Akai Ito
7 Saudades.
Notas iniciais
Bem, nesse capítulo há um quase-momento NearxLeila *SPOILER!*
Boa leitura!
__ PDV MATT __
É noite. Entro no apartamento pequeno e simples, deixando Mello, ainda inconsciente, deitado na cama do único quarto, exatamente ao mesmo tempo em que meu celular começa a tocar. Ele é impossível de rastrear, então tudo bem eu atender.
- Olá? – Digo, com um pouco de medo.
- Matt? Matt, graças a Deus você está vivo. O que foi que aconteceu? Está tudo bem?
- Íris... Deus, como é bom ouvir sua voz! Está tudo... Quase bem. Mello explodiu o prédio. Sabe como ele é teimoso, não ia se render. Ele ainda tem muito o que fazer antes de se deixar morrer... Acho. De qualquer forma, eu já estava fora do prédio quando ele explodiu a bomba. Fui o único que saiu inteiro... Não sei o que aconteceu com os policiais, mas todos os integrantes da máfia morreram.
- Matt... Eu... Estou tão aliviada que esteja bem! Não sei o que faria se tivesse acontecido alguma coisa... Eu te amo tanto!
- Eu também te amo. Mas não aconteceu nada... Ao menos não comigo.
- Como assim? O Mello... Ele...?
- Ele está vivo, sim... Ao menos por enquanto. Ele se explodiu, Íris... Metade do Mello simplesmente queimou. Ele está com umas queimaduras horríveis por todo o lado esquerdo do corpo, até onde eu posso ver. Achei ele semi-consciente, preso debaixo de um monte de concreto. Aí eu consegui tirar ele de lá e... Quando ele tentou andar... Ele gritou de dor e caiu no chão e depois... Ele morreu, Íris. Demorou bastante até que eu conseguisse fazer seu coração voltar a bater.
- Como é? O MELLO MORREU?! – Assusta-se. Do outro lado da linha, escuto algo cair e quebrar.
- Temporariamente, mas pode-se dizer que sim. Agora ele está respirando e o coração está batendo, mas ainda não acordou. – Digo, olhando para a cama onde meu amigo está dormindo tranquilamente, ainda sem ter recebido os cuidados necessários. – Olha, Emily, você não faz ideia do quanto eu estou com saudades e do quanto eu preciso te contar e do quanto eu queria ficar aqui conversando com você a noite inteira, mas eu realmente não posso. Mello precisa de ajuda agora. Eu vou ter que desligar. Eu te amo. Eu vou atrás de você, Íris, tenha certeza disso. Logo estaremos juntos de novo, ok? Ah, e não conte à Kim sobre o que te disse sobre o Mello. Se precisar, diga a ela que não conseguiu falar comigo.
- Matt, eu... Eu te amo. Eu sinto a sua falta todos os dias. Então, por favor, cumpra logo a sua promessa. Eu farei o que puder para te encontrar também, mas, por favor, não me diga aonde está agora. – Diz a morena que há tanto tempo não vejo. Como sinto a falta dela! – E eu não direi nada à Kim.
- Bem... Íris... A gente se vê logo. Prometo. Eu te amo.
- Eu te amo. – Diz. Desligamos o telefone ao mesmo tempo. Olho para Mello por mais um segundo. Bem... Acho que preciso cuidar dessas queimaduras. Preciso de uma farmácia agora. Pego um papel e deixo um recado para Mello, avisando-o aonde fui, caso acorde.
Entro na farmácia e corro para o balcão, sendo atendido por um homem jovem. Deve ter mais ou menos a minha idade, mas é mais alto.
- Como posso ajudar?
- O que tem aqui para queimaduras? – Peço, pensando em Mello, perguntando-me se ele ao menos está vivo. Se acordou. Se vai ficar bem.
- Que tipo de queimadura? Sol? Água quente?
- Fogo. – Digo, surpreendendo-o.
- O que aconteceu? Não é melhor levar quem quer que seja ao hospital?
- Não. Olha, eu preciso de alguma coisa para ajudá-lo, será que você poderia resolver isso logo? Eu preciso voltar para casa para ver se está tudo bem. – Digo, ficando um pouco irritado e cada vez mais desesperado.
- Bem, não é da minha conta. Olha, eu tenho isso aqui. – Ele me mostra uma caixa. – Que é de venda livre, então não precisa de receita nem nada.
Pago o remédio, agradeço, e saio correndo de volta para casa, sem prestar atenção no que acontece em volta, mesmo quando, em minha corrida desesperada, quase atropelo uma velhinha que passava.
Entro em casa e vou direto para o quarto, onde Mello ainda está deitado na cama, inconsciente. Sento-me a seu lado e retiro cuidadosamente a blusa, expondo toda a enorme queimadura. No rosto de meu amigo se encontra uma expressão de pura dor. Abro a caixa, retirando de dentro dela um tubo relativamente grande de uma pomada de coloração branca, a qual eu espalho por toda a ferida de meu amigo. A expressão de Mello, aos poucos, vai relaxando.
