sequestrar seu filho por um cidadão gato qualquer? — Um dos conselheiros indagou curioso, e os demais pareciam acompanhar.
— Isso não vem ao caso! Ryo mobilize a guarda para reforçar a segurança ao redor da Vila, não quero ser pego de surpresa. — Kensuke ordenou. — Você irá comigo e protegerá Sayuri. Chame Yamato, ele mostrou ser um bom guerreiro... Será útil. — Em suas palavras não havia espaço para ser contrariado.
Ryo acenou e rapidamente saiu da tenda a fim de cumprir as ordens do amigo e alfa. Kensuke despediu-se de seu pai e os outros conselheiros no que guiou Sayuri para fora da tenda. Os dois seguiram calados até o limite da vila e esperaram por Ryo. Não demorou em que o beta surgisse com o forasteiro ao seu lado.
— Escute Yamato, até então permiti que ficasse em nossa vila em forma de agradecimento por salvar meu esposo e a Minky. Tem sido pacífico e espero que continue assim. Peço sua ajuda nesse momento, mas se fizer algo que coloque em risco a vida de qualquer um aqui, eu o matarei. — Kensuke disse com uma aura negra, deixando claro que não brincava.
O assassino olhou perigosamente. Ele sabia que estava em um ímpasse. Sua missão era matar o príncipe, e então em toda a sua vida de assassino, ele sempre cumpriu seu trabalho, não importava quem fosse o alvo.
Remorso não era algo que fazia parte de sua vida distorcida. Em seu coração, Yamato sabia que algo mudava, e ele sabia que os responsáveis eram o curandeiro e seu filho. Ele fechou as mãos em punhos. Não podia amolecer. Essa era a oportunidade perfeita para realizar seu objetivo.
— Não me subestime! — Disse em voz séria.
— Vamos logo! Nana-chan deve estar com medo. — Sayuri disse pulado em seus pés. Ele estava realmente ansioso.
O silêncio caiu sobre todos, e eles seguiram em sentido ao ponto de encontro.
–oo0oo-
O gato loiro se achava sentado sobre as pernas na grama. Suas mãos estavam amarradas nas costas com uma corda – que por sinal doía – enquanto suas pernas estavam começando a ficarem dormentes. Lembrando-se das verduras e frutas que tinha comprado, e lamentou, pois todas haviam ficado jogadas no chão quando foi raptado. Estava tão empolgado em fazer o jantar.
Ele olhou para os outros dois gatos. O Príncipe Yunsuke se encontrava muito irritado, Nanami sabia que se não fosse pelo general, ele teria torturado-o para extravasar sua raiva. Sabia que o príncipe não era mau, e sim, que estava muito preocupado com o irmão.
O General era sério, mas tinha sido até gentil. Esse tinha dito que não queria machucá-lo, apenas tinha o dever de resgatar Sayuri. Nanami tentou dizer que o amigo estava ali por vontade própria, mas isso não parecia plausível para eles. Para os gatos, os lobos eram vilões e maus.
Nanami remexeu e tentou aliviar o peso em suas pernas. Tudo que poderia fazer era rezar para que Kensuke viesse salvá-lo, mas não que não houvesse luta e que seu amigo não tivesse que ir embora, mesmo que achava impossível nesses desejos todos.
— Vocês, me soltem! — Nanami choramingou chamando a atenção do general. O mesmo fitou-o, ainda de braços cruzados. Ele tinha um olhar bondoso, apesar de ter lhe sequestrado. — Ken-chan ficará muito preocupado comigo... — Resmungou com um bico.
— Olha lá, eles já apareceram! — Yunsuke chamou a atenção, espreitando por trás da árvore.
–oo0oo-
Kensuke tinha acabado de chegar ao meio da planície do norte, como foi o combinado. Ele esperava que aquilo não fosse uma armadilha para começar uma guerra, ou muito menos que os gatos usassem armas contra eles. Ele sabia que os gatos eram muito habilidosos com espadas e principalmente com arco e flecha.
Ele podia sentir o cheiro dos gatos estranhos no ar. Opa! Eram apenas dois deles? Ele havia recebido um bilhete do general, então era somente ele e mais alguém. Bem, isso poderia ser uma vantagem. Seu olfato não estava anunciando mais ninguém, mas ele sabia quen existiam formas de esconder o cheiro.
Assistiu quando um jovem vestindo roupas apropriadas para uma batalha apareceu. Logo atrás veio aquele que ele julgou ser o general por ser mais velho. Nanami estava nos braços dele, com os pulsos amarrados para trás das costas e um olhar assustado no rosto.
— Kensuke! — O gatinho gritou, realmente preocupado por ver Kensuke ali, mas também aliviado de que ele viera lhe salvar, assim como pensou que faria.