- K... Kim... – Murmura ele, segurando os lençóis com força, como que tentando conter a dor, mas, ao mesmo tempo, com suavidade, como se segurasse a mão da antiga namorada.
__ PDV NEAR __
Kim... Realmente ficou muito abalada com o que aconteceu com Mello e Matt... Sempre temi que algo acontecesse com o louro por causa do que poderia acontecer com Kim e, agora, aparentemente, meus piores pesadelos estão se concretizando.
Entro no quarto de minha irmã adormecida e, sem fazer barulho, vou até sua cama. Sento-me a seu lado e acaricio seus cabelos, brancos como os meus.
- Me perdoe, onee-chan. – Sussurro. – Eu nunca quis nada disso. — Deito-me na cama ao lado de minha irmã e a abraço, ainda acariciando seus cabelos. – Eu nunca quis que se machucasse, minha irmã. Só queria a sua segurança e, agora, tudo o que consegui foi que se ferisse. Me desculpe. – Falo. Uma pequena parte de mim deseja ardentemente que ela esteja acordada e ouça. A maior parte, no entanto, a parte covarde, deseja que ela jamais saiba da mentira que Mello e eu contamos. E se ela descobrir a verdade e ficar furiosa? E se ela não me perdoar? Não sei o que faria, mas me perdoar não estaria entre as opções.
Katherine se remexe durante o sono, abraçando um travesseiro e apertando-o com força.
- Mello... – Murmura de uma forma quase ininteligível, suspirando apaixonadamente em seguida. Fecho meus olhos. Eu tive esperanças de estar errado. Tive esperanças de que ela tivesse mesmo esquecido Mello. Mas não há nada que possa comprovar o contrário melhor do que Kim dormindo, quando ela algumas verdades que estão bem ocultas quando ela está consciente.
- Ah, Kim... Queria que tivesse se esquecido. – Sussurro para minha irmã, abraçando-a mais forte. Mello, por que você não sai da cabeça dela? Ou, então, ao menos volte de uma vez e pare de torturá-la desta forma. Agora sei que foi um erro de minha parte...
Fecho os olhos, pequenas gotas quentes se formando e deixando a parte interna das pálpebras úmidas. Levanto-me e saio do quarto.
— PDV LEILA —
Estendida na cama, eu penso em Near. O que Kim disse faz sentido. Near não tem emoções muito fortes e muito menos compreensíveis. Às vezes, nem ele mesmo consegue compreender os próprios sentimentos… Além do que, eu tenho 13 anos, ele tem 17. Por que é que alguém de 17 anos gostaria de alguém de 13? Além disso... Ah, por que é que eu estou pensando em Near agora? Eu preciso pensar em Mello e Matt, que estão por aí em algum lugar, feridos, muito provavelmente. Eu deveria estar preocupada com eles, não com o albino. Não com meus sentimentos estúpidos que eu não consigo explicar.
Saio da cama. Minha cabeça está cheia demais para que eu consiga dormir. Talvez seja melhor eu dar uma volta... Retiro-me de meu quarto e fecho a porta, indo passear um pouco pelos corredores.
Mas é claro que a sorte não estaria do meu lado... Por que estaria? É claro que Near teria a ideia de vir para o corredor no mesmo momento em que eu. A última pessoa no mundo com a qual eu quero falar agora é ele. Mas é óbvio que ele me chamaria, não é? Ele sempre foi meu amigo! Não há nenhuma razão para ele não chamar minha atenção quando por acaso nos cruzamos no corredor.
- Boa noite, Leila. Tudo bem?
- Boa noite. Tudo bem, sim... Estou apenas dando uma volta... Sem sono. – Respondo.
- Entendo... Essa coisa do Mello e do Matt está levando todos nós ao limite.
- Sim... Imagino como você deve estar, sendo o irmão da Kim... Ela... Ela deve estar muito triste.
- Está... Odeio ver minha irmã assim. Ela não merece, sabe? Deu toda a vida dela cuidando de mim, ela merece ser feliz, não sofrer desse jeito. Se existe mesmo um deus, ele deveria saber disso. – A tristeza de Near é visível em seus olhos e audível em sua voz. Por um instante, sinto-me tentada a abraçá-lo. Mas não... Talvez não seja uma boa ideia.
- Near... Acho mesmo que vai ficar tudo bem. Não sei se Mello está vivo ou não, mas, por outro lado, ele é forte. E Matt também. Acho que eles sairão bem disso. A Kim vai melhorar também, ela vai esquecer do Mello. Ela aprenderá que não vale a pena amar alguém que não a ama, eu sei disso. – Gostaria de aprender isso também e não amar Near, se é que eu realmente o amo...
- Sim... Tenho esperanças de que você esteja certa, Leila… É injusto com ela, e com qualquer um, amar e não ser correspondido. – O albino baixa os olhos, parecendo entristecido. – Ou, pior ainda, amar alguém que é inalcançável. – Ah, Near, se você soubesse…
- Sim... É injusto. Queria que não fosse assim. – Será que ele está entendendo que estou mandando uma indireta para ele? Quer dizer, ele é um gênio, deveria entender… Não é?