Kensuke sentiu suas presas emergirem, seus olhos se arregalaram e sobrancelhas curvaram de ódio por ver Nanami nos braços daquele ser que era um verdadeiro inimigo.
— Sayuri! — O homem mais jovem gritou por Sayuri, ele parecia realmente emocionado por vê-lo, mas logo seus olhos se encheram de ódio quando ele notou Ryo tomar a frente de Sayuri para protegê-lo.
— Calma Ryo-chan! É meu irmão Yunsuke! — Sayuri bateu nos braços de Ryo o alertando. — Yunsuke, o que está fazendo aqui? — Sayuri estava com a garganta presa com o choro. Ele estava com tantas saudades de sua família... Ele pensou que nunca mais veria seu irmão mais velho.
— Oras, ainda pergunta? Eu vim para resgatá-lo! Entregue-o a mim! — Yunsuke gritou para Ryo colocando sua mão na bainha de sua espada.
Ryo se colocou em posição de defesa e igualmente segurou em sua espada, pronto para retirá-la e iniciar uma luta. Mas Sayuri praticamente o empurrou e correu ficando entre os dois.
— Volte Sayuri, deve ficar atrás de mim! Não deixarei que te leve! — Ryo falou quase sentindo seu coração sair pela boca. Ele não queria que Sayuri fosse... Era um pensamento egoísta, mas justo quando pensou em ter encontrado o amor para sua vida, ele tinha que voltar. Oh não, ele não podia permitir que fosse.
— Eu não vou deixar que lutem! Yunsuke é meu irmão, ele somente quer o meu bem... Veja, eu fugi... É óbvio que esteja preocupado. Não é? — Sayuri olhou para Yunsuke que deixou sua posição de luta e olhou para ele com lágrimas nos olhos. Merda, ele era o herdeiro, não deveria chorar na frente de ninguém.
— Você é meu irmãozinho... Eu pensei... Céus, eu pensei tanta besteira enquanto estava fora! Shuichi precisa tanto de você... Nós precisamos de você, Sayuri! — Yunsuke se aproximou e tocou os seus ombros. Abraçando fortemente Sayuri e sentindo-o lhe corresponder. Mas o que ambos não esperavam era um rosnado realmente assustador atrapalhar o momento.
Kensuke havia se tranformado na maior fera que os olhos de Yunsuke já viram. Bem, digamos que era o maior maldito lobo que ele já havia visto. Ele não tinha visto nenhum na verdade, mas esse era o Alfa, o pior deles!
Seu tamanho gato seria humilhado perto deste animal tão grande.
Os dentes de Kensuke estavam de fora, enquanto seu peito chiava um rosnado perigoso. Os olhos do general não deixaram os olhos do ser diante dele prestes a atacar. Ele sabia que o mesmo não faria, não com Nanami em seus braços. Mas suas pernas estavam tremendo. Ele poderia ser um forte general, mas ainda sim era apenas um gato doméstico.
Ele não podia decepcionar seu Imperador. Ele prometeu que levaria Sayuri...
— Sou Ge-General Eiji... — Não acreditava que tinha gaguejado. — Se Sayuri for conosco, devolverei o gato branco sem problemas. Não queremos guerra, somente um acordo justo, Sayuri é nosso, o príncipe de nosso reino, é claro que o queremos em nossa segurança.
Kensuke bufou e olhou para Ryo e Sayuri com seus olhos dourados, mas sem deixar sua atenção voltada para o general.
Sayuri olhou para ele e abaixou a cabeça, olhando para a terra debaixo de suas sandálias.
— Desculpe Yu-chan... Mas eu não quero voltar para Masao. Agora este é o meu lar. — Ele olhou para seu irmão que estava com olhos arregalados e completamente chocado.
— Não pode... Não pode estar falando sério? — Sayuri queria ficar com os lobos? — Mas eles... Eles não feriram você? Por acaso estão te forçando a dizer isso?
Sayuri sorriu para ele de forma sincera da forma que só ele fazia, o que aqueceu o coração de Yunsuke, trazendo algum alívio para seu peito.
— Não Yu-chan... Eles são completamente diferentes do que nós gatos aprendemos em Masao. Bem... Na verdade os lobos do Vilarejo de Akai são uma verdadeira família. Desde que cheguei aqui cuidaram de mim e me trataram muito bem. — Contou, então olhou para Ryo e sorriu vendo o alivio óbvio em seu rosto. Claro que ele não queria ir embora. Ele estava apaixonado pelo homem, não podia deixar um amor tão especial como esse para trás. — E outra coisa... Eu estou apaixonado, Yu-chan. — Sayuri foi para o lado de Ryo, e timidamente pegou em sua mão. O que não apenas surpreendeu Ryo, como seu irmão e o próprio general que deixou Nanami ir.
Kensuke rapidamente se transformou e pegou Nanami em seus braços abraçando-o apertado.
Os dois gatos pareceram tão desconcertados, mas realmente muito chocados em saber que o mais jovem príncipe de Masao estava apaixonado por um lobo. Céus, Yunsuke revirou os olhos das orbitas e caiu desmaiado sobre a grama. O general correu para socorrê-lo assim como Sayuri.
Ryo estava com as bochechas coradas. Ele gostou disso.
— Acho que foi emoção demais para ele. — O general ditou colocando a cabeça do príncipe herdeiro em seu colo e verificou seus pontos vitais. Ele voltou a olhar para Sayuri e depois os dois lobos. — Eu sinto muito Sayuri, mas tem de retornar. Seu pai está preocupado ao ponto de enlouquecer... E ainda tem a nova situação...
— Que situação? Algo aconteceu? — O ruivinho perguntou preocupado. Ele ajoelhou ao lado do irmão e tocou seu rosto gentilmente.
— Bem... Aparentemente o príncipe Yunsuke e Shuichi serão pais... E imagine como o Imperador está. — Disse meio sem jeito.
— Pais? Eles já se casaram? — Sayuri realmente não entendeu.
— Não... Quero dizer... Shuichi esta grávido de Yunsuke. — Disse sem jeito.
Os olhos de Sayuri se arregalaram em surpresa, mas logo um sorriso surgiu. — Sempre imaginei que tinha algo entre esses dois! — Disse alegre, realmente.
— Say-chan não pode ir! — Nanami interrompeu. — Ele ama Ryo-chan... E fora que... É meu melhor amigo... Como ficarei sem ele? — Disse com a voz embargada pelo choro. Realmente, não queria ser separado do amigo.
Nanami encolheu nos braços de Kensuke, e somente naquele momento se deu conta de que o marido estava nu. Suas bochechas coraram e rapidamente saiu dos braços do Alfa e se colocou na frente dele, escondendo sua nudez.
— Não tem nada haver com isso menino! — O General disse firme.
— Não ouse falar assim com meu esposo! — Kensuke grunhiu. Não iria tolerar nunca mais que alguém destratasse Nanami.
Eiji levantou sacando sua espada. Ele estava atento, com medo que o Lobo os atacasse.
Nanami ficou aflito e olhou do general gato ao marido.
Kensuke riu. — Se desejasse que tivessem mortos, já estariam há muito tempo. Acha mesmo que vim sem cuidado? Tenho um atirador escondido entre as árvores... Possivelmente agora tem uma flecha apontada para você e o príncipe fraco... Então se fosse você, abaixava a espada.
Eiji olhou ao redor preocupado. Aquele lobo tinha razão. — Olha...
— O que... — Yunsuke disse desconcertado quando recuperou a consciência. Sayuri o ajudou a se sentar.
— Estamos em ímpasse. Precisamos levar o príncipe Sayuri de volta... Realmente não queremos guerra. — Eiji disse.
— É simples... O acordo de paz era que o príncipe de Masao se casaria com o Alfa dos Lobos, e vocês nos enganaram enviando outro cidadão. — Sayuri disse firme. Ele mostrou o quanto era inteligente.
Nanami mordeu os lábios. Ele não queria ouvir. E se Sayuri dissesse que se casaria com Kensuke para ficar na vila? Mas Ken-chan era seu... E Sayuri amava Ryo... As coisas estavam ficando muito complicadas.
— Mas o Alfa está casado com Nanami... — Ryo disse com pesar. Não permitiria perder Sayuri, se possível o sequestraria e o levaria para longe.
— Eu sei... Por isso, como recompensar pelo engano... O Alfa dos Lobos pode pedir alguma coisa. Incluindo rendição dos gatos, morte do Imperador... — Disse com pesar... — Ou... Que eu fique na Vila dos Lobos! — Disse chegando ao ponto que queria.
— Sayuri... — Yunsuke disse. Seu irmão era esperto, mas essa não era hora para ser.
— Nunca chegaremos a um acordo aqui. Com minha boa vontade para resolver isso, convido os dois à minha Vila. Verão que Sayuri é bem tratado e feliz aqui. — Kensuke disse. Ele fazia isso somente por Ryo e Nanami, pois ambos queriam que Sayuri ficasse. — Mas... Se ousarem trair a minha boa fé, os matarei sem piedade.
Tanto Eiji e Yunsuke concordaram, e Ryo queria abraçar ao amigo e alfa por ajudá-lo.
Continua...
Fale com o autor