- Por que parece triste? – Pergunta, aproximando-se de mim e me abraçando como se eu fosse um bebê. – Aconteceu alguma outra coisa da qual eu não saiba? – Estremeço ao sentir seus braços em torno de mim.
- N… Não.
- Não minta para mim. – Pede. – Sou seu amigo, Leila, pode me falar a verdade. – Ok, eu não poderia me sentir mais culpada mas, por outro lado, não posso dizer a verdade... Posso?
- É que eu... Eu estou com medo. – Conto-lhe uma meia verdade. Eu apenas omiti um fato, não é exatamente uma mentira, certo?
- Ah... Entendo. Todos nós estamos com medo, Leila, em especial depois do que aconteceu com L e Beyond. – Ele responde. – Mas não vou deixar que nada aconteça com você, Chibi-chan. – Chibi-chan virou meu apelido oficial de alguns meses para cá. Provavelmente porque todos eles estão com idades que variam em torno dos vinte anos e eu estou aqui, com treze. Certamente não seria por minha altura, considerando que sou quase do tamanho da Kim e da Ushio.
- O… Obrigada, Near… Mas não acho que haja algo que você possa fazer por mim. – Deixo as palavras escaparem, desejando não tê-las dito.
- Como assim? O que quer dizer com isso? – Ele se afasta.
- É que… Near, eu… — Não posso falar isso para ele. – Se Kira descobrir nossos rostos e nomes, ele certamente vai nos matar e não há nada que possamos fazer para impedir. – Minto novamente.
- Não há nenhuma foto de nenhum de nós por aí... Exceto uma foto da Kim e do Mello que está com ele... Demos pela falta quando Kim foi busca-la no quarto de Mello uma vez. Mesmo assim, Mello cuidará muito bem da identidade da minha irmã e da própria... Mas você... Acho que ninguém tem nenhuma foto sua, Leila. E também ninguém sabe o seu nome. Não precisa se preocupar. – Garante.
- Leah Raymond. – Sussurro. – Acho que você tem o direito de saber. Boa noite, Near.
Volto para meu quarto e me deito na cama, deixando um Near pasmo paralisado no corredor.
—PDV ÍRIS—
Após várias tentativas, eu finalmente consegui falar com Matt. Não poderia ter ficado mais aliviada. Achei sinceramente que ele estivesse morto. Estava desesperada a ponto de ter brigado com minha melhor amiga!
Lembro-me, então, de minha briga com Kim. Não queria ter dito o que disse, eu apenas estava triste. Amanhã precisarei me desculpar com ela.
Fecho os olhos, mas a ansiedade não me permite dormir. E Mello? E se algo acontecer com ele? O que será de Kim? Não conseguirei conviver comigo mesma e nem com ninguém sabendo que minha melhor amiga sofre.
Levanto-me da cama e pego uma folha de papel e uma caneta, levando-os para a escrivaninha. Com um pouco de sorte, Matt ainda me dará o enderenço correto para escrever as cartas, então já posso ir me adiantando, não é mesmo?
Matt... Serei breve nesta carta, pois se fosse falar de como estou, seria obrigada a descrever minha saudade de você e isto poderia demorar muitas páginas. Assim, direi apenas que esta última é insuportável, mas o nosso telefonema amenizou um pouco as coisas.
Como está? Aonde você está? Não, não responda a esta última pergunta. Se eu não souber, não posso falar, não é mesmo?
Bem... Como está Mello? Ele está se recuperando? A Kim está preocupada também... Mas não conte a ele. Kim não quer parecer fraca, entente? Em especial aos olhos do Mello, que foi quem fez ela se sentir assim. No dia da explosão nós meio que brigamos por isso, mas nada demais... Eu estava muito triste e nervosa e assustada, com medo de ter te perdido. Então eu perdi a cabeça. E, como eu disse, Kim também está com muito medo por causa do Mello, então ela teve mais ou menos a mesma reação. Amanhã terei de me desculpar com ela...
Mas, enfim, vamos parar com as minhas reflexões, ok? Bem... Estamos todos preocupados com vocês. Near pediu para Halle, Gevanni e Rester manterem nossa relação com vocês, especialmente a minha com você. Notei que todos eles pareceram muito chocados quando eu citei a antiga relação de Kim e Mello. E quando mencionei que ela ainda o amava e mentia para si mesma e para todos nós e ela ficou puta comigo por isso. Espero apenas que eles obedeçam a Near sem tentar investigar mais a fundo. Não é como se eu não confiasse neles, mas ainda assim... Nossas vidas... Eu tenho a esperança de ainda te encontrar ao menos mais uma vez antes de morrer, então não posso me dar ao luxo de arriscar ser investigada a ponto de, talvez, alguém descobrir meu nome. Ou o seu. Ou o de qualquer um.
Acho que isso é tudo.
Eu te amo, Matt. Sinto sua falta.
Íris.
Escrever para Matt, sentir que ainda tenho seu amor, foi, em muitas noites, a única forma de conseguir pregar os olhos. E, esta noite, não é diferente.
Notas finais
Beijos!
Daisuki, minna-san!
- Ushio.
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